HomeSexo e Sexualidade (Page 23)

Dizem que eu sou puta porque visto roupa curta e, por isso, dizem também que estou mostrando o útero. Dizem que sou puta por usar um decote e deixar saltar os seios porque acreditam que meu salto me deixa desajeitada e meu cabelo jogado de lado é digno de uma prostituta – afinal, há estereótipos que perseguem muitos tantos. Se ser puta é vestir e jogar o cabelo como eu gosto, então sou puta sim.

Dizem, também, que sou puta em me esconder sobre roupas demais e depois falar putaria. Acreditam até que meu boquete dá de dez em qualquer profissional que abocanha diariamente. Que seja, que assim eu seja puta. Dizem, inclusive que meu batom em minha boca carnuda é, simplesmente, para chamar a atenção e coisa de quem é puta sem tirar nem por. Como eu já disse, se for assim, sou puta mesmo.

Minha putice está na boca dos desconhecidos que entendem minha escrita como pura pornografia. Se eu sou puta porque escrevo sobre sexo, coloco fotos semi-nua e escolho outras gozadas para aqui expor, que eu seja uma putinha com nome e sobrenome. Sou puta de classe com pedigree: não erro nos pontos, nas palavras e nas rimas desencontradas. Se tudo o que escrevo é falar demais e é me achar demais, então sou puta ao quadrado. E se toda provocação não se manifesta concreta, eleva à potência toda minha putice e me completa com um descarada – esta cabe no mesmo conjunto e sai da boca às cusparadas.

Eu sou puta porque tenho cara de santa, cara de ingênua e cara de menina. Seria puta, também, se tivesse cara de vadia e lambesse a ponta dos dedos como se lambe o sexo alheio. Sou vista como puta como quase toda mulher. Sou vista como puta como você pensa não ser. Sou apontada, mesmo sem ver. E minha mãe que nem faz parte da história, vira puta também.

Nunca reclamei de pau pequeno e os grandes que já peguei, sempre me caíram muito bem. Diante de tantas fotos e vídeos que vejo, acredito que nunca tenha pegado um tão grande ou tãããão pequeno assim. No entanto, tanto um quanto outro não costumam me atrair, mas tem algo que me enche a boca e que na hora da penetração eu amo: um pau grosso.

Quando ele é grosso, você enche a mão e ainda sobra mais um pouco. Você coloca na boca, chupa, lambe e se acaba sem que nem sempre precise colocá-lo todinho na boca numa garganta profunda porque você sente que aquela fartura pode ser apreciada demais com a língua e que ali você vai se demorar de qualquer jeito. Além disso, pra ele penetrar em você é uma tarefa mais árdua e isso é muito gostoso. Há um afrontamento da sua grossura com o seu buraquinho nada ingênuo e, quanto ele entra por completo, é só prazer.

Os finos não me dão tanto prazer porque entram e saem com uma facilidade que a gente, praticamente, não sente. Ele se acha no direito de abrir e fechar os pequenos e grandes lábios sem despertar tantos sentidos. Já peguei um pau que era grande e fino e, apesar do tamanho, ele não soube me surpreender justamente porque não tinha a largura que considerava suficiente para me adentrar da forma mais deliciosa.

Quero deixar claro que isso de grosso e fino pode ser relativo e isso de gostar de grosso também, sem contar que existem aqueles que consideramos ter grossura mediana e também gostamos. Contudo, pelo que já percebi, a maioria das mulheres estão comigo nesta escolha do grosso, por isso resolvi escrever sobre o assunto aqui no Pudor Nenhum. Independente de qualquer coisa, vem pra cá, chega mais, me chama de destino e me traça porque eu adoro.

