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Quando falamos de casual, estamos nos referindo ao que é acidental, informal, ocasional, eventual. É este o sentido para aquele look em um domingo à tarde e, também, para aquele momento de entrega sexual. Como não há vínculo afetivo e exclusividade, muitas vezes ele é compreendido como promíscuo. Entretanto, a promiscuidade só existe quando o sexo é descuidadoso, ou seja, aquele sexozinho sem camisinha.

Naquela balada, rola a química e dá-lhe sexo nos corredores, no banheiro, na rua. Aqueles amigos que se pegam de vez e se saciam também praticam sexo casual em instantes de aperto, afinal, somos seres sexuais e se ambos são solteiros não há porque se negarem, não é?

Porém, tudo na vida – assim como a lua – é uma questão de fases. Curtir a solteirice tem um pouco dessa leveza do querer experimentar vários parceiros sexual e viver o desapego, mas, como tudo na vida, esse momento também passa a ter regras.

Há um momento da solteirice que somente sexo por sexo deixa de fazer sentido. Para ele continuar existindo, é preciso um esforço do outro ou pelo menos aquela relação de amizade que ultrapasse as quatro paredes. Sexo delivery deixa de ser gostoso porque não surpreende mais. Você passa a ir na casa do outro e vice versa apenas cumprir rotina. Depois disso, tchau e bença. Todo esse círculo vicioso que envolve o sexo passa a ser vazio e pode retornar em pequenas doses de baixa autoestima.

O sexo casual nem sempre persiste. Chega um momento na vida que ele precisa ser leve e surpreender. Acredito que eu tenha chegado a este momento e, assim, estou começando a ligar os foda-se’s para aqueles que só querem uma chupadinha e uma gozada fenomenal. Ficar por um tempo sem sexo não é algo que vai nos matar. Conheço muita gente que vive bem na abstinência e que se aproveita disso para praticar o tapa na pantera, a siririca, os dedinhos na priquita. Sim, a gente também pode gozar e ter orgasmos sozinhas.

Quando o sexo casual passar a te afetar e você começar a se perguntar: Porra, ele só me quer como depósito do esperma. Ele só quer me comer e pronto. Eu não ando servindo nem pra ir ali na sorveteria. Será que ele tem vergonha de mim? Será que sou feia de cara e boa de bunda? Enfim, quando questionamentos sobre sua importância e beleza começarem a se levantar, fuja para as colinas. Coloque sebo nas canelas e corra sem olhar para trás porque você, sua linda, não precisa de ninguém para gozar e ser feliz.

A mudança de ano precisa existir para que nossas forças sejam renovadas. Quando nos damos conta que estamos fechando um ciclo de 365 (ou 366) dias, a gente renova o nosso olhar e se permite a novos recomeços. De 31 de dezembro para 01 de janeiro é apenas um dia. Porém, quando o sol nasce dentro de um ano novo, ele vem com uma outra simbologia que nos conecta ainda mais com a vida. E a gente, simplesmente, vibra.

Para que o novo ano seja realmente novo, ele precisa ir além de pensamentos e palavras. Você precisa mudar suas atitudes e se permitir às novas oportunidades. Somente, assim, as coisas sairão do papel e tomarão uma nova configuração. É dessa forma que, então, seu ano torna-se plausível e digno de ser chamado de Ano Novo.

Que, em 2019, nossa vida seja feita de muitos orgasmos. Que tenhamos muitos prazeres em todos os sentidos e que nosso sorriso no rosto e nossas genitálias molhadinhas sejam as provas de que todo e qualquer momento pode ser um verdadeiro tesão.

Antes tarde do que nunca para desejar Feliz Ano Novo. Feliz 2019. Feliz você novo!

Lembro-me de um dia, procurando sobre a palavra puta pelo Google, ter me deparado com Gabriela Leite – uma grande mulher que decidiu ser prostituta e lutava pelos direitos das mulheres que atuavam neste ramo. Achei super interessante e passei a acompanhá-la em entrevistas. Quando ela faleceu, em 2013, fiquei extremamente triste porque as profissionais do sexo perderam uma exímia representante e porque eu perdi a oportunidade de conhecê-la. Em 2009, Gabriela Leite havia escrito o livro “Filha, mãe, avó e puta” que só foi lido por mim este ano.

O livro configura-se como uma autobiografia. Gabriela Leite conta sua trajetória de moça rebelde e personalidade forte que, às vezes, permitia-se desobedecer sua mãe. Com pai boêmio, ela acreditava ser mais parecida com ele até concluir o quanto sua mãe a inspirou em fortaleza. Mãe de dois filhos, não exerceu o seu lado maternal como gostaria. Enquanto puta, trabalhou como deveria. No exercício da sua profissão, passou por três lugares: Boca do Lixo em São Paulo, na zona boêmia em Belo Horizonte e Vila Mimosa no Rio de Janeiro.

