Indicação

Um escritor de detalhes, erotismos e cotidiano.

Aos 23 anos, José Abisolon é um conquistense de escrita peculiar e excitante. Por meio das palavras, ele trabalha com todos os nossos sentidos e faz com que percebamos o quanto pode ser inebriante um conto erótico. Um leitor exímio e com uma pequena biblioteca particular de literatura erótica, ele causa inveja aos que se deliciam com este tipo de escrita. Foi por meio da leitura que este jovem começou a escrever, aos 17 anos, e exercer a sua criatividade sobre o papel. Iniciou ao ler Charles Bukowski e assistir a série Californication.

Eu me identifiquei com Bukowski nos aspectos de solidão e aquela revolta com a sociedade. Ele era diferente de tudo que eu já tinha lido, e pensei que eu podia fazer o mesmo. Sentei em frente ao computador e saiu o primeiro conto, chamado Alice. Uma senhora casada que insatisfeita, procura um garoto de programa. Rendeu 7 páginas, eu mostrei pra namoradinha da época e pra família, claro que eles apoiaram, haha! Daí foram surgindo novas histórias.

Em cada história, José Abisolon me relatou ter um pouco de Bukowski, mas ter também a influência de outros escritores que tenha lido, filmes que tenha assistido e por aí vai. No entanto, cada um dos seus nove contos, produzidos até hoje, tem um motivo particular. Há quem tenha encomendado algum conto, outros foram formas de homenagear alguém e alguns foram frutos do desejo. Quando eu lhe questionei a respeito de algum conto especial, ele me respondeu que

Cada um teve seu motivo de existir, sua necessidade de ser colocado pra fora. Eu amo os detalhes que estão neles. A cor de uma calcinha, o sorriso ou as palavras pronunciadas pré ou pós-gozo. Aos contos em si, não sou apegado… Prefiro que eles sejam inspiração para que as pessoas se amem.

Agora vou deixar de lero lero e lhes apresentar o último conto de José Abisolon, que se chama Leila.

