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Sabe quando várias mulheres se reunem para falar de assuntos em comum que somente elas vivenciam? Começou assim no História do Instagram. Uma confissão aqui e outra ali. Uma opinando na história da outra e todas querendo compartilhar seus desejos juntas. Essa gostosura de interação para mostrar seus dramas, tirar suas dúvidas e expor seus despudores resultou em dois grupos lindos de mulheres: primeiramente, no Whatsapp e, depois, no Facebook.

Com mulheres do Brasil todo, os grupos das despudoradas possuem algumas regrinhas e contam com uma dose bem apimentada de nós mesmas. Juntas, podemos abrir o verbo e nos aconselharmos umas com as outras. Podemos, também, ter a liberdade de falar o que quisermos sem nos preocuparmos com o julgamento alheio. A gente não precisa se preocupar se haverá homem por perto ouvindo e dando pitaco. Quando estamos juntas, nos fortalecemos.

A gente busca elevar a autoestima, alimentar o amor próprio. A gente busca quem nos faça olhar para os nossos próprios erros e quem nos ajude a caminhar de cabeça erguida. A gente quer rir de igual pra igual. A gente quer ter liberdade.

Se você quiser fazer parte do grupo no Facebook, procure por Grupo das Despudoradas e solicite a sua entrada. Caso queira fazer parte do grupo no Whats, entre em contato comigo por direct nas redes sociais – Instagram ou Facebook. Deixando claro que homens não serão aceitos e não adianta dizer que é gay. Grupo somente para mulheres (cis ou trans), ta certo?

Estarei ansiosa aguardando você para que o nossos grupos das despudoradas se fortaleça ainda mais. É muito amor tudo isso, né, gente?

A gente cresce beijando o rosto, o olho, a testa,  braço e qualquer outro lugar onde o carinho está. Depois, a gente compreende o carinho em outras nuances e quer transpor este beijar para um outro lugar: a boca. Sentimos aquela curiosidade e temos medo de fazer feio, então começamos os testes na laranja, no espelho, na mão. Fechamos os olhos e imaginamos quem queremos beijar, afinal, o beijo na boca é aquele que aponta intimidade e que só se dá no momento em que a atração grita.

Entretanto, não é bem assim. Quando a gente começa a beijar, ele passa a ter muitos sentidos e, entre eles, o de ser apenas um beijo. A ficada é assim: colou, beijo bom, largou e pronto. Só que beijar na boca vai além de dois lábios se atracando e duas línguas se saboreando. Ele é praticamente um exercício físico. Há cinco benefícios que vale a pena salientar, tais como a queima de calorias. De acordo com pesquisas, beijar ajuda a queimar de 2 a 6 calorias e o melhor é que a gente não cansa. Beija horas e continua achando uma delícia.

Conforme a Popular Science, trocar beijos, antes da gravidez, é uma forma de fazer com que o organismo crie resistência aos pequenos vírus que são introduzidos nesta troca. Então, mamães, beijar faz bem, viu? Interessante demais essa informação. Super curti! Além do mais, quem beija se sente mais relaxado. Estudos apontaram que os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, reduzem em pessoas que beijam muito. Já quero!

O beijo também alivia sintomas de alergia. Como assim? Casais que se beijaram por 30 minutos tinham menores níveis proteínas que desencadeiam sintomas de alergia, concluiu um estudo japonês. Acho que agora já sei o que devo fazer para ter menos crises de alergia. Humm. E beijar também estimula a produção de saliva, limpando as bactérias nocivas e que se encontram em nossa boca. Assim, a gente conclui que beijo na boca também contribui para nossa higiene bucal.

 

O beijo começa de diversas formas, provoca de vários modos diferentes. Alguns deles são leves, outros são mais fortes. Alguns trabalham mais a línguas, outros a isentam. Há beijos bitocas e beijos chupões. Existem beijos apressados e rápidos ou beijos lentos e bem demorados. Beijo é aquela coisa gostosa que, às vezes, permite um sorriso logo após acontecer. Ele, inclusive, promove a paz entre casais em tempos de crise.

