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Não sei o que dizer. Juro. Já não sei o que dizer. Sentir é a palavra que mais faz parte do meu vocabulário porque tenho sentido tudo e, assim, refletido sobre cada atitude. Algumas, consideradas corretas, mudam. Com isso, mudam-se também as certezas sobre quem eu tenho sido até então. Autoestima é um ponto importante a se refletir, por exemplo. A gente, muitas vezes, se vê fortaleza, mas nem sempre somos. E, então, o que houve para tudo desestruturar assim? Em que ponto exatamente houve esse rompimento de bases? É isso que tenho me perguntado todos os dias.

Dias intensos, química e vibes bacanas podem ser ressignificados em amizades longas e deliciosas. Mas será que atração e tesão se perdem de um dia para outro sem que haja uma explicação? A gente, nesse entremeio, começa a tentar entender e percebe que não há culpa nenhuma em cartório de ninguém. O corpo, as atitudes, o ser interno e externo é o mesmo sem tirar nem por. As atitudes falam por si só e as melhores palavras são aquelas ditas antes das linhas limite baterem à porta. Falar com toda a sinceridade do mundo é sempre a melhor forma de externalizar o que sentimos.

Quando tudo se vai por água abaixo, falar permanece sendo a forma mais correta e justa de mostrar ao outro o quanto ele permanece sendo importante. Porém, não medir as palavras e despejar o quanto todo o prazer tornou-se gelo e no quanto o seu corpo tornou-se pedra é não considerá-lo em sua justeza e beleza. Com isso, volta-se os questionamentos em torno da autoestima, a culpabilidade – ainda que se tenha certeza da sua inexistência – e um sentimento ruim de incompreensão de si. Se tem algo que machuca, este algo são as palavras desditas ou ditas à mercê.

Parece até um desabafo, mas não deixa de ser. Quantas vezes você ouviu de um amigo ou alguém com quem se envolveu o quanto tudo o que estava em torno dos dois deixou de fazer sentido? Sinceridade também possui limites e perpassa o campo das emoções, da gratidão e da consideração pelo outro. A autoestima está dentro deste barco onde você sabe muito bem o caminho e esse caminho entrelaça-se à confiança.

Autoestima não é necessariamente se achar não atraente, feia ou qualquer outra palavra equivalente. Ela também pode representar o encontro consigo mesma em todas as relações que você vem a estabelecer. Sejamos mais cúmplices, maduros, humanos. Carinho, respeito e companheirismo formam um encaixe perfeito quando alguém pode ser levado para a vida inteira. Uma coisa é certa: a gente sente quando passa por alguém com essa atmosfera. Energias compatíveis servem para ser compartilhadas.

Nenhuma resposta
Mas um punhado de folhas sagradas
Pra me curar, pra me afastar de todo mal

Para-raio, bete branca, assa peixe
Abre caminho, patchuli

– Luedji Luna

Estávamos ali, em meu quarto, ouvindo um DVD de Arnaldo Antunes, ainda se podia ver a fumaça do último cigarro, nós não nos beijávamos ainda, eu apenas a tocava com as pontas dos meus dedos, percorria suas coxas com as pontas dos meus dedos amarelados, como quem acaricia a capa de um livro que a muito deseja ler, ainda estava vestido, mas já me sentia nu em sua presença, e realmente estava, estava despido de qualquer aparência, qualquer mascara do dia a dia, estava eu despido de mentiras e fingimentos e ela nua, vestindo apenas o desejo e o calor e isso me deixa arrepiado.

Seus olhos vermelhos nos meus foi o melhor texto que li em tempos, me disse tudo sem dizer uma palavra, sua energia tocando a minha e causando uma quase eletricidade no ambiente, foi quando desci beijando sua barriga e tirei sua calcinha enquanto procurava sentir o cheiro da sua libido, abri suas pernas devagar, ansiava aquele momento a semana toda, desejava loucamente possuí-la, mas não tinha pressa, afinal ela não iria a lugar nenhum, ela queria ser lida, tanto quanto eu queria ler, então eu abri suas pernas devagar e absorvi a imagem com meus olhos pequenos e vermelhos, não consegui conter um sorriso que crescia em meu rosto ao olhar aquela carinha de luxuria me observando, ela pediu pra ir devagar, mas eu não tinha pressa, meu ritmo sempre fora mais selvagem, mas há tempo para tudo nessa vida…

Pinto, C. – um despudorado baiano.

Dirias que naquele dia

possíveis encontros seriam

em nós desatados

 

Diria, também, que

haviam planos, sonhos e modos

de se buscar nem que seja em versos

formas de se encontrar

 

A cumplicidade os aproximava

despercebidamente

A ausência era algo pelo qual lutavam

para que não os tomasse

 

Havia voz, gestos e palavras

Sinceridades, cuidados e alma

 

Até um ineditismo acontecer

e desaguar todo o mar que se tornaram

Eles fizeram sexo, nada mais do que isso. Nunca ficaram, ela sentia tesão por ele e ele, evasão. Não houve beijos nem compartilharam carinho algum. Houve penetração, língua que queria lamber e boca querendo chupar. Yara, desse dia, não irá esquecer.

Não irá esquecer da insipidez que transmitia e do fulgor que fora ao deixar-se penetrar. Yara mostrou seu lado vulgar, seu lado mulher, sua face não vista. Ele mostrou seu lado sacana. Yara percebeu, então, o quanto havia frieza em todo aquele encontro corpóreo. Concluiu o quanto não foi desejada e, mais ainda, descobriu que conseguiria mais do que isso em outros meios que não aqueles.

Yara, apesar da mecanicidade do sexo ao qual ela se permitiu, possuía delicadeza e um romantismo entrelinhas. Ao refletir incansavelmente, Yara repetiu não mais se deixar levar pela pele e pelo sentir, pois a não-reciprocidade abre caminhos para o não ceder.