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Qual é a mulher que não gosta de ser acariciada e mordiscada nos seios ao iniciar as preliminares? Provavelmente, nenhuma. Inclusive, todo o tesão da mulher manifesta-se nos bicos dos seios que, logo, se apresentam rígidos. Eles parecem apontar que querem mais e, a cada novo toque, a direção tomada parece dizer de forma mais objetiva e, assim, não há como negar o desejo por um prolongamento do ato sexual. Tanto o mamilo como a auréola possuem terminações nervosas supersensíveis que, ao serem estimuladas, provocam a libido. Mais do que isso, há uma conexão direta entre tais nervos e o clítoris. É exatamente por isso, já explicado cientificamente, que as mulheres ficam mais entregues quando tocadas neste ponto.

Homens, é isso mesmo, basta saber usar as mãos, a língua e a ponta dos dentes para ver virarmos feras. E fala sério: os seios são lindos demais, sejam mais levantadinhos ou não – afinal, curvas são sempre muito interessantes – sejam pequenos, grandes, com auréolas mais escuras ou não. A mulher tem esse legado lindo sob o seu corpo e cabe ao parceiro (ou parceira) saber apreciar e utilizar-se das melhores armas para que o prazer esteja completo. E aí, como são suas preliminares? Se for entre mulheres ou entre pessoas do sexo oposto, então você terá muito o que contar!

Hoje vai rolar um bate papo e, dessa vez, vai ser com uma ex-dançaria de funk. Isso mesmo. Ela pediu que sua identidade fosse preservada por meio do anonimato e é claro que pedido de entrevistada é uma ordem, além do mais ela também não quis ceder imagem alguma, portanto, a que ilustra esta publicação é de um baile desconhecido. Paulista, nossa despudorada fez parte do mundo do funk durante sete anos. Este foi tempo o suficiente pra que ela traçasse uma história longa e maravilhosa, assim como ela mesma assinalou.

Primeiramente, Adriana Soares (nome fictício) começou dançando axé e, a partir de um convite, ela fez um teste para dançar funk e foi selecionada. Seu primeiro show foi num domingo à tarde numa casa antiga no Embu das Artes, em São Paulo. O sucesso na época era Bonde do Tigrão e, nessa de desvendar esse novo mundo, ela não se fixou em Mc nenhum, mas dançou aqui e ali chamando atenção por onde passava. Então, já que estamos mais inteirados sobre ela, comecemos a nossa sessão de perguntas!

Eu: Minha linda, como foi seu primeiro show?
Ela: Super tenso. O funk é muito sensual e sexy. O primeiro show foi uma música da minha época estourada, foi bonde do tigrão e foi bem diferente, Lu, eu estava com tanto medo de cair, sei lá, que nem a cabeça levantava, mas deu certo.

Eu: Vejo o funk de uma forma bem sexual mesmo. Não só por causa da dança, mas também pelas letras das músicas. Nessa época que o Bonde do Tigrão estourou foi que eu conheci esse gênero musical. Acho que aconteceu assim com muita gente. Sem essa conotação sexual, a criançada toda dançava aqui na Bahia.
Ela: Antigamente funk era uma batida, sabe? Bem pouca putaria ou palavrões. Bonde do Tigrão, Tati Quebra Barraco, Naldo e Lula, até mesmo Claudinho e Bochecha tinham essa pegada mais leve. Hoje, claro, o funk como qualquer outro ritmo, tem aquela batida, porém muita apelação sexual e exige cada vez mais que o homem ostente, obtenha poder. Não julgo porque, na verdade, está simplesmente acompanhando a realidade. Quem não via por aí meninas com 12 anos grávidas (a chamada novinha)? Hoje, infelizmente, é o que mais tem. Quem não via o menino de 14 usando maconha, hoje se vê lança perfume, cocaína, lsd e tantos mais? É tanto que muitos dizem “o bagulho agora é tóxico”. A música retrata o que há. Aí vem muitos e dizem que tem apelação sexual. Claro que tem! Tem sim porque se não tivesse, ninguém iria dizer “Essa música lembra você (tava no fluxo avistei a novinha no grau, sabe o que ela quer?)”. Na minha época, não existia esse fluxo, era quermesse, coisas de pai e mãe saírem de suas casas e levarem seus filhos de até 16 anos.

