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As pessoas têm mania de achar que sexo tem prazo de validade e, assim, ignoram a sexualidade na velhice. Esta parece não ter mais beleza e sua concretude se dá no fato de amar os netos incondicionalmente, de ter que fazer crochê, cuidar dos gatos ou voltar a ser criança devido aos problemas de saúde que venham a surgir. Envelhecer é, então, um fim quando o assunto é se amar intimamente.

Uma forma encontrada para desconstruir esse pensamento e romper tabus foi o trabalho realizado pela fotógrafa holandesa Marrie Bot. Ela criou uma série que apresenta a velhice por meio do erotismo. A princípio, as fotos causam um espanto justamente porque as pessoas não estão acostumadas a lidar com isso. O ensaio chama-se “Geliefden – Timeless Love” e foi realizado em 2004. Provavelmente você já deve ter visto uma das suas fotos pela internet, afinal, elas ganharam o mundo.

 

 

Não consegui trazer as fotos com uma qualidade melhor, mas o que vemos delas já deixa perceptível a beleza dos casais que, em plena idade, apresentam sensualidade, amor e erotismo em seus corpos e atos. Espero que esse ensaio seja um motivo a mais para mudarmos o nosso olhar. A velhice é uma fase linda que precisa ser vista como qualquer outra. Rica em experiências, ela não perde a sua majestade. Idosos fazem sexo, sim. Quando homossexuais, permanecem com sua orientação sexual e por aí vai. Não devemos nunca ignorá-los nesse sentido e lembremos: a idade chega para todos e um dia seremos nós a estarmos assim – com as marcas da idade e com todo fulgor.

A fotografia tem um modo particular de nos falar algo, ela representa a liberdade ou repressão em que estamos inseridos. Muito mais que isso, ela representa o que há dentro de nós. Desse modo, a gente expõe o fato de sermos libertas e, devido a isso, sofremos o risco de sermos apontadas como imorais, pois o ato de se despir ou de simular as vontades do corpo ficam fixadas no clique de uma lente e podem ser vistas a torto e a direita quando colocadas nas redes sociais. Assim, algumas fotos são julgadas de forma injusta por quem sofra de recalque aguda e não consegue ver a beleza – não só externa, mas interna – na explicitez do outro.

Não é de hoje que ouço e sofro indignações. Fotos de praia, com decote, barriguinha do lado de fora ou olhar mais provocador são reprovados por uma classe advinda de gerações passadas ou por pessoas que compreendem a sua vida como um ambiente raso e cheio de limitações. Para alguns, seremos condenados ou castigados por ações que no mostrem o quanto somos lindas e nos amamos. Para nós, viver é libertar-se e isso inclui a fotografia e a exposição dela. Afinal, fotografar e não mostrar nem vale tão à pena assim.

 

Fotografia: Lu Rosário

 

Ao questionar sobre os limites na fotografia, em um bate papo entre mulheres, uma fotógrafa mostrou seu indignar-se por colocar fotos mais ousadas em sua rede social. Como forma de protesto, ela intitulou o seu álbum como “Pq a sociedade e seu puritanismo idiota me cansa!” e a descrição para este foi: “O corpo é meu! Lido com ele do jeito que quero e acho melhor! O que se Fxxx todas as pessoas que ficam se achando donas da verdade, que ninguém pode mostrar nada de si que já vem um puritano sem base e diz que ta errado! é só corpo, pele..ossos..todo mundo tem! Para quê tanto esconder!!?? MOSTRO MESMO! VERGONHA ZERO! Sou feliz assim! Me amo assim! Corpo é casca! Liberte sua mente porque corpo é o menor de nós!”

Assim como a fotógrafa em questão, eu acredito que ninguém deve se sentir afetado por manifestações corpóreas minhas. O corpo é meu e se eu o represento assim é porque tenho me sentido muito bem comigo mesma. A partir do momento que me incomodo com a exposição do outro é porque me sinto reprimida – esta não é a vida que eu quero pra mim.

