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Naquele dia, resolvi por meu batom vermelho e lindo de viver. Antes de sairmos de casa, ele me chamou e disse: com este batom, não dá. Fiquei confusa, quis voltar atrás, mas preferi tirar para evitar confusão. Lembro-me também daquele vestido justo e pouco curto que comprei há uma semana, pois havia ficado lindo em meu corpo. Na hora, fiquei em dúvida e imaginei que ele fosse reclamar, mas comprei assim mesmo. Na hora de vestir, foi um abuso porque ele não me aceitou sair de casa vestida nele. No final das contas, o dinheiro pago garantiu um vestido para ficar dentro de casa, apenas.

Amiga, não vou mais pra academia. Fulano não pode se matricular naquele horário comigo e eu não posso fazer sozinha. Mulher sozinha em academia, já viu, né? Ele já disse  que não aceita e eu até entendo. Poxa, e o poledance? Eu era doida pra fazer, mas ele disse que é coisa de puta e se alguém souber que eu faço, vai pensar a mesma coisa. Deixa quieto.

E todo lugar que sicrana ia, ele tinha que saber. As amizades dela precisavam ser compartilhadas, as dele nem tanto. Você era sempre taxada por ele de gordinha. Ele gostava do seu cabelo grande, por isso você não cortava. Ele deixava praticamente claro que, se você cortasse, não ficaria tão bonita. No fim das contas, vocês permaneciam sempre juntos porque tinha que ser assim. Se terminassem, quem iria te querer? O medo de ficar sozinha é um trauma que sempre bate à porta.

Naquele dia, você não queria fazer sexo, mas ele tava a fim. Então, vocês transaram e seus olhos lacrimejavam de dor. Antes transar com ele do que deixar que ele faça isso na rua com outra mulher. Quando você tocava em todas as situações vivenciadas com suas amigas, todas elas viviam a mesma coisa. Algumas reclamando e outras rindo, todas naturalizam a situação, pois acreditavam que todo relacionamento era assim.

Para ser sincera, na cartilha para se ter uma relação saudável não vem implícito uma escala de poder. Ninguém tem o direito de interferir na forma como o outro faz amigos, se veste, organiza suas coisas, se vive. Todo relacionamento vem com esses percalços, independente dos gêneros, porém, a relação homem e mulher é a que mais põe o assunto em evidência. Eu diria que é fruto do machismo  que põe a mulher em pé de inferioridade e ainda estabelece isso como normal. Infelizmente, não conheço nenhuma mulher que não tenha vivido um relacionamento abusivo. Eu, como toda mulher, vivi.

Para justificar os atos do parceiro, colocamos a culpa no ciume. Para justificar o ciume, dizemos que é apenas um sentimento de posse como consequência ao amor. Como tudo, para ele, tem uma justificativa, a culpa de tudo passa a ser dela – da mulher. A gente se culpabiliza porque ele tem todas as explicações. Na verdade, a sociedade tem todas as explicações. Recentemente, inclusive, soube de uma menina que apanhava do marido e, por isso, não queria mais voltar pra ele. Ao colocarmos isso em discussão, o tio da vítima disse enfaticamente que, se ela apanhava, é porque tinha motivo. E olha que este é um ponto além da relação abusiva porque já parte para a agressão física!

O relacionamento abusivo é silencioso, é aceito, é minado. A prisão psicológica é a pior que existe. Precisamos ler, conversar e nos atentarmos muito à forma como estamos absorvendo o que vem do outro e também como estamos nos impondo. Se não for assim, a gente segue sem perceber e, bem depois, nos damos conta de que poderia ter sido bem mais feliz ou, então, isso nunca acontece e a gente segue vivendo uma vida morna. De morno já basta a água em dias de calor, você não acha?

Em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com 86 estudantes universitários no ano passado, um terço respondeu que estupraria uma mulher se isso não fosse crime. Além disso ser nojento e nos provar, mais uma vez, o porquê as leis surgem e são tão necessárias, muitos desses homens não entendiam o sexo sem consentimento como uma agressão à mulher, mas sim como uma forma de provar a masculinidade. Quando li isso, coloquei a mão na boca e o pensamento foi para um longo “puta que o pariu” – sendo que esse palavrão, no meu caso, não quis fazer referência alguma à quem o colocou no mundo. Inclusive, coitada por ter filhos tão calhordas.

