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Ao ler este título, pode ser que você se revolte e diga que a traição não é legimitada porque você, em hipótese alguma, aceitaria que seu namorado ou marido a traísse. No entanto, quando eu escrevo sobre o assunto, não estou me referindo simplesmente a uma aceitação, mas sim ao modo como a sociedade encara esta situação que coloca em risco o relacionamento monogâmico. Culturalmente, a monogamia se estabelece na relação entre duas pessoas que não aceitam um terceiro entre eles. Pode-se dizer que é um relacionamento fechado para outras possibilidades e, por isso, a traição seria justamente a quebra de confiança entre os dois pela inserção de outro entre eles. Devido ao contrato implícito que existe entre o casal, essa inserção é feita de forma escondida e, quando descoberta, machuca bastante o que se sentiu à margem do acontecido.

Por diversas razões que são impossíveis elencar porque cabem a cada sujeito, individualmente e conforme suas circunstâncias, o homem parece está subjetivado no lugar daquele que trai. Em quase toda estrutura familiar, uma mulher precisa lidar com o fato de que o marido a traiu porque “não vale a pena terminar apenas por isso, já que ele é um homem tão bom” ou “Só não aceitaria se ele me traísse com outro homem, igual aconteceu com Joana”. Assim, mulher nenhuma leva fama ruim por ter sido traída. Pelo contrário, falam que “todo homem é assim”, “nenhum homem presta mesmo” e “não coloco a mão no fogo por homem nenhum”. E se você disser que não foi traída, ainda é obrigada a ouvir um sorrisinho de sarcasmo que soa como um “você que pensa”.

Tudo isso e mais um pouco do que eu presencio no dia a dia me fazem pensar no quanto nossa sociedade é machista e privilegia o homem nas relações interpessoais. O homem tem o privilégio da transgressão e há todo esse discurso que o coloca como um ser não muito confiável no que concerne a relacionamentos porque dizem que é da sua natureza ser assim, logo é possível pensar que há uma legitimação deste em nosso meio social. Caso a mulher atue neste papel, ela será julgada negativamente das mais diversas formas e o homem será visto como covarde, besta e corno. Um outro exemplo do que pode acontecer em relacionamentos onde ocorre traição é o do filme A Casa de Alice, de Chico Teixeira, sugestão que dei para assistirem este fim de semana.

No filme, é possível acompanhar uma família em decadência. Ele a trai e ela também faz isso com ele. Assim, vivem um casamento em pleno caos para manter a instituição familiar segundo o modelo tradicional que a institui enquanto monogâmica. Romper com isso legalmente e buscar seguir uma outra vida, principalmente quando os filhos estão inseridos nisso, é uma atitude muito difícil. Depois de tudo o que eu disse, o que você me contaria? Adoro ouvir opiniões, viu?

Para quem nunca assistiu “A Casa de Alice”, creio que vale a pena. Ele é um filme dirigido por Chico Teixeira e que conta a história de uma família de classe-baixa em São Paulo. Como todo meio familiar, percebe-se a desestrutura em que este se encontra. Alice é uma manicure casada com um taxista e possui três filhos, rapazes com suas vaidades e vontades próprias da adolescência. Além deste círculo familiar, a mãe de Alice mora com eles e vê tudo o que acontece dentro da casa.

 

Alice com sua mãe na cena do filme "A casa de Alice", dirigido por Chico Teixeira.

Alice com sua mãe na cena do filme “A casa de Alice”, dirigido por Chico Teixeira.

 

Alice é traída pelo marido e o trai. Seus filhos aprontam debaixo dos seus olhos. Sua mãe cala-se diante de tudo o que acontece e a gente não consegue achar nada tão estranho perante a realidade em que nos encontramos. Um dos filhos ganha dinheiro com o próprio corpo e por aí vamos compreendendo como surgem os diversos modelos de família na contemporaneidade.

 

Os filhos de Alice no filme "A casa de Alice", de Chico Teixeira.

Os filhos de Alice no filme “A casa de Alice”, de Chico Teixeira.

