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“Hoje eu sei que meu cabelo era lindo quando eu era criança. Porém, eu sofria quando minha mãe ia penteá-lo e ela considerava que meu cabelo dava muito ‘trabalho’. Foi então que, quando eu tinha uns 11 anos, decidimos que iríamos aplicar um produto pra ‘reduzir o volume’”, relatou Jacquelline Fernandes – professora de biologia.

Assim como Jacquelline, Bruna Larissa, consultora óptica, comentou que desde criança, a sua mãe sempre mantinha seu cabelo cortado bem baixinho para não ter muito trabalho de cuidar dele. De acordo com Bruna Larissa, a sua mãe dizia que “era muito cheio, ‘duro’ e ‘ruim’”. Portanto, ela cresceu ouvindo isso e, aos 6 anos, sua mãe alisou o seu cabelo para diminuir o volume.

Alisar os cabelos, muitas vezes, começa assim: na infância. Uma boa parte das mães, em outras épocas, não queriam ter trabalho para pentear o cabelo da filha nem, principalmente, vê-la fora do que foi estabelecido enquanto padrão de beleza até porque, somente assim, era possível ser bonita aos olhos da sociedade. Nos últimos anos, cresceu a quantidade de produtos para alisamento em cabelos de crianças. Assim, tornou-se mais fácil discipliná-los – motivo pelos quais as mães resolvem mudar os cabelos de suas meninas.

Essa disciplinaridade se faz necessária na medida em que há uma questão histórico-cultural que constrói a nossa forma de pensar na atualidade. Romper com uma construção neste sentido é transgredir as regras da sociedade. Por isso, o termo empoderamento surgiu como uma forma de agregar valor ao fato de mulheres, hoje, aceitarem assumir seus cabelos crespos.

Empoderar-se significa perceber a dimensão política que está representada no fato, por exemplo, de assumir os cabelos crespos e de compreender o quanto há uma discriminação relacionada à sua aparência para, assim, buscar mais conhecimento e começar a entender alguns fenômenos sociais, bem como lutar contra o racismo. Afinal, os cabelos crespos estão associados ao negro.

O preconceito aos cabelos crespos

Ivanildes Guedes de Mattos, doutora em educação e contemporaneidade, escreveu o artigo Estética afro-diaspórica e empoderamento crespo no qual traçou a trajetória que possibilitou à sociedade, nos tempos atuais, ter preconceitos em relação ao cabelo crespo.

De acordo com a doutora, após a libertação dos escravos no final do século XIX, não houve um interesse da burguesia pela mão de obra de escravos libertos e, assim, a sociedade brasileira encontrou-se com um grande contingente de homens e mulheres livres ocupando diversos espaços da cidade. Colocados à margem, a população negra foi sentenciada às práticas de racismo. “A cor da pele e os cabelos foram desde então os elementos mais estigmatizados da estética negra. Cabelos crespos eram rotulados de ‘cabelo ruim’ e os de pele mais escura, adjetivados como ‘negros fedidos’ e ‘feios’”, escreveu Ivanildes.

 

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Imagem: http://www.cartaeducacao.com.br/tag/escravidao/

Desse modo, o cabelo crespo é reflexo do preconceito racial porque denuncia uma herança étnica e, em muitos casos, um histórico socioeconômico. Lara Vascouto, redatora e editora do blog Nó de Oito, salienta que é esse entendimento, ainda que inconsciente, de que o cabelo crespo é uma herança africana enquanto o cabelo branco é uma herança europeia que proporciona essa discriminação. A blogueira relembra que, durante o apartheid na África do Sul, a definição entre preto e branco era feita pelo teste do lápis em que o objeto era enfiado no meio dos cabelos e se caísse, a pessoa era negra; caso o lápis escorregasse, a pessoa era branca.

A doutora Ivanilde Guedes de Mattos, em seu artigo, ressalta: “É histórico que os negros para serem aceitos nos espaços sociais e do mercado de trabalho eram diretamente influenciados pelos padrões estéticos que beneficiavam aqueles mais próximos da estética branca. Daí o alto contingente de mulheres negras com cabelos alisados”. Desse modo, os indivíduos buscam formas de minimizar o preconceito adentrando em um padrão socialmente aceitável – neste caso, por meio do alisamento capilar.

Entretanto, nos últimos anos, isso tem mudado com o surgimento de um movimento de mulheres que trazem à torna uma discussão sobre afirmação estética a fim de que seu cabelo deixe de ser visto como algo negativo e passe a ser uma forma de combate ao racismo. “Entendo que o movimento de mulheres negras pelo empoderamento do cabelo crespo surge na contemporaneidade como um signo de apropriação de negritude anteriormente negado e silenciado pelo padrão branco de beleza”, escreveu Ivanilde.