Quer dizer que ser másculo é forçar uma mulher a fazer sexo? Para esses homens, a mulher provoca e depois faz cu doce. Homens, a gente só provoca quem quer e dar um sorriso nem sempre é provocação, é simpatia. Sensualidade não é algo que a gente faz para ter, é natural. Usar roupa curta também não é querer chamar atenção, decote não é armadilha para atraí-los. Roupa não define ninguém, apenas mostra o quanto somos vaidosas e queremos estar e nos sentir bonitas. Se você acha diferente, sinto muito: já caiu no meu conceito e faz o favor de nem me ler mais.

Nessa hora, eu me pergunto: Cadê aquela propaganda toda do “Eu não mereço ser estuprada”? Ela deveria continuar firme e forte para continuar combatendo casos como os que me deparei. É claro que situações tais não acabam assim, mas fortalecem a nós, mulheres. Moça, você precisa ter personalidade e certeza de que o errado é ele e que você pode sair por aí como quiser. Cara, quer chamar uma mulher de gostosa? Faça-o apenas para si, ela não quer saber disso. Quer bater uma? Coloque um filmezinho pornô ou ative sua imaginação e faça isso em casa.

Na pesquisa também é dito sobre o fato das mulheres ficarem mais excitadas com o perigo. Defina-me, então, o que é perigo. Uma coisa é estar com quem você gosta se aventurando sexualmente e outra é com uma pessoa desconhecida, de forma violenta e com risco de pegar todas as doenças possíveis. Cada dia me surpreendo mais com tanto desrespeito e, por outro lado, até prefiro que tudo isso venha à tona porque só, assim, a gente compreende melhor as coisas e ataca com mais gosto.

Diz aí o que você acha disso tudo porque eu, simplesmente, odeio e continuarei a atacar esses modos “másculos” enquanto me for possível. Não me rotulo, odeio machismo, tenho minha personalidade e, portanto, ideias definidas. Acredito que vivemos uma violência verbal todos os dias, somos agredidas e estupradas a todo momento. No entanto, aceito ouvir de todos os lados porque, como dizem, “é conversando que a gente se entende” e eu concordo com isso. Então, vamos papear.

Hoje entrei no Facebook e me deparei com vários relatos acompanhados da hashtag #MeuAmigoSecreto. Fiquei louca de curiosidade para entender o que significava aquilo e, ao pesquisar, a razão era óbvia: havia uma campanha contra o machismo por trás de todas aquelas histórias. Como uma brincadeira, a intenção era falar as características daquele com quem se convive e que pratica o machismo em seu dia ou dia – tanto de forma clara quanto sutil. Desse modo, ficou (e fica) evidente o quanto estamos cercados de pessoas machistas, preconceituosas e que, portanto, violentam física e psicologicamente o parceiro ou parceira por meio de um discurso tão intolerante e desrespeitador.

Para começar, vou citar alguns dos meus amigos secretos e, para ver outros, basta colocar a tag no Facebook e dar enter. Quem quiser compartilhar seus “amigos” também, sinta-se à vontade para fazê-lo nos comentários desta publicação ou faça pelas redes sociais. Parece que quando a gente compartilha tais informações, mesmo de forma anônima, nos sentimos mais aliviados por não guardarmos aquilo só com a gente. O bom dessas campanhas é isso. As mulheres estão cada vez mais emponderadas e o machismo, cada vez mais, vem sendo reconhecido em cada sutileza manifestada.

#MeuAmigoSecreto descreveu sua prática de masturbação, concluindo com um “gozei” depois que descobriu que escrevo sobre sexo. Não me deixou nem falar. Agrediu-me virtualmente. Antes disso e pessoalmente, nunca havia se manifestado sexualmente em relação a mim.

#MeuAmigoSecreto acha que para eu arranjar um namorado, preciso largar o Pudor Nenhum porque homem nenhum vai me levar a sério.

#MeuAmigoSecreto acha que quem conhece o meu blog, só me quer pra comer.

#MeuAmigoSecreto acredita que mulher que escreve sobre sexo só serve para trepar.

E o seu amigo secreto? Vamos espalhar toda essa violência machista por aí, vamos nos despudorar! A gente se encontra por aqui, pelo Facebook ou pelo Instagram, tá? Você quem manda!