 

Por meio deste longa metragem, é perceptível a força de Alice para manter a família e enfrentar todos os problemas que surgem. Fechar os olhos para ela e sua mãe, ás vezes, parece ser a melhor solução. Perante toda trama que se desenrola, assisti-lo é se permitir refletir um pouco mais sobre a vida e a estrutura em que nós e tantas famílias estamos inseridos.

Há 15 dias, eu estava em Salvador e é claro que – em cada muro escrito, pichado ou carimbado com eroticidades – eu precisava fotografar para mostrar-lhes. Meus olhos brilhavam quando via sexualidade e autoafirmação pelas ruas, é aquela coisa de realmente se encontrar. Como vêem na imagem acima (e em todas as outras..rs), a apropriação da mulher fica bem clara. Ela é dona dos seus prazeres e possui a liberdade para se soltar das amarras de uma sociedade machista. Esse imperativo “Libere a Maria e o Orgasmo!” é mais do que certo e tem tudo a ver com o Pudor Nenhum até porque quem vos fala é uma mulher que se declara livre, apesar de alguns grilhões que a vida lhe coloca.

A imagem abaixo me deixou surpresa pela sutileza da imagem em contraste com a expressão “Xotas livres”. Em outras palavras, remeteu-me ao fato de trazer uma representação de leveza – costumeiramente relacionada ao sexo feminino, que é a borboleta – e de mostrar que a mulher pode se expressar como ela quiser porque o corpo é dela (simplesmente). Independente de ser xota, perseguida, xibiu, boceta ou o que mais você quiser falar – quando a questão envolve a si mesma, ela se refere como quiser e isso é uma delícia.

 

Xotas livres @muronacara

Muro carimbado na praia da Barra, em Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

 

O @muronacara me era desconhecido, então resolvi pesquisar e me deparei com o Instagram Muro na Cara e mais uma série de imagens no Google. Não entendi completamente qual o objetivo deste movimento, mas percebi que tem muito a ver com o dizer o que quer, escancarar verdades e mostrar-se liberto de moralismos. Isso tudo já é muito bom e me deixa de olhinhos brilhando. Além do dito, acima da imagem, falar de toda essa autoafirmação feminina é lidar com o empoderamento da mulher, que significa uma transformação no conceito que ela tem de si na sociedade e isso altera, em muito, a sua autoestima. O não empoderar-se nos torna submissas e submissão, em nosso dicionário, só se for no sadomasoquismo, né?

Para encerrar, esta próxima imagem também é uma lindeza e até relembra o texto “A masturbação é uma forma gostosa de conhecer o próprio corpo“, publicado dia desses, aqui no Pudor Nenhum. Como sabemos, o ato de se tocar sexualmente favorece que nos conheçamos e entendamos como nosso corpo funciona ao receber prazer. Em outro sentido, a frase “Menina, se toque!” pode se referir ao fato de abrir os olhos e não se permitir ser violentada. Quem disse que somos sexo frágil é porque não pensou duas vezes. A delicadeza com que nos vestem vai além do que realmente somos, tô mentindo?

 

Parede da Uneb/campus Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

Parede da Uneb/campus Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

 

Espero voltar em Salvador ou andar por outros lugares e encontrar dizeres como esses pelas ruas. Claro que constituem uma poluição visual, mas mostram que existem pessoas com pensamentos maravilhosos por aí e isso me deixa feliz e menos culpada com a questão ambiental. Se passarem por algum lugar tão lindo quanto os que eu passei, tira foto e compartilha conosco que irei (ou iremos) adorar!

A gente sempre tem um desejozinho, lá no fundo, de poder fazer tudo o que o nosso corpo e a nossa imaginação mandar. É aquela vontade de libertar-se das amarras dos pudores e de, em um dia quente, sair nu (ou nua) por aí ou até mesmo tomar um banho de chuva sem roupa alguma para lavar até a alma. Às vezes dá vontade de puxar aquela delícia que tá passando em sua frente e beijar gloriosamente ou de transar em locais públicos sem preocupação alguma se alguém está olhando. Vontade de não usar soutien e vestir saia sem calcinha pra ter toda aquela liberdade e sensação entre as pernas ou, mesmo, não usar cueca mais e colocar saias como as mulheres.

