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Lançado em 2014, Boys é um drama holandês dirigido por Mischa Kamp e cuja temática é a homossexualidade. Esta se desenvolve no decorrer do longa metragem, que nem é tão longo assim. Com um pouco mais de uma hora de duração, o filme apresenta olhares e descobertas íntimas sem necessitar mostrar um encontro mais intenso dos corpos.

Os protagonistas são jovens corredores que treinavam para competir e, em momentos a sós, permitiram-se uma aproximação ainda maior. Sieger, com uma família desestruturada e formada pelo pai e irmão, apresenta-se como o pilar. Seus amigos, sob pressão, fizeram-no ficar com uma menina. Ele, claramente, após o primeiro beijo trocado com Marc, afirmou: Eu não sou gay.

 

Uma das cenas mais lindas do filme. O primeiro contato.

 

Diante dessa afirmação e de outra cenas do filme que mostram sua turbulência, o drama se instala. Entretanto, diferente dos outros, o preconceito não se apresenta tão fortemente – mesmo que fique explícito o sistema patriarcalista em que estamos inseridos.

A delicadeza em Boys encontra-se no modo como os olhares são trocados, como os personagens são colocados e como as cenas são dispostas. Vemos sensualidade, mas nada é apresentado claramente. O final não nos surpreende por ser parecido com os clássicos por sugerir a mesma singeleza e beleza que desejamos ver quando percebemos que há amor.

Na década de 70, Linda Lovelace foi um destaque na indústria pornô. Com o filme “Garganta Profunda”, ela se tornou um e foi considerada aquela que propiciou a revolução sexual na época. Este filme que ela protagonizou foi um dos primeiros filmes a ter trama, desenvolvimento de personagens e valores altos de produção. Após ele, a cultura sexual dos Estados Unidos e a sua política foram influenciadas. O que Linda Lovelace fazia bem perante todos aqueles que investiam nela era justamente o sexo oral até as últimas consequências, independente do tamanho do pênis que lhe era colocado.

Entretanto, a história não era apenas de sucesso e não era ela quem queria viver tudo isso, inclusive o filme rendeu aos seus produtores 600 milhões de dólares aos seus produtores, mas ela só recebeu 1250 dólares do seu ex-marido que – no momento – era quem estava com ela e era seu empresário. Como assim? Em 1980, Linda lançou uma autobiografia em que revelava ter sido vítima de estupro, violência, prostituição e também pornografia. 

 

 

Seu ex-marido já tinha um histórico no mundo da prostituição e, para lucrar, resolveu inseri-la no meio pornográfico. Vítima de constrangimentos e ameaças, ela sofreu. Além de um marido agressor, teve uma família omissa. Seu término foi surpreendente porque Linda conseguiu libertar-se dele, casar, ter filhos e lutar contra a indústria pornográfica e a violência doméstica. Apesar de falecer bastante nova, ela nos deixou sua história de vida e um livro autobiográfico – que vou procurar para ler, pois fiquei bem interessada em conhecer mais sobre ela.

 

 

Na imagem acima, temos a Linda Lovelace real. No filme, quem fez o seu papel foi a atriz Amanda Seyfried. O filme foi dirigido por Rob Epstein e Jeffrey Friedman. Seu lançamento foi em 2013 e ele se encontra na Netflix. Garanto que vale a pena assistir!

Em jantares e momentos onde a família está reunida, fala-se sobre tudo, menos sobre sexo. Isso é comum nas famílias tradicionais, afinal o sexo é algo íntimo e considerado tabu. Aos pais, um papel compreendido como o mais difícil – educar sexualmente seus filhos. Aos filhos, constrangedor é a palavra que define o fato de ter que tocar em um assunto de tamanha privacidade com seus próprios pais.
A partir dessa contextualização, encontramo-nos no filme Crônicas Sexuais de uma Família Francesa, uma comédia com carinha de drama que foi lançada em 2012 e dirigida por Jean-Marc e Barr Pascal. Falar de sexo passou a ser um assunto a ser considerado quando o caçula da família, já com 18 anos, é flagrado se masturbando em sala de aula. Diante deste episódio, os pais começaram a questionar tanto ele quanto o outro filho sobre sua sexualidade.
O mais novo sofria por ainda ser virgem com a sua idade, o mais velho assumiu sua bissexualidade e a única irmã mulher foge do padrão repressor ao qual estamos acostumados. O vovô possui relações com uma garota de programa e o casal da história, os pais, resolvem também falar do assunto entre si e, assim, se descobrem ainda mais.
Crônicas Sexuais de uma Família Francesa é um filme curto e que vale a pena assistir. Quem tem uma família constituída de filhos adolescentes, pode aproveitar a deixa e se inspirar na trama do filme – que não traz nada de anormal, mas mostra uma família tradicional que vem se remodelando. Fica a dica!

