HomeArtigo criado porLu Rosário (Page 13)

Tenho estado desconecta comigo mesma há algum tempo, a sensação de conseguir, depois de tanto tempo, compreender quem eu sou e o que quero é um tanto quanto confortador. As dores ainda existem? Sim, mas estou tentando e aprendendo a lidar com elas de uma forma madura e tirando melhor proveito delas e replantando-me a cada novo sofrer. Contudo, essa mudança radical não fora obtida de um dia para o outro. Não. Foi preciso muito e pouco sono para eu estar apta a me entender… o que ainda não é fácil. Sinto-me rodeada de paz e de uma menina que eu nunca fui e sinto falta; gosto de fingir que um dia fui inocente e sem preocupações, apesar da crença em nunca ter sido dona de tamanha ingenuidade; gosto, simplesmente, de me imaginar diferente e codificar o meu futuro e as minhas ações nos sorrisos e abraços que tenho comumente recebido de pessoas que florescem e perfumam o jardim da minha vida.

Meu celular apita. Uma mensagem de texto incomum e aguardada. Não se mandam mais mensagens de textos ou e-mails e eu sou louca para receber e troca-los, acho confidencial, misterioso, temperado de esquecimento e perigo. Recebo poucos, a maioria são anúncios de vendas de livros dos sebos que sou cliente ou de sites com dicas para vestibulares; urgh, me enlouquece não estar livre um instante sequer dessa palavra, dessa necessidade de aprovação alheia baseada em pontos… acho que estou à frente disso tudo, mas o regresso é necessário, preciso voltar e fazer parte desse meio, mesmo que isto signifique viver algo que não quero e algo que não me faz ou forma.

O convite fora aceito e eu, como em quase todas as outras ocasiões da minha vida em que sou obrigada a tomar decisões, fico insegura sobre meu ato anárquico de aceitar o convite dela em ir até a sua casa, assistir um filme. Nós sabemos o que acontece em filmes assistidos a dois: se cansa, o beijo filmado embaraça e constrange (porque, afinal, é o que desejamos fazer com quem deita ao nosso lado), um esbarro aqui e outro mais íntimo lá. O fim eu já sei e você também. Aceito porque gosto de me desafiar (dentro daquilo que me permito ir) e gosto, principalmente, de beijá-la.

Flor tem sido um desafio para os meus sentimentos: ela é confusa, assim como eu. Não sabe se quer, se ama ou não… não que eu seja a imponência e firmação em pessoa, mas, no mínimo, consigo definir o caos dentro de mim porque, ora, se eu não sou capaz de compreender a minha dor, quem será? Não minto quando digo que gosto dela, gosto de verdade. Adoro a covinha da sua bochecha e do seu riso quase diabólico de tão escandaloso e, sobretudo, adoro a sinceridade que me fala quando sente saudade: vem me ver, pois te quero. E eu vou. Estou a caminho, na verdade.

A fachada da casa de Flor é pálida, branca como as nuvens que escapuliram do céu e deram espaço para o sol queimar facilmente a minha pele, mas é simples e bonita. Bato na porta de madeira, ignorando avidamente a função do interruptor minúsculo (lê-se campainha), odeio o susto que esse som agudo provoca, prefiro o bater bruto na porta, é sonoramente mais poético e bonito, acho. Ela demora, como sempre. Tarda seus passos fazendo-me ansiar pela visão do seu corpo, tarda-se para me fazer entrar no jogo psíquico de desejo. Flor abre a porta, o sorriso, os braços e a alma para mim, enlaço-os num abraço caloroso e beijo fortemente a bochecha dela, quase tocando os lábios rosados e levemente ressecados dela; a sua pele tem sempre o mesmo aroma gostoso e provocante, tem um toque de sal, de ar e de chuva… Flor é a tradução do que é belo na natureza e na bondade da mesma, visto que a mim é dada a oportuna chance de prova-la e banhar-me nas suas carnes.

Entro sem vergonha e já corro em direção ao quarto conhecido. Lá, espero a companhia do seu corpo e deixo-a perceber a surpresa nos meus olhos. Estava diferente, não tinha um toque juvenil e itens decorativos de cidades famosas, agora, o quarto exalava maturidade e, honestamente, eu só pensei coisas más. Ela serve um pouco de vinho e, apesar de hesitar, pego a taça mediana de suas mãos e deixo meu toque sentir a pele dela por uns poucos segundos; bebo um gole do vinho tinto suave e sinto o adocicado queimar no fundo da minha garganta. Ela senta-se de frente para o meu corpo e se diz disposta a conversar, eu o faço.

Nunca me saí bem em escolher assuntos, em tentar me aproximar de uma pessoa pelo meio da conversa… sempre fui dispersa quanto a isso. Porém, com Flor me sinto segura para ser o que sou e, inclusive, dizer o que penso. As conversas têm tido uma função muito importante nos encontros casuais: é através do bate papo que nos conectamos, ela me sente, me entende e me ouve falar. Falamos por um tempo suficientemente longo que abre brecha para o desejo e o fogo alcóolico se irradiar por nós e fazer-nos queimar. A conversa sempre termina na cama. É com fala que tudo se inicia, é a fala que nos faz silenciosas e ruidosas por horas numa cama e é com ela que encerramos a noite, então, eu vou para casa entupida de palavras que poderiam ter sido ditas e não foram e Flor… bem, não sei. Ela manda-me palavras quinze dias depois, quando sente necessidade de degustar o meu gemido (que não é feito de palavra, mas ainda é meu).

O corpo dela move-se vagarosamente, ansiando não romper o fluxo de sensualidade que emana do rebolar dos seus quadris. Senta-se atrás do meu corpo e rouba o recipiente com um resto de álcool da minha mão e não fala nada… e é neste instante que percebo o início da ausência do falar onde, ao mesmo tempo, se finaliza a saudade desses dois corações que, no fundo, se amam de forma altruísta, realista e digna. O pôr do sol embeleza o ambiente, alaranja as nossas peles que ruborizam quando recebe calor do corpo alheio e diferencia em algo que ainda não sei identificar o que é. Há algo diferente, novo. E eu percebo. Flor fala comigo.