Inteligente, Gabriela Leite possuía um referencial bibliográfico muito vasto e havia sido aprovada em segundo lugar no curso de Filosofia da USP. Foi aluna de grandes referências, tais como Marilena Chauí e Antônio Cândido. Porém, transferiu seu curso para Sociologia e depois optou por largá-lo. Em época de ditadura, ela nos conta os percalços, a liberdade sexual e os estigmas das décadas de 70 e 80. A fim de viver uma vida livre, leve e solta, Gabriela saiu da casa dos pais e decidiu ser prostituta. Ela gostava muito de homens, de sexo e de dinheiro. Além do mais, ela gostava de fazer parte de uma minoria menos abastada. Lidava com homens simples, que queriam aliviar-se do stress por meio de uma rapidinha ou de uma conversa em forma de desabafo.

A escritora conta-nos a realidade dos lugares onde trabalhou e nos situa, durante todo o tempo, no contexto histórico da época. Acometida por problemas na vesícula e hepatite, ela começou a refletir sobre a marginalização que as profissionais do sexo sofriam e, então, após voltar à rotina resolveu dar as caras e falar em público pela primeira vez. A partir deste momento, a prostituta passou a ter voz e, aos poucos, o movimento foi tendo representação. Gabriela Leite passou a ser um grande nome quando o assunto era prostituição, tornando-se referência em estudos relacionados ao tema.

Ela viajou por vários estados brasileiros e por vários países em eventos que abordavam a prostituição. Fundou a ONG Davida e foi idealizadora da grife Daspu. Largou a profissão de prostituta para investir em projetos sociais e defender com unhas e dentes os direitos das suas ex-colegas. Casou-se com o jornalista Flávio Lenz Cesar, um amigo que tornou-se o homem da sua vida. Sofreu todos os preconceitos e se afirmou em todas as suas andanças e lutas. Foi uma mulher de fibra.

O livro Filha, mãe, avó e puta não tem muitos rodeios. Bem escrito, ele nos contextualiza e sensibiliza. Acredito que vale a pena, sim, ler. Por meio desta leitura, aprendamos a julgar menos o outro. Cada um tem a sua história, mas muitas delas podem se entrelaçar e isso nos permite uma bela reflexão. O livro pode ser encontrado em grandes livrarias ou na Estante Virtual, onde o comprei. Leia e compartilhe suas impressões conosco. Permita-se a esta experiência de leitura.

Em 2016, foi lançado um Projeto de Lei  6.449/2016 com a proposta de que as operadoras fossem obrigadas a criar um sistema que filtrasse e interrompesse automaticamente todos os conteúdos pornográficos na internet. De acordo com o deputado federal que lançou o projeto, o intuito era combater o vício em masturbação e pornografia, principalmente entre os mais jovens. O deputado em questão é Marcelo Aguiar (DEM-SP). Cantor e pastor evangélico, ele acredita que o fácil acesso à conteúdos adultos pode tornar os jovens viciados a masturbação, deixando de lado o sexo com o(a) parceiro(a).

À primeira vista, a gente toma um susto e, em um segundo olhar, começamos a fazer algumas ressalvas contra o assunto. Sabemos que o vício à pornografia existe e que, inclusive, é mais sério do que se possa imaginar porque tal dependência pode causar problemas à. saúde sexual do viciado e torná-lo inapto para as práticas sexuais, visto que não encontrará no outro um desenvolvimento sexual e corpóreo exatamente igual ao que é apresentado na internet. Por não poder vivenciar exatamente como costuma assistir, ele se torna apto apenas à famosa punhetinha. Casos como esse ocorrem perante o consumo exagerado a este tipo de conteúdo.

Ver, por exemplo, pornografia no celular praticamente todos os dias não me tornaria uma dependente; mas me abalar por não ver e ficar horas vinculada aquilo diariamente pode ser um sintoma de que algo começou a desandar. Sendo assim, o mais adequado é conversar e buscar tratamento com um psicólogo. Há casos em que a vida profissional e familiar se desestrutura completamente por conta disso, provando que não há nada de saudável naquele que se vê o tempo todo investido em pornografia.

