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A pergunta nas redes sociais foi: Você toma banho depois de nhanhá? Isso mesmo, nhanhá – mais um termo utilizado para evitar o despudoramento linguístico e para que os mais tímidos sintam-se à vontade. Não é de hoje que penso neste assunto e o vivencio. Aliás, para ser mais sincera, um ex-namorado já me questionou o porquê eu tomava banho após transar se o sexo era algo tão bom e que, em vez de nos sujar, nos limpava a alma. Isso faz alguns bons anos, mas eu nunca esqueci e, após ouvi-lo, passei a enxergar tais circunstâncias de um outro modo.

A gente preza pela higiene, é claro. E, por isso, creio que seja ainda mais higiênico um banho antes da foda porque colocar a boca em um local que esteja com cheirinho desagradável e todo melecado de suor não é tão legal. Embora, às vezes, a gente faça isso quando somos pegos pelo tesão e em locais de pura adrenalina e ache muito gostoso, sabemos que a coisa fica bem melhor quando ta tudo limpinho e cheirosinho. Assim, o cheiro de sexo fica ainda mais afrodisíaco. Além do mais, higiene não se refere apenas ao banho de qualquer jeito. Hoje em dia, existem os lenços umedecidos íntimos que surgiram com esta função e podem ser carregados na bolsa lindamente. No entanto, sabemos que nem todos andam com um desses na bolsa – eu mesma ainda sou bem relaxada.

Eu disse sobre a questão higiênica antes do sexo, mas isso não significa que eu ache desnecessário que ela também ocorra depois. É claro que temos de tomar banho todos os dias para ficarmos cheirosos para a lida do dia, mas para quê a pressa do banho pós-sexo? Tão bom sentir o cheiro que a transa emana e tão bom ficar naquele grude com o outro. Tomar banho não precisa ser uma regra. A depender das circunstâncias, é bom e importante se banhar. Se os dois querem foder um pouco mais e de uma forma diferente, como a que uma água sobre ambos proporciona, então também vale a pena caírem debaixo d’água.

Quando eu digo das circunstâncias, refiro-me aquela saidinha com os amigos mais tarde, o encontro com a família, a roupa de cama que não pode sujar ou quaisquer outros compromissos que venham a ocorrer depois daquele momento de euforia. Espero, portanto, que tenham entendido minha colocação. Se não entendeu, vou repetir: banho pós-sexo não precisa ser compreendido como uma obrigação porque transar não suja ninguém, pelo contrário, purifica. Sexo é FODA e eu tenho certeza que todo mundo concorda comigo. Depois que a gente dá uma, o corpo suspira e diz o quanto se sente livre, não é verdade? Depois que a gente dá várias, ele faz festa porque, como disse Eduardo Galeano, “A igreja diz: o corpo é uma culpa/ A Ciência diz: o corpo é uma máquina/ A publicidade diz: o corpo é um negócio/ O Corpo diz: Eu sou uma festa”.

Compartilhar piadas e brincadeiras pelo WhatsApp é a moda do momento. Quer dizer, o app se tornou a forma mais prática de se comunicar. Todo celular tem um sistema que o suporte e todo mundo quer ter um celular com internet para poder ter acesso a esse aplicativo que pode ser considerado mais uma forma de revolução na comunicação.

Assim como em todo espaço democrático, não faltam informações para serem veiculadas entre os indivíduos e grupos de bate papo. No entanto, algumas informações compartilhadas ultrapassam os limites e tornam o ambiente um espaço sensacionalista. Cenas de preconceito e invasão de privacidade ocorrem constantemente sem nenhuma reflexão, consternação ou algo parecido. 

Lembro-me de quando participei de uma pequena discussão na qual a notícia era a seguinte: “Garota de enforca em Santana após aparecer foto sua na net no motel com três homens…”. Além da mensagem, vieram três fotos seguidas (ela enforcada, olhando-se no espelho e no motel com os rapazes) e o comentário da pessoa que compartilhou alegava que havia outras fotos mais impactantes da vítima durante o ato sexual.

Primeiramente, eu me pergunto: O quê que tem uma moça fazer sexo com três homens? A gente vê direto em filme pornô e tanta gente faz – a diferença é que fica na surdina. Sexo é intimidade e, sendo assim, não precisa ser registrada e vista por ninguém. O impacto que a foto me causaria se fosse de sexo com um homem foi o mesmo de sendo com dois, três ou quatro homens porque, em todos os casos, houve uma ruptura dos limites do que é público e privado.