Falar de intimidade é sempre complicado, inclusive já tentei fazê-lo algumas vezes aqui, no Pudor Nenhum, e sempre entrei em pequenos conflitos.O fato de eu ter trazido este assunto se deu por um momento simples em que um amigo com o qual já tive relações sexuais ter pedido que eu me virasse a fim de não vê-lo se despir para entrar no banho. Nesse momento, eu pensei: Mas a gente já não transou tantas vezes e eu não já o vi nu? Diante disso, fiquei me perguntando o quão ele me via íntima dele e o quanto o fato de termos transado se diferencia do fato de nos colocarmos nus, um diante do outro, em situações cotidianas. Neste sentido, lembrei no quanto isso me era presente. Por exemplo, eu namorava e transava todos os dias com meu namorado, mas, na hora de tomar banho ou de me trocar, não queria que ele me visse porque achava que o olhar seria mais atento e perceberia que meu corpo tinha imperfeições antes não vistas. Olha que bobeira! Depois de repensar muito e me sentir mais plena sexualmente, abri mão desses pudores.

A intimidade, ao meu ver, está muito relacionada ao modo como você se vê e como entende a relação com o outro. Se você se aceita como é e tem cumplicidade o suficiente, não há porque se envergonhar da sua nudez. Se ele (ou ela) te acha gostoso(a) e vocês se dão super bem, não é porque seu corpo está mais exposto que a pessoa deixará de achar tudo isso. E outra: você é visto com a mesma atenção e com mais detalhes quando o sexo está acontecendo. Inclusive, parece até paradoxal esse despudor e pudor que existem entre duas pessoas em situações tais. Entretanto, lidar com isso não é fácil nem é brincadeira, é algo que mexe com o psicológico e que se faz mais complexo do que imaginamos. Diante do que a sociedade nos impõe, o sexo passa a ser uma forma de mostrar a própria potência enquanto ser sexual e a simples nudez torna-se algo que passa por todos os padrões estereotipados.

De tudo, eu só sei de uma coisa: precisamos rever alguns conceitos que nos cercam e compreender o quão somos íntimos de alguém após o momento que saímos do ato sexual. Diante dessa colocação, eu te pergunto: a intimidade começa quando? Pergunte-se isso. Acredito que a ausência de pudor é tudo de bom e faz muito bem.

Sex Shop é aquele lugar que parece um paraíso, todo mundo tem vontade de entrar, mas nem todos tem coragem. Essa covardia está aliada aos julgamentos alheios devido ao fato de você estar adentrando em um local que é todo recoberto de sexualidade. Passar pelas portas de um lugar que vende produtos eróticos assemelha-se a expor a sua intimidade e ter a sua privacidade invadida – tais coisas são vistas dentro de um conjunto fechado por algumas chaves.

As pessoas, principalmente as mulheres, crescem dentro de um sistema que lhes inviabiliza quaisquer manifestações e possibilidades sexuais. Na relação familiar e ainda na adolescência, não é possível falar sobre o assunto perto delas nem ver cenas de erotismo na televisão ou até mesmo oferecer a oportunidade de momentos a sós com alguém do sexo oposto. Comigo, que sou mulher, bem como com minhas amigas e conhecidas foi assim – a mesma criação em seios familiares diferentes; já com nossos irmãos, a liberdade era maior e eles podiam – inclusive – dormir com suas namoradinhas em seus respectivos quartos.

Apesar da liberdade maior dos homens, ainda assim, entrar em um sex shop não é uma tarefa tão fácil porque o seu contato passa pelo outro e abrir a boca para falar de si neste quesito não é fácil para ninguém, especialmente se este outro for do sexo oposto. De acordo com um leitor, “Às vezes fico com receio das pessoas que passam e nos vêem lá dentro, principalmente se for uma mulher, e de ser atendido por uma; mas, pelo prazer, a gente encara tudo”.

