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Azul é a cor mais quente, dirigido por Abdellatif Kechiche, foi um desses longas que eu não poderia deixar de assistir e que fez com que eu me emocionasse muito. Super comentado por suas cenas de teor erótico, ele narra a história de Adèle, uma jovem que descobre no azul dos cabelos de Emma sua primeira paixão por outra mulher.

Ao adentrar em um ambiente gay e ser recepcionada na frente da escola por Emma, suas colegas a agridem verbalmente pela possibilidade dela ser lésbica. Ainda assim, ela e Emma passam a sair juntas até rolar o primeiro beijo, a primeira transa e, assim, começarem a namorar.

A família de Emma é tranquila e sabe da preferência sexual da filha, já a família de Adèle não sabe disso e vê sua namorada como uma grande amiga. Elas vão morar juntas, comemoram momentos importantes e – com o tempo – a relação passa a esfriar. Adèle não revela seu relacionamento no ambiente de trabalho por medo da represália que pode vir a sofrer, outras relações são descortinadas por ela se sentir sozinha e, no finalzinho, que me emocionou bastante, você precisa assistir para saber no que dá.

Azul é a cor mais quente reflete um pouco a descoberta da sexualidade e o olhar que a sociedade heteronormativa tem a respeito de uma mulher que venha a curtir outra do mesmo sexo. O filme também apresenta o momento de luta contra o preconceito por meio da Parada do Orgulho LGBT, bem como a beleza da nudez feminina nas pinturas de Emma.

As cenas de sexo ficam, principalmente, a cargo das duas. São cenas inspiradoras e que mostram o explorar do corpo de ambas. Chega a nos dar tesão e nos inspirar. Aproveita um dia desses para assisti-lo, acredito que você vai gostar!

PS: Este filme é baseado no romance Le Bleu est une couleur chaude, de Julie Maroh. Depois que eu lê-lo, irei fazer a resenha para vocês.

Este foi o primeiro filme que assisti sobre a transexualidade e confesso que chorei (e chorei muito!). O filme retrata a história do transexual Brandon Teena que, ao mudar-se para uma pequena cidade e assumir uma identidade masculina, é descoberto com um corpo, geneticamente, feminino. Antes da descoberta, apaixona-se por Lana e começa a relacionar-se com ela. Além disso, faz amizades com outras pessoas pertencentes ao círculo onde ele e Lana fazem parte.

Entretanto, sua condição de transgênero é descoberta e mal compreendida. Começam os disparos de violência e, concomitantemente, a nossa dor perante o sofrimento do personagem nos machuca. Saber que aquilo realmente acontece nos machuca duplamente. Foi por todo o preconceito, todo o modo dele se olhar no espelho e por toda a questão de ter que viver uma vida dupla devido a não aceitação social que a gente consegue se colocar no lugar dele.

 

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

 

Este filme nos permite entender um pouco essa realidade que nos cerca, cujo transexual é visto praticamente como um monstro ou um anormal, tanto pela sociedade quanto pela família. Alguns casos terminam bem. Neste, você precisa assistir para saber como terminou essa história – um drama que me tirou algumas tantas lágrimas. Assim como Tomboy, é um filme que deve fazer parte da sua lista de próximas produções cinematográficas. Prepara a pipoca, chama ozamigo e se joga neste domingo. É bom demais um filmezinho, ainda mais com uma importância social tão grande.

 

Para quem nunca assistiu “A Casa de Alice”, creio que vale a pena. Ele é um filme dirigido por Chico Teixeira e que conta a história de uma família de classe-baixa em São Paulo. Como todo meio familiar, percebe-se a desestrutura em que este se encontra. Alice é uma manicure casada com um taxista e possui três filhos, rapazes com suas vaidades e vontades próprias da adolescência. Além deste círculo familiar, a mãe de Alice mora com eles e vê tudo o que acontece dentro da casa.

 

Alice com sua mãe na cena do filme "A casa de Alice", dirigido por Chico Teixeira.

Alice com sua mãe na cena do filme “A casa de Alice”, dirigido por Chico Teixeira.

 

Alice é traída pelo marido e o trai. Seus filhos aprontam debaixo dos seus olhos. Sua mãe cala-se diante de tudo o que acontece e a gente não consegue achar nada tão estranho perante a realidade em que nos encontramos. Um dos filhos ganha dinheiro com o próprio corpo e por aí vamos compreendendo como surgem os diversos modelos de família na contemporaneidade.

 

Os filhos de Alice no filme "A casa de Alice", de Chico Teixeira.

Os filhos de Alice no filme “A casa de Alice”, de Chico Teixeira.

