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Não me lembro o nome dele e, se eu lembrasse, provavelmente não poderia contar. Mas a ideia das confissões no snapgram do Pudor Nenhum foi sugestão de um seguidor, que eu me lembre, assíduo da página. Eu já havia percebido o modismo que existia nisso, porém, ainda não havia aberto as minhas portas. Então, ele surgiu perguntando porque eu não abria o espaço para confissões e que ele, despudorado, gostaria de se confessar. Não hesitei. Ele, então, fez a sua confissão e a partir daí muitas outras vieram.

De acordo com Michel Foucault, em História da Sexualidade I, o ato de se confessar surgiu com o cristianismo. Sendo assim, a confissão é considerada, na sociedade ocidental, uma das técnicas mais valorizadas para a produção de verdade, pela qual a sexualidade foi colocada em evidência e compreendida como uma forma de vincular a salvação ao domínio de seus movimentos mais obscuros. Desse modo, confessar-se é se colocar neste lugar de verdade, de liberdade e de entrega de si por meio do que lhe é mais íntimo: a sexualidade.

Com as confissões, eu percebi que alguns desejos e angústias se repetiam. Mais do que isso, pude obter um recorte de como nós, seres humanos, somos em relação ao assunto. Então, fiz uma listinha com 5 ítens que mais se reptiram entre os despudorados. Assim, podemos refletir juntos sobre nossa posição nesse universo que é tão nosso e, ao mesmo tempo, tão de todos.

 

Esse desejo não é coisa de homens e mulheres solteiras, não. Pelo contrário. Homens e mulheres que são casados estão mais propensos à inovação no relacionamento. Tanto elas quando eles querem um ménage, que seria aquele sexo a três. Porém, existe o receio de um deles se envolver com a terceira pessoa. Além disso, perguntam-se: Onde conseguir essa terceira pessoa? Pensam: precisa ser alguém bem estranho para que não nos vejamos nunca mais. Surge a dúvida: e se ela chupar melhor que eu? E se ele achar que ela tem melhor performance que a minha?

Além disso, o ménage ao qual estou me referindo é aquele entre duas mulheres e um homem. Os que envolvem dois homens e uma mulher ainda não estão entre os preferidos. A força que o homem tem na sociedade retrai muitas mulheres a quererem estar entre dois deles. Há também um fator: aquele que virá no próximo ponto. Veja!

 

É isso mesmo. Eu me surpreendi com a quantidade de mulheres que sentem vontade de receber um sexo oral de outra mulher e, inclusive, é essa vontade que faz com que sintam vontade um ménage com seu parceiro e outra mulher. Não dizem que só uma mulher conhece a outra perfeitamente? Pois é. Acreditando nessa máxima, esta é uma vontade que muitas tem, mas nem todas tem coragem de falar e experimentar.

Falar que querem ter essa relação sexual com outra do mesmo sexo faz com que tenham receio de serem vistas como homossexuais. Elas acreditam que esse desejo seja apenas uma fantasia e não algo pra vida. Muitas também ficam em dúvidas se são bissexuais, pois gostam muito de homem, mas, ao mesmo tempo, sentem muito essa vontade. Inclusive, esse querer tanto também é justificado pelo próximo item.

 

Não é de estranhar que mais mulheres reclamem do seu relacionamento do que os homens. À eles, cabe o papel legítimo de trair. Afinal, existe um ditado que diz: todo homem trai. Assim, a insatisfação é golpeada logo no início e ele parte para outros caminhos fora de casa. Para a mulher, cabe o julgamento. Mulheres que traem são desmoralizadas. Devido a isso, elas demoram mais de trair. Sustentam por mais tempo suas insatisfações e, consequentemente, reclamam mais.

Algumas traem e, assim, sentem-se mais felizes. Vêem no amante seu desejo renovado. Seu amor próprio se inflama. Algumas sentem vontade de trair, mas tem medo e não conseguem. Outras propõem ménages, como foi citado acima, e produtos eróticos para esquentar a desgastada relação. Há, também, aquelas que pedem dicas porque já não sabem mais o que fazer e, muitas delas, vivem em relações abusivas. A insatisfação, neste caso, triplica.

 

Muitas mulheres não conhecem o seu corpo o suficiente nesta relação gostosa com o outro. Ela se descobre entre dedos e isso faz com que a liberdade a tome. É gostoso gozar sozinha e é gostoso quando ele a faz gozar do jeito que ela se acostumou; mas quando o pênis a penetra, pode rolar tensão, pode rolar muita vontade de fazer bonito pra ele e uma exigência grande de si mesma em se mostrar sexualmente imperiosa. Tudo isso inibe o prazer no momento da penetração.