Dizem que eu sou puta porque visto roupa curta e, por isso, dizem também que estou mostrando o útero. Dizem que sou puta por usar um decote e deixar saltar os seios porque acreditam que meu salto me deixa desajeitada e meu cabelo jogado de lado é digno de uma prostituta – afinal, há estereótipos que perseguem muitos tantos. Se ser puta é vestir e jogar o cabelo como eu gosto, então sou puta sim.

Dizem, também, que sou puta em me esconder sobre roupas demais e depois falar putaria. Acreditam até que meu boquete dá de dez em qualquer profissional que abocanha diariamente. Que seja, que assim eu seja puta. Dizem, inclusive que meu batom em minha boca carnuda é, simplesmente, para chamar a atenção e coisa de quem é puta sem tirar nem por. Como eu já disse, se for assim, sou puta mesmo.

Minha putice está na boca dos desconhecidos que entendem minha escrita como pura pornografia. Se eu sou puta porque escrevo sobre sexo, coloco fotos semi-nua e escolho outras gozadas para aqui expor, que eu seja uma putinha com nome e sobrenome. Sou puta de classe com pedigree: não erro nos pontos, nas palavras e nas rimas desencontradas. Se tudo o que escrevo é falar demais e é me achar demais, então sou puta ao quadrado. E se toda provocação não se manifesta concreta, eleva à potência toda minha putice e me completa com um descarada – esta cabe no mesmo conjunto e sai da boca às cusparadas.

Eu sou puta porque tenho cara de santa, cara de ingênua e cara de menina. Seria puta, também, se tivesse cara de vadia e lambesse a ponta dos dedos como se lambe o sexo alheio. Sou vista como puta como quase toda mulher. Sou vista como puta como você pensa não ser. Sou apontada, mesmo sem ver. E minha mãe que nem faz parte da história, vira puta também.

Para ser sincera, eu não lembro exatamente qual foi o meu primeiro assédio, mas me lembro de alguns tantos que marcaram minha adolescência e me faziam ter medo de andar nas ruas. Sempre que via homens à frente, desviava ligeiramente. De preferência, atravessava a rua para não ouvir piadinhas e, ainda por cima, baixava a cabeça porque – de um certo modo – eu era colocada num papel que me inferiorizava naquele ambiente público.

Quando tinha lá para os meus 11 ou 12 anos, meus seios cresceram. Eu era uma menina franzina com os seios maiores que qualquer outra da minha idade. Uma vez, ganhei uma blusa cujo modelo era similar a um corpete. Minha mãe me pediu que fosse na mercearia comprar algo e, ao voltar, um rapaz bem mais velho passou por mim e sugou-lhe nervosamente a saliva, além de ter pronunciado algo como: “Oh os peito dessa menina”. Nesse dia, eu não sabia onde enfiava a cara. Senti vergonha e me silenciei. Tive receio que se falasse algo em casa, a culpa fosse colocada sobre mim que vesti aquela blusa para sair à rua – detalhe: a blusa não havia sido comprada por mim.

Além deste fato, lembro-me dos meninos que queriam passar a mão em minhas partes íntimas nas aulas em que os professores passavam filme. O escurinho propiciava a mão boba e eles, que não eram tão bobos, sabiam que existiria o meu silenciamento porque falar sobre o assunto faria com que eu fosse colocava numa situação do tipo saia justa. Se negassem a história relatada por mim, quem sairia com “fama ruim” seria eu.

Roupas curtas e decotadas eram motivos de andar praticamente correndo pelas ruas porque chamar a atenção pelo corpo nunca foi, para mim, sinônimo de beleza. Proporcionar os mais diversos tipos de palavras de baixo calão faziam-me temer qualquer aproximação com o gênero masculino. Cresci temendo ousar por causa do julgamento do homem e também familiar. Apesar de minha mãe ser mulher como eu, nunca consegui vê-la como a força que me diria “O corpo é seu, então não se importe com a opinião alheia”. Pelo contrário, ela traz em si este receio – que é fruto da nossa cultura. Logo, eu sou tachada antes de sair de casa se eu usar um decote ou mostrar muito as pernas porque lá fora há quem vai me julgar e, segundo alguns princípios, não posso nadar contra a corrente (Sabe de nada, inocente!)