Eu: É isso mesmo, a música e o estilo acompanha o ritmo precoce. Mas sim, e você acha que se emancipou por causa da entrada no funk? Você acha que você se tornou mais mulher depois do funk?
Ela: Sim e não… rsrsrs. Sabe que antes de dançar funk, Lu, já era vaidosa. Fiz dança do ventre, fiz pole dance, enfim, sempre fui de ser mais na minha; mas, após o funk, todos os homens me desejando, me cobiçando, me querendo, me dizendo elogios mexeu comigo, mas esse lado sensual e vulgar sempre tive (com quem me relacionava). Acho que toda mulher gosta de ouvir “Nossa, que linda ou que loira/morena/ruiva/mulata!”. Só acho que o típico GOSTOSA me incomoda.

Eu:  É verdade. Sou sua fã! Deve ser lindo você dançando. Ainda mais por já ter passado por tantos estilos.
Ela: Ah, que nada, Lu! Eu sou sua fã. Te admiro porque você foi lá e fez a #pohaficaseria (by Insta @pudornenhum).

Eu: Então me diz quais as situações mais inusitadas pelas quais passou neste período em que dançava.
Ela: Uma vez um cara entrou em contato e me contratou para um show normal como os outros. Foi tudo pago certinho e quando chego no evento só tinha um senhor com aparência de bem sucedido. Era um show particular.

Eu: Eitaaaa! Genteee, e você fez, né?
Ela: Sim, normal. Ele ficou na plateia e eu no palco… rsrs.

Eu: E de inusitado com as pessoas da plateia e também com os próprios colegas de profissão?
Ela: Na plateia, um rapaz muito bonito e charmoso jogou a cueca melada para mim no palco. Aquilo me deu um tesão tão grande que deixei ele entrar no camarim após o show, tiramos muitas fotos e ficamos (apenas beijos). Outra vez foi um body shot (um jeitinho de tomar tequila no umbigo) que fiz em uma menina e o noivo dela estava na plateia. Nossa, ele amou e ficou louco. Como era casa de swing, eles transaram intensamente para todos verem. Com um novato, já rolou algo mais sério. Ele era Dj novinho de 18 anos e era o primeiro show dele com a nossa cia. Todo calouro paga mico e o dele foi achar que todas nós, umas 20 garotas, éramos todas lésbicas… rsrs. Ele pirou quando íamos nos trocar e fingíamos gemer…rsrsrs. Daí um dia, eu estava tomando banho com o som dentro do banheiro e não ouvi ele chegar, só vi quando ele entrou. Nossa, pirei com aquele novinho de pau para fora.

Eu: Muitas historias! Hahahaha Normalmente são quantos nos grupos de funk?
Ela: Depende. Tem aqueles de um cantor apenas; tem um cantor e Dj; um cantor, Dj e duas dançarinas.  Vixi, infinitas combinações!

Eu:  hahahaha … e no seu caso era como?
Ela: Eu trabalhava assim: precisava de dançarina, eu ia. Tinha feira, fazia. Ficar em camarote, ia. Fazer eventos, ia. Sempre seguindo meus princípios.

Eu:  Entendi. Era um sucesso! hahaha E por que acabou saindo? Largando esta profissão?
Ela: Fase. Ok, menti… rsrs. Cheguei a fazer um sucesso tremendo. Ensaios, revistas e, quando ia para o Uruguai, um mês antes perdi meu pai.

