HomePosts Tagged "mulheres"

Lembro-me de um dia, procurando sobre a palavra puta pelo Google, ter me deparado com Gabriela Leite – uma grande mulher que decidiu ser prostituta e lutava pelos direitos das mulheres que atuavam neste ramo. Achei super interessante e passei a acompanhá-la em entrevistas. Quando ela faleceu, em 2013, fiquei extremamente triste porque as profissionais do sexo perderam uma exímia representante e porque eu perdi a oportunidade de conhecê-la. Em 2009, Gabriela Leite havia escrito o livro “Filha, mãe, avó e puta” que só foi lido por mim este ano.

O livro configura-se como uma autobiografia. Gabriela Leite conta sua trajetória de moça rebelde e personalidade forte que, às vezes, permitia-se desobedecer sua mãe. Com pai boêmio, ela acreditava ser mais parecida com ele até concluir o quanto sua mãe a inspirou em fortaleza. Mãe de dois filhos, não exerceu o seu lado maternal como gostaria. Enquanto puta, trabalhou como deveria. No exercício da sua profissão, passou por três lugares: Boca do Lixo em São Paulo, na zona boêmia em Belo Horizonte e Vila Mimosa no Rio de Janeiro.

Inteligente, Gabriela Leite possuía um referencial bibliográfico muito vasto e havia sido aprovada em segundo lugar no curso de Filosofia da USP. Foi aluna de grandes referências, tais como Marilena Chauí e Antônio Cândido. Porém, transferiu seu curso para Sociologia e depois optou por largá-lo. Em época de ditadura, ela nos conta os percalços, a liberdade sexual e os estigmas das décadas de 70 e 80. A fim de viver uma vida livre, leve e solta, Gabriela saiu da casa dos pais e decidiu ser prostituta. Ela gostava muito de homens, de sexo e de dinheiro. Além do mais, ela gostava de fazer parte de uma minoria menos abastada. Lidava com homens simples, que queriam aliviar-se do stress por meio de uma rapidinha ou de uma conversa em forma de desabafo.

A escritora conta-nos a realidade dos lugares onde trabalhou e nos situa, durante todo o tempo, no contexto histórico da época. Acometida por problemas na vesícula e hepatite, ela começou a refletir sobre a marginalização que as profissionais do sexo sofriam e, então, após voltar à rotina resolveu dar as caras e falar em público pela primeira vez. A partir deste momento, a prostituta passou a ter voz e, aos poucos, o movimento foi tendo representação. Gabriela Leite passou a ser um grande nome quando o assunto era prostituição, tornando-se referência em estudos relacionados ao tema.

Ela viajou por vários estados brasileiros e por vários países em eventos que abordavam a prostituição. Fundou a ONG Davida e foi idealizadora da grife Daspu. Largou a profissão de prostituta para investir em projetos sociais e defender com unhas e dentes os direitos das suas ex-colegas. Casou-se com o jornalista Flávio Lenz Cesar, um amigo que tornou-se o homem da sua vida. Sofreu todos os preconceitos e se afirmou em todas as suas andanças e lutas. Foi uma mulher de fibra.

O livro Filha, mãe, avó e puta não tem muitos rodeios. Bem escrito, ele nos contextualiza e sensibiliza. Acredito que vale a pena, sim, ler. Por meio desta leitura, aprendamos a julgar menos o outro. Cada um tem a sua história, mas muitas delas podem se entrelaçar e isso nos permite uma bela reflexão. O livro pode ser encontrado em grandes livrarias ou na Estante Virtual, onde o comprei. Leia e compartilhe suas impressões conosco. Permita-se a esta experiência de leitura.

Mais um dia tranquilo na pacata cidadezinha do interior, eu no fim das férias e normalmente em período de férias não temos horários pra nada. Eu por exemplo, toda hora é hora de farra, rs. Estava em casa quando um amigo chamou pra ir à casa dele tomar cerveja e bater papo, sempre uma boa pedida no calor é cerveja, claro, eu logo me animei, tomei banho e fui me arrumar… + quem estaria lá? Entrei em contato e soube que ninguém, apenas as pessoas da casa mesmo, ótimo, aquela velha bermuda jeans, camiseta e havaianas estão ótimas aliada a um pacote de cerveja… rs.

Rs, não, não sou menino hahahaha… sou mulher que gosta de mulher, sou lésbica 31 anos, cabelo castanho, pele clara, 1,63 altura, olhos verdes, bunda um pouco grande, coxas medianas, nem barriguda e nem sarada + com um umbigo lindo, rsrs. É, tenho tesão por barriga.

Já na casa do meu amigo Caio, tudo normal. Cerveja gelada e papo legal, + ele e sua esposa estavam providenciando umas coisas pra um churrasco, pois era aniversário de Vanessa, mulher dele. No meio do papo Vanessa só falava de uma tal prima Lua que estava visitando a família na cidade, disse que era professora e estava corrigindo provas, até aí tudo bem, passada a idade de ter paixão platônica por professoras e em cidade de interior é bom difícil aparecer alguma mulher interessante, se é que me entende.

Após certas horas de papos e arrumações pré churrasco, eis que chega a tão falada prima Lua… o corpo arrepia só de lembrar. Sabe aquele frio na barriga? Ainda mais quando se é lésbica e reconhece a outra pelo famoso faro, inexplicável, só quem é sabe como acontece. Aí vêm os milhares de pensamentos que passam na sua cabeça e que nada mais é do que o diálogo do anjinho e do diabinho, cada um sentado em um ombro falando ao seu ouvido.

