HomeSexo e Sexualidade (Page 25)

De repente, você conhece alguém e esta passa a ser a pessoa da sua vida. As primeiras vezes acontecem com ela, desde as confidências às experimentações de alguns sabores que o viver oferece. Os sorrisos passam a ser compartilhados e nada passa a ser tão gostoso de lembrar do que o abraço e carinho por ela emanados. Não seria de estranhar que após algum tempo de chamego, você reconhecesse que aquilo era a tal louca paixão porque, simplesmente, você passa a não reconhecer distâncias. Sabe aquelas coisas que nunca poderiam ser superadas por causa disso e daquilo? Elas simplesmente deixam de ser barreiras e todo medo passa a ser coragem. No entanto, as circunstâncias começam a apontar outros caminhos.

Ele passa em um vestibular fora e você começa a trabalhar um pouco mais do que anteriormente. Vocês passam a se encontrar menos e a conhecer pessoas diferentes. O foco começa a ser outro e o coração, apesar de acelerado a cada reencontro, passa a perceber que aquilo não era simples paixão. Sendo assim, chamam de amor. Amar, então, torna-se sinônimo de querer bem – independente de estar ou não com a pessoa. As lembranças despertam sorrisos e fazem os olhos brilharem. O pequeno ato de conversar, até mesmo pelo Whatsapp, passa a representar novos e melhores passos. É desse amor que sustentam-se as amizades.

Quando tudo entre os dois passa a ser amor, a emoção tira a coroa e a razão tira os sapatos. Isso tudo só acontece porque amar exige ver a felicidade do outro. Não estar mais contigo não é uma questão de não gostar, mas sim de não mais estarem na sintonia dos passos – no que concerne a sexualidade. Quando há uma química amorosa dos dois que converge para este ponto: não há dúvidas de que uma amizade permeará entre eles e que será uma pessoa com quem sempre poderá contar em qualquer momento da vida. Isso acontece por haver o reconhecimento da importância de um para o outro no decorrer da vida e por sentirem os pés no chão, evitando idealizações desnecessárias.

É por isso que adoro as chamas da paixão, mas amo mais ainda o amor que sinto por mim e pelas pessoas. Quando eu encontrar alguém para dividir a vida comigo, espero que seja para sentir os pés no chão. Reconhecer todos os defeitos e, ainda assim, continuar gostando do mesmo jeito. Isso, sim, é plausível e nos permite uma entrega pra vida inteira.

A gente não some porque quer. Há sempre toda uma história por trás disso e, em cada história cotidiana, é possível encontrar suspeitas e certezas de que uma semana longe do Pudor Nenhum é significativo o bastante para passar batido. Infelizmente, não vou poder contar que estava curtindo as sensações carnavalescas da pele nem atiçando os ouvidos com sussurros. Não, eu não estava carmim. Em momento algum, coloquei meu batom vermelho ou escureci meus olhos para aprofundar o olhar. Posso dizer uma coisa: estava bege.

O bege é uma cor sem sabor e sem quê nem pra quê, mas foi assim que eu me encontrei. Estudos, trabalho e problemas de saúde inviabilizaram-me publicações inspiradoras. Eu adoraria ter chegado aqui cheia de novidades e ter me vestido de selvageria durante este tempo, mas fui trouxa e me rendi aos desmandos de uma vida tipicamente urbana. Não houve nem um papo mais saliente trocado virtualmente, foi tudo muito igual e as malícias estavam na vontade de voltar pra cá e dizer pra todo mundo se foder e me carregar junto. Precisava e ainda preciso muito disso.

Eu preferia estar carmim, mas eu estava bege. Agora que o tempo me deu um help, as coisas voltarão para seus trilhos. Pode vir, olhar, participar nos comentários, enviar-me e-mails e dizer todas as suas malícias, estou aqui para isso: para ser um pouquinho de cada um nessa representação que se despe costumeiramente de pudores.

Sabe aquela coisa de que todo homem deve pagar as contas quando o casal sai? Pois é, esse é o questionamento básico que separa uma mulher independente de todas as outras. Em nossa sociedade, uma coisa é certa: ao homem, cabe o papel financeiro. Ele quem deve pagar toda a conta em cada saída de ambos e, ao morarem juntos, ele quem deve pagar todas as despesas da casa. O pior é que isso acontece, ainda que ela venha a trabalhar. Isso ocorre devido a aceitação da mulher e à cultura que coloca o homem em uma situação de privilégio.