A nossa sociedade é muito hipócrita para reconhecer a liberdade sexual em que já estamos, inclusive, inseridos. Julga-se muito, compartilha-se sem saber quem é e sem saber se o fato é realmente verdade, esquecem que a família pode estar chorando pela perda e, certamente, não gostaria de ver as fotos de sua filha em momentos íntimos e morta circulando por aí.

As pessoas se esquecem que estão em sociedade e que, de repente, a vítima pode ser conhecida de alguém próximo. Sem contar que se não temos nada a ver com o assunto, para quê compartilhar imagens? Seria mais adequado tocar no assunto de uma forma mais amena para propor reflexões. Após uma pequena discussão, alguém disse, no casp em questão, que “é chato compartilhar, mas é necessário pra ver se o povo toma jeito e larga de querer rotular a sexualidade dos outros. Ver as consequências disso tudo”. Ao ler este comentário, mantive minha opinião sobre o assunto.

Os programas televisivos, os blogs e sites que se dizem jornalísticos estão recheados de imagens de mortes e sofrimentos, pois as pessoas parecem seduzidas com isso e, até hoje, não vi nenhuma reflexão suscitada por mortes de desconhecidos. Só sentimos verdadeiro pesar e indignação quando o ocorrido foi sob nosso pé. Caso contrário, é um caso a mais, independente do fato envolver sexo ou não. Desse modo, não entendo como é necessário tais compartilhamentos.

Quando receber algo invasivo na telinha do seu celular, guarde pra si e discuta com seus amigos. O debate em si expõe menos a vítima e expõe mais a sua opinião, além de favorecer a conscientização acerca do ocorrido. Isso pode possibilitar que o compartilhamento comece a passar por uma triagem, feita por nós mesmos, antes de ser jogada por aí. Pense nisso!

Falar de intimidade é sempre complicado, inclusive já tentei fazê-lo algumas vezes aqui, no Pudor Nenhum, e sempre entrei em pequenos conflitos.O fato de eu ter trazido este assunto se deu por um momento simples em que um amigo com o qual já tive relações sexuais ter pedido que eu me virasse a fim de não vê-lo se despir para entrar no banho. Nesse momento, eu pensei: Mas a gente já não transou tantas vezes e eu não já o vi nu? Diante disso, fiquei me perguntando o quão ele me via íntima dele e o quanto o fato de termos transado se diferencia do fato de nos colocarmos nus, um diante do outro, em situações cotidianas. Neste sentido, lembrei no quanto isso me era presente. Por exemplo, eu namorava e transava todos os dias com meu namorado, mas, na hora de tomar banho ou de me trocar, não queria que ele me visse porque achava que o olhar seria mais atento e perceberia que meu corpo tinha imperfeições antes não vistas. Olha que bobeira! Depois de repensar muito e me sentir mais plena sexualmente, abri mão desses pudores.

A intimidade, ao meu ver, está muito relacionada ao modo como você se vê e como entende a relação com o outro. Se você se aceita como é e tem cumplicidade o suficiente, não há porque se envergonhar da sua nudez. Se ele (ou ela) te acha gostoso(a) e vocês se dão super bem, não é porque seu corpo está mais exposto que a pessoa deixará de achar tudo isso. E outra: você é visto com a mesma atenção e com mais detalhes quando o sexo está acontecendo. Inclusive, parece até paradoxal esse despudor e pudor que existem entre duas pessoas em situações tais. Entretanto, lidar com isso não é fácil nem é brincadeira, é algo que mexe com o psicológico e que se faz mais complexo do que imaginamos. Diante do que a sociedade nos impõe, o sexo passa a ser uma forma de mostrar a própria potência enquanto ser sexual e a simples nudez torna-se algo que passa por todos os padrões estereotipados.

De tudo, eu só sei de uma coisa: precisamos rever alguns conceitos que nos cercam e compreender o quão somos íntimos de alguém após o momento que saímos do ato sexual. Diante dessa colocação, eu te pergunto: a intimidade começa quando? Pergunte-se isso. Acredito que a ausência de pudor é tudo de bom e faz muito bem.