Beijar, definitivamente, é um ato de carinho e de permissão. O beijo é algo que nossos lábios reconhecem desde que nascemos. Independente do sentido que lhes for atribuído, beijar é bom demais. E eu quero mais é beijar na boca, eu quero mais é beijar na boca e ser feliz daqui pra frente pra sempre – assim cantou Cláudia Leite e assim eu quero levar pra vida. E você?

 

Naquele dia, resolvi por meu batom vermelho e lindo de viver. Antes de sairmos de casa, ele me chamou e disse: com este batom, não dá. Fiquei confusa, quis voltar atrás, mas preferi tirar para evitar confusão. Lembro-me também daquele vestido justo e pouco curto que comprei há uma semana, pois havia ficado lindo em meu corpo. Na hora, fiquei em dúvida e imaginei que ele fosse reclamar, mas comprei assim mesmo. Na hora de vestir, foi um abuso porque ele não me aceitou sair de casa vestida nele. No final das contas, o dinheiro pago garantiu um vestido para ficar dentro de casa, apenas.

Amiga, não vou mais pra academia. Fulano não pode se matricular naquele horário comigo e eu não posso fazer sozinha. Mulher sozinha em academia, já viu, né? Ele já disse  que não aceita e eu até entendo. Poxa, e o poledance? Eu era doida pra fazer, mas ele disse que é coisa de puta e se alguém souber que eu faço, vai pensar a mesma coisa. Deixa quieto.

E todo lugar que sicrana ia, ele tinha que saber. As amizades dela precisavam ser compartilhadas, as dele nem tanto. Você era sempre taxada por ele de gordinha. Ele gostava do seu cabelo grande, por isso você não cortava. Ele deixava praticamente claro que, se você cortasse, não ficaria tão bonita. No fim das contas, vocês permaneciam sempre juntos porque tinha que ser assim. Se terminassem, quem iria te querer? O medo de ficar sozinha é um trauma que sempre bate à porta.

Naquele dia, você não queria fazer sexo, mas ele tava a fim. Então, vocês transaram e seus olhos lacrimejavam de dor. Antes transar com ele do que deixar que ele faça isso na rua com outra mulher. Quando você tocava em todas as situações vivenciadas com suas amigas, todas elas viviam a mesma coisa. Algumas reclamando e outras rindo, todas naturalizam a situação, pois acreditavam que todo relacionamento era assim.

Para ser sincera, na cartilha para se ter uma relação saudável não vem implícito uma escala de poder. Ninguém tem o direito de interferir na forma como o outro faz amigos, se veste, organiza suas coisas, se vive. Todo relacionamento vem com esses percalços, independente dos gêneros, porém, a relação homem e mulher é a que mais põe o assunto em evidência. Eu diria que é fruto do machismo  que põe a mulher em pé de inferioridade e ainda estabelece isso como normal. Infelizmente, não conheço nenhuma mulher que não tenha vivido um relacionamento abusivo. Eu, como toda mulher, vivi.

Para justificar os atos do parceiro, colocamos a culpa no ciume. Para justificar o ciume, dizemos que é apenas um sentimento de posse como consequência ao amor. Como tudo, para ele, tem uma justificativa, a culpa de tudo passa a ser dela – da mulher. A gente se culpabiliza porque ele tem todas as explicações. Na verdade, a sociedade tem todas as explicações. Recentemente, inclusive, soube de uma menina que apanhava do marido e, por isso, não queria mais voltar pra ele. Ao colocarmos isso em discussão, o tio da vítima disse enfaticamente que, se ela apanhava, é porque tinha motivo. E olha que este é um ponto além da relação abusiva porque já parte para a agressão física!

O relacionamento abusivo é silencioso, é aceito, é minado. A prisão psicológica é a pior que existe. Precisamos ler, conversar e nos atentarmos muito à forma como estamos absorvendo o que vem do outro e também como estamos nos impondo. Se não for assim, a gente segue sem perceber e, bem depois, nos damos conta de que poderia ter sido bem mais feliz ou, então, isso nunca acontece e a gente segue vivendo uma vida morna. De morno já basta a água em dias de calor, você não acha?

