HomePosts Tagged "lésbicas"

Falar Gouinage é reconhecer, em si, a sua origem francesa. Traduzida, significa contatos íntimos entre lésbicas. Entretanto, não é algo que se refere apenas a elas por ser uma prática sexual que consiste na não penetração. Isso mesmo, o Gouinage consiste naquele erotismo delicioso que pode nos levar ao orgasmo sem precisar penetrar. A exploração dos sentidos – olfato, paladar e tato – permite um prazer nas alturas.

Este termo tem sido usado recentemente e, por isso, a gente não encontra muita coisa sobre o assunto. Se formos pensar em seu sentido, tal como a denominei acima, pensamos nas preliminares e também no sexo tântrico. Porém, é bem diferente. As preliminares pressupõem um sexo incompleto, visto que – como a própria palavra sugere – apenas é uma introdução do que seria o sexo completo. Já o sexo tântrico envolve uma técnica e, inclusive, tem cursos longos para que a pessoa esteja preparada a realizá-lo. No gouinage, basta ter criatividade para que o prazer seja devidamente oferecido.

O gouinage também se refere ao contato íntimo natural, isto é, usando o próprio corpo e sem a inclusão de acessórios, tais como vibradores. O termo, apesar de ter somente mulheres em sua tradução, também envolve os g0ys – homens que são machistas, compreendidos como heteros, mas que possuem relações íntimas com outros homens. Não existem ativos nem passivos na gouinage, pois ambos proporcionam prazer mútuo e, como não há penetração, também podemos fugir dos estereótipos sexuais.

Quem pratica o gouinage, pode ser chamado de gouines. A partir desta prática, você conhece melhor o corpo do parceiro, como excitar, sentir e proporcionar prazer. Para alguns, gays não podem ser gouines porque todo sexo gay precisa de penetração. Assim, entendem apenas como uma prática concernente aos g0ys. Entretanto, apesar das discussões, muitos têm descoberto que ela pode levar a satisfação plena. Coisa linda, não é?

Acho que todos nós deveríamos tentar ficar assim com o parceiro pelo menos uma vez. Acredito que ele vai entender como uma brincadeira e aumentar, ainda mais, o prazer sexual. Na próxima vez, ai chegar com tudo em você e o doce vai ficar uma doceria inteira de delícias e gozo. Caso seja uma gouines, conta pra gente sobre essa sua experiência!

Azul é a cor mais quente, dirigido por Abdellatif Kechiche, foi um desses longas que eu não poderia deixar de assistir e que fez com que eu me emocionasse muito. Super comentado por suas cenas de teor erótico, ele narra a história de Adèle, uma jovem que descobre no azul dos cabelos de Emma sua primeira paixão por outra mulher.

Ao adentrar em um ambiente gay e ser recepcionada na frente da escola por Emma, suas colegas a agridem verbalmente pela possibilidade dela ser lésbica. Ainda assim, ela e Emma passam a sair juntas até rolar o primeiro beijo, a primeira transa e, assim, começarem a namorar.

A família de Emma é tranquila e sabe da preferência sexual da filha, já a família de Adèle não sabe disso e vê sua namorada como uma grande amiga. Elas vão morar juntas, comemoram momentos importantes e – com o tempo – a relação passa a esfriar. Adèle não revela seu relacionamento no ambiente de trabalho por medo da represália que pode vir a sofrer, outras relações são descortinadas por ela se sentir sozinha e, no finalzinho, que me emocionou bastante, você precisa assistir para saber no que dá.

Azul é a cor mais quente reflete um pouco a descoberta da sexualidade e o olhar que a sociedade heteronormativa tem a respeito de uma mulher que venha a curtir outra do mesmo sexo. O filme também apresenta o momento de luta contra o preconceito por meio da Parada do Orgulho LGBT, bem como a beleza da nudez feminina nas pinturas de Emma.

As cenas de sexo ficam, principalmente, a cargo das duas. São cenas inspiradoras e que mostram o explorar do corpo de ambas. Chega a nos dar tesão e nos inspirar. Aproveita um dia desses para assisti-lo, acredito que você vai gostar!

PS: Este filme é baseado no romance Le Bleu est une couleur chaude, de Julie Maroh. Depois que eu lê-lo, irei fazer a resenha para vocês.

