Sem Tabus

Uma X-cania passou em cima de mim!

Foi um chegar como quem não queria nada, naquela coisa de avaliar, de se sentir intimidade de pessoas com  quem você vê convive diariamente, mas não conversa; ou que nunca viu e, de repente, vê-se em volta. Na porta, já rola um papo. Ao entrar, já rola um se achegar. E nesta pegada que as X-canias, sapatinhas, sapatilhas e sapatões começaram a fazer piseiro na noite do dia 16 de outubro. Vitória da Conquista reencontrou-se em um ambiente de possibilidades, onde o público homossexual sentiu-se à vontade para as trocas linguísticas e experimentação de sentidos.

As X-canias chegaram com tudo, proporcionaram um tráfego dentro e fora do Ice Drink e algumas, é claro, deram vexame porque se não fosse, não iria prestar. Um salão, espaço do open, porta, corredor e banheiro fazia um entrelaçado de amassos em paredes silenciosas. Beijos triplos, mãos passantes, olhares trocados e sensualidade nos corpos era algo que tomava os espaços sem pedir licença alguma.

Curiosidade e perigo era o que todos prometiam em trocas de vontades. Para não cair em desuso, as cantadas sobre guardanapos entraram em ação. Aquela coisa de boemia e de mesa de bar nos permearam. Todo mundo recebeu sua cantadinha de pé do ouvido e caneta marcada, confesso que guardei os meus – nem todo mundo se lembrava quando o momento era se atracar com o outro.

Cantada X-cania

Mais uma cantada X-cania

Como educadas que são, a festa no final deixou as x-canias com o coração cheio de emoção porque, realmente, foi lindo. Muita dignidade perdida, muitos contatos trocados, muitas línguas saciadas, passos aprendidos, corpo pedindo descanso e, logo depois, pedindo mais. Para finalizar com vocês, deixo o recado das organizadores lindas.

Por fim, queremos agradecer principalmente a todas vocês, xcanias deliciosas, que rebolaram gostoso, beijaram na boca delícia e fizeram a noite de ontem ser a mais quente de todas. Tivemos uma equipe fechada para produzir a festa, mas, sem sombra de dúvidas, quem fez com ela acontecesse foram todas vocês. Então um beijinho na pepeca de cada uma e se preparem que em breve tem mais.

Opa, vocês estão de prova: rolou promessa de mais festas como essa. Nas próximas, óbvio, o Pudor Nenhum vai continuar marcando presença e divulgando pra vocês. Momentos como esses não podem ser deixados em branco. E, enquanto isso, vamos cair na estrada mais uma vez! #fui #partiu

 

 

Jornalista. Baiana. Leonina. Feminista preta. Apaixonada por tudo o que diz respeito a sexo e sexualidade. Palavras e fotografias são suas taras.

5 Comentários

  • Naiade

    Moça, esse texto ajuda a fetichizar as lésbicas. Já rolaram casos de assédio na própria festa e meninas com suas namoradas foram incomodadas por caras pedindo beijo triplo (houve reclamação na página). Isso ajuda a construir uma imagem que não queremos. Imagina os caras lendo o seu texto e decidirem ir à festa esperando dar beijo triplo nas meninas? Aliás, beijo triplo eu não vi nenhum. E não me incomodo se houve, cada um cuida de si. O problema é quando os limites são ultrapassados.

    • Lu Rosário

      Naiade, a intenção não foi essa. Escrevi com o intuito de manter o clima com que senti que foi a festa. Não vi assédios, não vi forçações de beijo triplo – mas vi rolando. Acho digna a sua colocação, inclusive essa fetichização é algo que já estava em meus planos escrever. Vou proveitar sua colocação e escrever o próximo texto sobre o assunto para evitar maus entendimentos. Sou mulher, sou a favor da liberdade sexual e totalmente contra a falta de respeito e o olhar que nos atravessa e nos permeia de outros sentidos. Muito obrigada pela colocação e abramos a boca e despejamos as letras, sempre. Realmente, os limites não podem nunca ser ultrapassados.

      Beijo.

  • Mariana Kaoos

    Fico imensamente feliz em ler a percepção de outra pessoa não apenas como público, mas também como jornalista em formação. Gosto do título, gosto do jogo das palavras e mais ainda dos trocadilhos. Te esperamos na próxima e ficaremos super felizes se rolar outro textinho por aqui.

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