Com certeza pode haver mais fatores e preciso estudar a respeito. Isso foi até algo que falei com uma seguidora no Instagram dia desses. Não sentir prazer na penetração é muito mais comum do que imaginamos. Ah, e também pode ter relação com a forma como os corpos estão dispostos neste estímulo que os dedos alcançam, mas que o pênis pode não alcançar. Quando penetradas, não é só o homem que se esforça e rebola, a gente também precisa pulsionar e fazer a nossa parte.

Diante deste item, encontrei alguns casos mais agravantes: mulheres não sabem quando gozam. Entretanto, não foi algo tão comum assim e, por isso, não vou colocar como um item à parte – por enquanto. Mas sinto que precisamos de um post inteiro para abordar esse assunto, até porque ele faz um link com vários outros. Vou até por ele em minha agenda, ta?

 

Vocês perceberam que todos os itens anteriores são referentes às mulheres, não é? Apesar dos homens se confessarem muito, são as mulheres as que mais reclamam e as que mais se parecem em suas afirmações. Em relação aos homens, o que mais chamou a atenção foi o fato deles não saberem como lidar com o relacionamento que está se fragmentando.

Alguns homens acabam traindo, algo considerado normal – infelizmente. Outros homens pensam em inserir produtos eróticos na relação e eu acho isso bem bacana. Muitos também pensam no ménage – mas sempre com outra mulher. Caso a mulher considere dois homens, ele pula fora. Um pouco egoísta, não? Com essa preferência e sem abrir mão dos desejos da parceira, você foge do objetivo que seria manter o relacionamento a todo vapor. Pense nisso!

 

Então, o que acharam de tudo isso que elenquei aqui? Você se encaixa em um desses itens? Você acha que tudo isso é realmente uma pequena mostra do que nós somos. É incrível o quanto tudo isso se repete dia após dia. Acho que a gente tem uma série de estudos que comprovam cada um dos pontos, aqui, apontados. Se eu fosse escrever sobre cada um deles, certamente teria muito conteúdo e muita experiência de confissões que me foram enviadas.

Quero salientar que todas elas são enviadas pelo Direct, mas reproduzidas de forma anônima no snapgram. Quem quiser fazê-lo de modo mais longo e queira uma intervenção/conselho meu, basta enviar para contato@pudornenhum.com.br que eu reproduzo aqui e de forma anônima, claro!

Espero que esta publicação seja significativa para todos e sigamos nessa vida sem pudor nenhum e com mais confissões deliciosas que signifiquem muito mais do que liberdade, mas grandes passos rumo ao amor e à felicidade.

Eat me ou, em outras palavras, coma-me. Comer é o verbo que a maioria das mulheres conjugam quando não se aguentam mais de tesão. Reprimir desejos e negar o pedido dos nossos hormônios é desesperar-se por dentro e dar oportunidade aos pensamentos mais indecentes e indiscretos. Toda mulher, diferentemente do homem, ao sentir tesão molha-se entre as pernas. O tesão ocasiona uma lubrificação vaginal, além de outras características como aumento da temperatura do corpo, a cor da pele fica mais corada e a respiração aumenta. Essas mudanças deliciosas ocorrem por uma série de fatores hormonais.

O tesão inicia no cérebro pelo estímulo das áreas erógenas, que se dá pela audição com coisas sacanas e lisonjas, pela visão por meio de cenas que tenham a ver com o interesse de cada uma. Quem gosta de uma bunda, ver uma bem saliente causa saliências. Quem gosta de um peitoral definido ou qualquer outra parte do corpo, há que se refrescar porque ver tudo isso esquenta! E quem gosta daquela piscada de olho, daquele isso e daquele aquilo que os olhos contemplam encontram neste uma razão para excitar-se. O tato também é uma forma de provocar.  Pensa aí em uma pegada federal, uma mão na cintura e nos cabelos? Mulher nenhuma resisti, leram homens?

Quando a mulher está ovulando, no décimo quarto dia após a menstruação, ela fica no período fértil e daquele jeito que os homens adoram. Nesse período, a mulher exala um odor que atrai o homem (Sim, parecemos animais no cio!). Nosso tesão, mulheres, costuma durar mais do que o dos homens, pois eles normalmente o perdem após a ejaculação.