As mulheres da geração atual, portanto, já buscam outras formas de cuidar dos cabelos das suas filhas. Magali Araújo, cabeleireira especializada em cabelos crespos, conta: “Há dois anos eu faço permanente afro em uma menina que, hoje, tem 7 anos. Volta e meia, umas duas vezes no ano, a mãe dela me procura. A mãe passava guanidina e o cabelo da menina, por muitas vezes, quebrou e caiu muito na parte da frente, então ela me trouxe e eu cortei tudo, tudo o que tava espetado e liso. Ela ficou com o cabelo curtíssimo, aí a mãe aguardou mais três meses e eu fiz a primeira permanente afro. Essa garota é uma das que saiu do alisamento e ela mesma fala: mamãe, eu quero meu cabelo cacheado. Hoje ela fala, sabe? Mas o cabelo dela é aquele que não cacheia, é aquele cabelo bem aramado, um black mesmo”.

Diante disso, surge a preocupação sobre o fato de sairmos da ditadura do liso e entrarmos na ditadura dos cachos, na qual é necessário tê-los bem definidos para que sejam aceitos. Apesar dessa preocupação, “as mães já pararam de fazer progressiva, mas elas ainda não estão sabendo o que fazer com os cabelos das crianças, então a gente ainda precisa de mais profissionais que entendam de cabelos afros”, ressalta Magali.

Ditadura do liso x Ditadura dos cachos

Falar em ditadura do liso é retomar toda a história, que foi apresentada anteriormente, para justificar a imposição que existe sobre homens e mulheres e que aponta para um alisamento do cabelo com o intuito deste ser aceito socialmente. “Todo mundo deve ter o cabelo liso – é o que é considerado bonito, elegante, sensual, atraente e bom. Já o cabelo enrolado, crespo e afro é cabelo ruim”, escreveu a blogueira do Nós de Oito.

Apesar das pessoas estarem assumindo os cabelos crespos e abrindo mão dos produtos de alisamento, tem surgido uma preocupação acerca da imposição dos cachos perfeitos cuja negação do cabelo bastante crespo e sem cachos permanece. Isso faz com que as pessoas esqueçam do verdadeiro sentido de assumir os cabelos naturais para que entrem em uma outra ditadura, a dos cachos.

O verdadeiro sentido, como a psicóloga Ludmilla Rios falou, está relacionado a construção da identidade: “Nós somos formados por partes, pela construção do perfil da mãe e do pai, então é um conjunto que vai formar o indivíduo, mas chega um certo momento em que ele começa a perceber o que é bom pra ele e constrói a sua própria identidade. Ele constrói a sua autonomia de acordo com esse momento de busca”.

Além do mais, a manifestação através do cabelo é uma forma de linguagem. De acordo com a psicóloga, “quando o indivíduo percebe que está se vestindo da forma dele e, assim, consegue ser quem ele deseja em qualquer espaço, ele formou sua identidade. Então, ele conseguiu se identificar e encontrar o seu próprio eu”.

Desse modo, o empoderamento crespo, representado por muitas mulheres e homens, salienta a beleza independente de como estão os cachos e, até mesmo, se o indivíduo prefere alisar os cabelos ou não.

 

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Lu Rosário. Foto: Acervo Pessoal

 

Sempre rolavam críticas

Sair da infância com cabelos alisados é perpetuar a ideia de que esta é a melhor solução para se enquadrar na sociedade e, assim, conseguir se relacionar melhor com as pessoas a sua volta. A própria infância, inclusive, já traz traços de uma rejeição sistemática que incide no bullyng conforme o tempo vai passando. La Lunna MC desabafou que com 8 anos já ouvia piadinhas na escola sobre o fato do seu cabelo ser cheio e crespo. A partir disso, ela passou 14 anos alisando os cabelos com os produtos que surgiam no mercado. Ela enfatiza: “eu costumava alisar o cabelo sempre que eu percebia que a raiz estava ficando alta e o cabelo natural aparecendo”.

