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Não é de hoje que as pessoas se entregam sentimentalmente pelos meios virtuais. Os papos, na internet, despertam paixões e suscitam quaisquer tipos de sentimentos nos envolvidos. Há total informalidade e intimidade em cada palavra trocada e no passo a passo compartilhado por meio de fotos. Assim, mesmo sem conhecer pessoalmente, o outro sabe tudo sobre você – até mesmo quais pintinhas você tem no corpo. As pessoas passam a confiar e entregam todo  o seu cotidiano, angústias, traumas e frustrações, além de um amor que chega ao patamar de ser considerado sem limites.

Pessoalmente, olho nos olhos, essa tarefa não é tão fácil, não é? Claro que não. O próprio ato de falar ao telefone já é mais inibidor do que enviar um áudio pelo Whatsapp. Com isso, as pessoas se acomodam e se entregam virtualmente. Quando rola o encontro, nada há mais que se esperar do outro… somente uma beleza exterior, antes pintada pelas fotografias. Encontrar a pessoa pessoalmente é medir tudo o que antes era visto mais pela imaginação. Em outras palavras, não é tarefa fácil. E, por isso, os encontros reais possuem chances de durarem menos do que os virtuais. Nesse contexto, há uma comodidade e satisfação maior em se permitir pela internet em detrimento do ao vivo e a cores.

Os resultados de tudo isso estão no fato das pessoas estarem muito afastadas e, consequentemente, mais frias emocionalmente – em contatos diretos. Lê-se mais “eu te amo” e “saudades”, porém, tais palavras parecem ter perdido seu valor literal e histórias são ditas por aí contrariando a veracidade das expressões ditas e repetidas em palavras mal pensadas. A imagem deste texto foi retirada de um Tumblr. Quem souber de quem é, me avisa que vou amar saber. Diante da discussão, quem nunca se envolveu por alguém pela internet? Eu já.  Se quiser contar a sua história pra gente, fique a vontade que iremos adorar!

Ao ler este título, pode ser que você se revolte e diga que a traição não é legimitada porque você, em hipótese alguma, aceitaria que seu namorado ou marido a traísse. No entanto, quando eu escrevo sobre o assunto, não estou me referindo simplesmente a uma aceitação, mas sim ao modo como a sociedade encara esta situação que coloca em risco o relacionamento monogâmico. Culturalmente, a monogamia se estabelece na relação entre duas pessoas que não aceitam um terceiro entre eles. Pode-se dizer que é um relacionamento fechado para outras possibilidades e, por isso, a traição seria justamente a quebra de confiança entre os dois pela inserção de outro entre eles. Devido ao contrato implícito que existe entre o casal, essa inserção é feita de forma escondida e, quando descoberta, machuca bastante o que se sentiu à margem do acontecido.

Por diversas razões que são impossíveis elencar porque cabem a cada sujeito, individualmente e conforme suas circunstâncias, o homem parece está subjetivado no lugar daquele que trai. Em quase toda estrutura familiar, uma mulher precisa lidar com o fato de que o marido a traiu porque “não vale a pena terminar apenas por isso, já que ele é um homem tão bom” ou “Só não aceitaria se ele me traísse com outro homem, igual aconteceu com Joana”. Assim, mulher nenhuma leva fama ruim por ter sido traída. Pelo contrário, falam que “todo homem é assim”, “nenhum homem presta mesmo” e “não coloco a mão no fogo por homem nenhum”. E se você disser que não foi traída, ainda é obrigada a ouvir um sorrisinho de sarcasmo que soa como um “você que pensa”.

Tudo isso e mais um pouco do que eu presencio no dia a dia me fazem pensar no quanto nossa sociedade é machista e privilegia o homem nas relações interpessoais. O homem tem o privilégio da transgressão e há todo esse discurso que o coloca como um ser não muito confiável no que concerne a relacionamentos porque dizem que é da sua natureza ser assim, logo é possível pensar que há uma legitimação deste em nosso meio social. Caso a mulher atue neste papel, ela será julgada negativamente das mais diversas formas e o homem será visto como covarde, besta e corno. Um outro exemplo do que pode acontecer em relacionamentos onde ocorre traição é o do filme A Casa de Alice, de Chico Teixeira, sugestão que dei para assistirem este fim de semana.