Deixe-me beijá-la. Não ouso negar e sequer me rebelo em falar, deixo que as palavras e o controle partam dela. Com uma mão recuo o volume do cabelo cacheado para o lado do meu pescoço e com a outra aproximo sua cabeça da minha nuca; seus lábios me tocam e eu tenho o privilegio em sentir o arrepio molhado que a sensação da sua língua me fazendo carinho provoca, Flor me beija de cima a baixo, me toca com a ponta dos dedos em locais estratégicos, em pontos que me fazem arrepiar e sentir algo bom. Senti sua falta. Flor fala e não consigo dizê-la que quase aguardei todo o dia pela sua mensagem de intimação; ela fala e eu me entrego cada vez mais a vontade de ficar nua e estar confidenciada à inspeção meticulosa dos lábios revoltos desse botão perfumado e revolucionário; ela beija minha nuca tantas vezes que nem me lembro do momento que tirei a blusa preta. Você é linda. Em outra ocasião, falara-me que a primeira vez que me viu passar pelo campus da universidade percebeu que eu não usava sutiã pelo balançar livre dos meus seios e pelos mamilos sensíveis que estampavam a blusa que usava no dia. Lembro da ousadia e perversidade dela toda vez que me desnuda, toda vez que arranco a blusa e os meus seios ficam à disposição das fantasias dos seus lábios e das suas mãos.

Flor é quase maníaca: perfeccionista, ambiciosa. Almeja chegar ao topo, a fazer bem feito e algo novo a cada encontro quinzenal nosso; tem fissura em me ver retorcendo os quadris por ela. Flor é selvagem e impura, em nada remete a flor. Adoro a expressão de desejo no seu rosto. Beija os meus seios e eu agarro com brutalidade o amontoado de fios grossos na sua cabeça, aperto conforme a intensidade do chupar e grito quando já não tenho mais força para competir com a brutalidade do seu ato. Prendo um palavrão entre os dentes e a vejo sorrir, faço urgente o contato dos nossos lábios e agradeço quando ela faz. O aprofundamento das nossas línguas é compatível ao instante em que meu corpo relaxa sobre a grande cama resfriada pelo ventilar suave que vem da janela entreaberta, agarro a barra da sua camiseta masculina (provavelmente do seu irmão mais velho) e retiro-a, bagunçando e balançando o coque no topo da sua cabeça. Mordo seu lábio com força, instintivamente, quando ela bate na minha bunda; ela tem consciência do quanto isso me enlouquece, do quanto adoro ser dominada (seja por homens ou mulheres). Você vai me obedecer? Não respondo. Deslizo o short de tecido fino pelas minhas coxas grossas recém depiladas e abro-me em sua frente… visto uma calcinha azul, sua cor favorita. Toco-me intima e rapidamente: estou muito excitada, estou quente e molhada. Um minuto de toques rápidos e eu, de certeza, teria um orgasmo enlouquecedor. Mas não faço. Toco, gemo e fico totalmente despida sob o olhar atento de Flor, que fica curiosa em descobrir os próximos passos da minha ousadia gerada e manipulada pelo ardor dos seus beijos.

Deito de costas e empino levemente a minha bunda em sua direção. Flor se livra das peças que cobriam seu corpo moreno e encobre o meu, fazendo um caminho de beijos pela curvatura das minhas costas até chegar ao meu ponto fraco. Os beijos regularmente distribuídos na minha nuca conseguem arrancar um gemido tímido de mim, não somente pelo beijo em si, e sim, o que veio acompanhado por ele: uma mão pequena e ousada que se enfia por entre as minhas coxas e massageia o meu clitóris. As diferentes pressões espalhadas em diversos pontos do meu corpo me fazem estagnar na beira da insanidade; os lábios pressionam-se contra a pele sensível da nuca, os seios arrebitados e excitados massageiam ritmicamente as minhas costas dançando conforme o descer e subir do corpo de Flor, os dedos fazem pressão no ponto mais sensível de uma mulher, no local que um toque leva a um paraíso desconhecido e parcialmente diabólico. Vire-se! Ela ordena e eu faço, como se não me restasse outra opção senão me submeter a suas vontades.

Fecho os olhos e permito sentir todo o meu pulsar em sua mão: começo a fraquejar, a tremer e a voz ameaça falhar (caso arrisque alguma palavra); meu clitóris vai sensibilizando a cada movimento bruto, firmo minhas unhas no lençol e sinto o ápice do que é sensível. É tão prazeroso que chega a doer, dói quando continuo a ser tocada com a mesma intensidade, é agonizante. Prendo a respiração e grito quando ela me sente internamente, quando seus dedos me procuram mais a fundo e carnalmente. Ela me beija sem parar os movimentos. Gemo entre um beijo e outro, toco-a também e ela enlouquece diante da minha ousadia de não aceitar ser totalmente dominada. Ela deixa-se banhar no que eu posso oferecer, apesar de estar disposta a me fazer… a me foder.

Gozo a primeira vez e respiro fundo na tentativa de recobrar as energias e voltar a sentir firmeza nas minhas pernas. A negação de descanso me vem com o áspero de sua língua que caminha em direção a minha intimidade vermelha e tocada (somente por ela), ela me beija como se não houvesse outra coisa que desejasse fazer. Sente o meu sabor, delicia-se com o frescor pós-gozo e aperta a minha bunda. Gemo. Aperto instantaneamente os meus seios rosados e tenho a impressão de estar vivendo algo único e surreal, com o respirar deficiente e a voz sussurrando o nome da moça que me chupa, me atento e canalizo minhas energias em desfrutar do segundo orgasmo da noite. Apesar de ansiar a chegada, ele não vem: Flor para e me maltrata, me faz implorar para que eu volte a ser chupada, ela deseja-me como submissa e eu, tremendo de vontade, imploro com palavras sensuais e vulgares para que ela me dê prazer e me faça gozar novamente.