Transar é muuuito bom, mas sentir tesão naquele dado momento e desejar mais que tudo o outro é um manjar dos deuses (fiquei até com água na boca!), sem contar que torna o sexo ainda melhor! Quando tudo isso coexiste com o envolver-se, com o carinho e o querer bem em todos os sentidos… aí sim, a coisa pega fogo e não há quem apague!

Sexo e Sexualidade são duas palavras chaves, aqui, no Pudor Nenhum. A gente sabe que não há uma relação de sinonímia com eles, ainda assim, não sabemos explicar o que significam e, desse modo, ficamos povoados de dúvidas que mal conseguem ser elaboradas. Antes de qualquer discurso, o melhor lugar para destrinchar significados é o Aurélio, nele consta que sexo é

 

Desconsideremos essa definição apontada nos itens 5 e 6 porque essa ideia de sexo forte e fraco foi uma construção cultural ao longo de nossa história que não condiz com a realidade. Ainda, conforme o Aurélio, vamos verificar o que significa sexualidade.

 

Não sei se essa definição a respeito de sexualidade lhes ficou clara, então resolvi explicá-la com minhas próprias palavras e por meio de uma metáfora. Pensemos na relação entre língua e fala. A língua é um conjunto de códigos específicos que representam a coletividade, tais como as diversas línguas ao redor do mundo, enquanto a fala é algo individual e refere-se ao modo como alguém se comunica através da linguagem verbal. Nesse sentido, a fala está inserida na língua porque é a partir dela que esta se manifesta. Do mesmo modo, temos a inserção do sexo no todo que abrange a sexualidade.

Sexo é algo individual ou uma palavra que representa o ato sexual em si. Em outras palavras, diria que meu sexo é feminino, que eu tenho vulva e que adoro fazer sexo com homens e em diferentes posições. Além disso, eu posso dizer que, em meus cursos universitários, eu sempre estudei com uma quantidade maior de pessoas do sexo feminino. Já a sexualidade, a gente aponta-na de forma diferente.

A minha sexualidade consiste no aflorar dos meus apetites sexuais. De acordo com a Psicanálise, a sexualidade está diretamente relacionada à libido, pois temos um corpo erótico que reage perante todos os sentidos. Esta funda-se em Freud que compreende o nosso corpo como uma fonte de prazeres e, consequentemente, o sexo como base de tudo.

É possível também, para ficar ainda mais fácil, entender o Sexo como biológico e a Sexualidade como psicológica. Esta última pode ser caracterizada pela orientação e opção sexual, portanto, falar de sexualidade é realmente abordar um mundo onde nossas aptidões sexuais são colocadas em pauta e vão além da abordagem sobre homens e mulheres, ficar de quatro, mulher por cima ou por baixo.

 

Continuação da imagem que ilustra esta publicação.

Continuação da imagem que ilustra esta publicação. Fonte: http://biancabeltramello.tumblr.com/

 

Para a jornalista Thaís Gurgel, na Revista Nova Escola, “Apreciar a textura de um sorvete, relaxar numa massagem, desfrutar o beijo da pessoa amada: tudo o que se relaciona ao prazer com o corpo está ligado à sexualidade”, ou seja, a sexualidade é uma amplidão que nos perpassa desde o nosso nascimento e, sendo assim, é um tema que não se esgota. Percebe-se que suas palavras estão imbuídas do que Freud, no início do século XX, concluiu.

Para Sigmund Freud, em Um caso de histeria, Três ensaios sobre sexualidade e outros Trabalhos,”não é fácil delimitar aquilo que abrange o conceito de ‘sexual’. Talvez a única definição acertada fosse ‘tudo o que se relaciona com a distinção entre os dois sexos’. (…) Se tomarem o fato do ato sexual como ponto central, talvez definissem como sexual tudo aquilo que, com vistas a obter prazer, diz respeito ao corpo e, em especial, aos órgãos sexuais de uma pessoa do sexo oposto, e que, em última instância, visa à união dos genitais e à realização do ato sexual. (…) Se, por outro lado, tomarem a função de reprodução como núcleo da sexualidade, correm o risco de excluir toda uma série de coisas que não visam à reprodução, mas certamente são sexuais, como a masturbação, e até mesmo o beijo”.

Diante de toda a  explanação realizado, espero que não tenhamos mais dúvidas diante do slogan que cerca o Pudor Nenhum: Sexo e Sexualidade na ponta da língua. Quando me dizem que é difícil ter assunto para escrever todo dia, eu rebato com o argumento de que sexualidade é um universo no qual as pautas não se esgotam nunca.