Diante da pressão exercida diariamente entre conhecidos e amigos, a autorrejeição é uma forma de se limitar e de buscar formas de aceitação, no caso, por meio do alisamento total dos cabelos – o que inviabiliza qualquer manifestação da raiz crespa. Além do mais, quem provoca bullying é resultado de um percurso histórico que estabelece padrões de beleza para os cabelos. Jacquelline Fernandes, que nos contou ter alisado os cabelos aos 11 anos, salienta que, quando cogitou a possibilidade de não alisar mais o cabelo, a mãe a desencorajou, “dizendo que iria ficar horrível porque os cachos nunca mais voltariam”. Para completar, ela acrescenta ser mais difícil enfrentar o preconceito da própria família, principalmente da mãe. Para Jacquelline, “o preconceito de pessoas ‘distantes’ de você é mais fácil de ignorar”.

Entretanto, não é apenas no meio escolar que existe uma crítica constante relacionada aos cabelos. A proprietária da loja Virtual Cosméticos e diretora da unidade de formação estética Visage, Camila Gobira, apontou quais eram os seus pensamentos em relação ao assunto diante das exigências do mercado: “Depois que assumi um alto cargo de trabalho, comecei a acreditar que a minha imagem de chefe deveria ser lisa, comportada, contida, equilibrada, centrada, elegante. O liso era a solução”, afirmou.

Diferente de uma criança, o adulto reconhece mais claramente as suas angústias e possui autonomia para mudar o que não lhe agrada. Desse modo, Camila resolveu procurar uma profissional experiente pra cortar o cabelo e se desfazer de uma imagem que não lhe representava internamente. “Ao relatar minha angústia em me aceitar, me toquei de que essa sim seria a minha válvula de escape. Aceitar o cabelo cacheado, volumoso e descomportado era a minha forma de gritar que eu estava frustrada em ser ‘normal’ para agradar os outros”, conta Camila.

Mais do que isso, quem está intrinsecamente inserido neste contexto de cuidar do cabelo do outro também não está livre de críticas. “Eu mesma tenho dificuldade quando vou dar aula no curso de cabeleireiro profissional feminino. Você acredita que na minha última turma, elas falaram ‘poxa, seu cabelo enrolado não é legal?!’ E isso foi unânime. Toda vez que escovo elas elogiam, passam a mão e dizem ‘que lindo’”, Camila ressalta.

O mercado da beleza

Nos últimos anos, com o movimento de mulheres que estão abrindo mão das escovas e chapinhas, o mercado tem buscado se adequar a esta nova demanda. A quantidade de produtos para o cuidado dos cabelos cacheados e crespos tem aumentado significativamente, além do surgimento de técnicas de cuidados – tais como o low poo (pouco shampoo) e no poo (sem shampoo) – com base nos componentes que constituem os produtos e que podem ou não virem a prejudicar os cabelos.

 

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Bruna Larissa. Foto: Acervo Pessoal

Assim, cada vez mais as mulheres têm buscado conhecer a composição dos produtos e utilizar outros recursos, além daqueles oferecidos pelo mercado, para cuidarem dos cabelos. Dessa maneira, frutas e verduras tornam-se aliados nestes cuidados. Para Magali, o mercado ainda está se preparando: “eu acredito que o mercado da beleza ainda vai lançar produtos que vão trazer a saúde mais rápida para os cabelos. Você pode ver que há alguns produtos que ainda não conseguem trazer aquilo que as mulheres precisam na verdade, que seriam os cachos com tanta perfeição”, acrescenta.

As escolas de estética também são pilares neste contexto porque são responsáveis pela formação de profissionais da beleza. Camila Gobira, ao assumir seus cachos, também começou a investir em produtos para cabelos crespos e a se interessar pela cultura afro, técnicas de cortes e tratamentos especializados para cabelos crespos, além de ter ampliado o seu público alvo ao incluir os homens. Com mais ênfase, ela assume que “hoje, vendo meu serviço com a minha imagem cheia de atitude. Ajudo pessoas a se libertarem de modismos e de padrões estéticos”.

As amizades e as redes sociais

Como a família brasileira costuma ser tradicional e se enquadrar em estereótipos pré-estabelecidos quando o assunto é cabelo, normalmente as adolescentes e jovens costumam buscar força nas amigas e amigos para se encorajarem e assumirem os cabelos e suas origens étnicas.

Jacquelline relatou que “em 2011 entrei na Uesb e descobri um mundo diferente, conheci pessoas de todos os tipos, inclusive meninas que se amavam e se aceitavam do jeito que realmente elas eram. Meninas que me mostraram que não precisavam alisar o cabelo para se enquadrarem num padrão de beleza”. Assim, a jovem que, na época tinha 18 anos, começou a cogitar a possibilidade de não alisar mais o seu cabelo. Ela ainda completa “Jéssika Layanne, minha amiga, foi crucial nesse processo, me adicionou no grupo Cacheadas em Transição no Facebook, e cada vez, mais fui tomando consciência do que eu queria”.