 

Fotografia : Victor Paiva Leite

 

Na foto acima, publicada em homenagem ao dia da mulher, ela salienta a beleza da fotografia e agradece ao rapaz que a acompanha. A partir dessa foto, peço novamente que a olhem e me digam qual o erro contido nela. Acredito que o explícito está na técnica. Quando olhamos para a imagem acima, vemos penumbra, cuidado e intenções, mas nada está posto à mesa. E se estivesse, mulheres comuns não costumam ser fotografas estilo pornô.

Incomodar-se com o outro e agredi-lo por conta do despertar de sentidos provocados pela foto ou por um resultado da construção histórica a qual fomos submetidos é esquecer-se das lutas femininas e dos direitos conquistados. Para não sair do ditado popular, é não se preocupar com o seu próprio pé e chulé. É, mais do que um jogar de palavras minhas, não olhar-se no espelho e se reconhecer tão linda quando aquela quem foi fotografada.

Em uma tarde de segunda, poesia. Na primeira segunda do ano, inspiração. No meio daquele dia, tesão. Sem pudores e com livros na mão, o escritor José Abisolon deixou-se fotografar pelas minhas lentes – que, apesar de ainda estar ingressando no ramo da fotografia, já me senti à vontade o suficiente para soltar a imaginação com ele e utilizar a câmera em minhas mãos ao meu bem prazer.

Com livros de literatura erótica e pornográfica que nos fazem lamber os beiços, apresentamos alguns deles de uma forma deliciosa. A interação com cada livro, de uma forma sutil, torna o ensaio uma mostra singular do que é importante nesta vida e as considerações sobre cada um deles são feitas por José Abisolon, o modelo delícia das fotos.

Fotografia: Lu Rosário.

 

Em O Sexo e A Psique, Brett Khr é um psicanalista que pegou uma caralhada de gente e perguntou com qual fantasia eles gozavam mais. Daí dividiu por categorias e, antes dos relatos, ele escreve um breve artigo sobre. Essencial para quem quer se afundar na diversidade sexual.

Fotografia: Lu Rosário

 

História de O é um romance sadomasoquista escrito por uma mulher, mas como um pseudônimo masculino. Maldita época em que as mulheres não tinham liberdade para expor suas vontades. Essa é a versão em HQ, pelo também mestre erótico Guido Crepax.

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Manara é o mestre dos quadrinhos eróticos. Ele é autoexplicativo. As séries Clic e Os Bórgias são uma boa.

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Para também representar as mulheres no erotismo, temos a também italiana Giovanna Casotto. Uma curiosidade sobre a artista é que ela mesma posa pros seus desenhos, que são bem reais.

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O Pudor Nenhum é o melhor espaço para os amantes se encontrarem, expressar seus desejos e se deliciarem.

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Foi intenso, foi gostoso. Foi imensamente prazeroso. Com essas dicas de leitura e essa vontade toda que emana da fotografia, eu repito as palavras da sexóloga Aline Castelo Branco, o bom da vida se resume em três palavras: amar, transar e gozar. E são nessas palavras que se concentram cada leitura indicada e cada gesto fotografado. Sejamos Pudor Nenhum hoje e sempre, amém!

Lembrando-me daquela história de uma língua e uma boca que o exige dentro de si, Eu quero na minha boca, resolvi fazer uma sessão de fotos bem instigante. Sabe aquela foto inocente, entre aspas, que pode despertar imaginações? Pelo menos, essa foi a minha tentativa de provar que não é preciso ser explícito para dizer tudo o que sua língua adora fazer.

O bom do sexo é permitir-se aos pensamentos mais libertinos e, consequentemente, senti-los todos em momentos de maior intimidade. Se já estiver com água na boca, então prepare-se para ficar ainda mais. Depois, pode aproveitar-se da boca ensalivada e enchê-la dos outros atributos que só ele tem. Para ela, em breve rolará um outro ensaio tão provocativo quanto.

 

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Lamber, chupar e se saborear: são essas as três palavras que definem o gosto, a textura e a medida do pau. A mulher logo percebe se vale a pena continuar quando sente o quão delicioso foi tê-lo na ponta da língua. Para quem brincou com as imagens, então continue a se lambuzar – não tem problema algum.