Sustentando os seus olhos nos meus, desce a cabeça para o meu colo e beija a região do meu umbigo, percorrendo um caminho perigoso e conhecido pelos seus lábios. Sinto todos os seus gestos de olhos fechados, me permitindo chamar seu nome num sussurro mudo quando ela me beija; seu corpo se enrosca no meu, suas mãos massageiam simultaneamente os meus seios grandes e, honestamente, põe-me à beira da loucura. Ela não deixa ser tocada, não quer sentir o prazer e sim dar-me, Flor satisfaz-se com um gemido rouco meu, satisfaz-se com a ideia de ser a pessoa que provoca em mim todas essas sensações proibidas. Os seus beijos são distribuídos regularmente por locais muito íntimos, ela reconhece aquilo que preciso e sabe como mover-se, como fascinar-me. Ela me prova de todas as maneiras e, em seguida, ousa em fazer com que eu prove o meu próprio sabor nos dedos e na ponta da sua língua. É profano, impuro e pecador. Flor é o pecado, tem o hábito de me induzir a perversão, a querê-la…

A sensibilidade do meu corpo inteiramente arrepiado faz doente o toque daquela mulher: queima, arde, dói e vicia. Flor caracteriza-se pela máscara angelical que esconde quem ela verdadeiramente é, que esconde as suas verdades: gosta de bagunçar o meu cabelo, de me bater, de me tocar intimamente e de prender-me aos seus encontros. Submissa, assisto meu corpo novamente caminhar através da trilha conhecida do orgasmo. Eu começo a fraquejar e demonstrar instabilidade, minhas mãos tateiam o meu e o corpo moreno deitado sob mim, os apertos e tapas se intensificam e não me doem, minha boca se abre, é beijada e propaga o som da beleza em produzir o perfume da carne contra carne. Meu cabelo puxado, meu lábio ferido, meu peito acelerado e a minha bunda que apanha é aquilo que contracena com o ápice de atuação das protagonistas da mais bela peça real: o sexo.

Os segundos de atuação desta sensação lúdica me deixam inativa e sequer consigo descrever passo a passo o que me provoca, é ensurdecedor, engasga e aflige o coração: tudo acelera e você tem uma vontade imensa de beijar, morder e gritar, as mãos apertam o próprio corpo, a boca se fere e o grito se alastra pelas diversas regiões da sua mente e te nocauteia. Flor me beija novamente, desta vez com uma segurança e com um ego maior: me fez gozar, me fez gritar e suar. Flor me fez.

Trinta minutos após o fim é o tempo certo para se ir. O fim de tarde não é sempre a hora que escolhemos para transar, mas desta vez, não sei porquê, o clima deu uma nova significância ao ato, embora o profano ainda domine sua essência. Estamos deitadas, uma agarrada a outra, como nunca havíamos feito. Eu olho o relógio: quinze minutos a mais do tempo de ficada e eu ainda estou aqui, ela não me quer longe dos seus braços. A conversa cessou e as palavras quase não foram ditas, estamos silenciosas, cada uma analisa uma dimensão distante, sem pronunciar uma palavra sequer; fico confusa com a análise anterior sobre as trocas de palavras e me ponho a pensar sobre esse rompimento de fluxo: não nos falamos. Flor acaricia a pele do meu colo ainda nu, quieta, pensativa. Respira fundo contra meus cachos desfeitos e eu ainda penso na ausência de palavras, penso que nós deveríamos estar conversando, que a casualidade dos nossos encontros sugere que se fale depois do sexo e que façamos isto todas as vezes… por que não hoje? Ela mexe no meu cabelo, fecho os olhos e descanso com o seu toque minimalista e tímido.

Seu toque em nada se assemelha com o feroz e demoníaco das suas mãos há algum tempo atrás e isso acontece porque estamos e somos influenciadas uma pela outra a todo instante. Flor me tem de uma forma, eu a tenho de outra e, juntas, constituímos uma união sexual e intensa. Nunca beijei a boca de uma mulher antes da dela, antes de me apaixonar pelo feminino e a sua reciprocidade e conexão mútua, pois, ainda que eu foda com homens, a sensação de entregar-me para uma mulher é revigorante: ela sabe do que preciso, de como tocar e beijar; não se intimida em beijar entre as pernas e, muito menos, de ceder espaço para somente uma gozar a noite toda. Embora pareça uma bondade enorme da parte de Flor renegar o meu toque, existe na sua atitude um quê egoísta… estou em dívida com ela, meu saldo negativo com a mulher que me fez gozar me obriga a voltar e, desta forma, ela sempre me terá e a casualidade se reestabelece e se renova sem que esteja dito e imposto explicitamente. Eu vou-me feliz e culpada e, no fim, acabo voltando para o calor das suas pernas. Percorro a mão pela pele da sua bunda morena e ela aperta a branquidão da minha, beijo-lhe os olhos e a boca rapidamente, como faço toda vez que chega a hora de ir. Beijo-a e vou, sem muitas considerações por estar certa do retorno. O seu olho brilha e a boca dela treme na intenção de fazer som a palavra pensada.

Fique comigo…

A nobreza da sua voz me pede. A casualidade não é isso, estamos errando ou inovando; ela erra no sentido do que queremos ter ou, ainda mais insano, ela quer ter-me como algo fixo e não quinzenalmente. Penso na grandeza imensurável deste pedido aparentemente simples e confundo-me internamente. Flor percebe a minha confusão e finge não estar arrependida de fazer um pedido tão significativo para nós que, inicialmente, firmamos o acordo de não envolver sentimentos e carinhos. Olho no fundo dos seus olhos negros e coloro com a ponta dos meus dedos a maçã do seu rosto levemente corada. Ela quer falar e eu a encorajo com os olhos.

Talvez, eu esteja te amando.

Aperto-a nos meus braços, tranquilizando seu corpo tensionado, sustento meu olhar no dela como quem quer dizer que está tudo bem, que estou amando-a também e que isto significa temer da mesma maneira a vontade de ficar e beijá-la todas as manhãs e noites. Beijo-lhe os lábios e, sem dizer nada, consigo fazê-la entender que tudo é real e que quinze dias é tempo demasiadamente longo para o anseio dos meus lábios em tê-la; faço-a compreender que desejo estar e revidar as provocações quantas vezes forem necessárias num dia só; digo, sem falar nada, que a amo também. Ela sorri, um riso com manifesto de compreensão e felicidade. Então, capturo no ar a essência da palavra e da sua força sobre mim, mesmo a palavra sem som, aquela que se diz com os olhos, com o cortado da respiração e com a pressão do toque. A palavra ainda é a melhor forma de manifestar-se e, portanto, é por meio dela que rompo com um acordo bobo e ingênuo e firmo outro que preza compromisso e constância.

Beijo a saliência das suas costelas e recebo um carinho no cacho decomposto e amassado, seu corpo fala que me quer novamente através dos pelos que se arrepiam e eu leio na expressão facial de Flor que não preciso esperar quinze dias ou quaisquer números de dias para quitar e sanar o meu débito com ela. Deslizo meu corpo para baixo, para o meu lugar favorito nela, pronuncio-me com a ousadia do meu ato e faço-a ciente.

