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Todo ano, a gente é pego por essas duas datas: uma dos namorados e outra dos solteiros, já que Santo Antônio é tido como o responsável por arranjar marido pra mulher que já está quase perdendo as esperanças de encontrar algum pelos meandros da vida. Entretanto, vamos pensar: o que seria a fé em um santo como temos a fé no santo casamenteiro?

Para mim, fé é uma crença. Quem tem fé, acredita. Logo, quando pedimos ao santo, consequentemente acreditamos. Mas acreditar não é um ato simples da boca pra fora, ele representa muito mais. Quando a gente acredita em algo, tiramos de nós o pessimismo que a falta de esperança traz e, assim, passamos a ser mais otimistas e mudar nossas atitudes.

A beleza, portanto, começa a surgir e, então, ficamos mais propícios a encontrar alguém. Quando essa beleza resplandece inteira, a chance de conhecer alguém com muitas afinidades é perfeita. Porém, quando essa beleza ainda está recheada de negatividades e se aparenta com desespero, a possibilidade de encontrar alguém que não a faça feliz é grande.

Eu sempre digo para as minhas amigas que querem ter um companheiro e casar: Não se preocupe, toda panela tem sua tampa e a sua ainda vai aparecer. Eu sempre peço também para canalizar os pensamentos e evitar desesperos porque isso não é bom pra si nem para o outro que vê fragilidade demais em sua imagem. Quem me conhece, sabe que não estou mentindo.

A nossa fé em Santo Antônio deve ser revertida em amor próprio. Quem se ama está mais fácil de ser amado. Para tudo, existe um espelhamento e nosso interior é quem mais está capacitado para espelhar tudo o que nele está. Não sei se você fez simpatias, orou pai nossos ou sonhou com seus desejos sendo realizados, mas digo que um coração tranquilo representa uma mente e um corpo saudáveis e prontos para quando o amor chegar.

A pergunta do título não poderia, à primeira vista, ter uma outra resposta a não ser a de que esta beleza está em nossos olhos. Quando olhamos no espelho nos vemos de um modo e quando fulano e sicrano nos vêem o redirecionamento do olhar e os conceitos de beleza são outros. A beleza, portanto, está além da nossa possibilidade de olhar e se ver refletida no espelho ou nos olhos alheios. E a pergunta é: e onde ela estaria?

Eu diria que a beleza está no conceito que criamos para ela no decorrer do nosso crescimento e amadurecimento intelectual. Talvez, ser bonita para você é ter uma pele de bebê ou ter lábios avermelhados naturalmente. Beleza, para ele, talvez seja ter um estilo mais marcado e diferenciado ou, simplesmente, ser bem casual e tímida ou extrovertida. A beleza está relacionada a nossa forma de ver o mundo e enquadra-se no quesito interior, ou seja, a aparência não é tudo quando o assunto é esse.

Quando não estamos bem, a tendência é nos acharmos feias. Caso contrário, nos sentimos lindas e maravilhosas. Assim funciona com quem nos ver e, de alguma forma, percebe esses reflexos da alma. Uma coisa importante que impossibilita nos colocarmos pra baixo e acharmos que não somos tão bonitas(os) é evitar pensar em situações desagradáveis e canalizar os pensamentos para afazeres e momentos bons da vida, além de procurar estar sempre com quem gostamos.

Se você não está acreditando em mim, faça o teste e confirme. Depois corre e vem me contar. Quando estamos bem por dentro, o espelho desembaça e a nossa beleza resplandece para nós mesmos e para os outros.