Você talvez diga que não há um privilégio nisso aí, mas pensemos bem: nossa sociedade é capitalista e a máxima acaba sendo a do “manda quem tem dinheiro”, então por que não compreender tais circunstâncias desse modo? Mas não duvido nada de que você rebata isso me dizendo que a mulher ganha menos do que homem e blablabla, só que eu fico me perguntando: Você concorda que seja assim? Por que não lutar para que isso mude? Além do mais, ganhar mais te impede de dividir os gastos? Nesse sentido, sempre pensei que se os dois comeram, então por que o homem precisa arcar com todos os custos sozinho? Pensar dessa forma, aponta-nos como independentes, ou seja, não precisamos do outro para sair de tal lugar ou adquirir algo. A gente simplesmente paga o que consumimos e acabou, a parte dele é dele.

A mulher independente, portanto, assusta porque ressalta a não acomodação da mulher e rompe com a ideia de que o homem é o dono do pedaço. Ela sabe que, a qualquer momento, pode pagar a sua parte, levantar e ir embora se a conversa estiver chata. Sabe, também, que não depende dele para nada e que suas decisões podem ser tomadas na hora que der e vier. Ele, sabendo disso, passa a ser mais cuidadoso no seu trato e compreende que o fato dela ser tão livre exige mais dele. E, esse mais, nada tem a ver com as questões financeiras porque ela também opta dentro das suas possibilidades.

Quando uma mulher é livre, em todos os sentidos, não precisa brigar por pensão – que, inclusive, é o dinheiro que ele recebia para mantê-los. Nesse contexto, romper os vínculos acaba sendo uma tarefa mais fácil. Não precisa, também, prestar contas nem pedir nada a ninguém. Tudo o que der vontade, faz. Afinal, o bolso é seu e você coloca ou tira a mão dele quando quiser. Para você ver: a independência está totalmente ligada ao dinheiro, é inevitável. Vincular-se a alguém por causa disso é prender-se a ela. Para quem submete, isso é bom porque tem o outro na palma da mão. Para quem está submetido a isso, não é tão gostoso já que a dependência traz outros aspectos que não são nada benéficos para si mesmo.

Se ser assim, liberta do homem, acarretar em afastá-los, então não se preocupe porque homens que têm medo de viver em par de igualdade não valem a pena. Para toda panela, existe uma tampa. Logo, você achará a sua e a relação entre os dois será bem melhor e mais sadia. Submissão é uma palavra que, como eu sempre digo, só é legal no sadomasoquismo. Fora isso, sejamos cúmplices um do outro e deixemos de bestage.

 

Sabe quando você está em sua timeline, no Facebook, e de repente se depara com imagens lindas sendo espalhadas em algum canto do Brasil? Foi assim que aconteceu comigo ontem. Uma pessoa querida, que mora na capital cearense, está realizando uma intervenção com mais dois amigos. Sem um nome definido por não se tratar de um projeto, preferem dizer que são ações em prol do respeito ao próximo e das mais variadas formas de pensar e agir.

Jadiel Lima é um estudante de jornalismo e Sarah Rodrigues cursa agronomia, ambos na Universidade Federal do Ceará. Para completar a tríade dos idealizadores deste belo trabalho, temos o tatuador e ilustrador Renan Feitosa. De acordo com eles, a ideia é envolver mais gente a cada vez que marcarem as intervenções e, principalmente, meninas. De acordo com Sarah, tudo surgiu a partir da observações de espaços da praça do bairro em que frequentam. Ela completa que

Lá tem uns gramados, um half pipe enorme e é frequentado pela juventude do bairro. Aí surgiu na ideia de dar mais cor e vida cultural e política nesse espaço, uma expressão de um movimento e uma vida que já existe.

 

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As imagens são pôsteres lambe-lambe. Para quem não sabe, estes possuem tamanhos variados e são colados em espaços públicos de modo mais econômico. E, inclusive, por não envolver muitos gastos que têm feito parte da arte urbana contemporânea. Além do mais, os desenhos são feitos pelos três. Sarah completa que “O Renan e Jadiel já têm uma naturalidade maior nessa parte de criar porque já fazem isso da vida, digamos. Jadiel publica as tirinhas dele há um tempo e o Renan é tatuador/ilustrador. Pra mim que tá sendo um processo bem novo e lindo. Sempre fui apaixonada por desenhar, mas tenho até hj muita vergonha de mostrar. Fazer esse trabalho na rua é até um grande exercício, sabe? Haha”.