Lembro-me também de uma vez que um colega na escola tentou me beijar e, no impulso, levantei a mão para bater na cara dele. Ele segurou minha mão e disse para nunca mais fazer isso como se eu realmente fosse inferior e tivesse que obedecê-lo. Prontamente, eu avisei que ele também não repetisse a dose. Apesar de temer e de silenciar, eu sempre fui muito de reflexo/impulso e, em alguns casos raros, manifestava-me até porque considerava o beijo como uma forma de ultrapassar todos os limites. Hoje percebo que todos os outros casos também eram ultrapassar limites, apesar de não haver o toque.

Cresci sentindo-me inferior à presença masculina. Cresci acreditando que atravessar a rua e abaixar a cabeça era a solução porque evitá-los era o meu papel. Cresci acreditando que se não houve o toque, o verbal poderia ser ignorado. Junto com isso, eles cresceram achando que poderiam falar o que quisessem e que – se não quiséssemos ouvir – era só atravessarmos a rua. Caso isso não acontecesse, seria – para eles – como se estivéssemos gostando. A resistência não fazia tanto sentido e ainda não faz. Muitos homens entendem o assédio como um elogio e pensa que nós somos ignorantes o suficiente para ter que aceitar algo – que nos é tão invasivo – como positivo. Tem mulheres que, infelizmente, ainda aceitam e baixam a cabeça porque – como eu – cresceu tendo que agir assim e – diferente de mim – não criou os anticorpos necessários.

Eu esqueci o meu primeiro assédio porque ele veio junto a uma sucessão de outros assédios que permanecem no meu cotidiano. Impossível saber quantas vezes já me chamaram de “gostosa”, disseram que iam “chupar minha buceta e lamber meu cuzinho”, iam me deixar de “perna bamba”, que sou “delícia”, que “até que é gostosinha” ou suportar o cara pegando no pênis e colocando-o pra fora para mostrá-lo em gestos mais que obscenos e por aí vai. Extremamente constrangedor, extremamente desnecessário e violentador. Eu sei e entendo as meninas que baixam a cabeça para tanto desrespeito verbal, mas hoje acredito que levantar a cabeça (pedir baixinho que o pau do cara nunca mais suba), não desviar o caminho e se possível dizer umas verdades é muito importante… até porque não devemos nada a ninguém e tais atos provam que somos mais fortes do que meia dúzia de insolências proferidas por eles. Digo isso a depender do lugar que estamos, viu gente? Se for num lugar deserto, esta atitude pode acabar no estupro que vai além das palavras, infelizmente.

Os grupos feministas nos ajudam a ter mais força, redirecionar nosso pensamento para a igualdade de gêneros e não inferiorização da mulher também é uma ótima válvula. Algo que não podemos nunca esquecer é que nossas filhas e filhos não podem crescer com o temor e o desrespeito pelo qual fomos submetidas. Então, façamos das próximas gerações agentes transformadores desta sociedade que ainda falta quase uma eternidade para se recompor.

 

 

Sabe aquela coisa de que todo homem deve pagar as contas quando o casal sai? Pois é, esse é o questionamento básico que separa uma mulher independente de todas as outras. Em nossa sociedade, uma coisa é certa: ao homem, cabe o papel financeiro. Ele quem deve pagar toda a conta em cada saída de ambos e, ao morarem juntos, ele quem deve pagar todas as despesas da casa. O pior é que isso acontece, ainda que ela venha a trabalhar. Isso ocorre devido a aceitação da mulher e à cultura que coloca o homem em uma situação de privilégio.

Você talvez diga que não há um privilégio nisso aí, mas pensemos bem: nossa sociedade é capitalista e a máxima acaba sendo a do “manda quem tem dinheiro”, então por que não compreender tais circunstâncias desse modo? Mas não duvido nada de que você rebata isso me dizendo que a mulher ganha menos do que homem e blablabla, só que eu fico me perguntando: Você concorda que seja assim? Por que não lutar para que isso mude? Além do mais, ganhar mais te impede de dividir os gastos? Nesse sentido, sempre pensei que se os dois comeram, então por que o homem precisa arcar com todos os custos sozinho? Pensar dessa forma, aponta-nos como independentes, ou seja, não precisamos do outro para sair de tal lugar ou adquirir algo. A gente simplesmente paga o que consumimos e acabou, a parte dele é dele.

A mulher independente, portanto, assusta porque ressalta a não acomodação da mulher e rompe com a ideia de que o homem é o dono do pedaço. Ela sabe que, a qualquer momento, pode pagar a sua parte, levantar e ir embora se a conversa estiver chata. Sabe, também, que não depende dele para nada e que suas decisões podem ser tomadas na hora que der e vier. Ele, sabendo disso, passa a ser mais cuidadoso no seu trato e compreende que o fato dela ser tão livre exige mais dele. E, esse mais, nada tem a ver com as questões financeiras porque ela também opta dentro das suas possibilidades.