Nesse sentido, a decisão acaba se iniciando por experiências que vão além do âmbito familiar e, para tanto, é necessário que os meios também favoreçam essa possibilidade de se ver no outro e refletir sobre si próprio.

No caso do estudante de Jornalismo, Joslei Sandro, as críticas foram menos negativas em relação a família e sua mãe está resolvendo assumir os próprios cabelos crespos em decorrência da atitude do filho. Além do mais, o estudante salientou que “quando você vê uma pessoa negra de cabelo crespo, você acaba se reconhecendo nela. Minha irmã também assumiu os cabelos crespos depois que deixei meu cabelo crescer”.

Os blogs e grupos nas redes sociais são fundamentais neste processo de autorreconhecimento. A blogueira Mayra Carvalho foi uma das pessoas que influenciou outras tantas jovens a se reconhecerem enquanto donas de um cabelo tão bonito. Ao retirar toda a química do cabelo, Mayra e uma amiga resolveram contar um pouco da sua sensação de liberdade para outras pessoas que passaram pelo mesmo processo e para aquelas que ainda optavam em manter os cabelos alisados. “Resolvemos falar sobre receitas, fazer desabafos e contar para todos como nosso cabelo estava lindo e crescendo a cada dia”, salientou.

O blog escrito por Mayra Carvalho e Lu Rosário chama-se Não Alisa e, de acordo com as blogueiras, o nome advém de uma duplicidade de sentido por referir-se a uma expressão popular cujo sentido não dá espaço para atos de preconceito. Além do mais, Não Alisa – como próprio nome também já diz – é uma forma de expor sua vontade de ser contrária ao liso e manter os seus cabelos com a definição com o qual nascera.

Nos diversos grupos das redes sociais, em especial o Facebook e o Whatsapp, mulheres de diferentes idades compartilham a sua experiência e imprimem sensibilidade, amor próprio e liberdade em cada publicação. Desse modo, os comentários em cada uma delas apontam para uma vontade que surge de forma mais intensa em relação ao desejo de se apresentar do jeito como elas realmente são.

O grupo Cacheadas em Transição, no Facebook, possui aproximadamente 205 mil participantes e o número de mulheres e homens interessados por esse universo aumenta a cada dia. No Whatsapp, existe o Encrespa Conquista. Este é um movimento de mulheres que surgiu em Vitória da Conquista, em 2015, e se mantém na rede social. Nesse grupo, as mulheres se ajudam em relação aos preconceitos, aos produtos capilares e as angústias do dia a dia.

Amor próprio

A mudança externa está sempre relacionada a interna. Assim, quando alguém resolve mudar o cabelo, a tendência é que o interno também passe por uma reformulação. Neste caso em questão, os cabelos recuperam as suas raízes e vão contra o processo que tem regido a sociedade.

Lorena Arruti, estudante pré-vestibulanda, acredita que sua vida mudou totalmente após retirar toda a química que alisava os seus cabelos. Isso aconteceu aos 10 anos porque ela queria o cabelo liso por achá-lo mais bonito, comportado e fácil de arrumar. Além disso, as colegas na escola tinham os cabelos menos volumosos e isso fazia com que ela se sentisse diferente. Lorena, atualmente, diz: “Eu me sinto confiante e feliz porque agora eu posso ser quem eu sou de verdade. Quando eu me olho no espelho, eu vejo uma pessoa que está bem consigo mesma, pois ela venceu a timidez e o medo de assumir o que é dela”.

Esta mudança de olhar também foi relatada por La Lunna MC, a qual afirmou que a “visão de mundo parece que mudou depois que eu me libertei da química, eu me senti mais leve, passei a amar cabelos crespos e cacheados e me senti uma pessoa completamente renovada, como se tivesse sido purificada, realmente foi algo libertador”.

 

La Lunna MC. Foto: Ian Santiago

La Lunna MC. Foto: Ian Santiago

 

A psicóloga Ludmilla Rios afirma: “Quando a gente fala desse período que o indivíduo se sente seguro mudando a sua parte física, a gente se refere a uma conquista dele. Nós temos várias crenças, que são conceitos passados pelos nossos familiares e pela sociedade, que as pessoas tomam como verdade e têm muita dificuldade de desconstruir. Através da desconstrução, o indivíduo consegue assumir a sua verdadeira identidade que vem de algo único e muito particular. Então, cada indivíduo possui a sua identidade e consegue atingir a sua autonomia”.