Falar Gouinage é reconhecer, em si, a sua origem francesa. Traduzida, significa contatos íntimos entre lésbicas. Entretanto, não é algo que se refere apenas a elas por ser uma prática sexual que consiste na não penetração. Isso mesmo, o Gouinage consiste naquele erotismo delicioso que pode nos levar ao orgasmo sem precisar penetrar. A exploração dos sentidos – olfato, paladar e tato – permite um prazer nas alturas.

Este termo tem sido usado recentemente e, por isso, a gente não encontra muita coisa sobre o assunto. Se formos pensar em seu sentido, tal como a denominei acima, pensamos nas preliminares e também no sexo tântrico. Porém, é bem diferente. As preliminares pressupõem um sexo incompleto, visto que – como a própria palavra sugere – apenas é uma introdução do que seria o sexo completo. Já o sexo tântrico envolve uma técnica e, inclusive, tem cursos longos para que a pessoa esteja preparada a realizá-lo. No gouinage, basta ter criatividade para que o prazer seja devidamente oferecido.

O gouinage também se refere ao contato íntimo natural, isto é, usando o próprio corpo e sem a inclusão de acessórios, tais como vibradores. O termo, apesar de ter somente mulheres em sua tradução, também envolve os g0ys – homens que são machistas, compreendidos como heteros, mas que possuem relações íntimas com outros homens. Não existem ativos nem passivos na gouinage, pois ambos proporcionam prazer mútuo e, como não há penetração, também podemos fugir dos estereótipos sexuais.

Quem pratica o gouinage, pode ser chamado de gouines. A partir desta prática, você conhece melhor o corpo do parceiro, como excitar, sentir e proporcionar prazer. Para alguns, gays não podem ser gouines porque todo sexo gay precisa de penetração. Assim, entendem apenas como uma prática concernente aos g0ys. Entretanto, apesar das discussões, muitos têm descoberto que ela pode levar a satisfação plena. Coisa linda, não é?

Acho que todos nós deveríamos tentar ficar assim com o parceiro pelo menos uma vez. Acredito que ele vai entender como uma brincadeira e aumentar, ainda mais, o prazer sexual. Na próxima vez, ai chegar com tudo em você e o doce vai ficar uma doceria inteira de delícias e gozo. Caso seja uma gouines, conta pra gente sobre essa sua experiência!

A história de José Mayer deu o que falar e não poderia ser diferente. Minto: poderia. Seria diferente se ela se enquadrasse no perfil de tantas outras que, por vergonha, se calam ou, por interesse, se permitem, mas depois caem na real e percebem o quanto errou. Teria sido diferente, sim, se a figurinista em questão não colocasse a boca nas mídias sociais e deixasse o fato passar apenas pelo sistema interno onde ambos trabalham.

Será que foi a primeira vez que ele, o ator, fez isso? Será que foi a primeira vez que ele passou dos limites e partiu para o contato físico? Provavelmente não. A fama de “mulherengo” pode até ir longe, mas a de “galanteador”, tal como as novelas pintam, é bem mais louvável e, é claro, aceitável. Bom profissional e com papeis que deixam a mulherada em destino, o olhar sobre ele não poderia ser diferente.

Para quem está por fora, José Mayer foi acusado de assédio pela figurinista da TV Globo – Su Tonani. Em carta, ela contou para o blog #Agoraéquesãoelas, do jornal “Folha de S.Paulo”, as investidas e desrespeito do ator. De acordo com Tonani,  essa história de violência se iniciou com o simples: “como você é bonita”. Trabalhando de segunda a sábado, lidar com José Mayer era rotineiro. E com ele vinham seus “elogios”. Do “como você se veste bem”, logo eu estava ouvindo: “como a sua cintura é fina”, “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, “você nunca vai dar para mim?”.

