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Quem aqui gosta de falar durante o sexo? De gemer alto e mostrar para o outro o quanto a transa está boa? De questionar se está gostoso para ir adiante ou melhorar? E quem também não gosta de falar uma putaria bem escrachada? De salientar o quanto está bom e de pedir para continuar com mais ênfase?

O ato sexual vai além da relação entre os corpos, ele envolve a linguagem verbal como uma forma de salientá-lo. No entanto, esta linguagem não se manifesta do mesmo modo para todos e, inclusive, alguns não necessitam dela ou não conseguem usá-la no momento de sua satisfação. O fato de falar enquanto há esse entrave aprazível com o outro é, normalmente, compreendido como uma maneira de mostrar que se está gostando muito. Não é a toa que muitas vezes o “não para”, “continua”, “gostoso”, “mete mais”, “pode chupar” (e por aí vai…) habitam os falares femininos enquanto se é penetrada por falo, língua e dedos ou mesmo por carinhos que aumentam a libido.

Outras vezes, esse falar pode ser um guia para se atingir o prazer, ou seja, a mulher vai direcionando os pontos que gosta para que o parceiro(ou parceira) a conheça melhor e a leve ao orgasmo. Nessas horas, diz-se o “desce mais um pouco”, “você está tentando colocar no buraco errado” e “só a cabecinha, depois você coloca o resto”.

Há ainda as famosas “Possa lamber lá?”, “Ta gostoso?”, “o que você ta sentindo?” – estas e tantas outras são indagações para saber até onde é possível ir e, assim, tornar a transa cada vez melhor. Além do mais, tem aquelas mais despudoradas que falam e adoram ouvir “putinha”, “cavalão”, “deixa eu chupar seu pau”, “ai, que delícia sua bucetinha” e todas as pornografias que os filmes pornôs investem.

As que não falam, só gemem, exprimem meramente o prazer por meio da sua respiração ofegante. O fato de não falar pode ser resultado de um certo moralismo que a pessoa carrega ou uma escolha pessoal, na qual ela queira centrar-se apenas nos sentidos que traduzem seu tesão. A conversa cheia de rupturas, que o sexo propõe, ocasionou a formação do twitter Frases Transa (atualmente, desatualizado) – depois vejam lá uma mostra do que tenho dito sobre ser tagarela na intimidade e troca de fluidos.

Independente da produção de sons, o que importa é derreter-se durante a prática e curti-la em todos os seus viés. E você? Faz escândalo ou prefere um silêncio? Eu escandalizo ou me silencio, depende das circunstâncias e do parceiro. Se quiser falar um pouco de você, sinta-se à vontade nos comentários. Joguemo-nos e sensualizemos!

Para os cristãos, comemorar o nascimento de Cristo. Para os cristãos e todos os outros, uma data que vai além de um motivo religioso porque perpassa todo um ritual que inclui uma ceia natalina, com direito a peru, salpicão e mais outras receitas recheadas com uva passa. Além disso, inclui panetone em algumas refeições antes mesmo da data em si. Só que não é apenas isso, Natal possui decoração vermelha, árvore toda organizada com enfeites e estrela na ponta, assim como meias nas janelas – quando possível – e roupa nova. Em outras palavras, Natal é mero capitalismo.

Como se não fosse o suficiente, o Natal ainda conta com mensagens bonitas de amor, paz e felicidade. Todo um blablablá que se instaura para provar que somos feitos de humanidade. Infelizmente, é um espírito que nos toma enlameado de hipocrisia. Então, mandamos mensagens copiadas e coladas de grupos. Espalhamos desejos de coisas boas que podem ser verdadeiros, claro, mas que não duram até a próxima semana. Não por desejarmos mal ao próximo, mas por não mais nos lembrarmos dele.

No Natal, os casais se amam e as famílias são perfeitas. As campanhas natalinas contemplam as crianças carentes, dando-lhes brinquedos que, a todo custo, tentam fazê-los durar até o outro ano. Quem não tem peru, come um frango assado. Quem não tem frango, busca mudar o cardápio. Quem não tem cardápio, sente fome. Mas ninguém está nem aí porque estão todos, em suas casas, felizes e comendo loucamente.

