Sem Tabus

São os meus desejos para o Natal!

Para os cristãos, comemorar o nascimento de Cristo. Para os cristãos e todos os outros, uma data que vai além de um motivo religioso porque perpassa todo um ritual que inclui uma ceia natalina, com direito a peru, salpicão e mais outras receitas recheadas com uva passa. Além disso, inclui panetone em algumas refeições antes mesmo da data em si. Só que não é apenas isso, Natal possui decoração vermelha, árvore toda organizada com enfeites e estrela na ponta, assim como meias nas janelas – quando possível – e roupa nova. Em outras palavras, Natal é mero capitalismo.

Como se não fosse o suficiente, o Natal ainda conta com mensagens bonitas de amor, paz e felicidade. Todo um blablablá que se instaura para provar que somos feitos de humanidade. Infelizmente, é um espírito que nos toma enlameado de hipocrisia. Então, mandamos mensagens copiadas e coladas de grupos. Espalhamos desejos de coisas boas que podem ser verdadeiros, claro, mas que não duram até a próxima semana. Não por desejarmos mal ao próximo, mas por não mais nos lembrarmos dele.

No Natal, os casais se amam e as famílias são perfeitas. As campanhas natalinas contemplam as crianças carentes, dando-lhes brinquedos que, a todo custo, tentam fazê-los durar até o outro ano. Quem não tem peru, come um frango assado. Quem não tem frango, busca mudar o cardápio. Quem não tem cardápio, sente fome. Mas ninguém está nem aí porque estão todos, em suas casas, felizes e comendo loucamente.

Quem não pode fazer uma decoração de natal, contenta-se com as ruas decoradas. Quem não tem família, chora ao saber que não terá o privilegio de compartilhar um momento tão cheio de paz. O choro persiste e a data torna-se inesquecível porque natal é sinônimo de família e ostentação de presentes, comes, bebes e decoração.

O texto de hoje não tem nada a ver com a temática do blog: sexo e sexualidade. Porém, tem tudo a ver com a vida, com o momento e algumas reflexões. Eu não poderia deixar de escrevê-lo. Peço que reflitamos hoje e busquemos ser mais humanos e menos capitalistas em uma data que existe por celebração, tal como os cristãos inicialmente atribuem. Troquemos o vermelho do sangue, do decorar, do papai noel (que, inclusive, nem combina com o Brasil) pelo vermelho do amor puro e sem hipocrisias. A vida assim, provavelmente, ficará mais leve.

Lu Rosário

Jornalista. Baiana. Leonina. Feminista preta. Apaixonada por tudo o que diz respeito a sexo e sexualidade. Palavras e fotografias são suas taras.

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