Eu fico.

Leitora Despudorada.

Quem nunca ouviu falar (ou nunca falou) as expressões “apimentar a relação”, “tornar as coisas mais picantes”, “ela é apimentada” e por aí vai? Todos nós já nos servimos de alguns termos como apimentar, picante ou apimentada para se referir às nossas relações e às pessoas mais maliciosas e entregues às questões sexuais. Todas essas palavrinhas mágicas estão ligadas à uma única: pimenta.

A pimenta é um fruto que deriva das plantas do gênero Piper, formado por cerca de mil espécies. Seu componente mais característicos são os alcaloides, denominados capsaicinoides, que são responsáveis pela ardência produzida quando entram em contato com as células nervosas da boca e das mucosas.

 

 

A Capsaicina, presente na pimenta, age acelerando o metabolismo no local, dilatando os vasos capilares e aumentando o fluxo sanguíneo. Já a Piperina, que também a constitui, produz ardência através da ação causticante, queimando as células superficiais da mucosa atingida. Parece que estamos em uma aula de biologia, não é? Mas minha intenção não é ser chata com blablablá sobre pimenta, pelo contrário, eu quero que estejamos bem contextualizados porque o produto sobre o qual irei falar é bem quente, bem apimentado e bem picante.

A Intt acertou em cheio quando pensou em um estimulante à base de pimenta porque, assim como foi citado acima, ela provoca calor e ardência. Então, as sensações de excitação através da sudorese, formigamento, aumento do ritmo cardíaco e bochechas coradas são despertadas deliciosamente.

A própria tradução do nome do produto, Hot Pepper, já diz tudo, pois significa Pimenta Quente. Ele deve ser aplicado diretamente nas zonas erógenas tanto na mulher quanto no homem e pode ser saboreado com os lábios e língua. Você pode usar tanto na penetração vaginal ou anal quanto no sexo oral, a escolha é sua. Ele lubrifica e cria sensações únicas. Olha este Papo Inttimo com a Carol Piacenzo!

 

 

Com 30 ml, ele vem é um frasco de vidro lindo, discreto e charmoso para deixar em qualquer lugar da casa sem grandes suspeitas. A caixa vermelha vem toda trabalhada em arabescos na cor dourada, ou seja, muito requinte em um só produto. Sua forma de aplicação é em jatos e isso significa que é super fácil de usar. Ah, e dá para se lambuzar muito e sem medo de ser feliz porque ele nunca vai arder a ponto de deixá-la(o) desconfortável.

Se a sua intenção é aquecer a relação e dar aquele fogo, Hot Pepper pode ser uma grande escolha. Se a sua intenção for praticar um oral, então irá se deliciar da cabeça aos pés e lambuzar o outro todinho porque este produto tem um sabor delicioso que beira o adocicado e ao leve apimentado. Com o Hot Pepper, você literalmente vai apimentar a relação sem que haja riscos e tornando o momento ainda mais inesquecível. Experimente e depois conte pra gente porque amamos um babado!

Em jantares e momentos onde a família está reunida, fala-se sobre tudo, menos sobre sexo. Isso é comum nas famílias tradicionais, afinal o sexo é algo íntimo e considerado tabu. Aos pais, um papel compreendido como o mais difícil – educar sexualmente seus filhos. Aos filhos, constrangedor é a palavra que define o fato de ter que tocar em um assunto de tamanha privacidade com seus próprios pais.
A partir dessa contextualização, encontramo-nos no filme Crônicas Sexuais de uma Família Francesa, uma comédia com carinha de drama que foi lançada em 2012 e dirigida por Jean-Marc e Barr Pascal. Falar de sexo passou a ser um assunto a ser considerado quando o caçula da família, já com 18 anos, é flagrado se masturbando em sala de aula. Diante deste episódio, os pais começaram a questionar tanto ele quanto o outro filho sobre sua sexualidade.
O mais novo sofria por ainda ser virgem com a sua idade, o mais velho assumiu sua bissexualidade e a única irmã mulher foge do padrão repressor ao qual estamos acostumados. O vovô possui relações com uma garota de programa e o casal da história, os pais, resolvem também falar do assunto entre si e, assim, se descobrem ainda mais.
Crônicas Sexuais de uma Família Francesa é um filme curto e que vale a pena assistir. Quem tem uma família constituída de filhos adolescentes, pode aproveitar a deixa e se inspirar na trama do filme – que não traz nada de anormal, mas mostra uma família tradicional que vem se remodelando. Fica a dica!

Ele sente, fala, geme. Seu corpo aquece. Em tudo, alguém como eu; no fundo, um robô. Parece coisa de filme, mas não é. Os robôs sexuais estão cada vez mais em alta para que carências afetivas e sexuais possam ser supridas pelo custo de alguns dólares. Companhias norte-americanas já estão investindo neles e, inclusive, estão possibilitando que eles esbocem reações quando tocados. Assim, a nossa experiência fica ainda mais real, sem contar que teremos a opção de escolher a personalidade do boy ou girl que levaremos para casa – do mais ousado ao mais comportado. Incrível, não é?

De acordo com o especialista David Levy, em um artigo publicado no Daily Mail, “o próximo grande avanço vai permitir-nos usar a tecnologia para encontros íntimos – para nos apaixonarmos, para fazermos sexo com robôs e até casar com eles”. Além do mais, ele afirma que “é uma questão de tempo até os relacionamentos entre humanos e robôs se tornarem a norma”.

Diante disso, nos perguntamos sobre qual será o futuro das próximas gerações, visto que estamos nos distanciando cada vez mais em detrimento das redes sociais. O sexo virtual, por exemplo, já se tornou comum e satisfaz muitas mulheres e homens que preferem manter relações sem saírem do comodismo das suas casas. A internet possibilita que conheçamos pessoas cada vez mais distantes  e, pelas modalidades escrita-vídeo-áudio, nada deixa de acontecer por falta de aproximação. Em alguns casos, aproximar-se é o de menos.

No vídeo a seguir, veremos a produção desses robôs e sua perfeição da unha do pé aos cílios.

 

Estamos cada vez mais distantes. Falar disso e apresentar-lhes o robô sexual me fez lembrar do filme Inteligência Artificial, onde os humanos são substituídos por máquinas completas e praticamente humanas. É isso o que parece nos esperar em um futuro que está cada vez mais próximo.