Pela internet ou até mesmo em lojas físicas, os sexs shops trabalham com uma política de discrição, que é considerada essencial quando o assunto é sexo. No entanto, tais lojas não virtuais encontram-se em ambientes públicos e isso dificulta o acesso pelos que gostam de preservar sua intimidade. Quando se é evangélico, entrar em sex shops é algo mais agravado. Uma leitora disse ao Pudor Nenhum que “Eu tenho receio de entrar em um local desse e, quando sair, der de cara com alguém, principalmente com os evangélicos. Eu vou ficar muito envergonhada, principalmente porque ficam em locais públicos”.

Além desse julgamento como se um evangélico não tivesse uma vida sexual com o parceiro, há também a preocupação daqueles que são muito conhecidos naquele bairro, cidade ou estado. Uma leitora, portanto, enfatiza que “A minha questão é principalmente por ser uma pessoa pública e meu esposo também. Então, vamos supor que eu estou preparando uma surpresa. Se alguém ver e comenta com ele, isso pode gerar um desconforto. E tenho receio de também encontrar alguém na saída. Como são posicionados em locais de muito movimento, isso inibe entrar. Quando a gente fica sabendo de um vendedor individual ou de um sex shop itinerante, a gente fica mais à vontade”.

E é desse modo que tem surgido os sex shops itinerantes a fim de atender a demanda de mulheres e homens que optar por resguardar a sua privacidade. Esta tem sido uma das grandes apostas do mercado e o Pudor Nenhum, é claro, está entrando no ramo. Por enquanto, não venderei por aqui, mas farei resenhas dos produtos. Aos que moram em Vitória da Conquista, na Bahia, é só enviar um e-mail ou comentário que a gente troca figurinhas e se encontra. Para quem for de longe, faça o mesmo e daqui a gente calcula o frete e eu te envio com o coração maior do mundo. Farei também um grupinho no whats e será super sexcreto, ta? Quem quiser, é só avisar. Enquanto isso, vou aqui ajeitar todos os pedidos que vão nos dar o maior prazer com toda a discrição que precisamos. Nos reencontramos em breve!

 

Para ser sincera, eu não lembro exatamente qual foi o meu primeiro assédio, mas me lembro de alguns tantos que marcaram minha adolescência e me faziam ter medo de andar nas ruas. Sempre que via homens à frente, desviava ligeiramente. De preferência, atravessava a rua para não ouvir piadinhas e, ainda por cima, baixava a cabeça porque – de um certo modo – eu era colocada num papel que me inferiorizava naquele ambiente público.

Quando tinha lá para os meus 11 ou 12 anos, meus seios cresceram. Eu era uma menina franzina com os seios maiores que qualquer outra da minha idade. Uma vez, ganhei uma blusa cujo modelo era similar a um corpete. Minha mãe me pediu que fosse na mercearia comprar algo e, ao voltar, um rapaz bem mais velho passou por mim e sugou-lhe nervosamente a saliva, além de ter pronunciado algo como: “Oh os peito dessa menina”. Nesse dia, eu não sabia onde enfiava a cara. Senti vergonha e me silenciei. Tive receio que se falasse algo em casa, a culpa fosse colocada sobre mim que vesti aquela blusa para sair à rua – detalhe: a blusa não havia sido comprada por mim.

Além deste fato, lembro-me dos meninos que queriam passar a mão em minhas partes íntimas nas aulas em que os professores passavam filme. O escurinho propiciava a mão boba e eles, que não eram tão bobos, sabiam que existiria o meu silenciamento porque falar sobre o assunto faria com que eu fosse colocava numa situação do tipo saia justa. Se negassem a história relatada por mim, quem sairia com “fama ruim” seria eu.

Roupas curtas e decotadas eram motivos de andar praticamente correndo pelas ruas porque chamar a atenção pelo corpo nunca foi, para mim, sinônimo de beleza. Proporcionar os mais diversos tipos de palavras de baixo calão faziam-me temer qualquer aproximação com o gênero masculino. Cresci temendo ousar por causa do julgamento do homem e também familiar. Apesar de minha mãe ser mulher como eu, nunca consegui vê-la como a força que me diria “O corpo é seu, então não se importe com a opinião alheia”. Pelo contrário, ela traz em si este receio – que é fruto da nossa cultura. Logo, eu sou tachada antes de sair de casa se eu usar um decote ou mostrar muito as pernas porque lá fora há quem vai me julgar e, segundo alguns princípios, não posso nadar contra a corrente (Sabe de nada, inocente!)

