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Dirias que naquele dia

possíveis encontros seriam

em nós desatados

 

Diria, também, que

haviam planos, sonhos e modos

de se buscar nem que seja em versos

formas de se encontrar

 

A cumplicidade os aproximava

despercebidamente

A ausência era algo pelo qual lutavam

para que não os tomasse

 

Havia voz, gestos e palavras

Sinceridades, cuidados e alma

 

Até um ineditismo acontecer

e desaguar todo o mar que se tornaram

Eles fizeram sexo, nada mais do que isso. Nunca ficaram, ela sentia tesão por ele e ele, evasão. Não houve beijos nem compartilharam carinho algum. Houve penetração, língua que queria lamber e boca querendo chupar. Yara, desse dia, não irá esquecer.

Não irá esquecer da insipidez que transmitia e do fulgor que fora ao deixar-se penetrar. Yara mostrou seu lado vulgar, seu lado mulher, sua face não vista. Ele mostrou seu lado sacana. Yara percebeu, então, o quanto havia frieza em todo aquele encontro corpóreo. Concluiu o quanto não foi desejada e, mais ainda, descobriu que conseguiria mais do que isso em outros meios que não aqueles.

Yara, apesar da mecanicidade do sexo ao qual ela se permitiu, possuía delicadeza e um romantismo entrelinhas. Ao refletir incansavelmente, Yara repetiu não mais se deixar levar pela pele e pelo sentir, pois a não-reciprocidade abre caminhos para o não ceder.

 

 

Silencio. Respiração.

A poesia começava ali, naqueles três passos que a levavam até ele.

Puxou-a contra si, rancou-lhe o que restava de ar e atravancou as mãos que, antes, já insinuavam fortalezas.

 

Respiração ofegante.

Continuava ali, começava uma dança: sentados um sobre o outro. Abertos. Pausados. Propícios.

Esfregou-a em si. Colou lábios, pele e nariz. Sentiu algo escorrer – vontade de pegar e morder.

 

Aceleração.

O sangue desesperado. Mas o pensamento ali. A boca no falo. A tentação querendo se exibir.

Havia algo errado. Algo estava por vir.

Puxou-o para si, grudou-lhe com as pernas. Queria mais que gosto da raiz, do caule que faz.

 

Silêncio. Respiração.

O celular toca e ouve-se uma voz.

O movimento clama e ouve-se outra voz:

– Estou quase gozando.

E goza-se o querer que se desfaz quase como foi da última vez.

Sabe quando você está em sua timeline, no Facebook, e de repente se depara com imagens lindas sendo espalhadas em algum canto do Brasil? Foi assim que aconteceu comigo ontem. Uma pessoa querida, que mora na capital cearense, está realizando uma intervenção com mais dois amigos. Sem um nome definido por não se tratar de um projeto, preferem dizer que são ações em prol do respeito ao próximo e das mais variadas formas de pensar e agir.

Jadiel Lima é um estudante de jornalismo e Sarah Rodrigues cursa agronomia, ambos na Universidade Federal do Ceará. Para completar a tríade dos idealizadores deste belo trabalho, temos o tatuador e ilustrador Renan Feitosa. De acordo com eles, a ideia é envolver mais gente a cada vez que marcarem as intervenções e, principalmente, meninas. De acordo com Sarah, tudo surgiu a partir da observações de espaços da praça do bairro em que frequentam. Ela completa que

Lá tem uns gramados, um half pipe enorme e é frequentado pela juventude do bairro. Aí surgiu na ideia de dar mais cor e vida cultural e política nesse espaço, uma expressão de um movimento e uma vida que já existe.

 

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As imagens são pôsteres lambe-lambe. Para quem não sabe, estes possuem tamanhos variados e são colados em espaços públicos de modo mais econômico. E, inclusive, por não envolver muitos gastos que têm feito parte da arte urbana contemporânea. Além do mais, os desenhos são feitos pelos três. Sarah completa que “O Renan e Jadiel já têm uma naturalidade maior nessa parte de criar porque já fazem isso da vida, digamos. Jadiel publica as tirinhas dele há um tempo e o Renan é tatuador/ilustrador. Pra mim que tá sendo um processo bem novo e lindo. Sempre fui apaixonada por desenhar, mas tenho até hj muita vergonha de mostrar. Fazer esse trabalho na rua é até um grande exercício, sabe? Haha”.

 

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Em relação a aceitação, eles perceberam um certo estranhamento entre as pessoas no momento da colagem. Entretanto, ao verem os desenhos prontos, acabavam ficando mais tranquilos e conversando sobre a arte que lhes era apresentada.

Na última intervenção, o Renan fez um lambe de uma moça levantando o vestido e aparecia um pedacinho da bunda da indivídua. Aí arrancaram essa parte do lambe… rs.

 

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As imagens estão no bairro Parangaba, em Fortaleza. Como vêem, as imagens são pura inspiração e nos permitem proferir um discurso lindo a respeito das mulheres, do corpo e da liberdade. Quem tiver interesse de conhecer e participar, é só deixar um comentário aqui e eles entrarão em contato com você. Agora, suspire e suspiremos.