Quando uma mulher é livre, em todos os sentidos, não precisa brigar por pensão – que, inclusive, é o dinheiro que ele recebia para mantê-los. Nesse contexto, romper os vínculos acaba sendo uma tarefa mais fácil. Não precisa, também, prestar contas nem pedir nada a ninguém. Tudo o que der vontade, faz. Afinal, o bolso é seu e você coloca ou tira a mão dele quando quiser. Para você ver: a independência está totalmente ligada ao dinheiro, é inevitável. Vincular-se a alguém por causa disso é prender-se a ela. Para quem submete, isso é bom porque tem o outro na palma da mão. Para quem está submetido a isso, não é tão gostoso já que a dependência traz outros aspectos que não são nada benéficos para si mesmo.

Se ser assim, liberta do homem, acarretar em afastá-los, então não se preocupe porque homens que têm medo de viver em par de igualdade não valem a pena. Para toda panela, existe uma tampa. Logo, você achará a sua e a relação entre os dois será bem melhor e mais sadia. Submissão é uma palavra que, como eu sempre digo, só é legal no sadomasoquismo. Fora isso, sejamos cúmplices um do outro e deixemos de bestage.

 

Gente, vocês viram essa propaganda publicitária da Bombril? Em uma das falas, Ivete Sangalo diz que “A gente arrasa no trabalho, faz sucesso o dia todo e ainda deixa a casa brilhando. É por isso que toda brasileira é uma diva”. Essa concepção construída historicamente sobre a mulher tem buscado outros rumo e se desmistificado cotidianamente. Ainda assim, é uma tarefa difícil porque, na mulher, está encrustada a ideia de que a casa e os filhos sempre serão obrigação dela.

Por meio de movimentos feministas, algumas conquistas têm sido alcançadas ao longo do tempo. Para quem não sabe, a mulher não tinha direito de fazer sexo por prazer nem de votar em um governante para o país. A coisa era barra pesada. Para ela, os papeis eram apenas de reprodução e dona do lar. Com a necessidade de ir trabalhar fora, tais papeis permaneceram, ou seja, não houve uma divisão igualitária do trabalho nem um repensar sobre a mulher. Numa sociedade machista, não haveria razão de se mudar isso, não é? Veja a propaganda abaixo!

 

 

A mulher, portanto, passou a ter uma tripla jornada de trabalho. Para quem pensa que isso é moleza, engana-se. Trabalhar fora e manter a casa arrumada não é um trabalho fácil e não deve considerada a razão para sermos divas. Ser diva é se mostrar mulher, independente de como se lida com as tarefas diárias. Propagar uma ideia, tal como foi feito pela marca, é afirmar que tais papeis devem prevalecer e, praticamente, demonstrar que a gente está satisfeita com isso e se achando um sucesso.

Quem disse que amamos isso? A gente se acaba com uma rotina dessa. Se pra ser diva for assim, preferia não ser nada. O tempo passa que a gente nem vê. O cansaço nos toma. Quando chega a noite, ainda querem uma noite de sexo selvagem como se nosso dia tivesse sido tranquilo (até porque tarefa de casa não é considerada quase nada no imaginário popular). A rotina da mulher nunca precisou e mereceu ser essa. Todos nós temos braços e pernas iguais para dividirmos as tarefas do mesmo modo, sejam elas domésticas ou não. Todo mundo consegue lavar prato, limpar banheiro e passar pano na casa do mesmo jeitinho.

A partir disso, Dani Calabresa – nesta propaganda – também disse “Toda mulher é uma diva, e todo homem é ‘diva-gar’ [devagar]”. Com o orgulho ferido, homens queixaram-se e consideraram a campanha uma ofensa. Com isso, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu um processo para julgar o caso. Em vez de as mulheres tomarem essa atitude, os homens que pegaram a frente. Oh, esse assunto dá pano pra manga. Disse o que acho e agora quero ver o que vão continuar  falando por aí porque, sinceramente, se os meios publicitários agem assim é porque ainda será preciso muita luta para mudar este cenário. Desconstruir essa ideia a respeito de homens e mulheres é mais do que preciso, é essencial.