Não diferente do que foi dito por Lorena Arruti e La Lunna MC, Jacquelline confessou que se a mulher não estiver muito consciente do que quer e realmente fortalecida, ela acaba se arrependendo por ter se desfeito dos cabelos lisos. “À mulher sempre foi ensinado que, para ela ficar bonita, tinha que se submeter a um processo químico. Numa sociedade em que o cabelo bonito é só o liso, enfrentar toda uma concepção é REALMENTE ENFRENTAR O MUNDO”, exprimiu de forma enfática.

Para mostrar este enfrentamento e demonstrar todo este amor próprio que as permeiam, 15 meninas participantes do grupo Encrespa Conquista se reuniram para um ensaio fotográfico nas ruas de Vitória da Conquista. Bruna, uma das incentivadoras, disse que “a ideia foi mostrar que somos lindas e do jeito que somos sem seguir padrão de beleza. Por isso que cada uma foi no seu estilo e com seu jeito próprio de se vestir”.

Um dos fotógrafos, José Abisolon, contou que “foi muito interessante ser convidado para fotografá-las. Ter a oportunidade de contribuir com o empoderamento feminino é a desmitificação de que cabelo crespo é cabelo ruim”. Ele acrescenta que “durante todo o dia, as meninas estavam radiantes e trocavam muitos elogios entre si”.

Por ser uma também uma forma de enfrentamento, Joslei Sandro confessou ter assumido seus cabelos crespos como um modo de se manifestar politicamente e de incomodar as pessoas que tinham preconceito. “Apesar de ser um ato político de resistência, hoje em dia é mais tranquilo porque eu aprendi a me gostar e me reconhecer assim”.

No entanto, ainda existem muitas mulheres que se reprimem ao não se aceitarem encrespadas ou por trabalharem em lugares onde o liso é uma imposição. Para a profissional especializada em cabelos crespos, Magali Araújo, “ainda é preciso que essas mulheres mudem os seus pensamentos em relação as suas origens”. Cabe a nós, mantermos a vitalidade dos movimentos a favor dos crespos e considerar que toda beleza é válida e é única.

Um assunto que acomete as mulheres e atinge os homens é a danada da TPM, Tensão Pré Menstrual, que parece alterar todos os hormônios e nos deixar à flor da pele. Entretanto, há quem a desconheça e, por isso, saia dizendo que qualquer ato inconsequente seja TPM ou mesmo que qualquer mulher nervosa esteja neste estado. É por esse e outros motivos que me senti na obrigação de escrever sobre esse tema, além de também tê-lo como sugestão de uma leitora.

Como o próprio nome diz, a Tensão Pré Menstrual é um certa tensão antes do período menstrual  que, mais precisamente, inicia-se 15 dias antes da bendita descer ou, como em boa parte dos casos, uns 2 dias antes dela surgir, permanecendo até seu fim. Essa tensão configura-se como uma série de sintomas que se manifestam antes da menstruação e tendem a sumir junto com ela.

 

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Imagem: http://www.operacaometamorfose.com/tag/tpm/

Caso tais sintomas permaneçam após a menstruação, então é preciso descobrir o que ela realmente tem porque já não é mais TPM. E outra! Não há remédio para essa tensão, há remédios que atuam diretamente nos sintomas como em qualquer outra situação. Além do mais, a mudança de humor é o que atinge a todas indiscriminadamente.

A serotonina é uma substância produzida pelas células nervosas que atua sobre o nosso humor e, durante o ciclo menstrual, há uma queda dessa produção devido a oscilação dos nossos hormônios. Apesar disso, nem todas as mulheres são acometidas por isso porque se a serotonina estiver bastante em alta, ou seja, se você estiver muito feliz, então talvez essa substância não caia tanto.

Em uma entrevista de Drauzio Varella à Mara Diegoli, médica e coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas da USP, ele afirma a questão da diferença no comportamento fisiológico entre as mulheres, pois enquanto algumas sofrem muito nessa fase, outras não sentem nada. A médica, então, salienta três fatores para explicar isso. O primeiro seria o fator hereditário, depois o externo porque depende da situação pela qual se está passando para haver a manutenção ou queda da serotonina e, por último, o fator endógeno que diz respeito a sensibilidade que se tem às mudanças hormonais. Sexualmente, os níveis de estrogênio e progesterona inexistem durante o período menstrual.

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O estrogênio é responsável por deixar a mulher mais sensual até atingir a libido no 14º ou 15º dia após a menstruação. Nessa fase, ela ovula e sua libido vai lá em cima – uma delícia! Depois disso, o nível de estrogênio começa a cair e eleva-se a progesterona, responsável pela preparação da mulher para a gravidez. Só que nós, em nossa modernidade, interrompemos o processo que poderia nos conceder um filho e, assim, menstruamos e zeramos o estrogênio e progesterona que poderia haver em nós. É a queda do estrogênio e elevação da progesterona que provoca os famosos sintomas da TPM.

