HomeSexo e Sexualidade (Page 12)

Quando ando nas ruas da minha cidade, vejo o silêncio. Quando acesso as redes sociais, movimento. E, nesta euforia virtual, encontro pessoas em diversos lugares entre sol, praia, rio, cachoeira, suor, sorriso e amor. Com tanto calor e tanta energia positiva, não existe vontade maior do que a de se enroscar em outro corpo.

Em clima de mergulho e de andar seminus, a vontade pelo outro aumenta significativamente. As mulheres ficam o tempo todo molhadinhas e os homens, com apenas um piscar, ficam eretos. Quando existe a possibilidade, beijo. Quando existe a oportunidade, sexo.

E o sexo, nesses momentos, saem das quatro paredes e, principalmente, da cama. Ele perpassa pela areia, pelos matos, pela casa abandonada, a construção não terminada. Ele fica ali no vai e vem dentro da água, no escurinho atrás da casa, em um muro improvisado.

No verão, tesão. Essa rima tem tudo a ver com a realidade. A gente realmente fica com o corpo desperto e a nossa região íntima piscando. Não é à toa que existem mil e uma dicas por aí para que o casal aproveite ao máximo esses dias de calor sem se acabar com este sol que nos cobre.

De acordo com alguns sites sobre saúde, estudiosos afirmam que o calor dilata os vasos sanguíneos e intensifica a irrigação de sangue nos órgãos sexuais, aumentando a libido. Independente de estudos, os estímulos visuais e a liberdade, por nós adquirida, já diz tudo. Que, nestas férias e neste verão, a gente ouse bastante porque, uma coisa é certa, a gente só se arrepende do que deixou de fazer; o resto é balela.

Lá vem mais um ano sambando em nossa cara, rindo com a gente e mostrando que está conosco para o que der e vier. Ele vem saracoteando, feliz, louco e deixando pra trás um ano difícil e histórico. 2016 foi daqueles que pisaram e nos evidenciaram quando o assunto foi política, que nos deu um banho de água fria com toda a crise econômica, que nos fez sorrir com amigos, sonhar e acreditar que as coisas iriam mudar. Em seu término, quase todo mundo correu atrás de uma cor: amarelo. Ou vermelho para novas paixões. Ou azul e branco pela tranquilidade e paz. As superstições nos fizeram mais fortes.

Um novo ano, então, acabou de se descortinar. Os plannersbullet journal viraram tendências. Estamos todos querendo nos organizar e transformar o caos em exatidão. Manter a pressa sem perder a linha. Ficar esbelta nas tarefas diárias e der mil e uma sem perder a compostura. Assim, também estamos cada vez mais atarefados, mais corridos, mais com cara de trilha sonora em ritmo pop, sertanejo ou rock? Não sei, cada um com sua trilha sonora em particular. E, nessa correria toda, estamos cada vez mais amando virtualmente e nos abraçando menos. Pele a pele passou a ser coisa do passado e, quando existe, nem sempre tem a tonalidade requerida.

Neste 2017, a gente precisa jogar na cara dele que as rédeas somos nossas. Temos que desacelerar a canção que nos embala e tomar as atitudes que, em outros momentos, enrolávamos para tomar. Temos que aproveitar a oportunidade do dia primeiro para traçar metas pro ano inteiro e de janeiro a janeiro sermos mais que um nome e sobrenome com sorriso estampado na cara. Queremos reconhecimento.

O 2016 do Pudor Nenhum passou por todos os ritmos, teve encontros de leitores, teve premiação, teve visita de maranhense linda e despudorada, teve planos, teve desejo, teve possibilidades, teve parcerias e grandes amizades. O 2017 promete muito mais. Já estou colocando tudo no papel e seguindo a tendência para me organizar.

Este ano novo, à nossa frente, precisa ser mais, precisa ser mar, precisa ser olhar, precisa ser falar, encontrar, cheirar, beijar, transar. Que 2017 nos tempestue e nos faça confirmar o quanto somos tudo o que queremos quando realmente vamos atrás.