Este é um assunto que já estava em meus planos falar, mas que veio à tona com mais força após um comentário sobre a postagem pós festa X-cania. Caso tenha parecido que o texto fetichizava as mulheres lésbicas, saiba que a intenção nunca foi essa. Esta resposta, inclusive, é para todas as mulheres e homens que estavam na festa, que pretendem ir nas próximas e para quem lê o Pudor Nenhum – independente de qualquer outra coisa.

Vocês já perceberam que, normalmente, homem com homem é considerado feio e nojento enquanto mulher com mulher é compreendido com um ato bonito e mais livre às outras possibilidades? Pois é. As pessoas, homens ou mulheres, costumam aceitar mais facilmente a relação entre mulheres devido a sociedade machista em que estamos inseridos. Neste sentido, a mulher não parece ser vista efetivamente como lésbica e sua sexualidade torna-se fetiche, tendo que servir aos desejos masculinos ou de casais. O ménage à trois é um destes casos, pois todo homem sonha em transar com duas mulheres e vê-las interagir sexualmente. Estou mentindo?

Então, a mulher lésbica é vista como aquela que também pode ficar com homens e que, portanto, ao ficar com os dois, pode servir de brinquedinho nas vontades alheias. Logo, a gente se depara com a invisibilidade, homofobia e machismo – tudo em um mesmo pacote. Quando duas mulheres se beijam, um homem olha, mostra a língua e segura no saco, mostrando que o convite está aberto ou que mais tarde vai bater uma para celebrar a beleza que se apontou diante dos olhos dele.

Na novela Babilônia, as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg formavam um casal lésbico e sabe o que eu ouvi? Que como é que “duas velhas se prestam a fazer um papel desses”, “são duas sem vergonhas”, “numa idade dessas”. Isso me fez pensar no quanto o ser lésbica está relacionado a juventude. É como se depois que envelhecessem, tivessem que se enquadrar no padrão heterossexual. Nesse contexto, as pessoas vêem a homossexualidade feminina como uma moda e isso deslegitima a mulher, tira-lhe a voz, inviabiliza a sua sexualidade.

Quando colocaram-me o assédio dos homens às mulheres na X-cania com pedidos de beijo triplo, você vai justamente ao encontro de tudo o que eu disse acima. Inclusive, na festa haviam muitos curiosos que provavelmente acreditam na máxima de que ser lésbica é moda e, por isso, ele entende que pode se apropriar de tais espaços. E apropriando-se, o seu pensamento machista persiste em prevalecer ultrapassando limites alheios em invasões de privacidade e desrespeito à sexualidade da mulher – que, naquele espaço, ela crê ser libertador já que sofre tantos preconceitos cotidianamente.

Espero ter esclarecido aos senhoritos e senhoritas sobre o fato de uma mulher sentir atração por outra não é moda, não é um ato para provocar o homem e não é nada do que você pense que não seja uma opção sexual. Assim como as relações heterossexuais são respeitadas, as homossexuais encontram-se no mesmo patamar. Portanto, aprendamos a ter o hábito de não enquadrarmos ninguém em nossa cultura machista e sejamos melhores conosco e com os outros.

 

Foi um chegar como quem não queria nada, naquela coisa de avaliar, de se sentir intimidade de pessoas com  quem você vê convive diariamente, mas não conversa; ou que nunca viu e, de repente, vê-se em volta. Na porta, já rola um papo. Ao entrar, já rola um se achegar. E nesta pegada que as X-canias, sapatinhas, sapatilhas e sapatões começaram a fazer piseiro na noite do dia 16 de outubro. Vitória da Conquista reencontrou-se em um ambiente de possibilidades, onde o público homossexual sentiu-se à vontade para as trocas linguísticas e experimentação de sentidos.

As X-canias chegaram com tudo, proporcionaram um tráfego dentro e fora do Ice Drink e algumas, é claro, deram vexame porque se não fosse, não iria prestar. Um salão, espaço do open, porta, corredor e banheiro fazia um entrelaçado de amassos em paredes silenciosas. Beijos triplos, mãos passantes, olhares trocados e sensualidade nos corpos era algo que tomava os espaços sem pedir licença alguma.

Curiosidade e perigo era o que todos prometiam em trocas de vontades. Para não cair em desuso, as cantadas sobre guardanapos entraram em ação. Aquela coisa de boemia e de mesa de bar nos permearam. Todo mundo recebeu sua cantadinha de pé do ouvido e caneta marcada, confesso que guardei os meus – nem todo mundo se lembrava quando o momento era se atracar com o outro.

