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Eu uso coletor menstrual

No início é estranho. A gente fica sem entender como usa, acha grande demais, anti-higiênico, nojento. Comigo aconteceu a estranheza logo de cara e, junto com ela, a curiosidade. Afinal, se fosse ruim, muitas mulheres não estariam aderindo e elogiando a novidade que, na verdade, nem é tão novidade assim.

O coletor menstrual, de acordo com informações do The Museum of Menstruation and Women’s Health (tal como consta no Wikipédia), é produzido desde a década de 1930 e há registros de coletores rudimentares desde 1867. O primeiro a ser panteado foi produzido nos Estados Unidos e, apesar de ter havido venda e divulgação significativas, o silêncio sobre o assunto se instaurou posteriormente.

Na década de 1950, após a Segunda Guerra Mundial, voltaram à fabricação dos coletores e, em 1963, por falta de látex e por não ter se popularizado, eles caíram em desuso reaparecendo em 1970 como um coletor descartável. Entretanto, durou poucos anos no mercado. Desde 1987, tem sido fabricado, também nos Estados Unidos, o coletor considerado o primeiro modelo produzido em dois tamanhos. A partir daí, ele passou a ser reutilizável e popular.

 

Coletor menstrual 100% em silicone medicinal da Inciclo, tamanho B.

 

Como o próprio nome diz, o coletor menstrual é um dispositivo desenvolvido para coletar o fluxo menstrual internamente em vez de absorvê-lo como fazem os absorventes externos e internos. Ele é um copinho de silicone hipoalérgico e antibacteriano, ajustável e maleável para facilitar na hora de colocá-lo na entrada da vagina. Estou em meu terceiro mês com ele e minha experiência tem sido com o coletor menstrual da Inciclo, que oferece os dois tamanhos de uso. Em meu caso, que nunca tive filhos, utilizo o Modelo B.

Apesar de não conhecer outras marcas, o coletor menstrual da Inciclo me deixou a vontade desde o princípio e eu descobri que não é um bicho de sete cabeças usá-lo, pelo contrário, a gente nem sente que está usando. Livrar-se do absorvente é a coisa mais linda do mundo! Ele vaza um pouquinho de vez em quando, caso eu não coloque corretamente como apontado na imagem abaixo. Há também o risco de vazamento se o fluxo tiver muito forte e eu demorar muito para retirá-lo, pois  a indicação é que troquemos a cada 6 horas, no máximo, quando o fluxo estiver muito forte. Se tiver fraquinho, ele oferece até 12 horas de proteção. Um outro probleminha é a haste que o acompanha. Ela deve ser cortada até se adequar e não machucar. Eu diria que esses são os únicos incômodos, o que representam quase nada.

 

Modo de usar o coletor menstrual. Fonte: Google.

 

Quando a gente começa a usar o coletor menstrual, logo se surpreende com a quantidade de sangue coletada porque sempre pensamos que é mais, já que o absorvente passa a impressão de que é bastante. No absorvente, o sangue se espalha deixando um pegapacapá doido entre nossas pernas. No coletor, o sangue se condensa e ali fica, por isso, a impressão de que ele é menos. O odor também é menor, visto que ele não entra em contato com algodão ou oxigênio. Ah, e não atrapalha a fazer xixi nem defecar. É de boa na lagoa. Você só não pode transar com ele, logo o mais adequado é retirar antes do ato e depois colocar novamente.

Uma coisa importante para quem usa o coletor é a higienização dele. A cada fluxo, eu coloco o meu na água e em uma panelinha de esmalte para dar uma fervidinha. Não devemos usar panelas de alumí­nio nem de teflon, pois elas soltam substâncias metálicas que podem danificar o silicone. A cada retirada do nosso corpo, ele deve ser lavado com água corrente e sabão neutro. Caso não tenha o sabão, ao menos na água bem lavadinho ele precisa ser. Para colocá-lo, a mão também deve estar bem lavadinha. Apesar desses cuidados, relaxe, o coletor não causa infecção alguma.

 

Panelinha, coletor e saquinho para guardá-lo. Ele está um pouquinho amarelado devido ao uso.

 

Para que não tenhamos dúvidas sobre seus benefícios, eu fiz esse infográfico abaixo que aponta todos eles. É econômico porque é reciclável e pode durar muitos anos se cuidarmos direitinho. Apesar do custo inicial ser mais alto do que o dos absorventes, este custo é dissolvido ao longo do tempo de uso. É sustentável por serem reutilizáveis, evitando a produção de lixo. É ótimo para carregar e eles ainda vêm com uma sacolinha, como mostra na imagem acima. Muito amor!

O coletor menstrual também é confortável porque não causa nenhuma sensação de incômodo. Às vezes até esqueço que estou usando ele. Posso usar pra fazer qualquer atividade físico e fico de boa na vida. Ele também não altera o pH e a flora vaginal por ser feito de silicone e não ter função absorvente. Como última das características citadas abaixo, o coletor oferece comodidade porque abriga um volume de fluxo muito maior do que os absorventes e permite um uso mais longo mesmo que o nosso fluxo seja intenso.

 

Imagem: Pudor Nenhum. Ilustração do coletor: desconhecida/Google.

 

Aqui, no Brasil, a Anvisa já anunciou que os coletores logo vão receber uma regulamentação para que sejam padronizados e mais seguros. Conforme uma matéria veiculada no G1, a Anvisa diz que a norma deve dizer que o coletor precisa ser de material atóxico e adequado para seu uso e que não pode ter ingredientes como fragrâncias e inibidores de odor. Um alerta sobre SCT (Síndrome do Choque Tóxico) será obrigatório e ainda a frequência de remoção do produto para descarte do conteúdo menstrual.

A Síndrome doo Choque Tóxico é um problema de saúde relacionado ao acúmulo de sangue menstrual em absorventes internos, que utilizavam fibras sintéticas e produtos químicos para ampliar sua absorção, por mais de um dia. Atualmente, os fabricantes de tais produtos voltaram a utilizar fibras de algodão e não acrescentam mais produtos químicos. O maior risco está em feridas de pele não esterilizadas adequadamente ou após cirurgia geral. Porém, houve um caso relatado de uma mulher que usou o coletor. Mas fiquemos tranquilos, pois o uso correto não aumenta os riscos de infecção. Eu mesma estou tranquilíssima!

Se tiver querendo experimentar, se jogue. Amei o coletor de verdade. Indico a Inciclo também, viu? Para contar sua experiência, sinta-se à vontade nos comentários ou pela página de contato aqui do blog. É sempre muito love essa interação da gente!

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Baiana. Graduada em Letras Vernáculas e em Jornalismo. Realizou pesquisa em Análise do Discurso, estudando a produção do discurso pornográfico. Descobriu-se apaixonada por assuntos relacionados ao sexo e a sexualidade. Adora brincar com as palavras e fotografias.

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