Um novo ano vem chegando e, sem querer querendo, nos permitimos a uma série de planos e votos de recomeço. Há sempre quem busque aquelas simpatias para encontrar um amor, melhorar a vida sexual e por aí vai. Nossa vida amorosa sempre está pedindo um complemento para que o “viveram felizes para sempre” saia dos romances e se concretize.

Quando não estamos pensando naquele boy ou girl que deve entrar em nosso caminho, estamos torcendo para que uma lingerie ou uma cueca nova faça todo o efeito no momento a dois com quem gostamos. Comemos as doze uvas para termos dinheiro no ano seguinte, pulamos as sete ondas e escolhemos a cor da calcinha como desejo maior do que queremos que venha pela frente. Tem mulheres que, inclusive, se lambuzam de vermelho, vestindo-se da cabeça aos pés para ver se aparece um amor, mas parecem esquecer de uma coisa: tão bom quanto ter alguém é ter o amor próprio nas alturas.

Pensando em amor próprio e em potencializar o sexo indo além das lingeries, o mercado erótico tem crescido de forma exorbitante. Não tem um falo para se relacionar? Tente um dildo, um vibrador. Você gosta daquela coisa dele ejacular e pá? Já existe o vibrador com ventosa que faz esse papel. Quer sentir o calor da excitação entre as pernas? Invista nos excitantes femininos. Gosta da refrescância? Não faltam produtos. Gostaria de sentir os dedinhos lá naquele lugar? Compra um vibrador rotativo. Não sabe como lidar segurando nele para sentir prazer? Compra daqueles com controle remoto, tem com ou sem fio, mas não deixe pra gozar somente quando tiver alguém porque não lhe faltam aparatos para tal.

Se o seu caso é outro, pois você tem alguém e precisa melhorar a relação, então fica tão fácil quanto. Pense na infinidade de brinquedos e possibilidades que vocês podem encontrar para tornar o sexo louco, romântico, engraçado, inusitado, selvagem. Não faltam meios de se investir em si e no outro com uma cajadada só. Dessensibilizante anal e oral fazem a cabeça de ambos porque possibilita melhorar ainda mais o que já era bom. Bebidinhas com afrodisíacos dão aquele calor, mousses e produtos comestíveis são uma delícia para lamber e, quase literalmente, comer o outro.

Quando a gente inicia um novo ano, pensamos em tudo, mas esquecemos de ir na consultora de produtos sensuais mais perto de nós ou naquele sex shop ali da rua ao lado. Eles são os locais mais adequados para nos apimentar e apimentar nossas relações. Com eles, não precisamos ficar esperando o efeito da simpatia tal e qual porque somos nós quem colocamos a mão na massa e fazemos o momento sem necessidade de nos fincarmos na linha do tempo.

Para que 2017 supra as suas necessidades nesse sentido, desejo aquela visita esperta sem medo, vergonha ou compromisso. Assim, a gente se empanturra e consegue dar conta de um novo ano bem mais prazeroso em todos os sentidos do termo.

Quem aqui gosta de falar durante o sexo? De gemer alto e mostrar para o outro o quanto a transa está boa? De questionar se está gostoso para ir adiante ou melhorar? E quem também não gosta de falar uma putaria bem escrachada? De salientar o quanto está bom e de pedir para continuar com mais ênfase?

O ato sexual vai além da relação entre os corpos, ele envolve a linguagem verbal como uma forma de salientá-lo. No entanto, esta linguagem não se manifesta do mesmo modo para todos e, inclusive, alguns não necessitam dela ou não conseguem usá-la no momento de sua satisfação. O fato de falar enquanto há esse entrave aprazível com o outro é, normalmente, compreendido como uma maneira de mostrar que se está gostando muito. Não é a toa que muitas vezes o “não para”, “continua”, “gostoso”, “mete mais”, “pode chupar” (e por aí vai…) habitam os falares femininos enquanto se é penetrada por falo, língua e dedos ou mesmo por carinhos que aumentam a libido.