Durante a TPM, quase mulher nenhuma está disposta a relações sexuais. Portanto, homens, aquietem-te e as deixem sossegadas porque a culpa de tanta depressão e stress não é delas e sim do seu organismo. E mulheres, busquem se conhecer, conhecer seu próprio corpo e suas alterações antes e após menstruar porque assim é possível evitar situações desconfortáveis, ta bom?

 

Nunca tive dúvidas dos meus pudores. A minha seriedade apontava esse fechar-se que meu corpo, intimamente, permitia. E quando tudo era fogo, eu sempre preferi neutralizar minhas energias. O meu pensamento parece uma sombra a me carregar com todo o aparato que a chuva requeria.

Eu sempre tive muitos pudores, independente do dia. Seja sol, chuva, dia ou noite. Em mim, sempre houve um estranhar o outro em primeira instância. Apesar de ser tempestuosa por dentro, via toda preparação como uma fase necessária ou uma forma de me acalmar as vontades para que a entrega completa fosse. Quando esta fugia ao meu controle, sentia-me transbordar a loucura que me preenchia.

Tenho pudores até certo ponto, que seria até quando a confiança no outro se estabelecesse. Meus pudores limitam minhas posições, meus traquejos, minhas maneiras. Dentro de todos, alguém de quem eu não tinha pudor e que representa tudo o que de mim tornou-se em pudor nenhum. Para todos os outros, a vontade por um desejo contínuo e uma reciprocidade que só o corpo pode entrever.

 

Caso queiram ouvir, disponibilizo o áudio deste pequeno texto escrito há dois anos:

 

Quando falamos a palavra bukkake, as pessoas buscam na memória e não encontram nada. Estou aqui para esclarecê-los, é claro! Bukkake refere-se ao fato da mulher receber a ejaculação de dois ou mais homens.

A indústria pornográfica usa e abusa dessa prática, portanto, já cansei de ver mulheres encharcadas com um, dois, três, quatro e sei lá quantos homens ao seu redor dando lhes um banho de esperma ou porra (como se diz no popular). O termo, de origem japonesa, tem uma aproximada tradução com a expressão “espirrar água” e é considerado um fetiche para muitas daquelas que curtem um sexo com homens, no sentido plural e literal da palavra. 

A cena mais clássica é aquela de uma mulher prostrada de joelhos e os homens em pé, ao seu redor, masturbando-se e ejaculando sobre seu rosto e seios. Se me perguntarem se já experimentei, digo-lhes que não e ainda fico imaginando o banho depois e o trabalho que dá para tirar todo o esperma que fica sobre o corpo, além do cheiro forte que este provavelmente deve exalar durante o ato. No entanto, para quem curte a sensação de pensamentos direcionados para ela, de mãos hábeis, de gozo apontado e deste resultado sobre si, deve ser um prazer daqueles de se lamber com os beiços e querer mais com os dedos.

Se você curte e pratica sempre que rola, vem nos contar. O texto pode até estar com com cara de completo, mas, na verdade, só está esperando seu depoimento para ficar ainda melhor. Uma delícia falar de sexo, ui!

Uma leitora confessou-me sua dúvida sobre dar ou não na primeira. Em outras palavras, sobre transar ou não transar com o cara no primeiro encontro. Ela me disse que sempre sente essa dúvida porque coloca em jogo uma série de discursos que circulam em nossa sociedade. Pois é, não é mesmo fácil você sair com um cara que acha gostosão, sentir-se excitada e não ceder para que ele a penetre.

O jogo de desejos está o tempo presente nos relacionamentos. Quando você sai com alguém e rola uma sintonia, nem que seja no beijo, a vontade é de prolongar aquela sintonia e permitir-se até a última gota. Mas porque não fazê-lo? Acontece que nossa sociedade dita que mulheres que dão de primeira são fáceis, não possuem muito valor, são muito dadas. Mas será que podemos levar isso na ponta da faca? Creio que não.

Tudo é muito relativo e, neste caso, é preciso saber quais as circunstâncias. Por exemplo, você está viajando e conhece um rapaz tudo de bom. Rolou um clima, então por que não dar? Você vai deixar de fazer um sexo gostoso com uma pessoa que nem sabe se verá novamente por causa do que ele ou os outros irão pensar?! Pode ter certeza que se você fizer bem feito, ele só vai ficar com a lembrança do quanto você é gostosa!