Entretanto nada disso torna válido o Projeto de Lei proposto por Marcelo Aguiar. Acredito muito em políticas públicas e em educação sexual nas escolas. É assim que a gente evita que adolescentes procurem e se fixem em tais conteúdos no meio virtual. É por meio da boa informação que educamos indivíduos conscientes sexualmente. A censura só nos torna mais curiosos. Além do mais, já existem formas de bloquear conteúdo adulto para crianças e adolescentes. Cabe aos pais, aderir a isso. Agora, eu quero saber o que vocês acham sobre o assunto. Pode comentar à vontade. Inclusive, adoro!

Quando você tem uma vida sexual ativa em plena solteirice, isso pode significar que muitos mastros passaram por sua mão (ou por outros lugares). Contabilizar isso leva tempo, mas lembrar daquelas que mais marcaram é coisa de três segundos, pode despertar sorrisos e fazer você ter vontade de querer mais (ou de correr léguas, acredite!).

A primeira delas, a gente nunca esquece. Invade, machuca, deflora e inunda a alma de malícias. Quando a gente gosta do cabra, sempre achamos que a dele é a melhor do mundo. Então, o cara se torna o pica das galáxias porque a paixonite aguda não nos permite querer experimentar outras. Essa sensação de tê-lo como o mais gostosão só dura até chegar um segundo, terceiro e por aí vai.

Mas voltando ao tema em questão, quem já teve uma vida sexual com muitos parceiros sabe o que é pegar todo tipo de pau mandado pelo tesão e desejo. Lembro-me de quando o negão da picona apareceu em minha frente e eu, em um momento de descuido dele, chamei a amiga e falei: Musa, o pau dele é imenso e grosso. Para não voltar atrás e honrar meu nome, encarei escancarada e cheia de dentes. No final, ele mal tinha performance e eu saí plena da história.

Aaaaaah, mas o oposto também já tentou me abocanhar. Era um PF – Pequeno e Fino. Quase chorei. O homem tinha 2 metros e aquele instrumento mínimo que não consegui manusear, sem contar que também não tinha boa performance e isso me fez brochar e correr sem olhar pra trás.

Sobre cores e tons? Já lidei com rosinhas, pretinhas e napolitanos (aqueles de duas cores – base duma e cabecinha doutra cor). Todas elas emocionantes, viu? Já passei por homens que literalmente me jogavam na parede e me comiam. Armaria, Bacu Exu do Blues embalou um desses momentos.

Já tive homens que me devoravam uma noite apenas e depois desapareciam. Também tive pirocas que me lambuzavam e repetiam a dose deliciosamente, nessas eu tive um certo apego – confesso. Pirocada com carinho e força no exato momento da vuco-vuquisse faz toda a diferença. Eu realmente não resisto.

E aquelas pós tiragem de pelos que deixa você cuspindo pelinhos? Hahaha. Não nego, já peguei. Homens cabeludos? Claro que sim. Homens peladinhos, já peguei demais. Homens suadinhos, encarei e fui. Homens cheirosos, investi todo o meu gosto em fazê-lo gozar. Nossa, como tudo isso é bom!

Chega um momento na vida que você coleciona, mentalmente, as surras de pica que já levou e as marcas que todas elas deixaram. Na hora de seguir o baile, você lembra tim tim por tim tim. Algumas delas merecem replay em outros corpos, outras a gente não quer que repita nem amarrado.

O importante é que, quando se gosta da coisa, lambe-se os beiços e enche-se a boca de água ao imaginá-la cheia. Boa carne a gente vê por aqui e por aí, entre suas pernas. Quando sua vida sexual é boa, a vida também tem seus repentes porque ela simplesmente sorri por meio da pele, dos cabelos soltos e da leveza de ser.

Quando a gente entra naquela fase de começar a gostar de fulano ou sicrana, as coisas começam a mudar dentro de nós. É assim que começamos a ver nosso reflexo e a gostar ou não de quem somos. Então, passamos a nos entregar para ter alguma reciprocidade. Essa entrega vem acompanhada de todas as expectativas possíveis. Mutas vezes, são tantas expectativas que, antes mesmo do primeiro beijo, você já se imagina de véu e grinalda ou se imagina na correria cuidando dos filhos que, inclusive, podem até já ter nomes pré-definidos. Infelizmente, nem tudo funciona como idealizamos.

Quantas vezes eu pedi desculpas sem ser a culpada? Quantas vezes eu gastei o que não podia para agradar? E todas as coisas das quais me despedi ou que tive que ceder porque achava que era orgulho e que isso não me levaria a nada? Nossa, lembro-me das inúmeras vezes que mudei de estilo para agradá-lo. E quando eu sabia que não ia dar certo e ele dizia que ia mudar? Eu pensava, refletia e acreditava repetindo para mim mesma: Será a última vez. Na verdade, eu já estava na terceira tentativa. Para ficar com aquele gatão cobiçado, eu fazia tudo. Foi assim que também fui trouxa. Corri atrás, transei com ele e depois fui ignorada com sucesso. E quando tentei sensualizar de todas as formas, mas ele nem me olhava?