Outras vezes, esse falar pode ser um guia para se atingir o prazer, ou seja, a mulher vai direcionando os pontos que gosta para que o parceiro(ou parceira) a conheça melhor e a leve ao orgasmo. Nessas horas, diz-se o “desce mais um pouco”, “você está tentando colocar no buraco errado” e “só a cabecinha, depois você coloca o resto”.

Há ainda as famosas “Possa lamber lá?”, “Ta gostoso?”, “o que você ta sentindo?” – estas e tantas outras são indagações para saber até onde é possível ir e, assim, tornar a transa cada vez melhor. Além do mais, tem aquelas mais despudoradas que falam e adoram ouvir “putinha”, “cavalão”, “deixa eu chupar seu pau”, “ai, que delícia sua bucetinha” e todas as pornografias que os filmes pornôs investem.

As que não falam, só gemem, exprimem meramente o prazer por meio da sua respiração ofegante. O fato de não falar pode ser resultado de um certo moralismo que a pessoa carrega ou uma escolha pessoal, na qual ela queira centrar-se apenas nos sentidos que traduzem seu tesão. A conversa cheia de rupturas, que o sexo propõe, ocasionou a formação do twitter Frases Transa (atualmente, desatualizado) – depois vejam lá uma mostra do que tenho dito sobre ser tagarela na intimidade e troca de fluidos.

Independente da produção de sons, o que importa é derreter-se durante a prática e curti-la em todos os seus viés. E você? Faz escândalo ou prefere um silêncio? Eu escandalizo ou me silencio, depende das circunstâncias e do parceiro. Se quiser falar um pouco de você, sinta-se à vontade nos comentários. Joguemo-nos e sensualizemos!

Para os cristãos, comemorar o nascimento de Cristo. Para os cristãos e todos os outros, uma data que vai além de um motivo religioso porque perpassa todo um ritual que inclui uma ceia natalina, com direito a peru, salpicão e mais outras receitas recheadas com uva passa. Além disso, inclui panetone em algumas refeições antes mesmo da data em si. Só que não é apenas isso, Natal possui decoração vermelha, árvore toda organizada com enfeites e estrela na ponta, assim como meias nas janelas – quando possível – e roupa nova. Em outras palavras, Natal é mero capitalismo.

Como se não fosse o suficiente, o Natal ainda conta com mensagens bonitas de amor, paz e felicidade. Todo um blablablá que se instaura para provar que somos feitos de humanidade. Infelizmente, é um espírito que nos toma enlameado de hipocrisia. Então, mandamos mensagens copiadas e coladas de grupos. Espalhamos desejos de coisas boas que podem ser verdadeiros, claro, mas que não duram até a próxima semana. Não por desejarmos mal ao próximo, mas por não mais nos lembrarmos dele.

No Natal, os casais se amam e as famílias são perfeitas. As campanhas natalinas contemplam as crianças carentes, dando-lhes brinquedos que, a todo custo, tentam fazê-los durar até o outro ano. Quem não tem peru, come um frango assado. Quem não tem frango, busca mudar o cardápio. Quem não tem cardápio, sente fome. Mas ninguém está nem aí porque estão todos, em suas casas, felizes e comendo loucamente.

Quem não pode fazer uma decoração de natal, contenta-se com as ruas decoradas. Quem não tem família, chora ao saber que não terá o privilegio de compartilhar um momento tão cheio de paz. O choro persiste e a data torna-se inesquecível porque natal é sinônimo de família e ostentação de presentes, comes, bebes e decoração.

