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Este será um texto curto, quer dizer, curtíssimo. Eu nunca havia lido um livro para não entender e achar tão chato, mas mesmo assim resolvi trazê-lo para você. Sabe por que? Eu o comprei devido ao fato de adorar Carlos Zéfiro e pelo livro ser identificado como novela. Como eu já havia publicado aqui, Zéfiro é um desenhista que inspirou muitos jovens nas décadas de 50 e 60 do século XX. Quando a gente encontra algum material dele, dá aquela coceirinha na mão e corremos para comprá-lo a fim de ter mais leituras a respeito de quem a gente curtiu ao ver o primeiro desenho.

No entanto, nem toda leitura é válida porque algumas são incompreensíveis e não prendem a nossa leitura. Com este livro foi assim. Desculpa, Chiavenato, pela sinceridade. E não adianta dizer que é porque eu sou burrinha, visto que meu repertório linguístico não é tão pobre assim. Consigo ler e entender metáforas muito bem. Hum!

Apesar da má leitura, o projeto gráfico é muito bom e ele traz um capítulo cujo nome nos faz lamber os beiços chamado “Tudo se cura com cinco letras: FODER”. A cada novo capítulo do livro, há um excerto de Jorge Luis Borges e, neste quesito, é puro amor. Caso resolva comprar assim mesmo e lê-lo, vem cá me dizer o que você entendeu, please. Pode ser que eu tenha lido em dias não muito bons e por isso tenha ficado cega a entendimentos. Oh, esperarei ansiosa. Enquanto isso, fiquem com algumas fotos que tirei desse livro que me matou de tédio.

 

Fotografia: Lu Rosário

A Morte de Carlos Zéfiro03

A Morte de Carlos Zéfiro04

 

PS: Não encontrei nada no Google a respeito do livro, apenas o livro para venda.

 

Este livro é um romance e tanto que não deveria sair da prateleira dos mais atrevidos. De cunho pornográfico e temática homossexual, ele foi publicado anonimamente em  1893 em exemplares atribuídos a Oscar Wilde. No entanto, após passar pelas mãos de Charles Hirsch – dono da Librairie Parisienne de Londres – que encontrou grafias diferentes, além de correções e rasuras, foi considerado fruto de um conjunto de escritores amigos de Wilde, apesar deste ter sugerido algumas coisinhas do enredo e realizado correções no manuscrito. Em 1986, Teleny, ou o reverso da medalha foi publicado. É bom deixar claro que, antes disso, sua publicação não foi aceita devido a Lei de Publicações Obscenas. Já ouviu falar desta lei? Pois é. Ela foi criada em 1857 e regulava as publicações de cunho erótico e sexual, gerando a autocensura como consequência.

Neste livro, a gente se depara com os conflitos de um jovem a respeito da sua sexualidade. Ele percebe o quanto se sente atraído por outros homens, mas luta contra isso por causa da sociedade e dos conceitos morais em que está inserido. Ao ler, você percebe o quanto isso é real e contemporâneo, apesar de estarmos em épocas totalmente diferentes. Acontece que, em um concerto, ele se apaixona por um rapaz (no caso, Teleny) e, assim, começa a história de paixão entre eles. Com cenas de sexo bem escritas e reveladoras, a escrita impressiona pela beleza dos detalhes. Neste romance, também é apresentada uma visita ao bordel (ou casa de tolerância – como se chamava), afinal, o jovem precisava acompanhar os amigos nos desfrutes da carne e em sua estampa heterossexual.

Para você perceber o quanto essa leitura é deliciosa, deixo-lhes um trecho.

Quando isso aconteceu, eu mal pude me conter, agarrei sua cabeça cacheada e fragrante entre minhas mãos; um tremor percorreu meu corpo inteiro; todos os meus nervos encontravam-se no limite da tensão; a sensação era tão penetrante que quase me enlouqueceu.

Depois, a coluna inteira estava dentro da sua boca, a ponta tocando seu palato; sua língua, achatada ou engrossada, provocava-me arrepios por toda parte. Num momento eu era sugado com avidez, depois mordiscado ou abocanhado. Gritei, implorei para que ele parasse. Não podia suportar tamanha intensidade por mais tempo; aquilo estava me matando. Se tivesse continuado por apenas mais um instante, eu teria perdido os sentidos. Ele era surdo e insensível às minhas súplicas. Relâmpagos pareciam passar diante dos meus olhos; uma torrente de fogo percorria todo o meu corpo.