Tudo isso é pouco. Minha mostra, após mais de 30 anos, ainda precisaria de mais e mais linhas para trazer todas as causas das minhas trouxices que, também, combinam com as suas. Ser trouxa faz parte da vida, faz parte do nosso aprendizado. A gente só aprende quando cai e, às vezes, a gente é tão amor e tão entregue na vida que, mesmo se transformando em origami, continuamos repetindo esse papel – mesmo todo amassado.

Ser trouxa não é um defeito seu nem nosso, mas é a representação do quanto somos bons e bobos. Em outras palavras, quero dizer que não somos bestas e ruins. Nós temos o coração do tamanho do mundo. Deixamos que os outros entrem e ocupem um espaço imenso e ainda vivemos doses extras e não consentidas de emoções. Não há problema algum nisso. Só não podemos permanecer origamis quando a vida nos exige uma pisada mais firme no chão. A balança existe para medirmos todas as nossas ações e não repetirmos alguns erros. Só não podemos endurecer e perder a ternura. Só não podemos deixar de nos permitir. Precisamos continuar dando brechas porque curtir a vida em todos os seus âmbitos é bom demais.

Sabe uma expressão que nunca sai de moda? Pois é, quando uma mulher diz “Melhor só do que mal acompanhada” é porque ela já sofreu tudo o que tinha para sofrer. Diante disso, não preciso nem saber como ela surgiu porque, claramente, a mensagem já diz tudo e, por certo, veio à tona por meio de uma mulher que se empoderou neste sentido, ou seja, tornou-se poderosa ao se perceber melhor sozinha do que ao lado de alguém que não lhe convinha.

A sociedade, baseada no cristianismo, determina que a família deve ser formada por homem, mulher e filhos. Entre outras palavras, a família deve ser heterossexual e se sustentar de todas as formas porque o seio familiar constituído é uma aliança divina. Para os cristãos, apenas a morte ou o adultério são capazes de desfazer esse lado. Porém, quando a afinidade deixa de existir entre o casal, o que deve ser feito? Para muitas mulheres, é preciso continuar e manter a relação e este base familiar.

Entretanto, não é apenas isso que sustenta a relação. Há casos de mulheres que, por terem baixa autoestima, permitem-se ficar com o outro porque acreditam que ficar só pode ser algo permanente. Imaginam que sozinhas, vão perder a possibilidade de entrar no time da tradicional família brasileira – afinal, a sua criação deve ter sido direcionada para isso. Vêem-se donas do lar, cuidando do marido e mãe de alguns pirralhos.

Normalmente, tais casos são acompanhados de uma prisão psicológica. Estar preso psicologicamente é alguém é não perceber a própria existência no mundo, é estar mentalmente saturado. Quando estamos assim, ouvir o outro é difícil, mas necessário. Os psicólogos também exercem muito bem o seu papel de nos fazer reconsiderar todas as circunstâncias em que estamos inseridas.

Nem preciso dizer que esse texto é exclusivamente feminino, não é? Somos nós, mulheres, que sofremos a pressão maior por conta do nosso gênero – a mulher mãe, dona de casa e que, ainda trabalhando, deve arcar mais fortemente com os deveres de casa e a criação dos filhos. Mas sabe o que eu acho sobre a tal expressão “Melhor só do que mal acompanhada”? Acredito que, sim, ela é mais do que verdadeira. A gente não precisa seguir esse padrão de família e de felicidade (que pode se tornar às avessas). A gente tem que se sentir bem e sentir-se bem nem sempre envolve ter alguém.

Não combinamos com prisão, mas com liberdade. Liberdade de fazer o que quiser, estar com quem quiser ou de estar sozinha (mas com participações especiais). Tais participações só surgem em nossa vida quando estamos bem conosco mesmas. Quando ouvimos o que gostamos, arrumamos nosso cabelo como queremos, vestimos as roupas que se identificam conosco e vivemos um estilo de vida que é nossa cara. Pense nisso e se jogue. A liberdade é algo que pertence apenas à você e ninguém pode consegui-la pra ti. Livre-se dos embustes e seja feliz!

 

“Cê tá sofrendo/ Porque fez toda cachorrada / Tô melhor só do que mal acompanhada/ Da sua cara eu tô cansada/ Você não vale nada” – Mariana Fagundes.