A água caía torrencialmente sobre seu corpo nu. Cobria e se despia como se estivesse sendo vista por alguma fresta, vitrô ou fechadura esquecida. As mãos a vestiam entre espumas, desejos e nostalgias. Entrecortava canções que poderiam servir de trilha sonora para seu curta metido a erótico. E, ao imaginar, o instrumental de “You can leave your hat on”, serpenteava e embaraçava-se naquela cascata que a inundava. Com chuveirinho, permitia-se; com os dedos, procurava os melhores caminhos. Sabia que maior que o desejo era a consciência apontando-na: desperdiçar água não é lá essas coisas. Então, acariciou-se com a toalha tolhida que estava. E, ao sair do açude de tentações, calou-se frente ao espelho. Observou atentamente cada detalhe seu: olhos abertos, um maior que o outro que, quando faziam parceria com as sobrancelhas expressavam todo prazer ou desprazer que queriam; os cabelos bagunçados soavam sexyssezas e cabiam muito bem se roçados em alguém perante confissões ao pé do ouvido; seios baixos e gordurinhas a mais faziam dela uma mulher farta e ela sabia o quanto tudo aquilo a tornava o tanto que era – o tanto de tesão, de possibilidades sobre a mão ou mãos. Novamente, tocava-se e seu êxtase era enorme.  Naquele instante, ter alguém era tirá-la daquele chão de descobertas do seu próprio corpo. Preferia ficar assim, esfregar-se na parede, abrir-se inteira, assumir as próprias rédeas e se fazer volúpia para si mesma. Se havia alguém a observá-la, certamente intuía loucura, exibicionismo ou masturbava-se freneticamente. Não quis abrir a porta ou tirar os olhos do espelho a notá-la tão intimamente até sentir que estava na hora. Enrolou-se na toalha, fechou-se para o que a esperava lá fora. Não havia ninguém e, assim, a vida voltou a ser um invólucro e seu corpo uma caixa com lacres frouxos.

Fazer do movimento o instante-certo. Torná-lo delicadezas do corpo e observá-lo arte. Este é o trabalho de Rebeca Reis, uma conquistense que começou a transbordar em fotografias recentemente, mas que já mostrou às redes sociais o quanto consegue desprendimentos e feminilidades frente às lentes. Tanto quanto capturar o corpo e os transbordamentos alheios, a própria fotógrafa apresenta-se diante das câmeras como uma forma de enfatizar sua autoestima. O despir e ver-se em outra projeção proporciona olhares antes não observados perante o espelho. Tal como ela mesma disse, “a fotografia é um modo de me conhecer e conhecer o feminino, a feminilidade. É meu auto-conhecimento. Além disso, o ato de fotografar é uma liberdade… no sentido de ter me descoberto e aprender a me amar”.

 

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Autorretrato

 

Diante disso, Rebeca também nos falou sobre o resultado que vê nas pessoas que por ela são fotografadas.

 

Eu vejo que cada uma tem suas limitações e vergonhas; mas, quando vou fazer um trabalho, eu procuro fazê-lo do jeito que a pessoa é. Se ela for tímida, menos luz e muita música, muita conversa e algum livro pra ela ler. Se for mais extrovertida e liberal, música..MUITA música calma pra não focar no sensual e sim no feminino.

 

Com toda essa atmosfera rítmica que perpassa os bastidores da fotografia, só penso que deve ser muito bom se deixar inebriar diante de suas lentes. Já acertamos que algumas próximas postagens minhas já contarão com seu olhar. E, para não restar dúvidas, a feminilidade tem a ver com as particularidades que a enquadram no sexo feminino. É algo bem cultural, marcante e que acaba nos apontando personalidades. Para nos encantarmos ainda mais, vamos apreciar mais algumas de suas fotografias.

 

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Vale salientar que o feminino está também em casais, mães, gravidinhas e meninos. O trabalho de Rebeca Reis é maravilhoso. Quer quiser conhecer um pouco mais e também se permitir fotografar, acesso a Fan page Guardando Momentos dessa musa. Ela fotografa em Vitória da Conquista, na Bahia, e, assim que tiver um tempinho, caio nas garras dela. Já que me inspirei um bocado por aqui, deixa eu ir ali escrever um próximo texto e suspirar.

De repente, você conhece alguém e esta passa a ser a pessoa da sua vida. As primeiras vezes acontecem com ela, desde as confidências às experimentações de alguns sabores que o viver oferece. Os sorrisos passam a ser compartilhados e nada passa a ser tão gostoso de lembrar do que o abraço e carinho por ela emanados. Não seria de estranhar que após algum tempo de chamego, você reconhecesse que aquilo era a tal louca paixão porque, simplesmente, você passa a não reconhecer distâncias. Sabe aquelas coisas que nunca poderiam ser superadas por causa disso e daquilo? Elas simplesmente deixam de ser barreiras e todo medo passa a ser coragem. No entanto, as circunstâncias começam a apontar outros caminhos.