Quem não pode fazer uma decoração de natal, contenta-se com as ruas decoradas. Quem não tem família, chora ao saber que não terá o privilegio de compartilhar um momento tão cheio de paz. O choro persiste e a data torna-se inesquecível porque natal é sinônimo de família e ostentação de presentes, comes, bebes e decoração.

O texto de hoje não tem nada a ver com a temática do blog: sexo e sexualidade. Porém, tem tudo a ver com a vida, com o momento e algumas reflexões. Eu não poderia deixar de escrevê-lo. Peço que reflitamos hoje e busquemos ser mais humanos e menos capitalistas em uma data que existe por celebração, tal como os cristãos inicialmente atribuem. Troquemos o vermelho do sangue, do decorar, do papai noel (que, inclusive, nem combina com o Brasil) pelo vermelho do amor puro e sem hipocrisias. A vida assim, provavelmente, ficará mais leve.

Sexo é um ato que envolve exposição. Expor o corpo e as partes íntimas que normalmente escondemos, ora por uma questão cultural ora higiênica, quando diz respeito às roupas consideradas íntimas, revela o ponto máximo de intimidade entre duas (ou mais) pessoas, mas que nem sempre é permitida total ou parcialmente.

Ao fazer sexo, alguns preferem que as luzes estejam bem acesas para ver tudo de si e do outro, alguns preferem as luzes apagadas para que o ato seja apenas de sensações táteis e palatáveis, outros priorizam a penumbra, ocasionando uma relação do ver e não ver entre quatro paredes (ou parede alguma). Essas três categorias, que envolvem o ambiente de realização do coito, podem ser descritas de forma ainda melhor e mais detalhada.

A relação, quando ocorre no claro – em ambiente hiper claro – costuma significar desinibição. Pessoas desinibidas não tem vergonha de seu corpo, gostam de se mostrar por completo e de fazer todas as caras e bocas para agradar o parceiro (ou parceira). Além do mais, a claridade permite ver as feições do outro e reconhecer nele o prazer. Sexo no claro é para aquelas que são mais fogosas e querem acompanhar cada detalhe deste entrelaçamento de corpos (Ui! Chega arrepio!).

Uma das minhas leitoras disse que só fazia no escuro, quando descobriu que rolava no claro..achou o bicho. Hoje só curte fazer com todas as luzes acesas e, de preferência, olhando no espelho. Fala sério, ela sabe ser gostosa! Uma outra, também leitora e despudorada, alegou que gosta de fazer no claro e que apesar dos defeitos que seu corpo possui, acha até melhor exibi-los… e sabe o que eu achei dessa revelação? Perfeita!

Temos que nos amar como somos…e sem contar que celulite, estria e essas coisinhas nem são defeitos, são gostosuras. Os homens, que eu questionei a respeito disso, disseram que preferem o claro. Como já sabemos, eles são mais visuais e gostam de ver a mulher e seus contornos, gestos e expressões. Contorcer-se e gemer é, para eles, elevar o ego.

Para quem gosta de fazer no escuro, há muitas ressalvas, viu? Apesar do escuro permitir com que se trabalhe ainda mais os sentidos, o escurinho também pode ser uma forma de se esconder. Esconder-se é para os fracos, viu? E nós precisamos ser despudorados, o sexo é o melhor lugar para nos soltarmos!

Já a penumbra é outra coisa. Nela, você vê e não vê. De acordo com uma leitora, “Gosto da penumbra, gosto de ver entrando e saindo, por isso não gosto da completa escuridão. Gosto também de ver as caras de prazer, mas a penumbra é interessante por não deixar totalmente claro, a luz às vezes atrapalha, até os olhos ardem e a penumbra ainda causa aquele mistério de sombras…é uma delícia!”. Assim como a leitora, eu acho que o ambiente fica mais aconchegante e dá um clima mais gostoso de eroticidade.

Agora, o mais importante de tudo é não sentir vergonha do seu próprio corpo, é transar livremente e sem preceitos morais os seguindo. O importante é amar, foder e se lambuzar!