Nas privações impostas pela sociedade, encontra-se o desejo da libertinagem sob a pele. E, então, você se imagina numa orgia cheia de gente bonita ou em um mènage à trois com aquelas duas pessoas que estão no seu álbum de pegações faz tempo. As regras, que nos são colocadas, afloram nossa sexualidade e intensificam nossas fantasias. Desse modo, nossos sonhos se tornam mais eróticos – quando não, pornôs. E, assim, a gente pensa que este pacote inclui algumas atitudes que, quando não tomadas, fazem com que nos arrependamos um pouquinho pelo excesso de pudor que nos inviabilizou realizar certas coisas e ter o êxito desejado.

Conciliar nosso instinto sexual com as leis morais é buscar a medida certa na balança e isso não é uma tarefa fácil. Equilibrar-se com vontade de se elevar em vontades é o mesmo que sofrer um pouquinho em silêncio. Porém, se as coisas não fossem assim, como seriam? Uma desordem total. Um filme pornô sem precedentes. Não haveria nada na vida, só gente ousada coisando e fazendo filho. Estou falando isso brincando, pois sabemos que nunca chegaríamos a este extremo, mas tocar nesse assunto é sempre legal para que vocês parem de achar que o espírito libertino é apenas seu. Bem, quem nunca pensou inúmeras ousadias que atire a primeira palavra porque eu duvi-de-o-dó.

Ei, moça, me diz uma coisa: Você se masturba? Já se masturbou? Muito, pouco ou nunca?! Esse é o tipo de coisa que nunca falamos, não é? O sexo da mulher sempre foi algo que deveria ser escondido. Desde criança, não podemos ficar de calcinha na frente dos outros; os seios começam a apontar e logo temos que escondê-los. A nossa sexualidade precisa ficar bem escondida e ninguém fala nada sobre o tocar-se, inclusive pensar em colocar a mão lá (a não ser na hora do banho para higienização) é pecado. Independente da religião (ou da falta dela), a maioria das pessoas vivem com o peso do cristianismo e o moralismo torna-se a palavra mestra a guiar ações e atitudes. Nosso corpo, portanto, só pode ser compreendido sexualmente após a adolescência.

Apesar de todo o silêncio em torno do nosso sexo, a maioria das mulheres começa a sentir o prazer entre as pernas ainda criança. Começa com aquele travesseiro ou ursinho de pelúcia. Começa quando algo esfrega – ainda que inconscientemente – pela região sexual e o prazer advém. Se é bom, a tendência é continuar e o ato ir tomando outras proporções até que surjam outros meios que explicitem melhor o assunto. Neste sentido, o erótico e o pornô possuem seu papel. Quando descobrem possibilidades de inserir algo na vagina, tudo o que tem formato cilíndrico passa a ser almejado em casos de sexualidade bastante aflorada ou até mesmo por curiosidade. E ainda assim, a busca do prazer permanece sendo considerado imoral; sem contar que há quem se desculpe em oração a cada prazer provocado por dedos e quetais.

A masturbação feminina é a coisa mais linda que existe porque é o nosso primeiro momento consigo mesma, é aquela coisa que a gente faz sozinha e que permite nos conhecermos um pouco mais. Em alguns casos, os pais conversam com as meninas sobre esse auto conhecer-se… mas não é algo comum e, aos que fazem, parabéns. Falar sobre o assunto com as filhas é oferecer-lhe mais segurança e fazer com que ela tenha consciência de que não está fazendo nada de errado, pensar assim evita sofrimentos presentes e futuros. Pense nisso!

 

 

Sempre fui daquelas que não gostavam de assistir séries porque achava chato esperar por uma continuação infinita de episódios. Este ano, apresentaram-me “O Negócio” – uma série que envolve um universo que acho bem interessante, o do sexo, e algo que tenho curiosidades de estudar e conhecer – estratégias de marketing. De forma bem inteligente e, por enquanto,em apenas duas temporadas de treze episódios, Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho apresentam três mulheres que se unem para obter sucesso como profissionais do sexo.

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista, da esquerda para a direita.

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista, da esquerda para a direita.

