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Tesão acumulado

São 22h. No celular, a notificação com o seu Boa Noite como de costume você me enviava. As suas tentativas de me desejar uma noite aliada às possibilidades de um encontro sempre me tiravam o ar e as palavras, mas eu (é claro!) sempre atuava e respondia ele como de forma despretensiosa, como se nada do que fosse dito me afetasse.

Em todas as noites (pós-Boa Noites), eu sonhava. Em cada sonho, uma ânsia para que algo acontecesse. Acordava sempre suada, querendo ficar mais na cama, tocando-me, toda molhada. Era sempre um prazer sentir você em meu sonho, mas no celular eu não conseguia expor todo meu desejo em tê-lo. Parece que algo me travava, como recurso inconsciente, eu ria. Apenas ria.

Hoje às 22h foi diferente. Eu não conseguia mais me conter. A gente havia se conhecido na época da faculdade, mas não trocávamos muitas palavras, mas sim sorrisos. Depois, o match no Tinder em plena pandemia. E agora, muitas reações no Instagram e aquela sensação de que uma hora vai rolar, mas não sei como me portar. Pois bem, hoje eu não estava mais conseguindo me conter e, assim, na primeira indireta sobre nos encontrarmos, eu respondi: Pode ser hoje.

Uma pausa, por fazer. Meu coração quase saiu pela boca e um rio escorreu entre minhas pernas.

Ele, de imediato, respondeu que rolaria e questionou se seria na minha casa ou na dele. Eu: Sua. Ele: Já estou com o vinho em mãos. Pode vir. Lá vai eu louca sem saber o que vestir, com todos os receios do mundo das conclusões que ele teria se me visse vestida assim ou assado. Aff, vesti uma lingerie, coloquei um vestido, meia calça (porque acho sexy) e fui. Seja o que Deus quiser!

Nesse percurso de ida, eu fiz sinal da cruz, questionei se estava certa, pensei em inventar uma mentira e desistir. Mas lembrei de todos os sonhos e da coragem, prossegui.

Chegando lá, os dois se entreolharam sem graça e parecia que não tínhamos mais assunto. Até que ele disse: Vamos logo quebrar esse gelo e, pá, beijo na boca, jogou-me na parede, subiu a mão por debaixo do meu vestido. E eu nessa hora perdi o controle e nem sabia mais quem era eu. No reflexo, tirei a blusa dele. No contra reflexo, ele me levantou e me levou para a cama. Os beijos da gente eram sem pareia porque tinha tanto tesão que um parecia querer engolir o outro – literalmente. Quando me percebi, estava nua. Ele, ainda de cueca.

Como gosto de igualdade, baixei a cueca branca dele e, minha nossa, que membro rígido, delineado, estético, gostoso com todas aquelas veias pulsantes. Mediante a beleza e vontade, caí de boca. Enquanto chupada, sentia ele segurar meus cabelos. De repente, sentia ele puxá-los junto ao meu movimento de ida, volta e passassão desenfreada de língua. Chupei até o último talo. Na verdade, chupei até ele pedir pra parar, vir pra cima de mim sugando meus seios, abrindo minhas pernas e sendo recíproco no oral com gosto.

Pelamordoscéus, o que era aquilo? O que era essa língua louca me devorando? Minhas pernas tremiam e ele não parava. Eu fui lá e voltei trocentas vezes, perdi o que oxigenava meu cérebro, não sabia mais o que era direita e esquerda, perdi o chão, caí e voltei pro mundo só naquele tempo de oral bem feito. Inclusive, foi demorado. Não digo isso porque estava bom e eu não vi o tempo passar, mas porque eu sinto que tudo aquilo foi demorado sim. Ele me sugou de uma forma que poucos haviam feito e, quando eu não valia mais pra nada, veio por cima e, pá, me penetrou.

No impulso na penetração e daquela loucura toda, eu apertei o pênis dele com a minha pepeca. Foi mera impulso após treinos de pompoarismo. Juntos, enlouquecemos ainda mais. Juntos, gozamos. E devagarzinho, ele se retirou de dentro de mim. Com muita calma para o preservativo sair intacto e cheio. A gente se abraçou, se olhou nos olhos. E ele falou: Vai rolar mais? Eu apenas ri.

Jornalista. Baiana. Leonina. Feminista preta. Apaixonada por tudo o que diz respeito a sexo e sexualidade. Palavras e fotografias são suas taras.

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