HomeContos HotUm sonho real

Um sonho real

Em casa me arrumando para mais um dia de trabalho, saio do banho e sinto a fragrância do meu shampoo. Pego meu hidratante e deslizo os dedos por todo meu corpo, sinto minha pele macia e imagino o quanto eu queria outras mãos nela agora. Coloco minhas meias e um vestido, pego meu sobretudo e saio de casa, já estava atrasada. Eu estudo literatura e estagio em uma editora perto de casa, quase não tenho tempo para mim, o que é ao mesmo tempo reconfortante e assustador. Saio da faculdade e vou para o trabalho sinto como se o dia fosse seguir seu curso natural.

Ao entrar com meu copo de café às pressas no prédio, acabo me esbarrando em um homem, peço mil desculpas e tento ajudá-lo. Corro na cozinha para funcionários agarrada as suas mãos e o limpo, paro e só então reparo em seu rosto jovial. Ele tinha mais ou menos uns 28 anos, pouca coisa a mais do que eu, certeza. Desculpo-me mais uma vez e me despeço indo para minha sala.

Passo o dia todo pensando no acontecido de mais cedo, leio mais alguns possíveis livros e me prendo em um: Ao caminho da escuridão. Já no titulo eu me deparo com qual seria o contexto do livro e fiquei a tarde toda nele, levo-o ao meu chefe e apresento como um potencial a ser publicado. Modéstia parte, os três últimos livros que eu o apresentei foram sucesso de vendas.

Volto para casa em mais um dia concluído e me jogo na banheira analisando os acontecimentos do meu dia. Levanto para atender ao telefone e vejo meus amigos me chamando para ir a uma baladinha. Aceito e em 20 minutos já estou a espera deles. Aguardo ansiosa, pois precisava esquecer aquele rosto de mais cedo. Rodrigo, Aline e Pietro chegam para me pegar. Fomos à mais nova baladinha da cidade, lá nesses últimos dias era o local do momento. Entramos e peço um drink, fomos à pista de dança e avisto lá do outro lado do bar o homem de hoje mais cedo.  Ignoro, pois já passei tempo demais com ele na cabeça e danço como se não houvesse amanhã.

Quando sinto uma mão na cintura e um sussurro me perguntando se queria seduzir todos os homens do recinto, olho para trás e era o homem de mais cedo. Digo que o único homem que quero seduzir é ele, brinco. Rimos bastante, mas meu inconsciente sabe que é verdade. Começamos a dançar e eu estava cada vez mais atraída por ele. E sentir aquelas mãos em meu corpo só fazia meu desejo aumentar. Paro quase sem ar e vou ao banheiro, com a Aline me perguntando quem era aquele homem de 1,80, moreno e olhos azuis, rindo respondo o desastre de hoje mais cedo para ela.

Saio do banheiro e sinto uma mão me puxando, olho e era ele. Apenas o sigo. Entramos em uma salinha reservada, só pessoas Vips tem acesso a ela, mais nem me atento a isso. Ele se aproxima de mim e pergunta se podia me beijar, olhando nos meus olhos ele já sabia que eu era dele. Apenas balanço minha cabeça em um sinal de consentimento e nossos lábios se tocam. Uma onda de eletricidade percorre meu corpo, envolvo meus braços em seu pescoço e sinto o gosto da sua boca, o doce e o tom alcoólico do seu beijo me entorpecem.

Sinto suas mãos percorrendo minha perna até segurar a barra do meu vestido e, com um movimento único, eu fico seminua na sua frente. Não me sinto tímida, pelo contrário, me sinto poderosa, me sinto desejada, quero sentir sua boca em cada centímetro do meu corpo. E, como se ele lesse minha mente, me joga no sofá e começa a beijar minhas pernas, contorço de prazer. À medida que ele sobe, a ânsia de tê-lo dentro de mim cresce e ele brinca e acaricia minha barriga e, enfim, chega com seu beijo doce. Tento me movimentar e sinto o quão dominador ele é e naquele momento eu não queria mais nada só o toque de sua boca e mãos em minha pele.

Retiro a sua blusa e fico admirando aquela escultura, desabotoo sua calça e o liberto para mim. por um momento sinto que estou no controle, mas estou enganada. Ele me prende e desce beijando minha nuca, eu já estava completamente entregue a ele e ele sabia disso. Olhando nos meus olhos, ele me penetra em um movimento ímpar. Sentir cada centímetro dele entrando era como se eu encontrasse o pote de doces no final do arco-íris e num vai e vem cadenciado me delicio com o seu gosto, toque e cheiro. Cada vez que se intensifica, sinto que estava prestes a explodir e assim acontece como se nosso corpo fossem programados para o prazer. Ficamos ali curtindo o momento e nos conhecendo enquanto ele acariciava meu corpo com a pontas dos dedos.

Momentos depois nos despedimos e eu sentia que aquilo, aquele momento seria único e o último. Torcia para estar enganada, acho meus amigos, nos divertimos mais um pouco e vou para minha casa. Tomo um banho e me deito sentindo o gosto mais exótico e único da minha vida e, assim, adormeço.

Gostou? Compartilhe
Quantas estrelas merece esse artigo?

Baiana. Graduada em Letras Vernáculas e em Jornalismo. Realizou pesquisa em Análise do Discurso, estudando a produção do discurso pornográfico. Descobriu-se apaixonada por assuntos relacionados ao sexo e a sexualidade. Adora brincar com as palavras e fotografias.

falecom.lurosario@gmail.com

Sem comentários

Comente