– Basta… pare, já chega! – gemi.

Eu conheci este livro por meio de uma amiga que amo um tanto e, oh, adorei. Super indico meeeeesmo. Não é à toa que estou falando sobre ele aqui, não é? Ao ganhá-lo, eis que também recebo essa linda dedicatória. Caso queira lê-lo, não será tão difícil encontrar. Lembre-se do que falei e saiba que vale a pena adquirir uma leitura tão importante na história da literatura erótica e tão gostosa de ler.

Fotografia: Lu Rosário.

Fotografia: Lu Rosário.

É bem provável que você não conheça este livro, afinal, o autor só teve repercussão com ele. John Cleland é um escritor do século XVIII que, segundo a sua biografia, foi preso por causa de dívidas e, enquanto estava na prisão, revisou e o enviou para publicação. Considerado o primeiro romance erótico da modernidade, Memórias de uma mulher de prazer (popularmente conhecido, na época, como Fanny Hill) foi um marco na luta contra a censura erótica porque os editores e os impressores foram presos e acusados de obscenidade. Infelizmente, o escritor teve que abdicar do livro e, a partir de então, surgiram edições piratas que passaram a divulgar os escritos.

Cleland foi compreendido como pornográfico na época ao narrar as aventuras de uma jovem, em sua iniciação sexual e no decorrer de sua vida. Além da escrita detalhada e marcada por retrato de cenas consideradas “imorais”, na década de 1760 começaram a surgir versões ilustradas e foi isso, principalmente, que lhe atribuiu o cunho pornográfico. Este material iconográfico, inclusive, inviabilizou discussões objetivas acerca do romance no século XIX e este apenas foi reconhecido pela crítica há pouco tempo.

Uma das ilustrações de Fanny Hill ou Memórias de uma Mulher de Prazer

Uma das ilustrações de Fanny Hill ou Memórias de uma Mulher de Prazer

Fanny Hill ou Memórias de uma Mulher de Prazer conta a história de uma jovem de quinze anos, cujos pais falecem e, por isso, vai para Londres em busca de uma vida melhor. Lá, ela acaba indo parar em um bordel e apaixona-se por Charles, fugindo com ele. No entanto, ele precisa deixar a cidade e ela fica sozinha – deixando a insegurança de lado e tornando-se uma cortesã bem requisitada pelos homens… até que casa-se novamente com um homem rico e descobre que está sendo traída. Como troco, entrega-se aos prazeres com um criado e é pega em fragrante. Financeiramente melhor, volta para uma casa de satisfações sexuais e finge perder a virgindade novamente… até casar-se novamente, seu marido falecer e ela enriquecer a base da sua herança. Após alcançar a independência financeira, Fanny lembra-se de Charles – o rapaz com quem perdeu a virgindade e apaixonou-se pela primeira vez ou, pode-se dizer, seu primeiro e único amor.

Mais do que um enredo belíssimo, Cleland traz em minúcias os enlaces sexuais – não apenas de Fanny Hill, mas também daquelas que habitavam a casa em que ela conviveu por um tempo. Tais enlaces também referem-se à orgias e momentos entre homossexuais. Tudo isso serviu como um tapa na cara da igreja (e, ai, esse tapa foi uma delícia!). Escrito em dois volumes, apresenta-se em forma epistolar (ou seja, você lerá duas longas cartas). Desse modo, lemos confissões e adentramos ainda mais nesse mundo de prazeres sexuais. Quer saber? Vale super a pena lê-lo.

Quem me apresentou a Cleland foi um amigo lindo. Com uma dedicatória mais linda ainda, apaixonei-me logo nas primeiras páginas deste livro. E outra: não é coisa de outro mundo achá-lo para comprar e também não é caro, dei uma pesquisada por aí justamente para lhe dizer isso, ok? Boa leitura e próximo mês tem outra indicação deliciosa por aqui!

Dedicatória feita em meu livro por um amigo que, inclusive, me presenteou com ele.

Dedicatória feita em meu livro por um amigo que, inclusive, me presenteou com ele.