😇 🗣
👹🗣

Será que ela vai gostar de mim, será mesmo que ela curte meninas?
Será que meu faro vai errar pela primeira vez?
Poxa, pq tu veio tão largada?
Perfume tá em dia? ✅
Desodorante? ✅
Bala?
Bala?  😱
Ai meu Deus eu não tenho bala… claro não saí p ficar com Ngm… tá, só que bala não pode faltar, vacilona. (Só beijo com Halls de morango ou cerveja) Eu sei, eu sei, sapatão bem viadinho rs.
Será que ela quer ficar com vc baby? Relaxa aí pq até então é vc que esta em
 todo esse frenesi.

Todo esse diálogo em fração de segundos, sabe as edições de filme que parece que o tempo para e sua cabeça funciona a mil? Foi nessa pegada. Pensei isso tudo no tempo dela surgir na na entrada da cozinha, desejar boa noite, ir cumprimentar a prima e dona da casa e eu lá parecendo uma adolescente de filme americano, rs.
Então fomos apresentadas…Paty essa é Lua, Lua essa é Paty…

😇🗣
👹🗣
Ai meu Deus ela é muito gata.

A prima Lua é muito linda, pouco mais alta que eu, magra, cabelo castanho claro, pele clara,  um olhar penetrante, aparelho ortodôntico transparente, um cheiro delicioso.

😇🗣
👹🗣
Nunca beijou ngm de aparelho ein?
Vai perder a oportunidade?
Ela é solteira?
Ai meu Deus, será que ela é solteira?
Como vou saber isso?

Graças às modernas invenções da tecnologia, fui stalkear a rede social da menina, afinal eu não podia perguntar pra ngm neh? Vamos na pesquisa do Facebook, já que não sabia o nome dela, abri a página de Vanessa e fui nos amigos, procurei por Lua… Eis que a tecnologia não te abandona e surge o perfil dela, nada fixado em relacionamentos, vamos olhar mais… Foto dela com uma rapaz acompanhado de um texto de convivência em bla bla boa de 14 anos.

😇🗣
👹🗣
Casada

🙇
Poxxaaaa
Ops, lá diz que é irmão.

🤗

Logo mais todos os convidados chegaram, mulheres sentadas na mesa à beira da piscina e homens no balcão cantando e conversando. Na mesa estava muito mais interessante do que no balcão, pelo menos p mim, rs.
No papo sobre vários assuntos inclusive sobre política a prima Lua diz ser bi.

😇🗣
👹🗣
🤗
🤤
Já quero muito mais.

Com intermédio de uma amiga minha e tia dela, consegui o WhatsApp dela e ali se iniciou um papo…

😇🗣
👹🗣
O que vc vai conversar com uma professora?
Ah, dane-se.

💥

No dia, ela teve que sair às pressas e ir para o hospital ficar com o avô e eu preocupada com eles procurando informações e tentando ajudar como podia, porém imaginando que só no outro dia p eu tentar algo. Foi aí que o papo surgiu naturalmente, falamos de nós do que gostávamos, de relação, de amizade… + não era um papo qualquer pra mim, num papo normal meu corpo respondia, o tesão ficava explícito, calor no corpo e ao mesmo tempo frescor, coração acelerado, bico dos seios duros só pedindo a língua dela, buceta lubrificada e pulsando cada vez mais.

Até que no meio do assunto eu disse que estava excitada e ela respondeu: – Eu também.
Uau, como sentia vontade enorme de beijá-la, sentir o calor do seu corpo junto do meu, sentir nossos corpos nus, sentir a buceta dela na minha, uma vontade enorme que fazia minha buceta escorrer e pulsar de tanto tesão. Eu não precisava nem me tocar pra sentir tanto tesão, que tesão essa prima Lua estava despertando em mim em pouco tempo e que ótimo que ela estava sentindo o mesmo tesão que eu.
E naquele papo envolvente ela se mostrava uma menina mulher muito incrível e isso me deixava com cada vez mais tesão é muita vontade de ver a barriga dela que ela fez mistério e não disse, rs. Conversamos até pouco mais das 3 da manhã e gozei sem tocar na minha buceta ou qualquer parte do corpo, gozei num prazer gigantesco, o mesmo prazer que estou sentindo relembrar e tentar e descrever p vc tudo que senti, a minha buceta está pulsando e lubrificada da mesma forma…

Conforme marcado na noite anterior, nos encontramos na casa da tia dela que é minha amiga, ela estava séria, uma típica professora no auge das atribuições, estava sentada com notebook no colo e perdida em uma planilha que não acabava mais e escorada no sofá atrás dela, bem próxima, sentindo seu cheiro, sua voz suave pertinho, dava p ver o sutiã por cima, barriga coberta e dava p sentir como ngm o meu tesão.