Eu: Ooooooh…Sinto muito.
Ela: Obrigada, mas continua aiiiiiiii….Bola para frente!

Eu: Com certeza. Depois disso, então, você então acabou deixando de dançar..
Ela: Sim. Família, né? Sou eu, minha mamis e minha irmã mais nova (também tenho um irmão por parte de mãe que nunca morou com a gente). Então, eu seria o ombro para ajudar minha mãe. Bom, hoje faço eventos. Trabalho em recepcionar, divulgar produtos, festas de decoração.

Eu: Hummm. E você sente falta?
Ela: Sim . Principalmente de ser desejada por pessoas que nunca viram meu rosto.

Eu: E esta viagem pro Uruguai era algum evento especifico pra dançar ou algum outro trabalho?
Ela: Sim, era para dançar. Uma temporada de 23 dias. Era um empresário que veio, conheceu o funk carioca e veio a São Paulo para conhecer a noite. Estávamos em um festa a lazer, ele se encantou com uma modelo conhecida nossa e ela nos apresentou. Fechei o contrato e tudo, porém eles foram muito carinhosos comigo, entenderam e ainda me pagaram uma quantia para despesas em relação ao acontecido. Eu apenas devolvi, pois não iria mais continuar dançando. Eram ótimos profissionais, tanto que há um mês recebi outra proposta para voltar. Estou pensando …!

Eu: Tentador, ne?
Ela: Demais. Só que eu já estou velha para essas coisas. O corpo não é mais o mesmo.

Eu: Se fosse assim, não receberia convites. Mazoia! Rsrs
Ela: Bora malhar e mesa de cirurgia porque a gravidade não é minha amiga… Rsrsrs.

Depois disso, rimos e continuamos a papear sobre coisas nossas e sobre nossa vida – nada que valha a pena compartilhar com vocês. Adorei esse papo com nossa despudorada que, atualmente, encontra-se casada e muito bem na vida. Espero que tenham gostado. Agora vou colocar um funk porque, para ser sincera, eu adooooro!

Eu vou passar cerol na mão, assim, assim
Vou cortar você na mão, vou sim, vou sim
Vou aparar pela rabiola, assim, assim
E vou trazer você pra mim, vou sim, vou sim
(Bonde do Tigrão)

#jádeixeide foi uma campanha realizada no Instagram do Pudor Nenhum com o intuito de mostrar o quanto as mulheres estão presas a um sistema que as limitam. Eu já sentia vontade de trazer este assunto à tona, então um trabalho na faculdade me impulsionou ainda mais a criá-la. Acredito que nunca a mulher foi colocada tanto em pauta na sociedade quanto está sendo agora. Os movimentos feministas estão emergindo cada vez mais e a busca por igualdade de gênero vem causando amplas discussões.

É certo que o machismo continua e que muitas mulheres permanecem em silêncio, assim como é nítido o quanto a relação entre homem e mulher ainda é bastante desigual em todos os sentidos. Ao homem, cabe o privilégio e a voz ressoa mais alto. À mulher, a jornada tripla de cuidar da casa, dos filhos e trabalhar fora faz com que ela ainda seja vista apenas como guerreira. Ou seja, não se cogita a possibilidade de compartilhar o trabalho, apenas há quem a  parabenize por conseguir conciliar tudo isso.

A mulher também é julgada o tempo todo e cada ato dela faz com que seja considerada puta, como se este fosse o maior palavrão da face da Terra, Julgam-na pelo modo como se veste, como senta, como deixa seus cabelos, como fala. Ela é apontada e pressionada o tempo todo. Diante disso, nada melhor do que suscitar o assunto mais uma vez e de uma forma que seja a cara do Pudor Nenhum.

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Se você quiser participar, ainda dá tempo. É só dizer o que você já deixou de fazer por causa de um homem, seja ele marido, namorado, pai, irmão, amigo ou desconhecido. Você escreve junto com a hashtag #jádeixeide e, caso coloque diretamente no Instagram, não esqueça de marcar a #PudorNenhum também. Esta imagem acima foi produzida por mim, mas você também pode fazer a sua em uma folha e me enviar pelo contato@pudornenhum.com.br.