No filme, é possível acompanhar uma família em decadência. Ele a trai e ela também faz isso com ele. Assim, vivem um casamento em pleno caos para manter a instituição familiar segundo o modelo tradicional que a institui enquanto monogâmica. Romper com isso legalmente e buscar seguir uma outra vida, principalmente quando os filhos estão inseridos nisso, é uma atitude muito difícil. Depois de tudo o que eu disse, o que você me contaria? Adoro ouvir opiniões, viu?

Há 15 dias, eu estava em Salvador e é claro que – em cada muro escrito, pichado ou carimbado com eroticidades – eu precisava fotografar para mostrar-lhes. Meus olhos brilhavam quando via sexualidade e autoafirmação pelas ruas, é aquela coisa de realmente se encontrar. Como vêem na imagem acima (e em todas as outras..rs), a apropriação da mulher fica bem clara. Ela é dona dos seus prazeres e possui a liberdade para se soltar das amarras de uma sociedade machista. Esse imperativo “Libere a Maria e o Orgasmo!” é mais do que certo e tem tudo a ver com o Pudor Nenhum até porque quem vos fala é uma mulher que se declara livre, apesar de alguns grilhões que a vida lhe coloca.

A imagem abaixo me deixou surpresa pela sutileza da imagem em contraste com a expressão “Xotas livres”. Em outras palavras, remeteu-me ao fato de trazer uma representação de leveza – costumeiramente relacionada ao sexo feminino, que é a borboleta – e de mostrar que a mulher pode se expressar como ela quiser porque o corpo é dela (simplesmente). Independente de ser xota, perseguida, xibiu, boceta ou o que mais você quiser falar – quando a questão envolve a si mesma, ela se refere como quiser e isso é uma delícia.

 

Xotas livres @muronacara

Muro carimbado na praia da Barra, em Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

 

O @muronacara me era desconhecido, então resolvi pesquisar e me deparei com o Instagram Muro na Cara e mais uma série de imagens no Google. Não entendi completamente qual o objetivo deste movimento, mas percebi que tem muito a ver com o dizer o que quer, escancarar verdades e mostrar-se liberto de moralismos. Isso tudo já é muito bom e me deixa de olhinhos brilhando. Além do dito, acima da imagem, falar de toda essa autoafirmação feminina é lidar com o empoderamento da mulher, que significa uma transformação no conceito que ela tem de si na sociedade e isso altera, em muito, a sua autoestima. O não empoderar-se nos torna submissas e submissão, em nosso dicionário, só se for no sadomasoquismo, né?

Para encerrar, esta próxima imagem também é uma lindeza e até relembra o texto “A masturbação é uma forma gostosa de conhecer o próprio corpo“, publicado dia desses, aqui no Pudor Nenhum. Como sabemos, o ato de se tocar sexualmente favorece que nos conheçamos e entendamos como nosso corpo funciona ao receber prazer. Em outro sentido, a frase “Menina, se toque!” pode se referir ao fato de abrir os olhos e não se permitir ser violentada. Quem disse que somos sexo frágil é porque não pensou duas vezes. A delicadeza com que nos vestem vai além do que realmente somos, tô mentindo?

 

Parede da Uneb/campus Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

Parede da Uneb/campus Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

 

Espero voltar em Salvador ou andar por outros lugares e encontrar dizeres como esses pelas ruas. Claro que constituem uma poluição visual, mas mostram que existem pessoas com pensamentos maravilhosos por aí e isso me deixa feliz e menos culpada com a questão ambiental. Se passarem por algum lugar tão lindo quanto os que eu passei, tira foto e compartilha conosco que irei (ou iremos) adorar!

A gente sempre tem um desejozinho, lá no fundo, de poder fazer tudo o que o nosso corpo e a nossa imaginação mandar. É aquela vontade de libertar-se das amarras dos pudores e de, em um dia quente, sair nu (ou nua) por aí ou até mesmo tomar um banho de chuva sem roupa alguma para lavar até a alma. Às vezes dá vontade de puxar aquela delícia que tá passando em sua frente e beijar gloriosamente ou de transar em locais públicos sem preocupação alguma se alguém está olhando. Vontade de não usar soutien e vestir saia sem calcinha pra ter toda aquela liberdade e sensação entre as pernas ou, mesmo, não usar cueca mais e colocar saias como as mulheres.