Além de todo o contexto corpóreo e de todas as respostas que o robô pode lhe dar, será uma forma de evitar doenças sexualmente transmissíveis e desilusões amorosas – assim afirmam muitos que sabem desta novidade. Entretanto, qual será o nosso futuro enquanto seres humanos? E como reproduziremos? Nossas memórias e hereditariedades genéticas, como ficarão? Vamos deixar tudo nas mãos dos cientistas e nos deixarmos extinguir cada vez mais? Tais questionamentos vão ficar pairando por aqui.

Acredito que os robôs sexuais podem ser importantes, sim. Mas acredito mais ainda no quanto podemos ser importantes uns para os outros. Acredito que as desilusões amorosas nos fazem crescer. Frustrações são sinônimos de aprendizado. Camisinha é a forma mais adequada de evitar doenças. O inesperado de uma mente humana é uma delícia, ainda que nem sempre nos surpreenda positivamente, a gente também tem nossas cartas na manga e todas as formas de recorrer. O entrave humano é necessário.

Com tudo isso, o mercado erótico só tem a crescer. Mas eu ainda me preocupo muito com o futuro das relações, dos laços e nós que só a gente – enquanto seres humanos – saberemos estabelecer. Quanto mais robôs entre nós, mais nos robotizamos também e, então, felicidade passa a significa outra coisa que eu, sinceramente, não quero saber o quê.

 

O som que se detecta no ar é o do nada, a minha respiração torna-se gradativamente pesada quando a solidão e a calmaria de estar só me faz lembrar de você, do seu corpo e dos momentos que tocamos e tivemos um ao outro. A solidão fez, anteriormente, um pacto com a minha parte dominante e diabólica e, neste pacto, ficou firmado que somente você e sua imagem seriam capazes de levar-me ao obscuro caminho do prazer. As dimensões do seu corpo ocupam a minha mente vazia e demoníaca todo o tempo, mas é quando encontro-me amparada pelo ar revolto e solitário que me pego dominada pela pessoa que sequer faz-se presente. Enlouqueço quando cogito a possibilidade de poder fazer viva e mais intensa a voz rouca que canta no pé do ouvido na minha mente, a tua voz sopra para mim quanto sou bela e quanto isso o enlouquece; lembro-me, nesse instante, dos olhares que não tive a decência de captar, as intenções das palavras ambiguamente colocadas em conversas rápidas, enlouqueço quando penso que perdi a oportunidade de mostrar-lhe do que sou capaz, de exibir os truques escondidos por trás de um batom vermelho e de um cabelo armado. Ah, querido, se, ao menos, tivesse a chance inédita de assistir as cenas que projeto de nós dois, já estaria aqui, implorando pelo calor que emana do corpo que é teu.

Recorro ao bom e conhecido vinho, bebo cinco goles iniciais que queimam no fundo da garganta e fazem crescente a chama que acende no peito: espalha-se do coração para o seu lugar favorito, para a maior e mais bela das poesias, para a arte mais confusa, saborosa e indefinível que já existiu. O sumo da fruta alcoolizado me faz lembrar de nós, da carne provinda da natureza pecadora que esbanja-se na criação do seu próprio sumo: a mistura de dois, aliada a experiência dos corpos, fazem-no o grande prazer carnal. Lembro de nós dois, embriagados e apaixonados, numa época em que a paixão fora demasiadamente avassaladora para que se pudesse negar os sentimentos que misturavam-se ao pulsar dos corações. Lembro do nosso fogo, do meu corpo queimando apoiado nos seus braços e do sopro incentivador dos seus beijos distribuídos no meu colo nu. Lembro de nós dois e é a sua imagem que me faz queimar em qualquer lugar, a qualquer instante, assim…. sozinha.

Não posso culpar a bebida por desejar-te tão deliberadamente, pois, ainda não sequei a segunda taça e já estou cogitando quais possibilidades me são disponíveis diante de tamanha solidão e vazio: preciso preencher o espaço vão e só posso fazer isso se você estiver junto a mim, mesmo que na minha mente. Carrego o vinho com a mão que segura a taça quase vazia e deixo a outra mão livre, que esbarra no som desligado e dá-lhe vida, permitindo que ao nosso lado caminhe juntamente a sensualidade da melodia estrangeira e negra. Me ensine, é o que a música diz querer… mas eu já não preciso de um professor, querido, agora tudo que eu quero é um homem que possa fazer comigo o que antes me fora ditado. Agora, é a minha vez de tomar o controle sob a situação e colocá-lo no seu devido lugar: embaixo de mim, quieto e submisso, atendente aos meus pedidos e obediente às minhas ordens. Vou, com passos lentos e dominados pelas memórias ferventes de um homem enlouquecedor, seguindo em direção ao quarto recém arrumado.

Na solidão de uma mulher livre, apoio o álcool bordô na escrivaninha de madeira e disponho-me a rebolar meus quadris como se os olhos castanhos estivessem me assistindo, danço como se a presença mental dele em mim equivalesse ao físico e à carne da sua pessoa naquele cômodo empestado pelo nefasto da minha alma erótica. Rebolo o meu corpo, faço círculos com os quadris e, vez por outra, bebo um gole do vinho que não deve ser esquecido. As minhas mãos percorrem toda a extensão do meu tronco e com o apoio da perversidade psicológica, para e pressiona em locais que anteriormente foram tocados pelas mãos masculinas, brutas e ásperas: a cintura é apertada firmemente, assim como ele o fez; a parte inicial das costas são arranhadas pelas unhas coloridas com o tom aparente da sua projeção na mente, a nudez que vejo, a perfeição do seu corpo que eu já conheço me fazem caminhar por direções que não foram necessariamente tocadas, mas que me fazem querer ser. A sensualidade que as minhas próprias mãos transferem ao longo do tronco se fixa na singularidade dos meus seios inexplorados: aperto, pressiono, toco levemente e dinamizo esses passos até sentir que a fera residente dentro de mim está acordando, até que sinto o mar calmo virar tempestade e molhar porções de um terreno que necessita ser regado.