Como meu corpo chamava por ela, pedia o toque dela, até que ali mesmo na sala, com minha amiga na cozinha encostei mais perto dela, cheirei a orelha, o pescoço, fiz o percurso  devagarinho ate a boca e a beijei. Que beijo delicioso, um beijo quente com vontade de não parar de beijar nunca mais, uma língua que ao tocar na minha fez com que minha buceta jorrasse mais ainda o líquido quentinho do tesão, passamos um bom tempo entre beijos e abraços no sofá e no colchão da sala, até que os donos da casa saíssem de propósito p nos deixar a sós.
E eu poder sentir seu corpo nu junto ao meu, confesso que a vontade era tanta que fui bem rápida, eu não aguentava mais esperar p senti-la até a assustei… Foi mágico sentir seu corpo, seu calor, seu toque …sentir … sentir a sua buceta Tbm toda molhada na ponta da minha língua, o sabor dela é delicioso e valeu toda a espera, correspondia a todas as minhas expectativas.
Ela veio por cima depois, beijando e me tocando e meio com medo e com vontade, estava meio receosa pq não sou muito passiva, fui poucas vezes. + ela sabe conduzir muito bem o jogo de sedução e eu estava/estou com muita vontade de sentir o toque dela na minha buceta, me contorcia com vontade de sentir seu dedo… até que ela me fodeu muito gostoso, ela fode muito muito bem e em meio ao tesão incrível gozei no seu dedo e confesso que de todas as vezes que fui passiva essa foi a melhor.
Ficamos horas deitadas nos curtindo, dando risadas, conversando besteira, trocando carícias e beijos. Acredito que esse seja o importe do tesão, não terminar quando goza, ter todo um cuidado posterior q ele. Espero muito ansiosamente que eu a encontre novamente e que a gente repita muitas vezes e nos entregue a esse desejo maravilhoso.

Bjo no canto do sorriso, Lua!!!

T.C. Nascimento

Sabe uma expressão que nunca sai de moda? Pois é, quando uma mulher diz “Melhor só do que mal acompanhada” é porque ela já sofreu tudo o que tinha para sofrer. Diante disso, não preciso nem saber como ela surgiu porque, claramente, a mensagem já diz tudo e, por certo, veio à tona por meio de uma mulher que se empoderou neste sentido, ou seja, tornou-se poderosa ao se perceber melhor sozinha do que ao lado de alguém que não lhe convinha.

A sociedade, baseada no cristianismo, determina que a família deve ser formada por homem, mulher e filhos. Entre outras palavras, a família deve ser heterossexual e se sustentar de todas as formas porque o seio familiar constituído é uma aliança divina. Para os cristãos, apenas a morte ou o adultério são capazes de desfazer esse lado. Porém, quando a afinidade deixa de existir entre o casal, o que deve ser feito? Para muitas mulheres, é preciso continuar e manter a relação e este base familiar.

Entretanto, não é apenas isso que sustenta a relação. Há casos de mulheres que, por terem baixa autoestima, permitem-se ficar com o outro porque acreditam que ficar só pode ser algo permanente. Imaginam que sozinhas, vão perder a possibilidade de entrar no time da tradicional família brasileira – afinal, a sua criação deve ter sido direcionada para isso. Vêem-se donas do lar, cuidando do marido e mãe de alguns pirralhos.

Normalmente, tais casos são acompanhados de uma prisão psicológica. Estar preso psicologicamente é alguém é não perceber a própria existência no mundo, é estar mentalmente saturado. Quando estamos assim, ouvir o outro é difícil, mas necessário. Os psicólogos também exercem muito bem o seu papel de nos fazer reconsiderar todas as circunstâncias em que estamos inseridas.

Nem preciso dizer que esse texto é exclusivamente feminino, não é? Somos nós, mulheres, que sofremos a pressão maior por conta do nosso gênero – a mulher mãe, dona de casa e que, ainda trabalhando, deve arcar mais fortemente com os deveres de casa e a criação dos filhos. Mas sabe o que eu acho sobre a tal expressão “Melhor só do que mal acompanhada”? Acredito que, sim, ela é mais do que verdadeira. A gente não precisa seguir esse padrão de família e de felicidade (que pode se tornar às avessas). A gente tem que se sentir bem e sentir-se bem nem sempre envolve ter alguém.

Não combinamos com prisão, mas com liberdade. Liberdade de fazer o que quiser, estar com quem quiser ou de estar sozinha (mas com participações especiais). Tais participações só surgem em nossa vida quando estamos bem conosco mesmas. Quando ouvimos o que gostamos, arrumamos nosso cabelo como queremos, vestimos as roupas que se identificam conosco e vivemos um estilo de vida que é nossa cara. Pense nisso e se jogue. A liberdade é algo que pertence apenas à você e ninguém pode consegui-la pra ti. Livre-se dos embustes e seja feliz!

 

“Cê tá sofrendo/ Porque fez toda cachorrada / Tô melhor só do que mal acompanhada/ Da sua cara eu tô cansada/ Você não vale nada” – Mariana Fagundes.

No mês considerado da mulher, as discussões não param. À mulher, sempre coube a repressão acerca das suas atitudes perante toda uma sociedade. O modo como se veste, como fala e se comporta podem ser motivos de violência física e verbal. A mulher é culpabilizada por quaisquer atos em que ela mesma é a vítima. Considerada o sexo frágil, ela está todos os dias mostrando o quanto é forte. Para falar sobre isso, o Restaurante e Galeteria O Poleiro organizou o evento Entre Elas no dia 16 de março, uma sexta-feira. Assim, a semana terminou ainda mais reflexiva. Afinal, somente com discussões e compartilhamento de experiências, podemos refletir sobre como estão sendo nossas relações.

O evento contou com um bate-papo em que as protagonistas foram a representante do Coletivo Feminista Pretas da Dió Nana Aquino, a psicóloga Danila Gonçalves e eu, Lu Rosário. Nana, sempre muito precisa, trouxe dados estatísticos sobre como estamos sendo violadas no Brasil. Danila falou sobre sua experiência enquanto profissional que lida cotidianamente com outras mulheres e eu completei as falas dentro do meu lugar como uma mulher negra que escreve sobre sexo e lida com declarações de outras mulheres todos os dias.

Da esquerda para a direita: Nana Aquino, Lu Rosário e Danila Gonçalves.