Em pé diante da cama, mãos dentro do bolso, a luz brilhando no prendedor de gravata prateado e um sorriso nos lábios. A camisa branca era a única coisa pura que existia no ambiente. A mulher sentada na beirada da cama, olhos pequenos, carregados de desejo. Sorriu. Ainda que parecesse leve, foi só para disfarçar sua ansiedade. Ambos continuaram a se encarar.
– Esperei o dia todo por esse momento… Ela disse. O que era totalmente verdade. Nos intervalos do trabalho, sempre que um paciente entrava para o consultório do dentista, ela se ocupava em mandar uma mensagem. Relatou o quanto estava cansada e que ser secretária lhe consumia o bastante, e para piorar, a faxineira adoeceu e naquela manhã teve que chegar uma hora mais cedo e limpar tudo.” Ninguém merece isso”, escreveu ele em resposta. Ofereceu uma massagem e de prontidão recebeu um “Eu adoraria”.
– Você quer alguma coisa? – ela quis saber.
– Apenas que você relaxe…
Tirou o paletó e pendurou na maçaneta da porta.
– Fica só de calcinha, disse a voz rouca dele.
A mulher deitou o corpo na cama e foi subindo, até chegar aos travesseiros. Retirou a camisola preta que usava e ficou de bruços. O ambiente ficou elétrico. Sentiu-se vulnerável ali, com ele de pé observando-a. Pequena, diante daquele homem. Adorou a sensação. Cruzou os braços embaixo da cabeça e sentiu a respiração pesar. O homem aproximou-se enquanto tirava os sapatos e meia. Pôs o prendedor de gravata no bolso do paletó e a gravata num travesseiro próximo à mulher. Ajoelhado, subiu na cama e ficou por cima, com ela entre as pernas. Sentou de leve nas pernas dela e deslizou as mãos do cóccix até o pescoço, afastando o cabelo para o lado esquerdo. A mulher arrepiou com o toque, as mãos estavam frias. Aquelas mãos grandes e ásperas… O homem percorria a pele da mulher, para cima e baixo. Pressionando-a com os polegares. Esta sentia seu corpo esquentar, a cada movimento. Era como se ele estivesse despertando-a.
Ele esticou o braço até o interruptor e apagou a luz. “Assim fica melhor”, sussurrou. Em resposta, tudo que ela fez foi balançar a cabeça. Massageava os ombros e depois envolvia o pescoço com suas mãos. Ela suspirava. Lambia os lábios e sentia o tom vermelho do batom aumentando suas vontades. Queria tocá-lo. Precisava senti-lo. Reuniu forças para movimentar o braço na sua direção, mas foi desnecessário, ele captou sua intenção e deitou seu corpo sobre o dela, cobrindo-a com o dobro do tamanho. Ambos os perfumes invadiram os corpos, e a voz grossa penetrou-a: “ Eu quero você”.
Apoiou-se sobre as mãos e desceu, beijando cada centímetro das costas dela, que ergueu um pouco o corpo, queria senti-lo mais. Quando próximo à bunda, ele mais uma vez ficou de joelhos. Admirando-a. Pegou a gravata preta em cima do travesseiro e ordenou que ela pusesse os braços para trás. Ela obedeceu e com uma mão, o homem segurou os punhos dela enquanto usava a outra para prendê-los com a gravata. Estreitou o nó. Pôs as mãos na cintura de Leila, este era o nome dela, e apertou, para depois resvalar até as nádegas. Puxou a calcinha fio dental preta até as panturrilhas dela. Em resposta, ela apoiou-se no joelho. Oferecia-se. O homem cobriu a bunda com suas mãos e afundou o rosto no sexo úmido de Leila. Com fome, envolvia a buceta quente com seus lábios e deslizava a língua. Cada gemido, cada respiração que ela dava, ele lhe respondia com uma lambida. Apertava as nádegas de Leila para mostrar-lhe quem estava no comando. Dizia com os dedos: “Eu lhe domino”. Leila jogou o corpo para trás, elevando a bunda.
– Deita! – ordenou.
A mulher soltou o corpo sobre a cama. Estava quente, a respiração ofegante. Transpirava e o batom já começava a manchar o travesseiro. Coração e buceta pulsavam, mas só um deles escorria, líquido, por suas pernas. O homem tirou o cinto e jogou no chão. Abriu o zíper da calça e retirou-a. Um por um, enquanto sentia o pau latejar com a imagem de Leila submissa na sua frente, abriu os botões da camisa. Abaixou a cueca vermelha e deitou-se ao lado de Leila. A mulher girou a cabeça, encarando-o entre os fios do cabelo que cobriam seu rosto. Sentiu as mãos ásperas em seus braços lhe puxarem para cima dele. Passou a perna por cima e ficou de joelhos, mãos atadas, sentada em cima do pau negro e grosso que lhe separava os lábios da boceta molhada. Ainda apertando seus braços, ele a puxou e se beijaram. Leila sentiu a boca carnuda que antes lhe chupava, agora mordendo seus lábios rubros. De fome igual, Leila se entregava. Entre um beijo e outro, pedia que lhe fodesse com vontade. Experimentava o pau pulsar com a umidade da sua boceta. Mordiscava-o no pescoço. Ela ergueu um pouco a cintura. O homem segurou o membro com a mão direita. Com os olhos fechados, Leila foi se encaixando. A cada centímetro em que se sentia preenchida, sua pele reagia. Quando completa, largou-se sobre ele. As mãos masculinas e grosseiras estavam em sua cintura, coordenavam o movimento. Com força e apertando-a. Leila cavalgava, aproveitava a pouca liberdade que o nó nos punhos permitia e cravava as unhas nas coxas do homem. Este se levantou e foi de encontro ao corpo feminino. Envolveu-a com os braços e sugava os seios de Leila com força. Ela gemia de dor e prazer. Os corpos escorriam de suor. Ele lhe agarrava pelos cabelos e mordia o pescoço. Todo o corpo de Leila tremeu. Com a boca seca e falta de ar, pediu para que gozassem juntos. O homem deitou e ela jogou o corpo em cima dele. A mulher mordeu o ombro másculo, tentando segurar o grito de prazer. Veio um gemido forte e longo. Suas mãos se contorceram e o corpo estremeceu. Ele fechou os olhos e deu vários pequenos gemidos, seguidos, enquanto apertava os braços de Leila com força. Eternos segundos depois, a tensão corporal passou. Ela ficou ali, em cima do peito dele, tentando recuperar o fôlego. O homem a abraçou. Beijaram-se.

Depois do banho quente e um pouco de conversa, ele adormeceu. Leila ficou trocando os canais da TV até se entediar. Levantou da cama, caminhou até o paletó e no bolso interno, achou uma carteira de cigarros e um isqueiro azul-escuro. Acendeu um cigarro. Vestiu a camisa branca que ele havia usado. Não só pelo frio, mas também porque adorava aquele perfume. Usar uma camisa que ia até suas coxas de tão grande lhe trazia uma sensação de acolhimento e intimidade. Sentia-se sensual ali dentro. Fechou alguns botões e foi até a janela. Gostava da imensidão de luzes que a vista lhe oferecia. Do silêncio. Observou o corpo dele, sereno, adormecido. Riu ao constatar que ele parecia muito indefeso, e que isso nada tinha a ver com o homem que havia lhe dominado horas atrás.
Antes de voltar para cama, passou o batom vermelho e deixou-lhe uma marca de beijo no colarinho. Aproximou o corpo ao dele, que em resposta lhe abraçou.
Leila adormeceu.

Uma delícia de leitura, não é? Quem quiser ler outros escritos de José Abisolon e iniciar um bate papo inspirador, o seu e-mail é jose.abisolon69@gmail.com e o whats é (77)99169-1541. Sinta-se à vontade, ele é um rapaz tinindo de bom!

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Jornalista. Baiana. Leonina. Apaixonada por tudo o que diz respeito a sexo e sexualidade. Palavras e fotografias são suas taras.

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