Escuto você me chamar, relembro a mudez quase total da sua voz quando me convidou a prova-lo, consigo sentir a firmeza dos seus olhos quando pediu que eu me entregasse e que desse-o aquilo que tinha de melhor. Os arrepios ainda possuem a mesma intensidade e eu ainda sou capaz de molhar-me com a lembrança de como você me olhou quando viu a renda preta que escondia o paraíso. Revivo arduamente a sensação de estar dominada por você, de abandonar a faceta de menina numa experiência inédita e marcante e pular para patente de mulher sensual quando você arrancou a minha calcinha que nada escondia. A temperatura do quarto, a intensidade do meu pulsar e as gotas de suor ainda me ferem a pele quando lembro da exuberância do seu corpo desnudo, o artístico das curvas do seu tronco, a naturalidade ao inspirar e expirar faziam de ti a mais bela das obras de arte. Arte erótica, demoníaca, infernal, tentadora e que privilegiadamente me escolheu como moldura, contudo, agora, aqui nesse quarto que futuramente irá presenciar a maior e mais nova obra inspirada em você, não desejo moldar-lhe o corpo, quero ser parte, conjunto e assinar-lhe o final como autora e detentora de tamanho calor e pecado.

A sua voz me chama de novo e posso ver seu corpo deitado na minha cama branca, convidando-me ao prazer da companhia. Caminho e me deito ao lado da sua projeção, fecho os meus olhos e permito-me ter a sensação ilusória de que você está ali. Permito ao meu respirar, a mudança causada pela sua presença e seu toque, permito a minha boca abrir e fechar sedenta e piedosa, quase implorando pelo contato áspero e doce da sua língua. A utopia da nossa união faz com que a blusa seja arrancada do meu corpo pelas minhas próprias mãos: sou o pecado induzido pela voz do seu criador que manifesta com sua própria pele o ato profano. As paredes brancas foram mantidas com o propósito de realçar a cor amarelada da minha pele que foge dos raios do dia e esconde-se na sombra permanente do obstáculo sensual, a noite que em poucas horas chegará testemunhará as sobras da mulher que desfez-se de sua carne e liquidou-se no prazer oferecido pela simples lembrança de uma boca, voz, corpo e sexo. Estou nua, deitada na cama que já fora palco dele e que agora me tem sozinha no centro das atenções: o ar não possui movimento, as vozes externas advindas da rua cessam e, naquele momento, me sinto privilegiada em poder ter-me integralmente. A mutualidade das nossas visões se explicam como o reflexo de um objeto por um espelho, eu o vejo porque o quero com veemência e ele me enxerga por saber desse meu querer e por tê-lo incorporado à sua essência. Onde quer que esteja e com quem esteja, ele saberá que quaisquer atos e palavras de caráter erótico e fogoso serão escritos embebidos pelo alcoólico da sua personalidade. Ele é álcool, combustível das minhas chamas. E nós queimamos lindamente quando rompemos a incômoda distância.

As minhas mãos que estagnaram anteriormente para assistir a retrospectiva nossa história combustiva, começa agora a tocar a borda da minha calcinha rendada que escondia-se embaixo da blusa larga também negra. As formas que a embelezam possuem furinhos que permitem às pontas dos dedos sentirem a pele delicada e macia da região dos meus quadris, tateio a área explorando todos os pontos que me provocam arrepios: poucas lembranças restaram dos escassos encontros e agora só cabe a mim honrar o calor do seu corpo banhando-me e transformando a minha matéria sólida em líquido masculino. Toco uma vez levemente, recuo e aproveito para sentir as consequências do toque ousado; toco novamente e minhas pernas se abrem involuntariamente, como num aviso prévio de desejo ao falo que projeta e cria o prazer carnal; o momento pós-recuo faz com que o meu terceiro toque omisso provoque arrepios duradouros em toda a extensão do meu corpo; o quarto e, de acordo com a situação dos meus hormônios, último toque tímido é um convite anatômico e sensorial do meu sexo a uma maior e mais saborosa exploração: estou quente, estou molhada e sexy como o inferno. Isso, toque-se para mim. Ouço no fundo, bem no íntimo, da minha mente. Sinto como se ele estivesse atento aos meus passos e como se isso fosse um teste para validar-me como capaz de satisfazê-lo. E eu sei daquilo que sou capaz.

O início sempre pede urgência, pressão e aceleração nos movimentos… mas, gosto de ir calmamente explorando todos os pontos e sentindo a sanidade consumida a cada segundo que corre no relógio. Dois dedos são suficientemente capazes de me dar o prazer que procuro, um prazer raso que satisfaz momentaneamente a ausência dele aqui, giro-os em mim e sinto cada vez mais a temperatura aumentar, a região molhar e as pernas fraquejarem. Estou só e posso romper os limites, posso escandalizar em som quase inaudível o nome daquele que me faz enlouquecer, posso me sentir internamente e gemer contra o travesseiro macio que já apoiou, em outra noite, meus quadris rasgados. Chamo baixinho o seu nome na esperança de que meu chamado seja intenso o suficiente para te fazer vir, esperançosa de que o egoísmo não me domine e eu não desfrute deste prazer sozinha. O som da minha voz rouca e quase doente de tanto prazer me excita ainda mais, teu nome pronunciado tem um teor altamente erótico e me faz delirar insanamente presa dentro do corpo que deseja ser possuído.

Recordo com nitidez e precisão as suas dimensões, o seu tamanho e o seu porte. Juro-te, arrematando a minha alma que pouco vale, que tremi abandonada quando lembrei da sua cor e da sua maestria em exibir-se para mim, meu peito acelerou e a mão liberta do pecado apertou o seio rosado empinado e ativo. A dificuldade para respirar manifesta-se em mim quando sua boca envolve meu seio, quando sua mão enfia-se entre minhas pernas e arremata o meu rabo naturalmente pálido, a força da agressão torna-se um catalizador da nossa reação. Lembro-me de pedir mais, de empinar-me contra seu corpo, abrir-me em sua frente e implorar para que sua mão se chocasse às minhas carnes inexperientes e provocativas. Bata-me, eu gosto, lembro de avisar-lhe. O aroma do seu cabelo negro embriaga com mesma intensidade os sentidos, pois, sei que o sinto quando caminha para o sul do meu corpo e faz quente a região que te chama e te grita. Me provo simultaneamente ao relembrar o sabor do seu beijo, a vulgaridade da sua língua e a exuberância que me cutucava o ventre. Saboreio a acidez feminina quando ouço aquele eu te amo dito e a minha resposta de negação: não me ame, não quero ser amada, querido… eu só quero ser bem fodida.