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Vamos participar e mostrar pra esse bando de homens machistas que não somos obrigadas a nada, muito menos a nos sujeitarmos às suas opiniões.  Escrevam, joguem duro. Estarei esperando por vocês. Ah, mais fotos estão no Instagram do Pudor Nenhum (@pudornenhum). Acessem para ver!

Eu sempre fui daquelas que tinha vergonha de me despir frente ao outro. Comecei fazendo sexo no escurinho, dizia que era mais romântico, mais tátil e menos explícito. Na verdade, era tudo desculpa para não mostrar meu corpo que considerava magro e sem forma. Com o tempo, fui concluindo que o desejo e o tesão eram bem diferentes de uma imagem corpórea simplesmente. A vontade pelo outro transcende questões de corpo. Ainda que isso esteja embutido, nossas preferências são bastante relativas e quem me quer – me quer do jeito que sou, seja com magreza demais ou gordurinhas para leitura em braile.

Mas aí você diz: O homem é muito visual e é claro que ele vai perceber minhas imperfeições. Só que, a partir desta pergunta, eu jogo outra: Apesar de não ter te visto sem roupa ainda, ele a viu e sabe como você é. Certo? Se ele te quer e diz que sente tesão por você, tem certeza que ele irá se apegar aos detalhes do seu corpo? Ainda que se apegue, será para acentuar o que já existe de latente e que, provavelmente, é positivo porque senão a coisa não estava prosperando e partindo para o entra e sai.

O padrão de beleza existente é o que lasca tudo e causa insatisfações no mulherio. A gente acha que mulher pra ser gostosa tem que ser assim e assado, mas deixa eu te falar uma coisa: mulher gostosa é aquela que se ama e tem atitude. Se uma mulher for loira, alta, bundão, peitão e barriguinha sarada, mas – por alguma razão – não tiver autoestima, ela pode até chamar atenção a primeira vista, mas depois vai ser negligenciada por uma gama de homens que reconhecem a força e a sensualidade da mulher pelo seu modo encarar a vida. Em outras palavras, beleza é relativo e a gente tem que se amar para fazer sucesso e se despir lindamente na frente dele.

Se você não está feliz do jeito que é e acha que precisa perder ou ganhar uns quilinhos, atividade física e reeducação alimentar são fundamentais, mas não deixe se perder em vergonhas e trejeitos porque um streap tease é impagável – para ambos. Acredito que se despir frente ao outro é estabelecer uma relação consigo mesma, é uma prova de amor próprio. Pode ter certeza que, depois disso, você vai se sentir bem em qualquer lugar e o sexo vai fluir ainda melhor.

Eu me dispo na frente dele e em frente ao espelho. Faço streap e me atrevo frente à câmera. Atrevo-me para, assim, mostrar a mim mesma que sou uma delícia. Se você tem receios do corpo, faça o teste dos nudes (com todo cuidado do mundo, please), encare-se frente ao espelho, fotografe-se e olhe cada fotografia todos os dias. Permita-se se ver, rever e triver até se acostumar consigo mesma. Um exercício desse é muito bom e uma hora faz efeito, pode confiar. Agora vou ali me fotografar mais um pouco porque não faltam postagens por aqui. O importante, minhas gatas, é se amar.

Em 2014, li uma entrevista com a psicanalista e escritora Regina Navarro e resolvi escrever este texto. Textos devem ser publicados e trazidos para este novo espaço de despudor. Navarro diz que é provável, na segunda metade deste século, as pessoas viverem o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje. Além do mais, a psicanalista acredita que a monogamia pode ser tornar coisa do passado. Diante disso, vieram me perguntar o que eu achava sobre a monogamia e, ao pensar sobre esse assunto, achei justo compartilhar com vocês e saber o que pensam a respeito disso.

