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Pornô (patia)

Um gemer escandaloso, uma expressão fria, um olhar firme e uma boca que se desboca. Pernas bem abertas, ânus alargado, bumbum empinado, seios grandes e redondos, cabelos quase sempre longos. Alguns piercings nos mamilos, genitália e boca. Um pênis grande e grosso, um negão poderoso. Um pênis grande, uma barriga sarada e palavras deslavadas, monossilábicas, cuspidas, desconexas, incorporadas. Uma única narrativa: fazer sexo de cima pra baixo, de baixo pra cima, do lado direito, esquerdo e em diagonal; fazer anal, oral nela, nele ou neles porque se faz em dupla, trio, quádruplo com uma para eles ou elas para um – tanto faz: é sexo; com meia calça rasgada, sete oitavos, curta, colorida ou combinando com os tons da calcinha, que pode ser fio, tapa sexo, tapa nada, mostra tudo; sem pelos ou pelos vindos da depiladora e da vontade para a vitrine que a câmera se tornou; de salto, performance, imagem é tudo; sem nada, ele – praticamente desnudo, sem pelos, malhado; rápido, devagar; na arena, no carro, no sofá, no quarto, na parede, numa maca ou no mato; com instrumentos, aparelhos, óleos, géis e parafernálias. No início de tudo, antes do play, eu. Da transmissão, masturbação. Daquele olhar, perfeito tesão sobre si. Expectativas e idealizações – em vão?

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Baiana. Graduada em Letras Vernáculas e em Jornalismo. Realizou pesquisa em Análise do Discurso, estudando a produção do discurso pornográfico. Descobriu-se apaixonada por assuntos relacionados ao sexo e a sexualidade. Adora brincar com as palavras e fotografias.

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