A ousadia que corre nas minhas veias e ocupa a vermelhidão chamativa do sangue fez nascer no peito masculino a revolta, a raiva em ter sido negado como homem amante e usado como fonte de prazer. A revolta que eu planejei fora bem sucedida e amando-o, fiz com que ele tivesse a necessidade odiosa em me fazer gozar.

Gemo alto agora, como se quisesse que os espectadores inexistentes saibam como jorro em contato com apenas a tua imagem, ainda chamo pelo seu nome com um certo desespero e o subir e descer do meu peito é aflito por não ser explorada pelo seu sexo. Sou pecadora demais para clamar a uma divindade agora e fico sem opções. Chamo por nós e caio em direção ao nosso ponto de encontro, caio numa descida íngreme e fogosa para o lugar que gostamos de frequentar nos encontros esporádicos, mas intensos. A queda para o inferno é rotineira, contudo, hoje caio num ar que faz arder a pele sensível do meu sexo, faz firme e excitado os meus mamilos que anseiam a chegada no maremoto de fogo. Chego ao inferno com meus dedos feitos marionete pela sua imagem e pelos seus comandos, a sua voz ditatorial me diz cada passo, cada toque e o momento exato para chamar-te. O fogo da situação não me faz seca, pelo contrário, estou transbordando no meu líquido e modificando a paisagem: te espero chegar para me fazer companhia e, enquanto você não chega, vou-me esquentando, crescendo e ficando cada vez mais fervente, tirando do inferno a sua temperatura e seu título honrado de pecado: mostro que sou maior, mais quente e tenho muito mais poder quando você me incita ao perigo do toque profano e escondido. Transcendo as dimensões e o volume do inferno porque sou mulher… e porque me esbanjo nas carnes e na aptidão do homem dotado de sapiência e experiência.

A sua presença parece tardar, a demora em te sentir chegar só pode ter o propósito de me fazer melhor, mais quente e dependente da suas mãos. Ó, meu bem, caminhe rápido em direção ao corpo feminino que queima rasgado e fácil no colchão já desfeito e contaminado pelas chamas da mulher e cesse a dor do desejo com o ato que intimamente conhecemos. Venha me ferir, me agredir e me sufocar com pressão sobre mim. Chamo por ti: venha, venha se esbanjar… venha me fazer arfar e gritar.

Ouço a aproximação do seu caminhar, os seus passos fazem tremer o meu sexo, fazem ansiar a sua chegada e o seu abalo incalculável. Na sua estadia anterior já não consegue enxergar nenhum benefício, arruma-se como o diabo e desce da minha mente disposto a percorrer o inferno do meu corpo quente, mesmo ciente de que o calor o fará desmanchar e é provável que pouco dure até chegar no meu sexo. Deixa nos meus lábios calor e ardor, nas minhas bochechas pouco salientes cor, para e assiste o meu peito soluçar com a urgência em te fazer presente, caminha firme e assustadoramente sério. Beija meu ventre, toca ambos os seios e me olha, me enxerga e se delicia com a face estampada e colorida com a necessidade em tê-lo. Pede-me calma com os olhos e eu me aperto, chama-me desesperada e eu pressiono com mais força os dedos em mim, ele pergunta, por fim, você me quer? E como resposta, o meu silêncio se alastra por longos minutos.

Sua imagem fugiu do meu campo de visão, sinto-o pulsar e umedecer ainda mais a minha intimidade recém explorada, desfiz a sua matéria e usei-a para molhar-me ainda mais. Tive-o todo esse tempo dentro de mim e agora coloco-o para fora no estado libidinoso, fruto de pecado e caráter desfeito. O gemidos que anteriormente foram moldados pelos meus lábios entreabertos ecoam na minha mente e eu o vejo sorrir satisfeito para mim, sorrio sadicamente e faço presente o homem de pele mestiça que com uma só palavra leva-me a loucura. Ainda tremo, ainda respiro com dificuldade e nunca irei me satisfazer, estando ele aqui ou não. Tenho fome de homem, de pecado e de mim… desejo provar da carne alheia, da minha própria e da mistura de ambas as carnes, desejo temperar-nos quem sabe com outra espécie e fazer desse sentimento uma grande orgia. Desejo-o acompanhando-me os passos até que cheguemos juntos… aonde iremos? Iremos ao encontro de nós mesmos, das nossas respectivas essências e das nossas verdades. Iremos de encontro às nossas raízes, através de uma trilha absurdamente perigosa e humana, caminharemos lado a lado ao pecado, a matriz do infame e do erro, percorreremos tal caminho em busca de resgatar as chamas que se perdem quando nos distanciamos.

Ele, o provocador e lançador de chamas que incendeia-me, a mulher erótica; ele, fruto do fogo que me faz queimar às quatro da manhã, às cinco da tarde e qualquer outra hora me carregará para junto da minha nascente para que possamos resistir ao frio e ao não-sensual do mundo. Ele será o próprio caminho e o único responsável por tornar possível e brilhante o maior dos encontros: o da mulher erótica com o inferno.

Leitora Despudorada

Quem não se excita vendo o outro se despir? Mais do que isso, despir-se de forma provocadora e ao som de uma música que proporcione o tirar de cada peça de roupa – independente se for de forma lenta ou acelerada. A própria história do striptease traz esse acalourar-se em relação à prática de liberdade daquele que se despe e de curiosidade ao assiste toda a performance.

De acordo com uma pesquisa que realizei, o striptease surgiu em um pequeno bar de Nova Iorque no ano de 1917. Com uma platéia de maioria masculina, a comediante Mae Dix, preocupada com os custos de manutenção do seu figurino, tirou o gola de seu vestido. Este gesto acabou deixando os homens loucos e, percebendo essa reação, a atriz retirou os punhos de sua roupa e começou a abrir os botões do vestido. Assim, surgiu uma das mais populares e polêmicas performances do entretenimento.

 

Cena do filme Striptease, lançado em 1996, e que até hoje é uma inspiração neste assunto.

 

Fora dos palcos, o striptease é um dos grandes motivos para esquentar as relações. Diria que ele representa uma preliminar para que o parceiro ou parceira se sinta mais estimulado. É aquele up para que nenhum dos dois perca a gostosura do olhar e do se mostrar. Eu sempre digo que o striptease rompe com essa ideia pré-estabelecida de corpo perfeito, pois ele expõe e, portanto, exige muito amor próprio.