 

Fazer do movimento o instante-certo. Torná-lo delicadezas do corpo e observá-lo arte. Este é o trabalho de Rebeca Reis, uma conquistense que começou a transbordar em fotografias recentemente, mas que já mostrou às redes sociais o quanto consegue desprendimentos e feminilidades frente às lentes. Tanto quanto capturar o corpo e os transbordamentos alheios, a própria fotógrafa apresenta-se diante das câmeras como uma forma de enfatizar sua autoestima. O despir e ver-se em outra projeção proporciona olhares antes não observados perante o espelho. Tal como ela mesma disse, “a fotografia é um modo de me conhecer e conhecer o feminino, a feminilidade. É meu auto-conhecimento. Além disso, o ato de fotografar é uma liberdade… no sentido de ter me descoberto e aprender a me amar”.

 

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Autorretrato

 

Diante disso, Rebeca também nos falou sobre o resultado que vê nas pessoas que por ela são fotografadas.

 

Eu vejo que cada uma tem suas limitações e vergonhas; mas, quando vou fazer um trabalho, eu procuro fazê-lo do jeito que a pessoa é. Se ela for tímida, menos luz e muita música, muita conversa e algum livro pra ela ler. Se for mais extrovertida e liberal, música..MUITA música calma pra não focar no sensual e sim no feminino.

 

Com toda essa atmosfera rítmica que perpassa os bastidores da fotografia, só penso que deve ser muito bom se deixar inebriar diante de suas lentes. Já acertamos que algumas próximas postagens minhas já contarão com seu olhar. E, para não restar dúvidas, a feminilidade tem a ver com as particularidades que a enquadram no sexo feminino. É algo bem cultural, marcante e que acaba nos apontando personalidades. Para nos encantarmos ainda mais, vamos apreciar mais algumas de suas fotografias.

 

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Vale salientar que o feminino está também em casais, mães, gravidinhas e meninos. O trabalho de Rebeca Reis é maravilhoso. Quer quiser conhecer um pouco mais e também se permitir fotografar, acesso a Fan page Guardando Momentos dessa musa. Ela fotografa em Vitória da Conquista, na Bahia, e, assim que tiver um tempinho, caio nas garras dela. Já que me inspirei um bocado por aqui, deixa eu ir ali escrever um próximo texto e suspirar.

Graduada em jornalismo e com um olhar apurado para a sensualidade própria e alheia, Laysa Gouveia mostra – por meio da fotografia – que a gente é bem mais do que imagina. Quem pensa que aquelas gordurinhas a mais não são um sinal de conquista está muito enganada (ou enganado). A beleza está inerente em nós, independente de como nos portamos, e reconhecer isso é o que faz acender uma luz dentro da gente e permitir que os outros percebam isso em nós. Coisa mais linda, né gente? Então vamos conhecer o trabalho dessa linda, que reside em Vitória da Conquista, mas topa fotografar em qualquer lugar que você estiver dentro das possibilidades acertas por ambos – é claro!

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Denominado Foto-Ar, a fan page da fotógrafa é permeada de imagens lindas capturadas pelas suas lentes. Para entender o porquê leva este nome, ela diz que “Muitas pessoas me perguntam porque FOTO-AR, e explico: Além da fotografia, proponho um encontro fluído, com arte e leveza, por isso “ar”. Costumo dizer que para uma boa fotografia os ingredientes essenciais são um olho mágico e um coração sensível, é o que estou buscando…”. E a gente percebe isso, não é? Deixar-se fotografar é algo que exige, de uma certa forma, entrega e é por isso que é preciso uma cumplicidade com quem está do outro lado da câmera. Vamos encher os olhos um pouco mais com ela?

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E outra coisa: quem disse que é só a mulher que tem toda essa sensualidade? E mais: quem disse que a gente é sensual apenas com caras e bocas? Bem, a beleza está no cotidiano e, pensando nisso, de Gouveia fotografou o queridíssimo Diego. Fala sério: ficou lindo demais da conta.

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Ficou babando? Então chega aqui e clica com carinho na fan page da linda. Afinal, eu falei dele lá em cima, mas não coloquei o link de acesso, não foi? Mera maldade minha…hahaha. Oí, clica no Foto-Ar e encante-se ainda mais.