Musos e musas, a pergunta é: O que você pensa quando te convidam para assistir um filme? Reformulando: O que você entende quando alguém, cuja amizade não é tão intensa e cujo clima os circundam, convida para assistir um filme? É isso mesmo, não tem outra. Assistir um filme passa a ser sinônimo de dar uma, de se aproveitar de um momento no qual só os personagens falam para inspirar-se nas tramas dos corpos.

Se for comédia, aproveita para soltar uma piada no ouvido da outra (ou outro) e arrancar-lhe carícias mínimas que se expandem e tornam-se inteiras. Se for terror, para quê olhar tanto sangue e morte se tem uma vida deliciosa ao lado, não é verdade? No suspense, a gente prefere que o susto seja o toque alheio em direções mais interessantes. No romance, a gente acha que tudo é balela e parte para a melhor parte. Já no erótico, utilizamos como inspiração para nossos desenlaces. Um convite como este pode ser tudo o que alguém precisa e a melhor desculpa para uma saída básica, uma dormida fora ou assistir aquele filme que você tava doida. Mas fala sério, sabemos porque você estava tão doida assim! Como um amigo meu diz, “Pô, essa é mais velha que o Motel ‘Cê que sabe’, hein? É a que eu mais uso” e, realmente, é a mais discreta e super cola. Se a menina não quiser, ela não diz: Não quero fuder com você, não quero nada contigo… nem fala nada de grosseiro, simplesmente ela (ou ele) diz que não ta a fim de um filme e todo mundo fica de boa. Tem coisa melhor que isso?

As duas horas de filme sempre se configuram como umas das melhores transas. É tudo ali no chão ou sofá. Tudo rapidinho e com todo jeitinho. Tudo começando no querer não-revelado. Não quero dizer que este convite seja unicamente para este sentido. Claro que há casos em que assistir um filme seja somente assistir um filme. Às vezes o casal se envolve de verdade e fica só na narrativa cinematográfica. Nem todo convite tem esta pretensão, é claro! Enfim, este texto versa sobre o que geralmente acontece. Mas sim, diz aí? Já recebeu ou fez este convite? Está querendo assistir um filme? Nem precisa hesitar, se joga! Só dou um conselho: escolha um filme que já te falaram ser chato porque, assim, o clima esquenta mais rápido e você não se sente culpado(a) por não ter assistido. E, oh, no seu próximo filme, você quem vai torná-lo melhor no seu jeito mais entregue de ser.

Azul é a cor mais quente, dirigido por Abdellatif Kechiche, foi um desses longas que eu não poderia deixar de assistir e que fez com que eu me emocionasse muito. Super comentado por suas cenas de teor erótico, ele narra a história de Adèle, uma jovem que descobre no azul dos cabelos de Emma sua primeira paixão por outra mulher.

Ao adentrar em um ambiente gay e ser recepcionada na frente da escola por Emma, suas colegas a agridem verbalmente pela possibilidade dela ser lésbica. Ainda assim, ela e Emma passam a sair juntas até rolar o primeiro beijo, a primeira transa e, assim, começarem a namorar.

A família de Emma é tranquila e sabe da preferência sexual da filha, já a família de Adèle não sabe disso e vê sua namorada como uma grande amiga. Elas vão morar juntas, comemoram momentos importantes e – com o tempo – a relação passa a esfriar. Adèle não revela seu relacionamento no ambiente de trabalho por medo da represália que pode vir a sofrer, outras relações são descortinadas por ela se sentir sozinha e, no finalzinho, que me emocionou bastante, você precisa assistir para saber no que dá.