Um outro exemplo, você conhece a pessoa demais e sabe o quanto ela é discreta. Já conversavam, mas nunca haviam ficado. Um dia qualquer vocês trocam uns beijos e o corpo quer manter essa troca entre ambos, e aí? Você vai deixar de transar com ele porque está com medo dele mudar a concepção a seu respeito? Ah, musa, pensa nisso não! Se você sabe que o que rolou entre vocês ficará entre os dois, então se entrega. Já nos casos em que o rapaz é boca aberta, você sabe que ele não vale nada, mas é apaixonada… pensa muuuito porque seu nome pode ir parar na vala sem que perceba.

O nosso corpo é o que nos constitui, fazemos sexo com quem a gente quer, não é o que os outros podem ou não falar que vai nos impedir disso. Entretanto, a gente não pode popularizá-lo porque tudo possui limites. Se você gosta dele, confia e sente que há uma harmonia, então também não razão para negar-se (a não ser que não tenha vontade). Negar foda é algo que deve acontecer quando você realmente não quer ou não está a fim. Deixa dessa dúvida do “dar, não dar, dar, não dar…” pra lá! Fora isso, minha deusa, seja feliz com ele, com ela ou com eles!

Não adianta dizer que tamanho não é documento porque isso está enraizado em nossa cultura e todo homem vai olhar para o seu querendo que fosse maior ou vai continuar fazendo piada com asiático pela fama dele ter o pênis pequeno. Com essa preocupação, muitos homens sentem vontade de saber o tamanho do que ele tem entre as pernas e, para matar a curiosidade, resolvem medi-lo.

Há quem acredite que é possível medi-lo pelos dedos. Inclusive, uma pesquisa feita na Coreia do Sul, em 2011, comprovou que a comparação entre o dedo anelar e o indicador favorece prever o tamanho do pênis ereto. Para a pesquisa, “quanto menor for a diferença entre o indicador e o anelar, maior deve ser o pênis, ou seja, os homens com o dedo indicador menor do que o anelar tendem a ter o pênis erecto mais longo”. Pouca gente sabe disso e tenho certeza que, ao acabarem de lê-la, muitos homens vão olhar imediatamente para seus dedos a fim de comprovar esta afirmativa.

No entanto, este estudo foi realizado com o comprimento do pênis em repouso e esticado e, portanto, não permite traçar uma fórmula desta razão entre os dedos e o tamanho do pênis – principalmente deste em ereção. Além dos dedos, outros medem-no dobrando a mão e vendo até onde o dedo médio alcança, concluindo que o tamanho do preterido é daquele ponto até o final do dedo esticado. Isso seria uma lenda, não? E essa que se encontra na imagem abaixo?

 

E mais esta lenda aqui?

Além dos exemplos já citados, também há muitos que medem seu órgão sexual pelo tamanho do pé, como reza a crença. Mas existem cientistas curiosos o suficiente e doidos para desmitificar o que andam dizendo por aí, então dois britânicos realizaram a pesquisa em 104 homens e não verificaram nenhuma relação entre as medidas. Em outras palavras, parem de olhar para seus pés porque não é assim que saberemos o tamanho do seu instrumento. Ah, e nem adianta olhar para o nariz ou para o gogó grande porque tudo soa como crença do povo e nada mais do que isso.

Falar dessas lendas não significa que não haja uma forma correta de medir o seu amiguinho, claro que há! Uma régua surge, então, como uma possibilidade para este intuito. Assim, um leitor veio me contar que media errado e, certamente, muitos outros devem fazê-lo errado. Meu querido despudorado disse que “media de maneira errada porque antes media do início dos pelos e geralmente a gordurinha criada em torno do pênis faz com que ele pareça menor e esconde uma parte do pênis que não fica visível”. Com isso, vamos descobrir qual a forma correta de saber quanto ele mede – lembrando que isso é o de menos, o essencial é a performance na hora do sexo.

 

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Ao pesquisar pela internet, deparei-me com o mesmo modo de medi-lo em todos os sites. Nestes, é dito que o pênis é medido do arco pubiano, ou seja, deve-se começá-lo por lá porque é onde começa a estrutura peniana. Quando a pessoa engorda, a gordura acumula onde ficam os pelos pubianos e isso deixa uma aparência de que o pênis é menor e é por isso que, independente de ser mais gordinho ou não, o modo de medir deve partir do mesmo lugar.