A partir daí, a figurinista expõe sua indignação – não apenas perante ele – mas diante de todos aqueles que presenciavam tais situações e riam ou não se manifestavam. Para completar, ela revela que Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo. Elas? Elas, que poderiam estar no meu lugar, não ficaram constrangidas. Chegaram até a rir de sua “piada”. Eu? Eu me vi só, desprotegida, encurralada, ridicularizada, inferiorizada, invisível. Senti desespero, nojo, arrependimento de estar ali. Não havia cumplicidade, sororidade.

Quando a figurinista refere-se à sororidade, ela quer dizer sobre a união entre mulheres. Quando a gente se une em busca de um objetivo comum, a gente se fortalece. Afinal, sofremos diariamente os mesmos assédios, a mesma falta de respeito e a mesma pressão social e machista que tenta nos enquadrar.

Em resposta à carta, José Mayer afirmou: Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são. Nisso, ele está certo. O machismo está tão entranhado que tratar a mulher como um objeto é algo comum. Aceitar-se enquanto objeto também é.

A partir da carta, surgiu o movimento pelas atrizes globais do Mexeu com uma, mexeu com todas, acompanhado da hashtag #chegadeassédio. Sentindo na pele tudo que Tonani sentiu, resolvemos também compartilhar. Afinal, essa pauta deve estar sempre em discussão porque não é a primeira nem a ultima vez que precisamos lidar com isso. Nós, mulheres, vivemos essa rotina todos os dias. Inclusive, não precisamos que casos como esse aconteçam para nos manifestarmos. Essa é uma luta diária. Essa luta é minha, é nossa.

Na hora que a coisa esquenta e que, além das mãos, outra coisa busca me invadir, só penso em uma coisa: camisinha. E você? Em uma pesquisa, deparei-me com o livro de Vincent Vidal chamado “A pequena história do preservativo”. Neste livro, que ainda lerei, mas cujos pequenos resumos encontrei por aqui, é dito sobre a preocupação dos homens em proteger seu órgão sexual desde os tempos mais remotos. Inicialmente, visavam evitar possíveis doenças sexualmente transmissíveis; depois, começaram a pensar na possibilidade de evitar a gravidez. Acontece que saber disso é compreender o quanto o sexo sempre foi visto com uma fonte de prazer e não apenas como um modo de reprodução.

Quando a coisa esquenta, eu sempre penso: Quero foder, mas não quero engravidar. E, então, lembro-me logo da camisinha. No entanto, é necessário pensarmos nela não somente dessa forma. Nós temos a mania de achar que conhecemos o outro o suficiente e de que, por isso, ele não possui nenhuma enfermidade. Porém, a gente não conhece ninguém a tal ponto. Intimidade, muitas vezes, é guardada a sete chaves e podemos nos surpreender quando estamos neste âmbito. Ao saber disso, desconfie sempre e se proteja.

Há quem diga que a camisinha inviabiliza o atrito entre o pênis e a vagina. Em relação a isso, não tenho o que negar; mas saliento: com camisinha, o sexo também é uma delícia. Sou prova viva ao lembrar das inúmeras vezes em que gozei com o meu parceiro usando ela (Afinal, ainda preciso experimentar a camisinha feminina!). Entretanto, se você acha que sem camisinha é mais gostoso e ponto final, então seja mais exigente ao escolher seu parceiro e tome o anticoncepcional para não ter uma surpresinha após alguns meses.

Todo homem tem esse lance de “só a cabecinha”, “juro que não vou gozar dentro”, “é só uma rapidinha” e não vou negar: eu sempre caio nessa atitude irresponsável que, depois, me faz temer um pouco. Portanto, lindezas, cuidado com essas expressões sussurradas ao pé do ouvido – isso é uma armadilha gostosa que pode ter efeitos a longo prazo. Quando for foder, esteja preparada para esquentar com todas as suas potencialidades ou para realizar a penetração bem protegido. Afinal, se o sexo também é uma fonte de prazer, então vamos fazer isso valer a pena sem grandes preocupações. Se não estiverem com preservativo, as preliminares são um prato cheio para fazer da relação um gozo único.