Dirias que naquele dia

possíveis encontros seriam

em nós desatados

 

Diria, também, que

haviam planos, sonhos e modos

de se buscar nem que seja em versos

formas de se encontrar

 

A cumplicidade os aproximava

despercebidamente

A ausência era algo pelo qual lutavam

para que não os tomasse

 

Havia voz, gestos e palavras

Sinceridades, cuidados e alma

 

Até um ineditismo acontecer

e desaguar todo o mar que se tornaram

Em nossa sociedade, a palavra sexo é por si só instigante. Não há quem não queira descobrir os meandros que ela oferece. Falar sobre sexo é expor o que há de mais íntimo em si, é libertar-se das amarras que o moralismo nos impõe. O sexo, além de ser um ato de reprodução, é também de prazer. E sentir prazer por meio da prática sexual é se auto-conhecer.

Fazer e falar de sexo é tão bom que é possível ver a nudez e o enlace de corpos nas pinturas rupestres e estátuas da antiguidade. Inclusive, a arte está sempre utilizando-o como tema pelo fato de ser algo a atrair olhares e aguçar os sentidos. Muito se cantou, escreveu, detalhou, revelou, pintou, desenhou. Parece que, independente da questão cultural, tudo já foi dito de todas as formas. Há um leque enorme de informações em nossa memória que nos coloca no mundo em que o sexo possui as rédeas. Os filmes, os romances, os quadrinhos, os sites pornôs, as indiretas nos bate papos virtuais e as conversas reais. Engraçado como todo e qualquer assunto possui uma abordagem sexual. É difícil escapar das ambiguidades, das piadinhas e do poder humorístico e malicioso que o assunto invoca.

Diante de toda essa atmosfera de sexualidade que nos envolve, o filósofo Michel Foucault escreveu “História da sexualidade”, em três volumes, com o intuito de discorrer sobre esta temática tão polêmica. De acordo com ele, vivemos em uma sociedade na qual há o sexo é a razão de tudo e onde este é considerado um tabu e, justamente pela sua interdição, o efeito contrário incita-o porque, como diz o ditado, “proibido é mais gostoso” (e é claro que é!). Escrever sobre sexo é o que me torna viva. Ler sobre sexo pode ser, para vocês, um despertar. Que o Pudor Nenhum, então, nos torne ainda mais aguçados sexualmente! Amém!

PS: A imagem que ilustra esta publicação é de Armand Rassenfosse (1862 – 1934), que era um artista, ilustrador gráfico belga autodidata livro e pintor, cuja obra-prima foi um conjunto de ilustrações para Charles Baudelaire.

Depois das 22:00 deixa de ser cedo, é quando duas horas depois entra a madrugada e, ainda assim, as redes sociais estão em alta. A madrugada é quando a cidade e as bocas silenciam, mas os dedos e as vontades não. Neste momento, o sexo parece aflorar com mais vontade. A liberdade parece ser maior, o silêncio externo parece contrastar com a turbulência que irrompe por dentro.

Há quem não sinta sono e tenha os olhos bem abertos perante o despertar da sexualidade. É nesta hora que você pode se tocar e tocar o outro sem ser incomodado ou sem necessitar dar satisfações. Diria que este momento seria o dos orgasmos, da multiplicidade deles sobre pele ou sobre papéis. Sim, há quem tenha orgasmos com boas leituras de livros. Esclareço isso porque ler não é um ato que encontra-se somente no papel, está, inclusive, na ponta dos dedos, da língua e sob nossos ouvidos.

A madrugada é o êxtase, assim a sintetizaria. Há, também, aqueles que maravilhados com a lua e a escuridão do céu com suas estrelas, fotografa e divulga a sua belíssima captura – mero retrato de um poema visual. Há intensidade neste ato? Creio que sim! A noite e o madrugar favorecem isso.

Para os que se entregam aos sonhos, sono, cobertor e desejos, a noite também pode ser reveladora e a madrugada pode parecer eterna até um acordar insuspeito e a percepção de que o dia está recomeçando cheio de manias, planos e rotina.

Sexo e Sexualidade são duas palavras chaves, aqui, no Pudor Nenhum. A gente sabe que não há uma relação de sinonímia com eles, ainda assim, não sabemos explicar o que significam e, desse modo, ficamos povoados de dúvidas que mal conseguem ser elaboradas. Antes de qualquer discurso, o melhor lugar para destrinchar significados é o Aurélio, nele consta que sexo é

 

Desconsideremos essa definição apontada nos itens 5 e 6 porque essa ideia de sexo forte e fraco foi uma construção cultural ao longo de nossa história que não condiz com a realidade. Ainda, conforme o Aurélio, vamos verificar o que significa sexualidade.