 

O Entre Elas também contou com uma dinâmica de interação, onde mulheres respondiam perguntas relacionadas ao fato de ser mulher. Com isso, todas falaram e tornaram o momento ainda mais caloroso. Além disso, houve também sorteio de brindes. A Racco foi uma das parceiras, assim como a Tupperware que, apesar de não ter colocado um espaço conosco, sorteou alguns brindes.

Na esquerda, Ana Ferraz – proprietária d’O Poleiro.

 

Quero agradecer à Ana Ferraz pela oportunidade de estar neste evento. Que, além-março, outros momentos como este aconteçam para que nos fortaleçamos e descubramos que lugar de mulher é, sim, onde ela quiser.

Foi com esta expressão – Lugar de mulher é onde ela quiser – que os aplicativos Northus e The Livery resolveram reunir oito mulheres empreendedoras de Vitória da Conquista (BA) para falarem sobre seus desafios em ser mulher na nossa sociedade. O encontro aconteceu no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, no Oxente Food – um restaurante lindo que serve uma deliciosa comida nordestina – e foi transmitido ao vivo por meio do Instagram dos organizadores.

 

Da esquerda para a direita: Lu Rosário, Sheila Andrade, Claudia Rizo, Edna Márcia, Karine Grisi, Bruna Miranda, Clara Bittencourt e Eva Mota. Foto: Rafael Flores.

 

Este momento configurou-se como uma roda de conversa onde o compartilhar de experiências ocupou a pauta principal. Estavam presentes a administradora, professora, especialista em Marketing e consultora Karine Grisi. Ela também foi a responsável por intermediar o bate-papo. De forma leve e descontraída, soube organizar muito bem os locais de fala.

Durante o bate-papo. Foto: Rafael Flores.

 

Eva Mota, jornalista e empreendedora criativa, também esteve presente. Ela é a primeira a promover uma oficina de marcenaria exclusiva para mulheres. Um projeto e tanto, hein? A presidente da CDL Conquista, Sheila Andrade, foi uma das convidadas e esteve ao meu lado esbanjando simpatia e falando sobre as diferentes posições que a mulher ocupou dentro da Câmara de Dirigentes Lojistas. Inclusive, fez um apelo para que mais mulheres se predisponham a participar deste lugar em que hoje ela se encontra.

Lu Rosário e Eva Mota. Foto: Rafael Flores.

 

Sheila Andrade e Karine Grisi. Foto: Rafael Flores.

 

PM e blogueira de maquiagem, Edna Márcia em sua pequena estatura e super feminina apresentou-nos sua história dentro de uma corporação tipicamente masculina. Já Clara Bittencourt, administradora e coaching, abordou o quanto é difícil para a mulher que quer empreender e acrescentou-nos um pouco sobre esta nova profissão que está surgindo – a de coaching. Para completar, a insta blogueira do Mulher Plus esteve presente falando sobre o empoderar-se da mulher gorda. Bruna Miranda tem, vale ressaltar, um trabalho que perpassa o meu. Maravilhoso isso. Já até propus uma live juntas!

Convidada para plateia e Edna Márcia. Foto: Rafael Flores.

 

Administradora do Espaço Colaborativo Cuco Bahia e Bruna Miranda. Foto: Rafael Flores.

 

Para começar e terminar a nossa noite, Cláudia Rizo, que é engenheira agrônoma, especialista em Paisagismo, cantora, maestrina, autodidata e pianista, fez uma capela lindíssima – tanto sozinha quanto acompanhada por sua filha. Mais do que isso, ela mostrou-nos o quanto sabe ser independente em quaisquer situações cotidianas e que não é por ser mulher que ela deve levar desaforo pra casa, pelo contrário.

Cláudia Rizo. Foto: Rafael Flores.

 

O evento foi muito importante para unir mulheres e inspirá-las. Eu não contei acima, mas é claro que eu estava presente no bate-papo e falei sobre o papel do Pudor Nenhum de empoderar mulheres, além de ter dito um pouco a respeito da minha história enquanto mulher negra que escreve sobre sexo.

Não posso esquecer de dizer, mas o bate-papo contou com o apoio da Link Consultoria, do Especiarias e do Senac. Agradeço ao convite dos organizadores e espero que outros momentos assim se repitam, pois eles são essenciais para que continuemos firmes em nossos objetivos e em nossa luta – de valorização e reconhecimento do nosso lugar enquanto mulheres. 

Por indicação de uma despudorada, eu descobri o trabalho de Cécile Dormeau e me apaixonei. Esta linda é uma ilustradora francesa que vive no subúrbio de Paris, assim ela afirma em seu Tumblr. Formou-se, em 2011, na Escola de Design Estienne em Paris, trabalhou como designer gráfico e ilustradora em agências de design em Hamburgo e Berlim e também como diretora de arte júnior em uma agência de publicidade em Frankfurt. Atualmente, segue sua carreira de ilustradora e tem como um de seus clientes, o Google.

A arte de Dormeau mostra mulheres reais, ou seja, aquele feminino que ninguém quer ver. Com humor e beleza, ela nos presenteia com imagens que nos permitem uma identificação. A gente se vê naquela posição, a gente se vê em cada ilustração e em cada gif (porque ela também os produz lindamente).

 

Sabe aquela história de que ir pra praia exige um corpo de praia? Pois é, Cécile Dormeau mostra esse corpinho que as pessoas negam, mas que deve ser aceito SIM. Essa história de corpo de praia é migué. A gente vai pro lugar que a gente quiser com o corpo que a gente tem e nem por isso deixa de ser uma gata!