Lembro-me também de uma vez que um colega na escola tentou me beijar e, no impulso, levantei a mão para bater na cara dele. Ele segurou minha mão e disse para nunca mais fazer isso como se eu realmente fosse inferior e tivesse que obedecê-lo. Prontamente, eu avisei que ele também não repetisse a dose. Apesar de temer e de silenciar, eu sempre fui muito de reflexo/impulso e, em alguns casos raros, manifestava-me até porque considerava o beijo como uma forma de ultrapassar todos os limites. Hoje percebo que todos os outros casos também eram ultrapassar limites, apesar de não haver o toque.

Cresci sentindo-me inferior à presença masculina. Cresci acreditando que atravessar a rua e abaixar a cabeça era a solução porque evitá-los era o meu papel. Cresci acreditando que se não houve o toque, o verbal poderia ser ignorado. Junto com isso, eles cresceram achando que poderiam falar o que quisessem e que – se não quiséssemos ouvir – era só atravessarmos a rua. Caso isso não acontecesse, seria – para eles – como se estivéssemos gostando. A resistência não fazia tanto sentido e ainda não faz. Muitos homens entendem o assédio como um elogio e pensa que nós somos ignorantes o suficiente para ter que aceitar algo – que nos é tão invasivo – como positivo. Tem mulheres que, infelizmente, ainda aceitam e baixam a cabeça porque – como eu – cresceu tendo que agir assim e – diferente de mim – não criou os anticorpos necessários.

Eu esqueci o meu primeiro assédio porque ele veio junto a uma sucessão de outros assédios que permanecem no meu cotidiano. Impossível saber quantas vezes já me chamaram de “gostosa”, disseram que iam “chupar minha buceta e lamber meu cuzinho”, iam me deixar de “perna bamba”, que sou “delícia”, que “até que é gostosinha” ou suportar o cara pegando no pênis e colocando-o pra fora para mostrá-lo em gestos mais que obscenos e por aí vai. Extremamente constrangedor, extremamente desnecessário e violentador. Eu sei e entendo as meninas que baixam a cabeça para tanto desrespeito verbal, mas hoje acredito que levantar a cabeça (pedir baixinho que o pau do cara nunca mais suba), não desviar o caminho e se possível dizer umas verdades é muito importante… até porque não devemos nada a ninguém e tais atos provam que somos mais fortes do que meia dúzia de insolências proferidas por eles. Digo isso a depender do lugar que estamos, viu gente? Se for num lugar deserto, esta atitude pode acabar no estupro que vai além das palavras, infelizmente.

Os grupos feministas nos ajudam a ter mais força, redirecionar nosso pensamento para a igualdade de gêneros e não inferiorização da mulher também é uma ótima válvula. Algo que não podemos nunca esquecer é que nossas filhas e filhos não podem crescer com o temor e o desrespeito pelo qual fomos submetidas. Então, façamos das próximas gerações agentes transformadores desta sociedade que ainda falta quase uma eternidade para se recompor.

 

 

Em sua sexta edição, a Semana da Diversidade LGBT continua sendo uma conquista e um momento em que todos juntam sua bandeira a favor de uma única causa: dar um tapa na cara da sociedade e mostrar que este é um assunto que deve alcançar os mais variados âmbitos, inclusive o político. A Coordenação LGBT de Vitória da Conquista (Ba) em parceria com alguns movimentos sociais, é quem vai promovê-la entre os dias 1 a 15 de novembro deste ano. 