“Media meu pênis por trás, dava um tamanho e, pela frente, dava outro. Só que nos sites falavam que era pela frente, mas não diziam que deviam apertar o início do pênis até sentir o osso púbico. Aí fiz isso hoje e deu uma crescida legal, ficou a mesma medida que é por trás, ou seja, a parte da frente ficava escondida pela gordura”, complementou o querido leitor.

Após tantos dados e falatórios, todos os leitores devem estar pegando a régua para medir o tamanho dos seus mastros. Juro que ainda vou escrever um texto, tão sério quanto este, para falar sobre os tamanhos de pênis. E volto a assinalar que tamanho nunca foi documento, a não ser para a indústria pornô e seus fieis consumidores. Ah, e se quiserem mandar as medidas e dizer sua experiência e sentimento em relação a isso – sinta-se a vontade. Para as moças, também. Afinal, elas usam o instrumento e sabem muito bem se manifestar a esse respeito. Lembrem-se sempre: aqui é Pudor Nenhum.

Sei que não falei sobre o câncer de mama no mês da conscientização, mas lembremos que este assunto é atemporal. Por não ter autoridade nem nunca ter sido acometida por essa doença, resolvi fazer uma pesquisa para escrever sobre o assunto.

As mamas, como todos sabem, são glândulas cuja principal função é a produção de leite. O câncer ocorre quando suas células começam a se reproduzir muito rápido e desordenadamente. Segundo o site ABC da Saúde, a maioria dos casos acontece no acometimento das células dos ductos (que conduz o leite produzido para fora pelos mamilos) das mamas e denomina-se Carcinoma Ductal, podendo invadir ou não os tecidos que os envolvem.

 

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Há também o Carcinoma Lobular, que começa nos lóbulos (porções menores que compõem os seios) da mama e são considerados menos comuns, frequentemente acometem as duas mamas. Um câncer mais raro é o Carcinoma Inflamatório, que compromete toda a mama e a deixa vermelha, inchada e quente.

Para tanto, existem os fatores de risco. Alguns destes são modificáveis e, tomando os devidos cuidados, pode-se evitar as chances de desenvolver a doença. Terapia de reposição hormonal e anticoncepcional oral, quando tomados durante muito tempo, aumentam as possibilidades de vir a ter a doença devido ao aumento dos hormônios femininos estrogênio e progesterona. A exposição à irradiação, não ter filhos ou engravidar após os 35 anos e menstruar cedo ou parar de menstruar tarde também são considerados fatores de risco para um provável câncer nas mamas.

 

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Há algumas medicações, no entanto, que retardam a ação de tais hormônios, bem como a retirada do ovário (menopausa cirúrgica) – ambos os casos necessitam de intervenção médica. Além disso, a amamentação prolongada é mais uma das razões para redução dos riscos deste câncer, que acontece com mais frequência em mulheres acima de 35 anos porque quanto maior a idade maiores os riscos. O mesmo acontece com aqueles que têm um histórico de pessoas que tiveram câncer na família.

Então, mulheres, mais do que falar deste câncer, quero que entendam o quanto é importante cuidar da saúde e, para isso, deve-se evitar o uso excessivo de álcool; controlar o peso, evitando a obesidade; e alimentar-se de forma saudável, sempre. Exercícios físicos também são essenciais.

O Câncer de Mama normalmente não dói e é facilmente detectado através do autoexame, ou seja, através de um nódulo encontrado após a mulher se apalpar. Além disso, ela pode notar uma assimetria em suas mamas, retração na pele ou um líquido sanguinolento saindo pelos mamilos, podendo ainda, em casos mais graves, perceber feridas com odores desagradáveis.

Ao encontrar algum desses sintomas, é fundamental procurar o médico rapidamente para que ele faça os exames que auxiliarão na detecção da doença. O tratamento é definido a depender do caso, podendo retirar apenas o nódulo ou tendo que retirar a(s) mama(s). Após a cirurgia, define-se o tratamento auxiliar adequado, podendo ser encaminhada para a radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia.

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A detecção precoce é fundamental, então procure um médico ou faça o autoexame mensalmente. Com a internet, todos nós temos acesso a quaisquer tipos de informações. Então, vamos nos ater a elas e pesquisar bastante. Existem milhares de Campanhas contra o câncer de mama e a favor do autoexame, além de diversas empresas que apoiam este bem. A saúde deve ser sempre a nossa principal prioridade.

Espero ter contribuído, de alguma forma, ou ao menos despertado em vocês o interesse pelo cuidado e prevenção. E se souberem de mais alguma coisa que não foi dita aqui, me escrevam, tanto em comentário quanto em e-mail, sou ouvidos e olhos.