 

 

Nós, mulheres, vivemos naquela batalha do depilar-se. No inverno, deixamos os pelos correrem mais soltos. No verão, queremos usar roupinhas curtas e resolvemos fazer uma depilaçãozinha. Doi pra caramba, mas a gente faz pra se sentir melhor diante das curtezas, porém, quando não queremos, também deixamos ao nosso bel prazer. Se for reclamar, fazemos uma mostra do que é se depilar em você. Depois quero ver abrir o bico novamente!

Quando estamos apertadas para ir ao banheiro, vamos ao masculino, sim. O quê que tem? Todos os dois tem vaso sanitário do mesmo jeito e ninguém vai me ver nua só porque entrei lá. Pra isso, existe chave ou outra amiga pra ficar de olho e impedir que um boy entre. Além do mais, ele não pode fazer nada comigo à força e entrar em um banheiro masculino não significa querer algo. Quer dizer, significa querer fazer xixi ou um cocozinho.

A gente come o tanto que quiser, na hora que quiser e suja tudo mexxxxmo. Essa história de que é delicada já não está mais em alta. Somos como qualquer um e podemos fazer a maior bagunça independente de estarmos em nossos melhores dias. E fazer isso não é feio, é apenas mostrar o que se é.

Nós bebemos vinho, tequila, cerveja, cachaça e o escambau. Mulher que não é aguenta beber já não existe. A gente aguenta o que vier pela frente. A gente bebe, sim, e se diverte. A gente é daquelas: bela, despudorada e do bar.

 

 

 

Quando cansamos do espelho, mudamos. Quando queremos surpreender, sabemos como fazer isso. A nossa beleza sempre pode ser retocada. Somos assim: nem sempre vaidade, mas sempre com mil possibilidades para sermos várias belezuras em uma. Nosso espelho sempre nos agradece!

Estrias e celulites fazem parte. Elas são consequências de muitas coisas na vida, tais como engorda-emagrece ou emagrece-engorda e, até mesmo, uma gravidez podem nos deixar com a barriga cheia de listrinhas mostrando que dali saiu uma vida. Não podemos ter vergonha do nosso corpo e das nossas marcas, pois todas elas têm uma história que só a gente e o nosso corpo sabem contar.

 

Quem te iludiu dizendo que a gente não peida, não sabia o que estava falando. A gente não solta nenhuma purpurina. Soltamos gazes com odor ou não, mas soltamos. Nosso organismo funciona como o de qualquer pessoa. Esta imagem cheia de humor resume minha vontade nesses momentos em que me bumbunzinho sofre seus assédios.

 

Nós somos o que queremos ser. Nosso limite é dado por nós mesmas. A gente se tatua quando quer, se depila quando quer, veste o que quer, faz o que quer. Nossas regras, nosso corpo. Infelizmente, esta é a última imagem que lhes trago, senão vou ficar o tempo todo aqui e esse post ficará imeeeeenso!

Quem quiser conhecer mais ainda sobre o trabalho dessa ilustradora fantástica, acesse suas redes sociais. Ela está no Facebook, no Instagram e no Tumblr. Espero que tenham gostado e se divertido junto comigo porque eu, simplesmente, amei.

Tenho estado desconecta comigo mesma há algum tempo, a sensação de conseguir, depois de tanto tempo, compreender quem eu sou e o que quero é um tanto quanto confortador. As dores ainda existem? Sim, mas estou tentando e aprendendo a lidar com elas de uma forma madura e tirando melhor proveito delas e replantando-me a cada novo sofrer. Contudo, essa mudança radical não fora obtida de um dia para o outro. Não. Foi preciso muito e pouco sono para eu estar apta a me entender… o que ainda não é fácil. Sinto-me rodeada de paz e de uma menina que eu nunca fui e sinto falta; gosto de fingir que um dia fui inocente e sem preocupações, apesar da crença em nunca ter sido dona de tamanha ingenuidade; gosto, simplesmente, de me imaginar diferente e codificar o meu futuro e as minhas ações nos sorrisos e abraços que tenho comumente recebido de pessoas que florescem e perfumam o jardim da minha vida.

Meu celular apita. Uma mensagem de texto incomum e aguardada. Não se mandam mais mensagens de textos ou e-mails e eu sou louca para receber e troca-los, acho confidencial, misterioso, temperado de esquecimento e perigo. Recebo poucos, a maioria são anúncios de vendas de livros dos sebos que sou cliente ou de sites com dicas para vestibulares; urgh, me enlouquece não estar livre um instante sequer dessa palavra, dessa necessidade de aprovação alheia baseada em pontos… acho que estou à frente disso tudo, mas o regresso é necessário, preciso voltar e fazer parte desse meio, mesmo que isto signifique viver algo que não quero e algo que não me faz ou forma.

O convite fora aceito e eu, como em quase todas as outras ocasiões da minha vida em que sou obrigada a tomar decisões, fico insegura sobre meu ato anárquico de aceitar o convite dela em ir até a sua casa, assistir um filme. Nós sabemos o que acontece em filmes assistidos a dois: se cansa, o beijo filmado embaraça e constrange (porque, afinal, é o que desejamos fazer com quem deita ao nosso lado), um esbarro aqui e outro mais íntimo lá. O fim eu já sei e você também. Aceito porque gosto de me desafiar (dentro daquilo que me permito ir) e gosto, principalmente, de beijá-la.

Flor tem sido um desafio para os meus sentimentos: ela é confusa, assim como eu. Não sabe se quer, se ama ou não… não que eu seja a imponência e firmação em pessoa, mas, no mínimo, consigo definir o caos dentro de mim porque, ora, se eu não sou capaz de compreender a minha dor, quem será? Não minto quando digo que gosto dela, gosto de verdade. Adoro a covinha da sua bochecha e do seu riso quase diabólico de tão escandaloso e, sobretudo, adoro a sinceridade que me fala quando sente saudade: vem me ver, pois te quero. E eu vou. Estou a caminho, na verdade.