Nos anos anteriores, acompanhei a Parada do Orgulho LGBT. Então, quando soube como seria este ano, fiquei bestinha porque percebi que haveria um espaço mais longo para discussões. Confesso que me perguntei como dormi tanto tempo no ponto para não ter percebido momentos como esse nos anos anteriores, mas Gisberta Kali, uma das organizadoras do evento, me situou melhor a respeito do assunto e disse que eu estava certa – é a primeira vez que há a semana da diversidade na cidade.

 

Tentamos promover um evento que fuja ao ritmo apenas carnavalesco, festivo que as manifestações do orgulho LGBT têm feito, o que implicou num investimento em formação política, através de seminários, rodas de conversa, inclusão de identidades a marginalizadas em lugares que não sejam apenas o do espetáculo. A discussão passa pelo eixo temático do direito de ser humano, tendo em vista desmistificar os discursos sobre o que é ser LGBT numa sociedade violenta, heteronormativa. É, pois, repensar a categoria do corpo abjeto à qual somos subjulgadxs cotidianamente.

 

LGBT, como todo mundo deve saber, é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros  e representa um movimento que luta pelos direitos de ter uma vida comum e sem pré-julgamentos por conta da sua orientação sexual. Como ressaltou Gisberta, um movimento como este precisava de um espaço para aprofundar suas discussões e situá-los na conjuntura social em que estamos inseridos.

O preconceito, que sofrem diariamente, rompe com os direitos humanos e parece fortalecer o discurso que sobrepõe a violência a favor do religioso ou seja lá de quais pensamentos sejam sustentados e defendidos. A intenção desta Semana será justamente legitimar a luta contra a homofobia por meio de um discurso que inclui o respeito. Diferente do que muitos acreditam, a Parada LGBT não surgiu como uma forma de chamar a atenção e fazer das ruas um carnaval, a sua história é bem diferente do que se pinta.

As Paradas do Orgulho Gay surgiram depois da oficialização do dia do orgulho gay, em 1969, após a manifestação a qual levou aproximadamente 2 mil pessoas às ruas de Nova Iorque por causa de uma batida policial no bar onde gays e lésbicas frequentavam, ocasionando prisão e espancamentos. As manifestações, portanto, iniciaram-se pela busca dos direitos civis. Devido a isso, alguns avanços tem sido alcançados – tais como o fato da homossexualidade não ser mais considerada crime ou doença porque, infelizmente, eram vistos deste modo.

A programação da Semana da Diversidade LGBT, em Vitória da Conquista, conta com o tema “Por uma cidade de PAZ, do AMOR e das diversas IDENTIDADES!” e será composto por seminários, rodas de conversa, ato público e atividades de música, teatro, cinema e premiação. Para acessar a programação, é só clicar aqui. Espero nos encontrarmos lá, livres de preconceito e com o coração aberto.

Para informações sobre como participar, é só entrar em contato com a Coordenação de Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de LGBT pelo (77) 98837.1863 ou pelo e-mail: lgbt@semdes.pmvc.ba.gov.br.

Quando se pensa em uma dança que explora a sensualidade, vêm à cabeça da maioria das pessoas a dança do ventre. No entanto, ninguém busca conhecer sua origem nem a reconhece enquanto uma manifestação cultural. Neste sentido, a dança do ventre tornou-se uma expressão corpórea e provocativa para o gênero masculino, bem como um símbolo de preconceito por ter se popularizado como aquela que promove e intensifica a sexualidade.

Antes de escrever esse texto, eu comecei a pesquisar sobre a origem da dança do ventre, conversei com a dançarina Mariana Rabêllo e deparei-me com muitas versões – o que não é de estranhar, visto que a dança é uma manifestação antiga e, como tudo no tempo, passa por transformações. A linguagem oral também possibilita alterações no modo de se contar uma história. Para alguns, tal dança surgiu na Índia, outros dizem ter sido no Egito e por aí vai. Já a expressão dança do ventre, dizem ter surgido em 1893 e ser oriunda do francês danse du ventre.

