Sem Tabus

Ex-namorado chato é um saco!

Todos os relacionamentos são únicos e, portanto, terminam diferentemente uns dos outros. O problema consiste quando o término envolve brigas, falta de confiança e posterior desgaste. Foi assim com uma leitora do Pudor Nenhum que, após alguns anos de namoro e promessas, deparou-se com uma traição. Traição é aquele negoço que a pessoa fala que perdoou, mas, na verdade, nunca mais volta a confiar do mesmo jeito. Existe uma metáfora que diz que a traição é como um vidro que se quebra, pois não adianta colar que ficarão os vestígios.  Eu acredito e a repito.

Então, o namoro não tinha confiança e não era mais tão bom quanto foi no início. Inclusive, a relação consigo mesma havia mudado bastante (e para pior), ou seja, a palavra vaidade não fazia parte do seu dicionário. Não tinha vontades de sair nem se achava bonita. Vivia numa dependência pisicológica em que acostumar-se com o outro confundia-se com gostar. Diante de tudo isso, problemas se sucediam. Alguns bastas não o representavam e, enfim, no último chega pra lá – houve o não contentamento e aceitação da parte dele.

Para se amar, ela resolveu mudar o visual. Mexeu no cabelo – ponto fraco de qualquer mulher – cortou ali, cortou aqui e tornou-se outra. Passou a atrair olhares, deu uns beijinhos em outros caras e descobriu o quanto é mulher e o quanto pode chamar a atenção de outros homens. Entretanto, não satisfeito com a nova mulher que via se descortinar fora do seu aparato, o ex ficou na cola dela e aproveitou-se de oportunidades e pontos fracos para fazê-la voltar debaixo de suas asas e conseguir dominá-la.

Assim, enviou cesta de café da manhã no dia dos namorados, ficou convidando-a para sair, prometeu colocar antigos planos em ação, repetiu expressões clichês de amor e agiu como se estivesse com os pés fincados no passado (época em que namoravam). Para ela, não adiantava ignorar ou ser grosseira em suas respostas. Ao bloqueá-lo no Whatsapp ou Facebook, ele adquiria um novo chip ou abria outra conta da rede social virtual – praticamente uma perseguição que mais parecia novela mexicana.

Nesse contexto, bate um certo desespero. A pessoa não percebe o quanto é inconveniente e aquela que sofre com tudo isso não sabe mais o que fazer. Mas quer saber o que, apesar de tudo, eu indico? O ignorar será sempre a melhor resposta. Ignorar de todos os modos. Em algum momento, a pessoa vai sofrer pelas não respostas dadas e perceberá que não adianta fazer mais nada porque o outro já está suficientemente independente para não querê-lo mais.

Casos como os dessa leitora são comuns, alguns acabam em um processo judicial e outros chegam a morte. O sentimento de posse sem reconhecer seus erros e a necessidade de não deixar o outro ser livre da forma que desejar não é saudável e é completamente egoísta. Se você é desses inconscientemente, leia esse texto novamente e repense suas atitudes. Se você está subjetivada no lugar dela, então pense bem como se dá essa perseguição pós-namoro para tomar as atitudes adequadas – seja perante um advogado ou não. Oh, nada na vida deve nos reprimir e impedir de nos olharmos no espelho e percebermos a beleza que temos. A gente é linda e ex-namorado que se lasque. Autoestima é uma palavra que nunca deve sair de nós. Com amor próprio, nós somos tudo o que queremos ser.

Lu Rosário

Jornalista. Baiana. Leonina. Feminista preta. Apaixonada por tudo o que diz respeito a sexo e sexualidade. Palavras e fotografias são suas taras.

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