A fachada da casa de Flor é pálida, branca como as nuvens que escapuliram do céu e deram espaço para o sol queimar facilmente a minha pele, mas é simples e bonita. Bato na porta de madeira, ignorando avidamente a função do interruptor minúsculo (lê-se campainha), odeio o susto que esse som agudo provoca, prefiro o bater bruto na porta, é sonoramente mais poético e bonito, acho. Ela demora, como sempre. Tarda seus passos fazendo-me ansiar pela visão do seu corpo, tarda-se para me fazer entrar no jogo psíquico de desejo. Flor abre a porta, o sorriso, os braços e a alma para mim, enlaço-os num abraço caloroso e beijo fortemente a bochecha dela, quase tocando os lábios rosados e levemente ressecados dela; a sua pele tem sempre o mesmo aroma gostoso e provocante, tem um toque de sal, de ar e de chuva… Flor é a tradução do que é belo na natureza e na bondade da mesma, visto que a mim é dada a oportuna chance de prova-la e banhar-me nas suas carnes.

Entro sem vergonha e já corro em direção ao quarto conhecido. Lá, espero a companhia do seu corpo e deixo-a perceber a surpresa nos meus olhos. Estava diferente, não tinha um toque juvenil e itens decorativos de cidades famosas, agora, o quarto exalava maturidade e, honestamente, eu só pensei coisas más. Ela serve um pouco de vinho e, apesar de hesitar, pego a taça mediana de suas mãos e deixo meu toque sentir a pele dela por uns poucos segundos; bebo um gole do vinho tinto suave e sinto o adocicado queimar no fundo da minha garganta. Ela senta-se de frente para o meu corpo e se diz disposta a conversar, eu o faço.

Nunca me saí bem em escolher assuntos, em tentar me aproximar de uma pessoa pelo meio da conversa… sempre fui dispersa quanto a isso. Porém, com Flor me sinto segura para ser o que sou e, inclusive, dizer o que penso. As conversas têm tido uma função muito importante nos encontros casuais: é através do bate papo que nos conectamos, ela me sente, me entende e me ouve falar. Falamos por um tempo suficientemente longo que abre brecha para o desejo e o fogo alcóolico se irradiar por nós e fazer-nos queimar. A conversa sempre termina na cama. É com fala que tudo se inicia, é a fala que nos faz silenciosas e ruidosas por horas numa cama e é com ela que encerramos a noite, então, eu vou para casa entupida de palavras que poderiam ter sido ditas e não foram e Flor… bem, não sei. Ela manda-me palavras quinze dias depois, quando sente necessidade de degustar o meu gemido (que não é feito de palavra, mas ainda é meu).

O corpo dela move-se vagarosamente, ansiando não romper o fluxo de sensualidade que emana do rebolar dos seus quadris. Senta-se atrás do meu corpo e rouba o recipiente com um resto de álcool da minha mão e não fala nada… e é neste instante que percebo o início da ausência do falar onde, ao mesmo tempo, se finaliza a saudade desses dois corações que, no fundo, se amam de forma altruísta, realista e digna. O pôr do sol embeleza o ambiente, alaranja as nossas peles que ruborizam quando recebe calor do corpo alheio e diferencia em algo que ainda não sei identificar o que é. Há algo diferente, novo. E eu percebo. Flor fala comigo.

Deixe-me beijá-la. Não ouso negar e sequer me rebelo em falar, deixo que as palavras e o controle partam dela. Com uma mão recuo o volume do cabelo cacheado para o lado do meu pescoço e com a outra aproximo sua cabeça da minha nuca; seus lábios me tocam e eu tenho o privilegio em sentir o arrepio molhado que a sensação da sua língua me fazendo carinho provoca, Flor me beija de cima a baixo, me toca com a ponta dos dedos em locais estratégicos, em pontos que me fazem arrepiar e sentir algo bom. Senti sua falta. Flor fala e não consigo dizê-la que quase aguardei todo o dia pela sua mensagem de intimação; ela fala e eu me entrego cada vez mais a vontade de ficar nua e estar confidenciada à inspeção meticulosa dos lábios revoltos desse botão perfumado e revolucionário; ela beija minha nuca tantas vezes que nem me lembro do momento que tirei a blusa preta. Você é linda. Em outra ocasião, falara-me que a primeira vez que me viu passar pelo campus da universidade percebeu que eu não usava sutiã pelo balançar livre dos meus seios e pelos mamilos sensíveis que estampavam a blusa que usava no dia. Lembro da ousadia e perversidade dela toda vez que me desnuda, toda vez que arranco a blusa e os meus seios ficam à disposição das fantasias dos seus lábios e das suas mãos.