 

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Em relação a aceitação, eles perceberam um certo estranhamento entre as pessoas no momento da colagem. Entretanto, ao verem os desenhos prontos, acabavam ficando mais tranquilos e conversando sobre a arte que lhes era apresentada.

Na última intervenção, o Renan fez um lambe de uma moça levantando o vestido e aparecia um pedacinho da bunda da indivídua. Aí arrancaram essa parte do lambe… rs.

 

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As imagens estão no bairro Parangaba, em Fortaleza. Como vêem, as imagens são pura inspiração e nos permitem proferir um discurso lindo a respeito das mulheres, do corpo e da liberdade. Quem tiver interesse de conhecer e participar, é só deixar um comentário aqui e eles entrarão em contato com você. Agora, suspire e suspiremos.

Não é de hoje que a questão do preconceito me traz reflexões. Nunca consegui compreender o porquê das pessoas não aceitarem o outro por uma característica externa, uma doutrina ou qualquer coisa que lhe seja particular. O preconceito, como o próprio nome diz, é uma ideia ou conceito pré-concebido sobre alguma coisa. É julgar sem antes conhecer e usar da ignorância para impor sua forma de pensar. Estou falando isso devido a algumas histórias que acontecem comigo devido a cor da minha pele. Na maioria das vezes, acontece de modo silencioso. E não só porque acontecem comigo, mas por ver outras pessoas compartilharem histórias parecidas. Logo, são exemplos que se repetem cotidianamente.

A questão racial está intimamente ligada a trajetória histórica do nosso país. Índios foram violentados e violados (inclusive sofrem muito preconceito até hoje e seria muito legal um dia poder conversar com um descendente direto para saber como isso se dá). Negros foram trazidos como objetos e sofreram em nossa terra. Após o período escravocrata, quem formou as favelas e permaneceu sofrendo com todo o seu passado? O negro. Estatisticamente, são eles que ocupam, majoritariamente, a classe mais desfavorecida da sociedade. Com isso, também possuem menos oportunidades.

Para ser mais específica neste assunto, pensemos no quanto é comum pensar que João ou Maria trabalham naquela casa como auxiliar de serviços gerais  porque são negros, que ele está ali naquela casa de material de construções porque é empregado e atua no serviço braçal. Caso tenha uma condição notavelmente melhor, há que certificar-se primeiro para depois poder manter um diálogo maior e mais íntimo. Se for homem, pode ser que ele seja bem financeiramente porque mexe com algo ilegal; caso seja mulher, nem sei o que devem pensar. Acontece que pelo fato de ter uma pele escura, a pessoa sempre é julgada como se isso a tornasse diferente dos outros.

Além do que citei acima, existe a hipersexualização do negro. O homem é sempre visto como aquele que tem um pênis grande e grosso; a mulher como aquela que é quente na cama e cuja pele é tida como da “cor do pecado”, conferindo-lhe um ar de pecaminosidade. Esses estereótipos colocam-nos como impróprios para o matrimônio e propícios às relações casuais. Segregá-los a tais pensamentos é ser preconceituoso e esta perspectiva de pensamento está clara nos meios sociais, basta prestar atenção no que as pessoas dizem por aí, olhar mais atentamente ao seu redor e atentar-se às telenovelas e programas televisivos, bem como polêmicas a respeito. Assim, você vai saber do que estou falando e ser mais cuidadoso para não fazer perpetuar algo que soe preconceituoso.

Gente, vocês viram essa propaganda publicitária da Bombril? Em uma das falas, Ivete Sangalo diz que “A gente arrasa no trabalho, faz sucesso o dia todo e ainda deixa a casa brilhando. É por isso que toda brasileira é uma diva”. Essa concepção construída historicamente sobre a mulher tem buscado outros rumo e se desmistificado cotidianamente. Ainda assim, é uma tarefa difícil porque, na mulher, está encrustada a ideia de que a casa e os filhos sempre serão obrigação dela.

Por meio de movimentos feministas, algumas conquistas têm sido alcançadas ao longo do tempo. Para quem não sabe, a mulher não tinha direito de fazer sexo por prazer nem de votar em um governante para o país. A coisa era barra pesada. Para ela, os papeis eram apenas de reprodução e dona do lar. Com a necessidade de ir trabalhar fora, tais papeis permaneceram, ou seja, não houve uma divisão igualitária do trabalho nem um repensar sobre a mulher. Numa sociedade machista, não haveria razão de se mudar isso, não é? Veja a propaganda abaixo!