 

Por meio deste longa metragem, é perceptível a força de Alice para manter a família e enfrentar todos os problemas que surgem. Fechar os olhos para ela e sua mãe, ás vezes, parece ser a melhor solução. Perante toda trama que se desenrola, assisti-lo é se permitir refletir um pouco mais sobre a vida e a estrutura em que nós e tantas famílias estamos inseridos.

Sempre fui daquelas que não gostavam de assistir séries porque achava chato esperar por uma continuação infinita de episódios. Este ano, apresentaram-me “O Negócio” – uma série que envolve um universo que acho bem interessante, o do sexo, e algo que tenho curiosidades de estudar e conhecer – estratégias de marketing. De forma bem inteligente e, por enquanto,em apenas duas temporadas de treze episódios, Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho apresentam três mulheres que se unem para obter sucesso como profissionais do sexo.

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista, da esquerda para a direita.

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista, da esquerda para a direita.

Uma produção da HBO em parceria com a produtora Mixer, a primeira temporada d’O Negócio apresenta as personagens principais e a colocação delas no mercado até alcançarem um patamar onde a concorrência passa a pirateá-las. Vítimas da pirataria, a segunda temporada surge para mostrar como enfrentaram os desafios e se reposicionaram no mercado como profissionais de sucesso.

Como sabemos, a prostituição – apesar de ser a profissão mais antiga do mundo – é considerada um tabu na sociedade contemporânea e, com isso, sofre preconceitos. Para Karin (protagonizada por Rafaela Mandelli), esta poderia ser vista com outros olhos já que traz benefícios para a família por meio da lógica de satisfação pessoal. Este satisfazer-se justifica-se pelo prazer carnal e pela liberdade que o outro tem de falar de si sem ser julgado ou até mesmo de poder estar em um lugar sem se sentir pressionado e, depois, poder voltar para casa sem alguns quilos nas costas.

Eu diria que mais do que assistir cenas de sexo e explicações que apontam a prostituição como benéfica à sociedade, a série permite termos um conhecimento maior de marketing e nos seduz a aplicar os conceitos apontados nesta em algum empreendimento nosso. De forma bem didática, a gente acaba ampliando nosso olhar sobre o consumo de grandes marcas e passamos a ser mais otimistas quando o assunto é aumentar as vendas e obter uma ressignificação no mercado. Portanto, amores, como não amar essa série? Além de ser bem perspicaz, é brasileira e isso me deixou com muito orgulho.

O último episódio foi exibido em novembro de 2014 e o terceiro episódio já está a caminho, estou em cólicas esperando. Para assistir as duas primeiras temporadas, acesse o HBO GO que você as encontrará completas. E para matar, ainda mais, a curiosidade desta série, vejam este vídeo (abaixo) publicado pelo canal HBOnoBrasil e curta a fan page O Negócio – HBO para ficar por dentro das atualizações. Delicie-se!

 

Já assistiu “Tomboy”? Ele é um filme francês dirigido por Céline Sciamma. Oh, adooooro filmes franceses, são lindos em si e o idioma é uma delícia de ser ouvido. Este é maravilhoso porque conta a história de um menino de dez anos que nasceu com a anatomia feminina, mas não se identifica com o sexo. Ele (porque recuso-me a dizer “Ela”) veste-se como um menino e tem a postura de um rapazinho, inclusive observa os outros meninos de sua idade para fazer como ele em alguns momentos, tais como durante uma partida de futebol. Ao mudar-se para uma nova cidade, conhece uma menina e, assim, começa a despertar para a sexualidade. Passa a observar o próprio corpo e deseja ter um pênis para também poder tomar banho no rio com os amigos.

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A personagem Lisa com o protagonista Laure/Michael

 

Além dele e de seus problemas internos quanto a isto, afinal, em sua casa, os pais o tratam como menina e seu corpo aponta isso, ele tem uma irmã mais nova que descobre que ele se apresenta como menino perante os amigos. Caladinha, ela o defende em troca de poder sair para se divertir com ele e os meninos e meninas da vizinhança. O seu entendimento sobre o irmão é algo lindo de se ver e mostra o quanto as crianças são mais abertas a compreender tais coisas, pois ainda não estão confinadas ao conservadorismo que nossa sociedade impõe.

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O personagem Laure/Michael com a irmã Jeanne

 

O final do filme aponta para algo que é comum nos dias atuais: a não compreensão da família e a posterior exposição do outro por um gênero que não lhe convêm. A transsexualidade ainda precisa de muito para sair do obscuro, para ser entendido e para evitar tais preconceitos. Eu diria que é a margem da margem, há quem considere uma patologia por pura ignorância. Cabe a nós abrir olhos e mentes. Filmes lindos como esse trazem e fortalecem isso e eu te questiono: como você agiria se seu filho fosse transsexual?