Caso ainda tenha dúvidas e queira conversar, pode me convidar para uma xícara de café ou uma taça de vinho. No Pudor Nenhum, eu gosto de deixar tudo às claras, afinal, quem fica no escuro, não enxerga o buraco da fechadura e a gente adora olhar o que tem do outro lado.

Para finalizar, quero que olhem novamente para a imagem que ilustra esta publicação. Da ilustradora Bianca Beltra Mello, ela e outras foram achados que me deixaram morta de amores e que representam bastante todo o universo de prazeres que trazemos aqui. Estou encantada! Quando quiser sugerir artistas, temas e vontades, fique à vontade e despudorize-se junto comigo. Confesso que é uma delícia!

Estamos no último dia de 2015 e, é claro, que relembrar todo este ano que passou é uma tarefa e tanto. Quando ele começou, eu ainda estava correndo atrás de fazer uma nova logo para o Pudor Nenhum e o resto eram apenas vontades do que este espaço poderia ser. Sentia tesão em cada planejamento e corri atrás de tudo o que poderia colocá-lo em pé. Consegui.

Este ano que se encerra, portanto, foi feito de muitas realizações e – com elas – obtive sucesso. O Pudor Nenhum está lindo e com datas de publicação acertadas. Ainda não consegui me organizar o suficiente para colocar as publicações em dia, mas quero a partir deste novo não perder uma terça, quinta ou sábado para estar com você. As redes sociais possuem participações ativas e cresce cada dia mais. Isso é um motivo de orgulho imenso. Até no Whatsapp o Pudor Nenhum está e por lá fazemos festa todos os dias.

Para 2016, além de buscar me organizar, estou cheia de metas a serem cumpridas. Eu quero, por meio do Insta, colocar uma curiosidade sobre sexo todos os dias e, inclusive, já está prometido. Eu pretendo, quem sabe, abrir uma lojinha virtual de produtos eróticos aqui e também fazer um Canal no YouTube todo regado nas delícias de um universo voltado para o sexo e a sexualidade. A intenção é que 2016 seja ainda mais fodástico do que foi este ano!

A partir de amanhã, continuemos com essa carinha lavada que nós temos e com a energia renovada porque nós merecemos. Sejamos despudorados da cabeça aos pés. Tenhamos autoestima para nos acharmos maravilhosos e maravilhosas seja lá onde a gente estiver. É com esse amor próprio, meu bem, que a gente segue em frente. Então, até sábado – dia 02 de janeiro. Antes disso, estarei no Facebook e no Instagram porque sou dessas.

 

Sou dessas que se arruma toda só pra provocar
Sou dessas que de vez em quando gosta de aprontar
As vezes tomo um negocinho só pra me soltar
Vou te mostrar como se joga se quiser brincar
[Sou dessas/Valesca Poposuda]

Dizem que eu sou puta porque visto roupa curta e, por isso, dizem também que estou mostrando o útero. Dizem que sou puta por usar um decote e deixar saltar os seios porque acreditam que meu salto me deixa desajeitada e meu cabelo jogado de lado é digno de uma prostituta – afinal, há estereótipos que perseguem muitos tantos. Se ser puta é vestir e jogar o cabelo como eu gosto, então sou puta sim.

Dizem, também, que sou puta em me esconder sobre roupas demais e depois falar putaria. Acreditam até que meu boquete dá de dez em qualquer profissional que abocanha diariamente. Que seja, que assim eu seja puta. Dizem, inclusive que meu batom em minha boca carnuda é, simplesmente, para chamar a atenção e coisa de quem é puta sem tirar nem por. Como eu já disse, se for assim, sou puta mesmo.

Minha putice está na boca dos desconhecidos que entendem minha escrita como pura pornografia. Se eu sou puta porque escrevo sobre sexo, coloco fotos semi-nua e escolho outras gozadas para aqui expor, que eu seja uma putinha com nome e sobrenome. Sou puta de classe com pedigree: não erro nos pontos, nas palavras e nas rimas desencontradas. Se tudo o que escrevo é falar demais e é me achar demais, então sou puta ao quadrado. E se toda provocação não se manifesta concreta, eleva à potência toda minha putice e me completa com um descarada – esta cabe no mesmo conjunto e sai da boca às cusparadas.