Flor é quase maníaca: perfeccionista, ambiciosa. Almeja chegar ao topo, a fazer bem feito e algo novo a cada encontro quinzenal nosso; tem fissura em me ver retorcendo os quadris por ela. Flor é selvagem e impura, em nada remete a flor. Adoro a expressão de desejo no seu rosto. Beija os meus seios e eu agarro com brutalidade o amontoado de fios grossos na sua cabeça, aperto conforme a intensidade do chupar e grito quando já não tenho mais força para competir com a brutalidade do seu ato. Prendo um palavrão entre os dentes e a vejo sorrir, faço urgente o contato dos nossos lábios e agradeço quando ela faz. O aprofundamento das nossas línguas é compatível ao instante em que meu corpo relaxa sobre a grande cama resfriada pelo ventilar suave que vem da janela entreaberta, agarro a barra da sua camiseta masculina (provavelmente do seu irmão mais velho) e retiro-a, bagunçando e balançando o coque no topo da sua cabeça. Mordo seu lábio com força, instintivamente, quando ela bate na minha bunda; ela tem consciência do quanto isso me enlouquece, do quanto adoro ser dominada (seja por homens ou mulheres). Você vai me obedecer? Não respondo. Deslizo o short de tecido fino pelas minhas coxas grossas recém depiladas e abro-me em sua frente… visto uma calcinha azul, sua cor favorita. Toco-me intima e rapidamente: estou muito excitada, estou quente e molhada. Um minuto de toques rápidos e eu, de certeza, teria um orgasmo enlouquecedor. Mas não faço. Toco, gemo e fico totalmente despida sob o olhar atento de Flor, que fica curiosa em descobrir os próximos passos da minha ousadia gerada e manipulada pelo ardor dos seus beijos.

Deito de costas e empino levemente a minha bunda em sua direção. Flor se livra das peças que cobriam seu corpo moreno e encobre o meu, fazendo um caminho de beijos pela curvatura das minhas costas até chegar ao meu ponto fraco. Os beijos regularmente distribuídos na minha nuca conseguem arrancar um gemido tímido de mim, não somente pelo beijo em si, e sim, o que veio acompanhado por ele: uma mão pequena e ousada que se enfia por entre as minhas coxas e massageia o meu clitóris. As diferentes pressões espalhadas em diversos pontos do meu corpo me fazem estagnar na beira da insanidade; os lábios pressionam-se contra a pele sensível da nuca, os seios arrebitados e excitados massageiam ritmicamente as minhas costas dançando conforme o descer e subir do corpo de Flor, os dedos fazem pressão no ponto mais sensível de uma mulher, no local que um toque leva a um paraíso desconhecido e parcialmente diabólico. Vire-se! Ela ordena e eu faço, como se não me restasse outra opção senão me submeter a suas vontades.

Fecho os olhos e permito sentir todo o meu pulsar em sua mão: começo a fraquejar, a tremer e a voz ameaça falhar (caso arrisque alguma palavra); meu clitóris vai sensibilizando a cada movimento bruto, firmo minhas unhas no lençol e sinto o ápice do que é sensível. É tão prazeroso que chega a doer, dói quando continuo a ser tocada com a mesma intensidade, é agonizante. Prendo a respiração e grito quando ela me sente internamente, quando seus dedos me procuram mais a fundo e carnalmente. Ela me beija sem parar os movimentos. Gemo entre um beijo e outro, toco-a também e ela enlouquece diante da minha ousadia de não aceitar ser totalmente dominada. Ela deixa-se banhar no que eu posso oferecer, apesar de estar disposta a me fazer… a me foder.

Gozo a primeira vez e respiro fundo na tentativa de recobrar as energias e voltar a sentir firmeza nas minhas pernas. A negação de descanso me vem com o áspero de sua língua que caminha em direção a minha intimidade vermelha e tocada (somente por ela), ela me beija como se não houvesse outra coisa que desejasse fazer. Sente o meu sabor, delicia-se com o frescor pós-gozo e aperta a minha bunda. Gemo. Aperto instantaneamente os meus seios rosados e tenho a impressão de estar vivendo algo único e surreal, com o respirar deficiente e a voz sussurrando o nome da moça que me chupa, me atento e canalizo minhas energias em desfrutar do segundo orgasmo da noite. Apesar de ansiar a chegada, ele não vem: Flor para e me maltrata, me faz implorar para que eu volte a ser chupada, ela deseja-me como submissa e eu, tremendo de vontade, imploro com palavras sensuais e vulgares para que ela me dê prazer e me faça gozar novamente.

Sustentando os seus olhos nos meus, desce a cabeça para o meu colo e beija a região do meu umbigo, percorrendo um caminho perigoso e conhecido pelos seus lábios. Sinto todos os seus gestos de olhos fechados, me permitindo chamar seu nome num sussurro mudo quando ela me beija; seu corpo se enrosca no meu, suas mãos massageiam simultaneamente os meus seios grandes e, honestamente, põe-me à beira da loucura. Ela não deixa ser tocada, não quer sentir o prazer e sim dar-me, Flor satisfaz-se com um gemido rouco meu, satisfaz-se com a ideia de ser a pessoa que provoca em mim todas essas sensações proibidas. Os seus beijos são distribuídos regularmente por locais muito íntimos, ela reconhece aquilo que preciso e sabe como mover-se, como fascinar-me. Ela me prova de todas as maneiras e, em seguida, ousa em fazer com que eu prove o meu próprio sabor nos dedos e na ponta da sua língua. É profano, impuro e pecador. Flor é o pecado, tem o hábito de me induzir a perversão, a querê-la…

A sensibilidade do meu corpo inteiramente arrepiado faz doente o toque daquela mulher: queima, arde, dói e vicia. Flor caracteriza-se pela máscara angelical que esconde quem ela verdadeiramente é, que esconde as suas verdades: gosta de bagunçar o meu cabelo, de me bater, de me tocar intimamente e de prender-me aos seus encontros. Submissa, assisto meu corpo novamente caminhar através da trilha conhecida do orgasmo. Eu começo a fraquejar e demonstrar instabilidade, minhas mãos tateiam o meu e o corpo moreno deitado sob mim, os apertos e tapas se intensificam e não me doem, minha boca se abre, é beijada e propaga o som da beleza em produzir o perfume da carne contra carne. Meu cabelo puxado, meu lábio ferido, meu peito acelerado e a minha bunda que apanha é aquilo que contracena com o ápice de atuação das protagonistas da mais bela peça real: o sexo.