Nas privações impostas pela sociedade, encontra-se o desejo da libertinagem sob a pele. E, então, você se imagina numa orgia cheia de gente bonita ou em um mènage à trois com aquelas duas pessoas que estão no seu álbum de pegações faz tempo. As regras, que nos são colocadas, afloram nossa sexualidade e intensificam nossas fantasias. Desse modo, nossos sonhos se tornam mais eróticos – quando não, pornôs. E, assim, a gente pensa que este pacote inclui algumas atitudes que, quando não tomadas, fazem com que nos arrependamos um pouquinho pelo excesso de pudor que nos inviabilizou realizar certas coisas e ter o êxito desejado.

Conciliar nosso instinto sexual com as leis morais é buscar a medida certa na balança e isso não é uma tarefa fácil. Equilibrar-se com vontade de se elevar em vontades é o mesmo que sofrer um pouquinho em silêncio. Porém, se as coisas não fossem assim, como seriam? Uma desordem total. Um filme pornô sem precedentes. Não haveria nada na vida, só gente ousada coisando e fazendo filho. Estou falando isso brincando, pois sabemos que nunca chegaríamos a este extremo, mas tocar nesse assunto é sempre legal para que vocês parem de achar que o espírito libertino é apenas seu. Bem, quem nunca pensou inúmeras ousadias que atire a primeira palavra porque eu duvi-de-o-dó.

Ei, moça, me diz uma coisa: Você se masturba? Já se masturbou? Muito, pouco ou nunca?! Esse é o tipo de coisa que nunca falamos, não é? O sexo da mulher sempre foi algo que deveria ser escondido. Desde criança, não podemos ficar de calcinha na frente dos outros; os seios começam a apontar e logo temos que escondê-los. A nossa sexualidade precisa ficar bem escondida e ninguém fala nada sobre o tocar-se, inclusive pensar em colocar a mão lá (a não ser na hora do banho para higienização) é pecado. Independente da religião (ou da falta dela), a maioria das pessoas vivem com o peso do cristianismo e o moralismo torna-se a palavra mestra a guiar ações e atitudes. Nosso corpo, portanto, só pode ser compreendido sexualmente após a adolescência.

Apesar de todo o silêncio em torno do nosso sexo, a maioria das mulheres começa a sentir o prazer entre as pernas ainda criança. Começa com aquele travesseiro ou ursinho de pelúcia. Começa quando algo esfrega – ainda que inconscientemente – pela região sexual e o prazer advém. Se é bom, a tendência é continuar e o ato ir tomando outras proporções até que surjam outros meios que explicitem melhor o assunto. Neste sentido, o erótico e o pornô possuem seu papel. Quando descobrem possibilidades de inserir algo na vagina, tudo o que tem formato cilíndrico passa a ser almejado em casos de sexualidade bastante aflorada ou até mesmo por curiosidade. E ainda assim, a busca do prazer permanece sendo considerado imoral; sem contar que há quem se desculpe em oração a cada prazer provocado por dedos e quetais.

A masturbação feminina é a coisa mais linda que existe porque é o nosso primeiro momento consigo mesma, é aquela coisa que a gente faz sozinha e que permite nos conhecermos um pouco mais. Em alguns casos, os pais conversam com as meninas sobre esse auto conhecer-se… mas não é algo comum e, aos que fazem, parabéns. Falar sobre o assunto com as filhas é oferecer-lhe mais segurança e fazer com que ela tenha consciência de que não está fazendo nada de errado, pensar assim evita sofrimentos presentes e futuros. Pense nisso!