Como conhecemos, a dança do ventre é – majoritariamente – dançada por mulheres com vestimentas que deixam a barriga à mostra. Os movimentos do corpo lembram um serpentear enquanto as mãos e braços acompanham-no de forma delicada e sensual. A sua história deixou de ter um cunho religioso e cultural para tornar-se, em alguns países do ocidente e também do oriente, uma dança a ser apresentada somente entre quatro paredes ou como forma de sedução. Profissionalmente, no Brasil, nem sempre tem reconhecimento, principalmente, em cidades interioranas.

Em uma sociedade patriarcal e – consequentemente – machista, as mulheres casadas ou enamoradas, ainda possuem uma relação estreita com o cônjuge na qual há submissão. Devido a isso, elas não podem dançar em outro lugar a não ser para eles. No caso de mulheres solteiras, há um olhar atravessado pelos sentidos que a constituem por causa da dança. Com todas as palavras, o preconceito rola pesado. Mariana Rabêllo, que é professora de dança do ventre, confirma que

 

Há ainda um preconceito na dança oriental, principalmente para as bailarinas que vivem da própria arte. Além disso, existe o preconceito gerado por parente e familiares de algumas alunas. Há situações onde o marido permite que ela faça, porém, não pode se apresentar em público (portando o traje ou não). Elas podem dançar apenas para ele. Claro que a dança do ventre tem todo um lado sensual, mas ela é a herança e cultura de um povo que, a princípio, usava a dança para cultuar uma deusa, para preparar o corpo da mulher para se tornar mãe. Alguns movimentos como o camelo e as ondulações de braços, por exemplo, são inspirados nos movimentos realizados pela cobra e pelo camelo; o shimmie tem o o poder de curar, com sua movimentação localizada no chakras básico, libera energia, acaba com o stress, faz o ground, solta o corpo, ativa a circulação e renova a energia, além dos inúmeros benefícios que a dança oriental proporciona.

 

Como foi dito, a dança do ventre vai além do fato de ser uma dança sensual. Ela estimula a criatividade, corrige a postura, relaxa o corpo e a mente, proporciona contornos mais definidos aos braços e os ombros, desenvolve a agilidade e a concentração, tonifica e fortalece a musculatura abdominal, desenvolve a agilidade e a concentração, queima calorias, aumenta a circulação e a flexibilidade, combate a depressão, alivia os sintomas da menopausa e melhora a autoestima.

Agora me diz: O corpo é de quem? É nosso. As mulheres podem dançar como quiserem para si mesmas e para expressar a arte, não necessariamente para agradar e chamar a atenção do sexo oposto, mas como forma de perpetuar uma cultura e uma dança que perdura no tempo. Ninguém deveria ter uma má reputação por causa da arte que, em si, vive. Pessoa alguma deveria nos restringir, sem contar que nós temos o livre arbítrio – ou seja, plena liberdade – bem como preferências às manifestações artísticas. Portanto, termino com as palavras de Simone Martinelli (trazidas por Mariana Rabêllo).

 

Em tempos muito antigos, a dança era a representação da natureza. As mulheres observavam e reproduziam os movimentos da natureza em forma de dança para estabelecer uma comunicação com os deuses e deusas para que, assim, alcançassem a cura, milagre ou a benção.

 

Coisa mais linda, não é? Vamos desconstruir nossos conceitos culturalmente construídos e se permitir perceber a dança do ventre em sua essência. Quem for de Vitória da Conquista, na Bahia, e estiver a fim de fazer uma aula experimental e conhecer um pouco desta dança tão polêmica, pode entrar em contato com Mariana Rabêllo aqui pelo Pudor Nenhum. Basta mandar um comentário para mim e ela, certamente, saberá. Antes que pensem que o assunto encerrou por aqui, saibam que falar de Dança do Ventre é trazer muita coisa na bagagem. Então, em breve, tem mais!