Como já sabemos, a monogamia é um contrato que foi criado por meio da história e se tornou parte da nossa cultura. Historicamente trazida pelo cristianismo, é uma forma de manter a relação de modo unilateral, ou seja, sem a interferência de terceiros. No entanto, este sistema funciona na teoria, mas não na prática. Com a crença de que é inviável manter um contrato entre as partes, em muitos casos nos deparamos com as relações extraconjugais e, entre os homens, isso acabou sendo reconhecido como algo comum e constituindo a expressão de que todo homem não vale nada.

De acordo com Regina Navarro, o modelo de casamento pode ser radicalmente modificado com o término da cobrança de exclusividade sexual que permeia a monogamia. Para ela, os modelos tradicionais que perpassam os relacionamentos já não são mais satisfatórios e “daqui a algumas décadas, menos pessoas estarão dispostas a se fechar numa relação a dois e se tornará comum ter relações estáveis com várias pessoas ao mesmo tempo, escolhendo-as pelas afinidades. A ideia de que um parceiro único deva satisfazer todos os aspectos da vida pode vir a se tornar coisa do passado”.

Atualmente e diante do lacre que envolve a monogamia, muitos casais já tem buscado o poliamor como uma forma de confiança no outro e de manter a relação a mil, ou seja, firme, forte e com a liberdade de ter outros parceiros sexuais. Porém, isso diz respeito a uma mudança na mentalidade das pessoas e, em sociedades de cunho machista e cristão, isso é difícil ou quase impossível. Por mais que as pessoas se permitam ficar umas com as outras em períodos curtos de tempo, por mais que elas aceitem as relações extraconjugais, a monogamia está no cerne de nossa cultura. Não é à toa que, como um leitor comentou, o ato de ficar aqui e acolá está associado ao descompromisso.

Contudo, isso não nos permite pensar que está havendo uma mudança na mentalidade dos sujeitos, pois comprometer-se com alguém ainda está, majoritariamente, relacionado a monogamia. Para completar, uma coisa é certa: quando algo se torna cultural, ele se cristaliza. Para perder esse status, demora anos e se este for concernente à religião, aí é que se torna mais complexo. Enquanto isso, minha dica é vivermos bem – seja de forma monogâmica ou não. A felicidade da gente depende da forma como nos sentimos melhor com quem queremos bem.

É  quase meia noite e este texto é uma antiga publicação com um sentimento e circunstância atual. Já estou morrendo de sono e todos os outros dias não são muito diferentes. Quando a meia noite se aproxima, entro em coma. Tenho planos demais, mas o sono, a correria e o cansaço me impedem de seguir em frente no único horário que eu teria disponível. Assim como acontece comigo, provavelmente há de acontecer com muita gente pelo mundo. Nessa situação de cansaço contínuo e, também, de um acúmulo de frustrações, cada minuto resgatado torna-se luxo e, por isso, precisa ser aproveitado da melhor forma possível.

 

Aos 30 anos, a vontade era de se ter as coisas mais estabilizadas. Na verdade, todo mundo tem um desejo para ser concretizado até este momento da vida. Quando a idade chega e você não vê avanço, a frustração toma conta e tudo o que está ao seu redor recebe um certo peso. A lista de prioridades, então, torna-se outra e passa a liderar o topo. Com isso, o sexo, tão bem salivado, começa a ficar para trás.

 

Querer transar todo dia, desejar os homens que se aproximam ou fazer de tudo para se mostrar um pedaço de mau caminho começa a deixar de ter graça. Sair pra dar uma não é mais conveniente. Desesperar-se por ficar três meses sem sexo virou coisa do passado. Excitar-se facilmente com qualquer mão boba, ainda que em abstração, não faz o mesmo sentido. E mais, descobrir que a falta de sexo não mata ninguém.