Ele passa em um vestibular fora e você começa a trabalhar um pouco mais do que anteriormente. Vocês passam a se encontrar menos e a conhecer pessoas diferentes. O foco começa a ser outro e o coração, apesar de acelerado a cada reencontro, passa a perceber que aquilo não era simples paixão. Sendo assim, chamam de amor. Amar, então, torna-se sinônimo de querer bem – independente de estar ou não com a pessoa. As lembranças despertam sorrisos e fazem os olhos brilharem. O pequeno ato de conversar, até mesmo pelo Whatsapp, passa a representar novos e melhores passos. É desse amor que sustentam-se as amizades.

Quando tudo entre os dois passa a ser amor, a emoção tira a coroa e a razão tira os sapatos. Isso tudo só acontece porque amar exige ver a felicidade do outro. Não estar mais contigo não é uma questão de não gostar, mas sim de não mais estarem na sintonia dos passos – no que concerne a sexualidade. Quando há uma química amorosa dos dois que converge para este ponto: não há dúvidas de que uma amizade permeará entre eles e que será uma pessoa com quem sempre poderá contar em qualquer momento da vida. Isso acontece por haver o reconhecimento da importância de um para o outro no decorrer da vida e por sentirem os pés no chão, evitando idealizações desnecessárias.

É por isso que adoro as chamas da paixão, mas amo mais ainda o amor que sinto por mim e pelas pessoas. Quando eu encontrar alguém para dividir a vida comigo, espero que seja para sentir os pés no chão. Reconhecer todos os defeitos e, ainda assim, continuar gostando do mesmo jeito. Isso, sim, é plausível e nos permite uma entrega pra vida inteira.

Sério: eu pensei isso dia desses quando me olhei no espelho e refleti tudo o que sou em questão de poucos minutos (se chegou a um minuto). Sabe aquele flash que de repente dá e você consegue perceber tudo o que há de negativo nos outros e, em paralelo, pensa que a pessoa perfeita seria aquela justamente igual a você? Fala a verdade: isso é muito amor próprio. Fazer essa reflexão vale muito a pena e faz perceber que alguns dos nossos erros podem ser mudados e outros podem, simplesmente, ser aceitos por quem nos sirva de tampa. Afinal, toda panela precisa ser tampada nem que esta seja uma frigideira.

Sendo assim, vou logo dizer que, quando me vi, descobri que tenho um sorriso bonito, logo sou bonita. Sou negra, tenho cabelos crespos cortados curtinhos em um ato de coragem e personalidade. Uia, atos assim são excitantes. Portanto, tenho a personalidade forte – daquelas de não mudar fácil de opinião e de buscar não se atingir por línguas ferinas (talvez de inveja por não conseguir realizar pequenos disparos de liberdade). Sou livre sexualmente do tipo que topa qualquer parada, apesar de ter pudores. Dou risadas altas quando sinto vontades. Provoco conforme as necessidades. Mas tenho um lado de pura repressão e se alguém souber chegar chegando, bem possível romper tais algemas. Isso também soa excitante, apesar de não ser uma tarefa fácil.

Eu namoraria comigo mesma quando me deparo com todo esse universo que me forma e percebo que sou melhor do que imaginava e que se alguém não vê isso é porque está meio cego dum ou dos dois olhos. E quando passo por você e sinto que não me enxerga, continuo passando e também me viro pra não ver aquele que não sabe admirar a beleza rosariana despudorina. Oh, do mesmo modo que me refiro a mim… peço que faça esse exercício com você e, caso se sinta à vontade, pode publicar aqui nos comentários ou até mesmo compartilhar no Facebook a partir do comente daqui. É bom que todos saibam o quanto você se ama. Se alguém torcer o nariz, empine o bumbum e siga. Somos uma delícia, disso não tenho dúvidas.