 

 

A mulher, portanto, passou a ter uma tripla jornada de trabalho. Para quem pensa que isso é moleza, engana-se. Trabalhar fora e manter a casa arrumada não é um trabalho fácil e não deve considerada a razão para sermos divas. Ser diva é se mostrar mulher, independente de como se lida com as tarefas diárias. Propagar uma ideia, tal como foi feito pela marca, é afirmar que tais papeis devem prevalecer e, praticamente, demonstrar que a gente está satisfeita com isso e se achando um sucesso.

Quem disse que amamos isso? A gente se acaba com uma rotina dessa. Se pra ser diva for assim, preferia não ser nada. O tempo passa que a gente nem vê. O cansaço nos toma. Quando chega a noite, ainda querem uma noite de sexo selvagem como se nosso dia tivesse sido tranquilo (até porque tarefa de casa não é considerada quase nada no imaginário popular). A rotina da mulher nunca precisou e mereceu ser essa. Todos nós temos braços e pernas iguais para dividirmos as tarefas do mesmo modo, sejam elas domésticas ou não. Todo mundo consegue lavar prato, limpar banheiro e passar pano na casa do mesmo jeitinho.

A partir disso, Dani Calabresa – nesta propaganda – também disse “Toda mulher é uma diva, e todo homem é ‘diva-gar’ [devagar]”. Com o orgulho ferido, homens queixaram-se e consideraram a campanha uma ofensa. Com isso, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu um processo para julgar o caso. Em vez de as mulheres tomarem essa atitude, os homens que pegaram a frente. Oh, esse assunto dá pano pra manga. Disse o que acho e agora quero ver o que vão continuar  falando por aí porque, sinceramente, se os meios publicitários agem assim é porque ainda será preciso muita luta para mudar este cenário. Desconstruir essa ideia a respeito de homens e mulheres é mais do que preciso, é essencial.

Eu nunca consegui entender o modo como os religiosos católicos e protestantes interpretavam a Bíblia. Ao mesmo tempo que falavam de amar e respeitar o próximo, criticavam-no. E, nesse ato de crítica, humilhavam e inferiorizavam o outro apenas por ter crenças diferentes. Um claro e atual exemplo disso diz respeito aos transgêneros, pessoas que expressam o seu gênero de forma diferente a que lhe é designada em seu nascimento.

Os transexuais, atualmente, são o assunto da vez. Chamamos, desse modo, aqueles que possuem transtorno quanto a identidade de gênero e, com isso, sentem desconforto ou impropriedade com seu sexo anatômico. Assim, passam pelo processo de transição para um gênero diferente do que lhe é imposto por meio do auxílio médico e tratamento de hormônios. No entanto, muitos não entendem que esta é uma realidade inerente ao ser humano que não o faz ser diferente de ninguém.

Com um discurso que os desconsideram, julgam-nos seres de natureza infiel. Por ignorância, não aceitam que cada um nasce com uma identidade e que isso independe de escolhas. Como uma forma de mostrar o quanto sofrem com o preconceito, Viviany Beleboni na 19º Para Gay em São Paulo, dia 7 de junho, colocou-se na cruz – assim como foi com Jesus Cristo – e assinalou os dizeres: Basta de Homofobia LGBT. Esse ato sucitou inúmeros lampejos de fúria. É aquela coisa: “Como pode um transexual querer se colocar no lugar de Cristo?”, “Que infâmia e que desrespeito!” ou “Usaram o nome de Deus em vão!”. E, então, eu me pergunto: Eles não são gente como qualquer um outro? É desrespeito realizar uma analogia para apontar um mau julgo, tal como o sentido por Cristo?

Para não acabar por aí, no dia 8 de agosto, Beleboni foi violentada ao andar na rua. E pior: a violência foi feita em nome de um deus que aceita atitudes como essa. Para falar a verdade, não sei que deus é esse e continuo sem entender onde se encaixa o amor e respeito ao próximo. O sentido de igualdade, pregado entre os homens, deveria ser algo real. O Pudor Nenhum não pode se calar nesse sentido e, por isso, irei falar mais sobre o assunto com vocês. Vamos tirar a ignorância de nossas gavetas internas e compreender as relações de gênero para sermos melhores em nossa sociedade, pode ser? Quem se cala demais, consente.