HomeSexo e SexualidadeA violência verbal que as mulheres sofrem todos os dias

A violência verbal que as mulheres sofrem todos os dias

Em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com 86 estudantes universitários no ano passado, um terço respondeu que estupraria uma mulher se isso não fosse crime. Além disso ser nojento e nos provar, mais uma vez, o porquê as leis surgem e são tão necessárias, muitos desses homens não entendiam o sexo sem consentimento como uma agressão à mulher, mas sim como uma forma de provar a masculinidade. Quando li isso, coloquei a mão na boca e o pensamento foi para um longo “puta que o pariu” – sendo que esse palavrão, no meu caso, não quis fazer referência alguma à quem o colocou no mundo. Inclusive, coitada por ter filhos tão calhordas.

Quer dizer que ser másculo é forçar uma mulher a fazer sexo? Para esses homens, a mulher provoca e depois faz cu doce. Homens, a gente só provoca quem quer e dar um sorriso nem sempre é provocação, é simpatia. Sensualidade não é algo que a gente faz para ter, é natural. Usar roupa curta também não é querer chamar atenção, decote não é armadilha para atraí-los. Roupa não define ninguém, apenas mostra o quanto somos vaidosas e queremos estar e nos sentir bonitas. Se você acha diferente, sinto muito: já caiu no meu conceito e faz o favor de nem me ler mais.

Nessa hora, eu me pergunto: Cadê aquela propaganda toda do “Eu não mereço ser estuprada”? Ela deveria continuar firme e forte para continuar combatendo casos como os que me deparei. É claro que situações tais não acabam assim, mas fortalecem a nós, mulheres. Moça, você precisa ter personalidade e certeza de que o errado é ele e que você pode sair por aí como quiser. Cara, quer chamar uma mulher de gostosa? Faça-o apenas para si, ela não quer saber disso. Quer bater uma? Coloque um filmezinho pornô ou ative sua imaginação e faça isso em casa.

Na pesquisa também é dito sobre o fato das mulheres ficarem mais excitadas com o perigo. Defina-me, então, o que é perigo. Uma coisa é estar com quem você gosta se aventurando sexualmente e outra é com uma pessoa desconhecida, de forma violenta e com risco de pegar todas as doenças possíveis. Cada dia me surpreendo mais com tanto desrespeito e, por outro lado, até prefiro que tudo isso venha à tona porque só, assim, a gente compreende melhor as coisas e ataca com mais gosto.

Diz aí o que você acha disso tudo porque eu, simplesmente, odeio e continuarei a atacar esses modos “másculos” enquanto me for possível. Não me rotulo, odeio machismo, tenho minha personalidade e, portanto, ideias definidas. Acredito que vivemos uma violência verbal todos os dias, somos agredidas e estupradas a todo momento. No entanto, aceito ouvir de todos os lados porque, como dizem, “é conversando que a gente se entende” e eu concordo com isso. Então, vamos papear.

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Baiana. Graduada em Letras Vernáculas e em Jornalismo. Realizou pesquisa em Análise do Discurso, estudando a produção do discurso pornográfico. Descobriu-se apaixonada por assuntos relacionados ao sexo e a sexualidade. Adora brincar com as palavras e fotografias.

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