Azul é a cor mais quente reflete um pouco a descoberta da sexualidade e o olhar que a sociedade heteronormativa tem a respeito de uma mulher que venha a curtir outra do mesmo sexo. O filme também apresenta o momento de luta contra o preconceito por meio da Parada do Orgulho LGBT, bem como a beleza da nudez feminina nas pinturas de Emma.

As cenas de sexo ficam, principalmente, a cargo das duas. São cenas inspiradoras e que mostram o explorar do corpo de ambas. Chega a nos dar tesão e nos inspirar. Aproveita um dia desses para assisti-lo, acredito que você vai gostar!

PS: Este filme é baseado no romance Le Bleu est une couleur chaude, de Julie Maroh. Depois que eu lê-lo, irei fazer a resenha para vocês.

Este foi o primeiro filme que assisti sobre a transexualidade e confesso que chorei (e chorei muito!). O filme retrata a história do transexual Brandon Teena que, ao mudar-se para uma pequena cidade e assumir uma identidade masculina, é descoberto com um corpo, geneticamente, feminino. Antes da descoberta, apaixona-se por Lana e começa a relacionar-se com ela. Além disso, faz amizades com outras pessoas pertencentes ao círculo onde ele e Lana fazem parte.

Entretanto, sua condição de transgênero é descoberta e mal compreendida. Começam os disparos de violência e, concomitantemente, a nossa dor perante o sofrimento do personagem nos machuca. Saber que aquilo realmente acontece nos machuca duplamente. Foi por todo o preconceito, todo o modo dele se olhar no espelho e por toda a questão de ter que viver uma vida dupla devido a não aceitação social que a gente consegue se colocar no lugar dele.

 

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

 

Este filme nos permite entender um pouco essa realidade que nos cerca, cujo transexual é visto praticamente como um monstro ou um anormal, tanto pela sociedade quanto pela família. Alguns casos terminam bem. Neste, você precisa assistir para saber como terminou essa história – um drama que me tirou algumas tantas lágrimas. Assim como Tomboy, é um filme que deve fazer parte da sua lista de próximas produções cinematográficas. Prepara a pipoca, chama ozamigo e se joga neste domingo. É bom demais um filmezinho, ainda mais com uma importância social tão grande.

 

Já assistiu “Tomboy”? Ele é um filme francês dirigido por Céline Sciamma. Oh, adooooro filmes franceses, são lindos em si e o idioma é uma delícia de ser ouvido. Este é maravilhoso porque conta a história de um menino de dez anos que nasceu com a anatomia feminina, mas não se identifica com o sexo. Ele (porque recuso-me a dizer “Ela”) veste-se como um menino e tem a postura de um rapazinho, inclusive observa os outros meninos de sua idade para fazer como ele em alguns momentos, tais como durante uma partida de futebol. Ao mudar-se para uma nova cidade, conhece uma menina e, assim, começa a despertar para a sexualidade. Passa a observar o próprio corpo e deseja ter um pênis para também poder tomar banho no rio com os amigos.

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A personagem Lisa com o protagonista Laure/Michael

 

Além dele e de seus problemas internos quanto a isto, afinal, em sua casa, os pais o tratam como menina e seu corpo aponta isso, ele tem uma irmã mais nova que descobre que ele se apresenta como menino perante os amigos. Caladinha, ela o defende em troca de poder sair para se divertir com ele e os meninos e meninas da vizinhança. O seu entendimento sobre o irmão é algo lindo de se ver e mostra o quanto as crianças são mais abertas a compreender tais coisas, pois ainda não estão confinadas ao conservadorismo que nossa sociedade impõe.

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O personagem Laure/Michael com a irmã Jeanne

 

O final do filme aponta para algo que é comum nos dias atuais: a não compreensão da família e a posterior exposição do outro por um gênero que não lhe convêm. A transsexualidade ainda precisa de muito para sair do obscuro, para ser entendido e para evitar tais preconceitos. Eu diria que é a margem da margem, há quem considere uma patologia por pura ignorância. Cabe a nós abrir olhos e mentes. Filmes lindos como esse trazem e fortalecem isso e eu te questiono: como você agiria se seu filho fosse transsexual?