O texto de hoje não tem nada a ver com a temática do blog: sexo e sexualidade. Porém, tem tudo a ver com a vida, com o momento e algumas reflexões. Eu não poderia deixar de escrevê-lo. Peço que reflitamos hoje e busquemos ser mais humanos e menos capitalistas em uma data que existe por celebração, tal como os cristãos inicialmente atribuem. Troquemos o vermelho do sangue, do decorar, do papai noel (que, inclusive, nem combina com o Brasil) pelo vermelho do amor puro e sem hipocrisias. A vida assim, provavelmente, ficará mais leve.

Sexo é um ato que envolve exposição. Expor o corpo e as partes íntimas que normalmente escondemos, ora por uma questão cultural ora higiênica, quando diz respeito às roupas consideradas íntimas, revela o ponto máximo de intimidade entre duas (ou mais) pessoas, mas que nem sempre é permitida total ou parcialmente.

Ao fazer sexo, alguns preferem que as luzes estejam bem acesas para ver tudo de si e do outro, alguns preferem as luzes apagadas para que o ato seja apenas de sensações táteis e palatáveis, outros priorizam a penumbra, ocasionando uma relação do ver e não ver entre quatro paredes (ou parede alguma). Essas três categorias, que envolvem o ambiente de realização do coito, podem ser descritas de forma ainda melhor e mais detalhada.

A relação, quando ocorre no claro – em ambiente hiper claro – costuma significar desinibição. Pessoas desinibidas não tem vergonha de seu corpo, gostam de se mostrar por completo e de fazer todas as caras e bocas para agradar o parceiro (ou parceira). Além do mais, a claridade permite ver as feições do outro e reconhecer nele o prazer. Sexo no claro é para aquelas que são mais fogosas e querem acompanhar cada detalhe deste entrelaçamento de corpos (Ui! Chega arrepio!).

Uma das minhas leitoras disse que só fazia no escuro, quando descobriu que rolava no claro..achou o bicho. Hoje só curte fazer com todas as luzes acesas e, de preferência, olhando no espelho. Fala sério, ela sabe ser gostosa! Uma outra, também leitora e despudorada, alegou que gosta de fazer no claro e que apesar dos defeitos que seu corpo possui, acha até melhor exibi-los… e sabe o que eu achei dessa revelação? Perfeita!

Temos que nos amar como somos…e sem contar que celulite, estria e essas coisinhas nem são defeitos, são gostosuras. Os homens, que eu questionei a respeito disso, disseram que preferem o claro. Como já sabemos, eles são mais visuais e gostam de ver a mulher e seus contornos, gestos e expressões. Contorcer-se e gemer é, para eles, elevar o ego.

Para quem gosta de fazer no escuro, há muitas ressalvas, viu? Apesar do escuro permitir com que se trabalhe ainda mais os sentidos, o escurinho também pode ser uma forma de se esconder. Esconder-se é para os fracos, viu? E nós precisamos ser despudorados, o sexo é o melhor lugar para nos soltarmos!

Já a penumbra é outra coisa. Nela, você vê e não vê. De acordo com uma leitora, “Gosto da penumbra, gosto de ver entrando e saindo, por isso não gosto da completa escuridão. Gosto também de ver as caras de prazer, mas a penumbra é interessante por não deixar totalmente claro, a luz às vezes atrapalha, até os olhos ardem e a penumbra ainda causa aquele mistério de sombras…é uma delícia!”. Assim como a leitora, eu acho que o ambiente fica mais aconchegante e dá um clima mais gostoso de eroticidade.

Agora, o mais importante de tudo é não sentir vergonha do seu próprio corpo, é transar livremente e sem preceitos morais os seguindo. O importante é amar, foder e se lambuzar!

Dirias que naquele dia

possíveis encontros seriam

em nós desatados

 

Diria, também, que

haviam planos, sonhos e modos

de se buscar nem que seja em versos

formas de se encontrar

 

A cumplicidade os aproximava

despercebidamente

A ausência era algo pelo qual lutavam

para que não os tomasse

 

Havia voz, gestos e palavras

Sinceridades, cuidados e alma

 

Até um ineditismo acontecer

e desaguar todo o mar que se tornaram