Eu sou puta porque tenho cara de santa, cara de ingênua e cara de menina. Seria puta, também, se tivesse cara de vadia e lambesse a ponta dos dedos como se lambe o sexo alheio. Sou vista como puta como quase toda mulher. Sou vista como puta como você pensa não ser. Sou apontada, mesmo sem ver. E minha mãe que nem faz parte da história, vira puta também.

Falar de intimidade é sempre complicado, inclusive já tentei fazê-lo algumas vezes aqui, no Pudor Nenhum, e sempre entrei em pequenos conflitos.O fato de eu ter trazido este assunto se deu por um momento simples em que um amigo com o qual já tive relações sexuais ter pedido que eu me virasse a fim de não vê-lo se despir para entrar no banho. Nesse momento, eu pensei: Mas a gente já não transou tantas vezes e eu não já o vi nu? Diante disso, fiquei me perguntando o quão ele me via íntima dele e o quanto o fato de termos transado se diferencia do fato de nos colocarmos nus, um diante do outro, em situações cotidianas. Neste sentido, lembrei no quanto isso me era presente. Por exemplo, eu namorava e transava todos os dias com meu namorado, mas, na hora de tomar banho ou de me trocar, não queria que ele me visse porque achava que o olhar seria mais atento e perceberia que meu corpo tinha imperfeições antes não vistas. Olha que bobeira! Depois de repensar muito e me sentir mais plena sexualmente, abri mão desses pudores.

A intimidade, ao meu ver, está muito relacionada ao modo como você se vê e como entende a relação com o outro. Se você se aceita como é e tem cumplicidade o suficiente, não há porque se envergonhar da sua nudez. Se ele (ou ela) te acha gostoso(a) e vocês se dão super bem, não é porque seu corpo está mais exposto que a pessoa deixará de achar tudo isso. E outra: você é visto com a mesma atenção e com mais detalhes quando o sexo está acontecendo. Inclusive, parece até paradoxal esse despudor e pudor que existem entre duas pessoas em situações tais. Entretanto, lidar com isso não é fácil nem é brincadeira, é algo que mexe com o psicológico e que se faz mais complexo do que imaginamos. Diante do que a sociedade nos impõe, o sexo passa a ser uma forma de mostrar a própria potência enquanto ser sexual e a simples nudez torna-se algo que passa por todos os padrões estereotipados.

De tudo, eu só sei de uma coisa: precisamos rever alguns conceitos que nos cercam e compreender o quão somos íntimos de alguém após o momento que saímos do ato sexual. Diante dessa colocação, eu te pergunto: a intimidade começa quando? Pergunte-se isso. Acredito que a ausência de pudor é tudo de bom e faz muito bem.

Azul é a cor mais quente, dirigido por Abdellatif Kechiche, foi um desses longas que eu não poderia deixar de assistir e que fez com que eu me emocionasse muito. Super comentado por suas cenas de teor erótico, ele narra a história de Adèle, uma jovem que descobre no azul dos cabelos de Emma sua primeira paixão por outra mulher.

Ao adentrar em um ambiente gay e ser recepcionada na frente da escola por Emma, suas colegas a agridem verbalmente pela possibilidade dela ser lésbica. Ainda assim, ela e Emma passam a sair juntas até rolar o primeiro beijo, a primeira transa e, assim, começarem a namorar.

A família de Emma é tranquila e sabe da preferência sexual da filha, já a família de Adèle não sabe disso e vê sua namorada como uma grande amiga. Elas vão morar juntas, comemoram momentos importantes e – com o tempo – a relação passa a esfriar. Adèle não revela seu relacionamento no ambiente de trabalho por medo da represália que pode vir a sofrer, outras relações são descortinadas por ela se sentir sozinha e, no finalzinho, que me emocionou bastante, você precisa assistir para saber no que dá.

Azul é a cor mais quente reflete um pouco a descoberta da sexualidade e o olhar que a sociedade heteronormativa tem a respeito de uma mulher que venha a curtir outra do mesmo sexo. O filme também apresenta o momento de luta contra o preconceito por meio da Parada do Orgulho LGBT, bem como a beleza da nudez feminina nas pinturas de Emma.

As cenas de sexo ficam, principalmente, a cargo das duas. São cenas inspiradoras e que mostram o explorar do corpo de ambas. Chega a nos dar tesão e nos inspirar. Aproveita um dia desses para assisti-lo, acredito que você vai gostar!

PS: Este filme é baseado no romance Le Bleu est une couleur chaude, de Julie Maroh. Depois que eu lê-lo, irei fazer a resenha para vocês.