Os segundos de atuação desta sensação lúdica me deixam inativa e sequer consigo descrever passo a passo o que me provoca, é ensurdecedor, engasga e aflige o coração: tudo acelera e você tem uma vontade imensa de beijar, morder e gritar, as mãos apertam o próprio corpo, a boca se fere e o grito se alastra pelas diversas regiões da sua mente e te nocauteia. Flor me beija novamente, desta vez com uma segurança e com um ego maior: me fez gozar, me fez gritar e suar. Flor me fez.

Trinta minutos após o fim é o tempo certo para se ir. O fim de tarde não é sempre a hora que escolhemos para transar, mas desta vez, não sei porquê, o clima deu uma nova significância ao ato, embora o profano ainda domine sua essência. Estamos deitadas, uma agarrada a outra, como nunca havíamos feito. Eu olho o relógio: quinze minutos a mais do tempo de ficada e eu ainda estou aqui, ela não me quer longe dos seus braços. A conversa cessou e as palavras quase não foram ditas, estamos silenciosas, cada uma analisa uma dimensão distante, sem pronunciar uma palavra sequer; fico confusa com a análise anterior sobre as trocas de palavras e me ponho a pensar sobre esse rompimento de fluxo: não nos falamos. Flor acaricia a pele do meu colo ainda nu, quieta, pensativa. Respira fundo contra meus cachos desfeitos e eu ainda penso na ausência de palavras, penso que nós deveríamos estar conversando, que a casualidade dos nossos encontros sugere que se fale depois do sexo e que façamos isto todas as vezes… por que não hoje? Ela mexe no meu cabelo, fecho os olhos e descanso com o seu toque minimalista e tímido.

Seu toque em nada se assemelha com o feroz e demoníaco das suas mãos há algum tempo atrás e isso acontece porque estamos e somos influenciadas uma pela outra a todo instante. Flor me tem de uma forma, eu a tenho de outra e, juntas, constituímos uma união sexual e intensa. Nunca beijei a boca de uma mulher antes da dela, antes de me apaixonar pelo feminino e a sua reciprocidade e conexão mútua, pois, ainda que eu foda com homens, a sensação de entregar-me para uma mulher é revigorante: ela sabe do que preciso, de como tocar e beijar; não se intimida em beijar entre as pernas e, muito menos, de ceder espaço para somente uma gozar a noite toda. Embora pareça uma bondade enorme da parte de Flor renegar o meu toque, existe na sua atitude um quê egoísta… estou em dívida com ela, meu saldo negativo com a mulher que me fez gozar me obriga a voltar e, desta forma, ela sempre me terá e a casualidade se reestabelece e se renova sem que esteja dito e imposto explicitamente. Eu vou-me feliz e culpada e, no fim, acabo voltando para o calor das suas pernas. Percorro a mão pela pele da sua bunda morena e ela aperta a branquidão da minha, beijo-lhe os olhos e a boca rapidamente, como faço toda vez que chega a hora de ir. Beijo-a e vou, sem muitas considerações por estar certa do retorno. O seu olho brilha e a boca dela treme na intenção de fazer som a palavra pensada.

Fique comigo…

A nobreza da sua voz me pede. A casualidade não é isso, estamos errando ou inovando; ela erra no sentido do que queremos ter ou, ainda mais insano, ela quer ter-me como algo fixo e não quinzenalmente. Penso na grandeza imensurável deste pedido aparentemente simples e confundo-me internamente. Flor percebe a minha confusão e finge não estar arrependida de fazer um pedido tão significativo para nós que, inicialmente, firmamos o acordo de não envolver sentimentos e carinhos. Olho no fundo dos seus olhos negros e coloro com a ponta dos meus dedos a maçã do seu rosto levemente corada. Ela quer falar e eu a encorajo com os olhos.

Talvez, eu esteja te amando.

Aperto-a nos meus braços, tranquilizando seu corpo tensionado, sustento meu olhar no dela como quem quer dizer que está tudo bem, que estou amando-a também e que isto significa temer da mesma maneira a vontade de ficar e beijá-la todas as manhãs e noites. Beijo-lhe os lábios e, sem dizer nada, consigo fazê-la entender que tudo é real e que quinze dias é tempo demasiadamente longo para o anseio dos meus lábios em tê-la; faço-a compreender que desejo estar e revidar as provocações quantas vezes forem necessárias num dia só; digo, sem falar nada, que a amo também. Ela sorri, um riso com manifesto de compreensão e felicidade. Então, capturo no ar a essência da palavra e da sua força sobre mim, mesmo a palavra sem som, aquela que se diz com os olhos, com o cortado da respiração e com a pressão do toque. A palavra ainda é a melhor forma de manifestar-se e, portanto, é por meio dela que rompo com um acordo bobo e ingênuo e firmo outro que preza compromisso e constância.

Beijo a saliência das suas costelas e recebo um carinho no cacho decomposto e amassado, seu corpo fala que me quer novamente através dos pelos que se arrepiam e eu leio na expressão facial de Flor que não preciso esperar quinze dias ou quaisquer números de dias para quitar e sanar o meu débito com ela. Deslizo meu corpo para baixo, para o meu lugar favorito nela, pronuncio-me com a ousadia do meu ato e faço-a ciente.

Eu fico.

Leitora Despudorada.