Não é fácil. Para falar a verdade, nunca foi fácil. Eu me lembro de quando era bem pequena e não sabia o significado das coisas. Ele me pedia para por a mão em uma parte do corpo que eu não tinha e para segurar bem forte. Ele também me pedia que sentasse no colo dele e fica rebolando comigo em cima ou, então, pedia que eu dançasse naquela posição. Eu nunca entendia porque isso sempre acontecia e acontecia quando estávamos sozinhos.

Com o tempo, ele foi me pedindo que não falasse nada com ninguém sobre o que acontecia quando ficávamos sós. Junto com o silêncio, foi me pedindo para tirar a roupa. Foi pegando onde minha mãe nunca me deixava mostrar a ninguém. Ele colocava o dedo lá dentro e, se doesse, eu não podia falar nada, tinha que ficar quieta senão ele dizia que eu estaria sendo má filha e que, assim, não ia querer mais saber de mim. Eu não poderia perder meu pai. Quando a gente não estava só, ele era o melhor pai do mundo porque dava tudo o que eu queria e me defendia quando brigavam comigo.

Só que as coisas não ficaram somente assim. Quando eu fiz 12 anos, meus seios começaram a surgir e uns pelinhos também começaram a aparecer. Ele começava a querer colocar outra coisa dentro de uma parte de mim que estava acostumada com seus dedos, eu tinha medo e, por isso, contei para minha mãe. Ela disse que eu estava mentindo, brigou comigo e me castigou. A partir desse dia, eu comecei a ser violentada por ele pelo fato de ter falado pra minha mãe e por ficar me negando a fazer o que ele queria.

Eu comecei a ficar mais velha e querer privacidade, mas ele me seguia por onde eu ia. Eu nunca ficava sozinha. Parecia um filme de terror. Minha cabeça doía e eu tinha pesadelos à noite. Arquitetava fugir. Não o via mais como o pai perfeito. Na verdade, descobri que ele nunca foi perfeito. Com o tempo, fui lendo e percebendo que isso não era algo comum. A internet me alertou que isso era um abuso, era crime e minha mãe, que nunca dizia nada, parecia saber de tudo e captar meus medos.

Eu nunca podia namorar, não podia sair com os amigos à noite. Enfim, descobri que era uma prisioneira. Quer saber, ainda sou. Não sei o que fazer. Passei em uma faculdade e fui morar longe de casa, ele não queria, mas eu decidi que o único curso que eu gostava não tinha em minha cidade – isso foi uma estratégia para eu me distanciar. Quando ele me ligar, não atendo. Para me sustentar, comecei a vender docinhos e artesanato na faculdade. Assim, não precisaria pedir a ele. Sem que ele e minha família saibam, eu namoro. Mas não consigo me envolver sexualmente com ninguém ainda, fico travada. Estou começando a terapia no núcleo de psicologia onde estudo e espero mudar e conseguir vencer meus traumas.

Quem mais possui uma história de vida como essa? Como hoje é primeiro de abril, eu resolvi contar essa mentira sobre mim. Para ser sincera, eu nunca sofri abuso algum. Meu pai sempre me respeitou demais e sempre foi pai no sentido correto da palavra. Mas sabe por que eu resolvi mentir assim? Porque apesar de não dizer respeito a minha história, ela representa a de mulheres pelo mundo afora.

Não é difícil encontrar mulheres que passaram por situações parecidas, eu já me deparei com várias que tenham histórias similares. E, então, qual deve ser o nosso posicionamento enquanto mãe, vítimas da violência, irmã, prima ou amiga? Como perceber que essas coisas acontecem? Temos que tentar resolver essas questões e discutirmos mais este assunto. O maior caso de vítimas deste tipo de abuso, infelizmente, é de familiares. Sempre é o pai ou um tio quem agride, logo é algo emergencial e que requer mais cuidado.

O primeiro de abril do Pudor Nenhum, este ano, não é uma brincadeira, mas algo sério demais para que possamos levar adiante e refletirmos. Se você quiser conversar e desabafar, pode escrever pra mim!