Uma produção da HBO em parceria com a produtora Mixer, a primeira temporada d’O Negócio apresenta as personagens principais e a colocação delas no mercado até alcançarem um patamar onde a concorrência passa a pirateá-las. Vítimas da pirataria, a segunda temporada surge para mostrar como enfrentaram os desafios e se reposicionaram no mercado como profissionais de sucesso.

Como sabemos, a prostituição – apesar de ser a profissão mais antiga do mundo – é considerada um tabu na sociedade contemporânea e, com isso, sofre preconceitos. Para Karin (protagonizada por Rafaela Mandelli), esta poderia ser vista com outros olhos já que traz benefícios para a família por meio da lógica de satisfação pessoal. Este satisfazer-se justifica-se pelo prazer carnal e pela liberdade que o outro tem de falar de si sem ser julgado ou até mesmo de poder estar em um lugar sem se sentir pressionado e, depois, poder voltar para casa sem alguns quilos nas costas.

Eu diria que mais do que assistir cenas de sexo e explicações que apontam a prostituição como benéfica à sociedade, a série permite termos um conhecimento maior de marketing e nos seduz a aplicar os conceitos apontados nesta em algum empreendimento nosso. De forma bem didática, a gente acaba ampliando nosso olhar sobre o consumo de grandes marcas e passamos a ser mais otimistas quando o assunto é aumentar as vendas e obter uma ressignificação no mercado. Portanto, amores, como não amar essa série? Além de ser bem perspicaz, é brasileira e isso me deixou com muito orgulho.

O último episódio foi exibido em novembro de 2014 e o terceiro episódio já está a caminho, estou em cólicas esperando. Para assistir as duas primeiras temporadas, acesse o HBO GO que você as encontrará completas. E para matar, ainda mais, a curiosidade desta série, vejam este vídeo (abaixo) publicado pelo canal HBOnoBrasil e curta a fan page O Negócio – HBO para ficar por dentro das atualizações. Delicie-se!

 

Passou o São João e já estamos em Agosto. Passou aquela onda de forró pelo centro da cidade, nas casas entreabertas e nas portas das escolas. Passou aquele calendário, onde eu escolhia dançar no dia em que eu queria e no lugar que me desse mais vontade. Passou a euforia do povo, bem como a minha time line cheia de músicas de forró e de compartilhamentos de festas de camisa cujos vestígios de um forrozinho estavam em meio ao arrocha, axé, pagode, sertanejo e por aí vai – quer dizer, acrescento o funk.  Enfim, passou o período junino e já estamos pra lá do meio do ano, mas uma coisa continua: a possibilidade de dançar forró e se aconchegar no outro. Neste inverno, melhor ainda.

Assim como em algumas tantas cidades do Brasil, Vitória da Conquista (BA) tem começado a adquirir a tradição do forró. Este fato se deve ao Projeto Roda de Forró, realizado pelo Trio Aconchego e Lua Ife, além de contar com a presença de Vinícius Gomes que propõe uma aula de forró em cada encontro. Com a intenção de integrar as pessoas em um ritmo tão gostoso, o projeto acontece em bares e pontos diferentes da cidade.

Tanto quanto fazer amizades, a roda tem sido uma forma de elevar a autoestima e paquerar um pouco. A dança possibilita o encontro de corpos, a boca perto do ouvido do outro, a mão na nuca ou na cintura, o cheiro no cangote e o favorecimento de pequenos elogios. Isso tudo é tão evidente que há uma vertente no forró chamada “cretinagem”, referente ao uso de estratégias para conquistar o outro ao som deste ritmo contagiante. E não foram poucas as vezes em que eu ouvi as pessoas agradecerem por fazer parte do grupo da roda. Bom demais, não é? Ah, e também não foram poucos os casais que eu vi se formando nestes encontros de forrozeiros.

Para jogar o charme às noites e descobrir-se sensual, vai prum forrozinho danado de bom. No Costinhas do Alto Maron e no Argentino’s sempre está rolando nos fins de semana. Para completar, nas quartas-feiras há sempre um canto com a galera da roda sensualizando em passinhos bem marcados. A programação forrozeira está disponível no Forrozeiros Vdc.  Para aprender a dançar, aulas rolam por aí. Mas eu vou te dar uma dica: sentir a música e o parceiro (ou parceira) é a forma mais gostosa de balançar o esqueleto.