Para a sua primeira apresentação, caso esteja com vergonha, sugiro meia luz. Assim, você se sente menos exposta. Um vinho ou outra bebida também é uma delícia e ajuda a se soltar, mas nada de exagerar – apenas algumas doses. Ao escolher a música, prefira aquela que se identifica super com você, assim o seu coração fica mais tranquilo. Para ajudar na escolha, lá vai alguma dicas valiosas de músicas.

 

Esta é a famosinha e que quando você ouve, uma palavra pisca sobre seus olhos: Esta música se chama You Can Leave Your Hat On e fez parte da trilha sonora do filme 9 1/2 Semanas de Amor, que estreou em 1986. Esta canção de Joe Cocker nos marca até hoje, após 31 anos.

 

Let’s Get It On, de Marvin Gaye, é uma música linda de 1973 que é ideal para balançar o corpo enquanto cada peça de roupa é tirada com toda elegância e despudor. Ela faz parte do filme Alta Fidelidade, dirigido por Stephen Frears e estrelado por John Cusack.

 

Esta é uma outra música de lascar. I put a spell on you, de Annie Lennox, permite fazer movimentos bem gostosinhos com o quadril. Ela faz parte da trilha sonora do filme 50 Tons de Cinza. Falando nisso, todas as suas músicas são um manjar para que possamos dançar e se despir para o outro.

 

Esta é outra música clássica quando o assunto é striptease.  Fever é uma canção de Eddie Cooley e John Davenport Gravada em 1956, ainda chama a atenção e tem diversas versões lindas – como a que se encontra no vídeo abaixo.

 

As 4 músicas sugeridas são uma delícia de ouvir, não é? Todas conhecidas e esperando por você. Prepare-se com uma lingerie e uma roupa que seja fácil de tirar. De preferência, às mulheres, duas peças em vez de vestidos. Camisas de botões são melhores. Às mulheres, meia calça faz toda a diferença porque você pode ousar na hora de tirá-la. Aos homens, além da camisa de botão, esteja calçado e bem organizado na beleza porque enquanto você tiver tirando, ela não vai tirar o olho dos seus desejos em relação a ti.

O striptease é um exercício de amor próprio para você e mais uma oportunidade para que o outro lhe queira com todas as forças, amores e tesões. Depois que exercitar, a sua experiência será muito bem vinda. Caso prefira ensaiar o strip, não se preocupe porque, se na hora não sair como planejado, a pessoa vai curtir do mesmo jeito. O próprio despojar-se para a prática já é digno de elogios.

Agora com licença que vou ali treinar para, quando aparecer a oportunidade, eu já estar prontinha!

Ela sai linda e desfila vaidade com suas unhas vermelhas, salto alto, batom cor de boca e cabelos penteados. Mais do que isso, exibe elegância em cada passo e espontaneidade no olhar. Ir ao trabalho, resolver problemas na rua, fazer compras, visitar amigos ou sair pra badalar – não importa. O importante, mesmo, é estar sempre prevenida para certas ocasiões. Como assim? Que ocasiões? São essas mesmo: ocasiões relacionadas ao sexo. Camisinha tem se tornado uma acessório essencial na bolsa feminina junto com outros itens considerados importantes para que a vontade e oportunidade batam e possam ser tranquilamente saciadas.

No entanto, a sociedade continua a ter um cunho machista e isso aponta a mulher como alguém leviana por carregar tais acessórios consigo. Em outras palavras e segundo as expressões populares mais conservadoras, “puta é quem já anda preparada pra transar”, “mulher direita não carrega essas coisas, quem tem que andar com isso é homem” ou “se fosse direita, não ficava dando em qualquer lugar”. Me poupe, né gente?

Você vai pra balada, conhece um cara massa e bate aquele tesão. Você sabe que provavelmente não o verá mais. E aí? Vai perder de ceder sua vontade só por medo do que irão pensar? Claro que não! Mas e se ele não tiver com camisinha?! Para tudo: você não vai transar com o cara desprevenida – primeiro porque você não pode sair confiando por aí e se arriscar a pegar alguma doença sexualmente transmissível e, segundo, porque engravidar de um desconhecido é algo possível e não é legal.

Diante disso, você interrompe os amassos e fica só em preliminares – que é bom, mas é um saco porque o cara é gostoso, a coisa ta boa, você não sabe se vai voltar a vê-lo, então quer logo dar tudo – ou você tem uma carta escondida na manga que é justamente aquelas camisinhas que carrega dentro da carteira onde quer que você vá. Sinceramente, vocês vão foder o resto da noite de forma protegida e imbecil é quem fizer mal juízo de você só porque estava preparada pro rala e rola.

Acontece que os homens têm se tornado cada vez mais promíscuos e as mulheres mais espertas. O prazer é dos dois, a vontade e a abertura para as possibilidades de sexo casual são as mesmas. Por que não compartilhar desses itens tão importantes para a saúde íntima de ambos?

Se ela sai linda e ostentando elegância, não vai perder a majestade porque está levando uma camisinha na bolsa. Pelo contrário, vai ficar mais linda ainda por ser decidida e não ficar a mercê de homens irresponsáveis. Mais do que isso: ela é aventureira e sabe que pode ter oportunidades pelo caminho. Se te chamarem de puta por isso, empina o nariz e o bumbum – ser puta não é nenhum xingamento. E outra: camisinha é pouco, tem mulher que carrega calcinha reserva, gilete, gel, anestésico e por aí vai. E elas estão mais do que certas: com tudo em mãos, garante-se a transa perfeita, mesmo que seja em uma parede ou em um chão qualquer.

Aos conservadores, beijinhos no ombro pelo recalque que a modernidade oferece. As mulheres estão se tornando muito mais seguras de si e se o pensamento de vocês não mudar, queridos, em breve estarão batendo punheta porque mulher alguma vai querer um homem que cospe ignorância.

Quanto a gente, delícias, o que vocês pensam sobre o assunto e o que carregam na bolseta de vocês? Rapazes, o que acham das mulheres que andam prontas para o crime? É tão gostoso falar de sexo que não é à toa que ando tendo orgasmos textuais. Ai ai. E quer saber? Na minha bolsa, eu carrego o que eu quiser, independente para onde for. Vai me julgar? Então nem vou mandar você se foder porque quem juga demais acaba perdendo.