 

Não sei se essa definição a respeito de sexualidade lhes ficou clara, então resolvi explicá-la com minhas próprias palavras e por meio de uma metáfora. Pensemos na relação entre língua e fala. A língua é um conjunto de códigos específicos que representam a coletividade, tais como as diversas línguas ao redor do mundo, enquanto a fala é algo individual e refere-se ao modo como alguém se comunica através da linguagem verbal. Nesse sentido, a fala está inserida na língua porque é a partir dela que esta se manifesta. Do mesmo modo, temos a inserção do sexo no todo que abrange a sexualidade.

Sexo é algo individual ou uma palavra que representa o ato sexual em si. Em outras palavras, diria que meu sexo é feminino, que eu tenho vulva e que adoro fazer sexo com homens e em diferentes posições. Além disso, eu posso dizer que, em meus cursos universitários, eu sempre estudei com uma quantidade maior de pessoas do sexo feminino. Já a sexualidade, a gente aponta-na de forma diferente.

A minha sexualidade consiste no aflorar dos meus apetites sexuais. De acordo com a Psicanálise, a sexualidade está diretamente relacionada à libido, pois temos um corpo erótico que reage perante todos os sentidos. Esta funda-se em Freud que compreende o nosso corpo como uma fonte de prazeres e, consequentemente, o sexo como base de tudo.

É possível também, para ficar ainda mais fácil, entender o Sexo como biológico e a Sexualidade como psicológica. Esta última pode ser caracterizada pela orientação e opção sexual, portanto, falar de sexualidade é realmente abordar um mundo onde nossas aptidões sexuais são colocadas em pauta e vão além da abordagem sobre homens e mulheres, ficar de quatro, mulher por cima ou por baixo.

 

Continuação da imagem que ilustra esta publicação.

Continuação da imagem que ilustra esta publicação. Fonte: http://biancabeltramello.tumblr.com/

 

Para a jornalista Thaís Gurgel, na Revista Nova Escola, “Apreciar a textura de um sorvete, relaxar numa massagem, desfrutar o beijo da pessoa amada: tudo o que se relaciona ao prazer com o corpo está ligado à sexualidade”, ou seja, a sexualidade é uma amplidão que nos perpassa desde o nosso nascimento e, sendo assim, é um tema que não se esgota. Percebe-se que suas palavras estão imbuídas do que Freud, no início do século XX, concluiu.

Para Sigmund Freud, em Um caso de histeria, Três ensaios sobre sexualidade e outros Trabalhos,”não é fácil delimitar aquilo que abrange o conceito de ‘sexual’. Talvez a única definição acertada fosse ‘tudo o que se relaciona com a distinção entre os dois sexos’. (…) Se tomarem o fato do ato sexual como ponto central, talvez definissem como sexual tudo aquilo que, com vistas a obter prazer, diz respeito ao corpo e, em especial, aos órgãos sexuais de uma pessoa do sexo oposto, e que, em última instância, visa à união dos genitais e à realização do ato sexual. (…) Se, por outro lado, tomarem a função de reprodução como núcleo da sexualidade, correm o risco de excluir toda uma série de coisas que não visam à reprodução, mas certamente são sexuais, como a masturbação, e até mesmo o beijo”.

Diante de toda a  explanação realizado, espero que não tenhamos mais dúvidas diante do slogan que cerca o Pudor Nenhum: Sexo e Sexualidade na ponta da língua. Quando me dizem que é difícil ter assunto para escrever todo dia, eu rebato com o argumento de que sexualidade é um universo no qual as pautas não se esgotam nunca.

Caso ainda tenha dúvidas e queira conversar, pode me convidar para uma xícara de café ou uma taça de vinho. No Pudor Nenhum, eu gosto de deixar tudo às claras, afinal, quem fica no escuro, não enxerga o buraco da fechadura e a gente adora olhar o que tem do outro lado.

Para finalizar, quero que olhem novamente para a imagem que ilustra esta publicação. Da ilustradora Bianca Beltra Mello, ela e outras foram achados que me deixaram morta de amores e que representam bastante todo o universo de prazeres que trazemos aqui. Estou encantada! Quando quiser sugerir artistas, temas e vontades, fique à vontade e despudorize-se junto comigo. Confesso que é uma delícia!