 

 

Passou o São João e já estamos em Agosto. Passou aquela onda de forró pelo centro da cidade, nas casas entreabertas e nas portas das escolas. Passou aquele calendário, onde eu escolhia dançar no dia em que eu queria e no lugar que me desse mais vontade. Passou a euforia do povo, bem como a minha time line cheia de músicas de forró e de compartilhamentos de festas de camisa cujos vestígios de um forrozinho estavam em meio ao arrocha, axé, pagode, sertanejo e por aí vai – quer dizer, acrescento o funk.  Enfim, passou o período junino e já estamos pra lá do meio do ano, mas uma coisa continua: a possibilidade de dançar forró e se aconchegar no outro. Neste inverno, melhor ainda.

Assim como em algumas tantas cidades do Brasil, Vitória da Conquista (BA) tem começado a adquirir a tradição do forró. Este fato se deve ao Projeto Roda de Forró, realizado pelo Trio Aconchego e Lua Ife, além de contar com a presença de Vinícius Gomes que propõe uma aula de forró em cada encontro. Com a intenção de integrar as pessoas em um ritmo tão gostoso, o projeto acontece em bares e pontos diferentes da cidade.

Tanto quanto fazer amizades, a roda tem sido uma forma de elevar a autoestima e paquerar um pouco. A dança possibilita o encontro de corpos, a boca perto do ouvido do outro, a mão na nuca ou na cintura, o cheiro no cangote e o favorecimento de pequenos elogios. Isso tudo é tão evidente que há uma vertente no forró chamada “cretinagem”, referente ao uso de estratégias para conquistar o outro ao som deste ritmo contagiante. E não foram poucas as vezes em que eu ouvi as pessoas agradecerem por fazer parte do grupo da roda. Bom demais, não é? Ah, e também não foram poucos os casais que eu vi se formando nestes encontros de forrozeiros.

Para jogar o charme às noites e descobrir-se sensual, vai prum forrozinho danado de bom. No Costinhas do Alto Maron e no Argentino’s sempre está rolando nos fins de semana. Para completar, nas quartas-feiras há sempre um canto com a galera da roda sensualizando em passinhos bem marcados. A programação forrozeira está disponível no Forrozeiros Vdc.  Para aprender a dançar, aulas rolam por aí. Mas eu vou te dar uma dica: sentir a música e o parceiro (ou parceira) é a forma mais gostosa de balançar o esqueleto.

O dia estava quente, a roupa leve sobre o corpo e as mãos não paravam. Havia muito trabalho, muita fome e sede para fazer tudo a contento e terminar o dia com passos descompassados. Aquela coisa de leveza, de dança e de liberdade sussurrava em meu ouvido com uma angústia alegre. Meu dia estava antitético. Não havia nada marcado, meu cabelo estava desgrenhado, minha pele ressecada – mas eu pensava: nada que um óleo de banho não resolva. E, assim, sorria porque era sexta-feira e no dia seguinte e no outro não trabalharia. Era certo que os próximos dias seriam de filme e delícias que iria fazer..nhaminhami.

Ops. Havia uma coisinha importante: era o dia do orgasmo. Ela sabia que era só uma data comercial e que não seria por ser tal dia que iria transar e ter um orgasmo, afinal, já havia tido um na semana passada com um P.A. lindo. Uia. Ainda assim, para não ficar de fora, compartilhou nas redes sociais para que todos aproveitassem o dia da melhor forma possível e compartilhou a hashtag #diadoorgasmo várias vezes no Twitter, inclusive disse que iria curtir muito a noite e sugeriu vários orgasmos. Quem a via falar, acreditava que sua noite seria de multiplicidades.

À noite, chegou em casa doidinha pra ligar a tv. Colocou na Netflix e assistiu uma animação de Tim Burton – Frankenweenie. Inclusive morreu de amores, achou lindo de morrer e, logo depois, dormiu. Não teve orgasmos. Mas, no outro dia, ela amanheceu amando o tudo porque era sábado (dia de não trabalhar: vale a pena salientar!). E, assim, desejou bom dia para todos os seus amigos virtuais e whatsappianos. Todos pensavam que ela tinha tido uma noite de selvagerias, ela não deixava claro o contrário.

Assim como ela, muita gente deixou transpor isso e, por seu exemplo, desconfiava de todos. Com tudo isso, pensava que um dia dedicado a isso era apenas um dia como qualquer outro. Dias de orgasmo acontecem de repente, dia e hora marcada é para os fracos.