 

A vida precisa se ajustar, se encaixar nas necessidades primeiras para depois começar a provocar e se voltar aos desalinhos do corpo e da voluptuosidade. Pensar assim não é ser careta nem deixar de se permitir. Para todo happy hour, há um intervalo não menos gostoso. A diferença é não mais buscar, não se afligir nem achar fio de cabelo em gema de ovo porque não transou. Há outras prioridades e outras angústias. Sexo passa a ser um bônus na conta dos prazeres.

 

No entanto, em quaisquer lugares não há outros assuntos. Fotos, piadas, mensagens, comentários, e libidinagens. Em tudo e em todos há algo relacionado ao sexo. Não há outro assunto na boca do povo. Sexo, em nossa sociedade, é praticamente tudo. Enquanto isso, eu e mais um tanto sentem que essa não é mais a mesma praia, pois serve apenas para banhos em pequenos feriados. A delícia está em falar sobre, desejar, sentir por imaginação e ficar de boa na lagoa com a sua ausência. Sabe de uma coisa?  Viver assim não é ser careta, é pensar no além e buscar ser feliz por inteiro. Permitir-se não precisa deixar de ser palavra chave, ficar meses sem fazer sexo não a torna menos desejável, não alimentar conversas parecidas não a faz careta.

 

Quando os 30 anos chegam, você só quer se resolver. Depois disso, pode descer a lapa porque eu vou querer é uma orgia…hahaha. E você, despudorado(ada), como se encontra em todos os sentidos da vida? Plena ou se resolvendo e, por isso, cheia de prioridades que não sejam o sexo? Preocupação demais é foda, né? Se você consegue manter tudo na mais perfeita saliência, continue jogando duro. Se você não se encaixa no texto, não tem problema – faz parte.

 

Ainda que não transemos sempre e tanto, continuemos falando sobre o assunto e compartilhando experiências e vontades. Faz bem pra alma e pro coração.

A água caía torrencialmente sobre seu corpo nu. Cobria e se despia como se estivesse sendo vista por alguma fresta, vitrô ou fechadura esquecida. As mãos a vestiam entre espumas, desejos e nostalgias. Entrecortava canções que poderiam servir de trilha sonora para seu curta metido a erótico. E, ao imaginar, o instrumental de “You can leave your hat on”, serpenteava e embaraçava-se naquela cascata que a inundava. Com chuveirinho, permitia-se; com os dedos, procurava os melhores caminhos. Sabia que maior que o desejo era a consciência apontando-na: desperdiçar água não é lá essas coisas. Então, acariciou-se com a toalha tolhida que estava. E, ao sair do açude de tentações, calou-se frente ao espelho. Observou atentamente cada detalhe seu: olhos abertos, um maior que o outro que, quando faziam parceria com as sobrancelhas expressavam todo prazer ou desprazer que queriam; os cabelos bagunçados soavam sexyssezas e cabiam muito bem se roçados em alguém perante confissões ao pé do ouvido; seios baixos e gordurinhas a mais faziam dela uma mulher farta e ela sabia o quanto tudo aquilo a tornava o tanto que era – o tanto de tesão, de possibilidades sobre a mão ou mãos. Novamente, tocava-se e seu êxtase era enorme.  Naquele instante, ter alguém era tirá-la daquele chão de descobertas do seu próprio corpo. Preferia ficar assim, esfregar-se na parede, abrir-se inteira, assumir as próprias rédeas e se fazer volúpia para si mesma. Se havia alguém a observá-la, certamente intuía loucura, exibicionismo ou masturbava-se freneticamente. Não quis abrir a porta ou tirar os olhos do espelho a notá-la tão intimamente até sentir que estava na hora. Enrolou-se na toalha, fechou-se para o que a esperava lá fora. Não havia ninguém e, assim, a vida voltou a ser um invólucro e seu corpo uma caixa com lacres frouxos.