Cantada X-cania

Mais uma cantada X-cania

Como educadas que são, a festa no final deixou as x-canias com o coração cheio de emoção porque, realmente, foi lindo. Muita dignidade perdida, muitos contatos trocados, muitas línguas saciadas, passos aprendidos, corpo pedindo descanso e, logo depois, pedindo mais. Para finalizar com vocês, deixo o recado das organizadores lindas.

Por fim, queremos agradecer principalmente a todas vocês, xcanias deliciosas, que rebolaram gostoso, beijaram na boca delícia e fizeram a noite de ontem ser a mais quente de todas. Tivemos uma equipe fechada para produzir a festa, mas, sem sombra de dúvidas, quem fez com ela acontecesse foram todas vocês. Então um beijinho na pepeca de cada uma e se preparem que em breve tem mais.

Opa, vocês estão de prova: rolou promessa de mais festas como essa. Nas próximas, óbvio, o Pudor Nenhum vai continuar marcando presença e divulgando pra vocês. Momentos como esses não podem ser deixados em branco. E, enquanto isso, vamos cair na estrada mais uma vez! #fui #partiu

 

 

Quem ainda não ouviu falar do X-cania, o momento é esse. Vitória da Conquista, na Bahia, apesar de ter aproximadamente 343 mil habitantes, não oferece muitos eventos aos jovens que queiram esbanjar um pouco a sua energia e sentir-se livre dos preconceitos sexuais que os cercam. X-cania, como a própria pronúncia deixa a desejar, é uma palavra relacionada a Scania – isso mesmo! As organizadoras resolveram brincar com a relação que é feita entre lésbicas e motoristas de caminhão ou, mais popularmente, caminhão e sapatão para criarem uma nova palavra que soasse melhor aos nossos ouvidos.

Depois de dizer isso, nem precisa mais dizer tanta coisa, não é? O X-cania é uma festa voltada para o meio lésbico devido a necessidade que esse público tem de encontrar espaços para se divertir. Além do mais, este pode ser um espaço para que a visibilidade lésbica comece a existir de fato e, assim,  conquistar espaço, pelo menos no âmbito conquistense.

As organizadoras são estudantes bem (ou mal) intencionadas que querem ver a pegação, o vexame, a ousadia e audácia. Em outras palavras, a liberdade dos corpos em um espaço única onde a maioria (senão todas) as presentes compartilham da mesma opção sexual. São elas Ariana Firmino, Arianne Correia, Mariana Kaoos, Maiêeh Sousa e Nayara Felício (se clicar no nome, você acessa o Face delas e pode adquirir a sua pulseira). Todas lindas e com estilos bem definidos. Veja, abaixo, o material de divulgação e fique boquiaberta com a beleza disso.

 

12119010_902400156502177_4558620989882040191_n

 

Depois de tanta atitude e certeza de suas opções, esta já é uma das festas mais esperadas pelas gatas que pegam outras gatíssimas na cidade. Ainda por cima, vai rolar votação para a miss X-cania, que vai ganhar um ensaio fotográfico, e a miss X-caninha que ganhará um presentinho A proposta do evento é de que cabe muito amor. Para elas,

X-cania é A FESTA para você quem gosta de causar, de dançar, de embebedar e pegar geral. E já estão dizendo que depois da meia noite, todas as princesas vão virar tigresas selvagens e que a putaria vai rolar solta. Então vem que eu já estou contando os dias, as horas pra lhe ver. PRE-PA-RA que só vai ter poderosas e é pra chegar como quiser: a pé, de coletivo, de moto ou caminhão. A X-cania não faz distinção! Treine logo seu rebolado e escolha seu sapato. Aqui pode entrar de sapatilha, de sapatão, de tênis e scarpin. X-cania é pra todos os números e calçados. E não adianta se esconder, porque a gente vai te achar. Então chega gostoso com o bonde que a X-cania vai bombar.

Depois desse convite esperto e com toda a malícia que a gente adora, nem precisa dizer mais nada, né? A vontade é só ir e se jogar porque essa festa vai ter uma apimentada e um tchan como nenhuma outra tem igual. As pulseiras do poder já estão custando R$20,00 e o local da festa é ali pertinho da prefeitura. Não tem erro. Não sei se irei por questões: muito trabalho e vou viajar pras bandas soteropolitanas. Mas, se der, claro que bato por lá com minha sapatilha no pé e toda a liberdade que meu corpo quiser. Se for o caso, a gente se encontra lá!