HomeSexo e Sexualidade (Page 28)

Sem ter nem pra quê,

sou entrega constante e lisongeira.

Apego-me aos detalhes,

rasgo inteira as minhas vontades.

 

Sem eira nem beira,

lasco-lhe um beijo,

ranco um pedaço de toda essa sua coragem

em buscar sentidos nas frestas de adrenalina.

 

Como todo desatino,

concedo gozo,

sou tesão desmedida

em braços, pernas e amassos.

 

Foi no período entre os anos 1950 e 1960 que Carlos Zéfiro surgiu com suas historinhas em quadrinhos de cunho pornográfico. Pensa aí: se hoje já há esse pudor todo (ainda que manifestado como um falso moralismo), imagine antes? Pois é, Zéfiro foi considerado o responsável pela iniciação sexual da maioria dos jovens da época e, com isso, foi nomeado o mestre da sacanagem no Brasil. No entanto, sua identidade era escondida porque ele era um funcionário público e poderia perder seu emprego se descoberto produzindo um material “imoral”. Acreditem se quiser, mas dizem que ele só se apresentou após quase 40 anos.

HistoriaDoMeuCasamento1-19

 

Seus livretos eram vendidos em bancas de revistas, junto a artigos religiosos para dificultar os censores de encontrá-los, e, devido a isso, tais historinhas passaram a se chamar “catecismos”. Huuummm. Em outras palavras, nossos avôs foram catequizados por esse homem e tanto. E esses censores aí eram devido a época da ditadura no país. Nessa época, não havia muitos recursos tecnológicos, então a forma que os homens encontravam para sentir prazer era por meio da literatura e desenhos não tão bem feitos.

Os “catecismos” eram feitos diretamente sobre o papel vegetal e impresso em diferentes gráficas, de modo a gerar investigações para descobrir quem era o criador de tais despudores. Apesar disso, nada foi descoberto. Se pseudônimo, inclusive, foi inspirado em um autor mexicano de fotonovelas. E suas historinhas, convenhamos, até hoje deixa qualquer marmanjo tomando banho e lavando a mangueira na velocidade 6…hahaha.

Retirado de "A lavadeira", de Carlos Zéfiro.

Retirado de “A lavadeira”, de Carlos Zéfiro.

 

Diferente do pornô atual, a vantagem de Carlos Zéfiro é que ele trazia uma história e fazia com que os leitores treinassem a imaginação. Atualmente, é tudo muito real por meio de fotografias em close-up. Que não quer lidar com os profissionais da indústria pornográfica, encontra facilmente os vídeos amadores na internet. Aaaaah…internet! Esta leva qualquer um a acessar tal conteúdo a qualquer hora e em qualquer lugar, nada mais é proibido. Logo, como esse material naquela época não seria bom, hein? Ehlaiá, eu mesma seria catequizada igualzinho meus pais. Só o fato de comprar escondidinho já era uma delícia..hahaha. Fiquem com um historinha completa a seguir e se quiserem ler mais, acesse Carlos Zéfiro e divirta-se!

 

 

Não sei se vocês já ouviram falar desses emojis. Caso sim, já deve saber muito bem o porquê da sua existência; caso não, deve estar surpreso com alguns deles. Criados por uma ONG sueca, Bris, os “Abused Emojis” surgiram com o intuito de facilitar a comunicação de crianças e adolescentes em situações de violência doméstica. Tal ONG lida diariamente com situações como essa, dando suporte aos que precisam. Com isso, perceberam a dificuldade que há em comunicar questões que lhes sejam difíceis, dolorosas ou perigosas. Ao saber desta nova linguagem virtual, buscaram adaptar-se a ela conforme segue a imagem abaixo.

abused_emojis

Imagem: divulgação.

De acordo com a Bris, conforme relatado na Folha de São Paulo, o resultado dos novos emojis foi positivo porque o app, que permite instalá-los, foi o terceiro mais baixado na Suécia logo após o seu lançamento que ocorreu em maio deste ano. Em 6 de julho, já havia 60 mil downloads e cerca de 34 mil deles em outros países. Disponíveis apenas para IOS, já foi divulgado a sua breve disponibilidade para o sistema Android, Caso você resolva obtê-lo agora, saiba que independente do destinatário ter ou não o app, ele poderá ver seus emojis caso você os envie.

Em entrevista para a Huffington Post, Silvia Ernhagen, diretora de comunicação da ONG Bris, assume haver preocupações no que concerne a este app. Uma delas seria a possível exposição do aparelho ao adulto que seria capaz de ver tal aplicativo instalado. Entretanto, certos receios não inviabilizaram sua criação. Eu achei super interessante isso, afinal, é preciso adaptar-se aos diversos meios de comunicação para conseguir êxito em quaisquer esferas e eu, é claro, não quero ver nenhuma criança e adolescente sofrendo por não conseguir se expressar.

A gente sabe que esses emojis não serão a solução para todos os problemas, mas podem aumentar os índices positivamente junto a ONG e a outros órgãos em diferentes países. Vamos torcer por isso, não é? Para baixar o app, basta clicar aqui no Abused Emojis.

Sabe aquela vontade incomensurável de fazer algo e, inclusive, colocar aquilo como meta do ano? Pois é, este blog (ou site) é justamente o resultado de toda essa vontade. O Pudor Nenhum é um espaço para falar sobre sexualidade sem eira nem beira porque, como eu sempre me pergunto, para quê tanto pudor mesmo?

As pessoas se preocupam demais com o que os outros dizem ou pensam de si e, dessa forma, esquecem de viver com toda a liberdade que merecem. Então, vamos deixar de vergonha e compartilhar experiências. Vamos deixar “que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem?”. Sábio foi Lulu Santos com essas palavras e mais sábios ainda somos nós ao não darmos importância ao que pode nos afetar negativamente.

O Pudor Nenhum é liberdade com um pouco de libertinagem, é aprender com o outro e se conhecer, é compreender que a noção de pecado para a sexualidade pode ser algo ultrapassado e que a educação sexual é essencial. Quer saber? Fica aqui comigo e vamos provar, diariamente, o doce da cereja.