HomeArte e FotografiaDas mãos de François Dubeau aos detalhes e pedrarias de Rodrigo Góes

Das mãos de François Dubeau aos detalhes e pedrarias de Rodrigo Góes

Um mosaico em Cerâmica, Quartzo, Turmalinas Negras e Strass – assim fui apresentada a uma de suas obras, inclusive, aquela que lhe rendeu elogios e que, de todas, é a mais parecida com o Pudor Nenhum. A inspiração de Rodrigo Góes é do francês François Dubeau, considerado um dos ícones da arte erótica. Mais do que isso, a obra que lhes apresento é uma reprodução rebuscada de um desenho produzido pelo ilustrador francês. Vamos em partes para compreender um pouco dos dois e de seus traços, ambos peculiares, neste percurso que sai das linhas sobre o papel para o deslumbramento em pedras.

François Dubeau é, como apontado em seu site, um delicioso paradoxo por combinar técnicas tradicionais com modernas ferramentas digitais. Seus traços são simples e delicados, explora formas e desejos. Por meio da caneta digital, ele explora os movimentos e cada gesto torna-se um ponto de partida. É dessa forma que sua criatividade emerge. Após concluído o desenho, Dubeau o transfere para o papel ou tela e, assim, evidencia a união entre o passado e presente em cada obra.

 

François Dubeau durante sua produção.

 

Os desenhos de Dubeau apresentam fetiches, mostram-se como sinônimos de liberdade, são audaciosos, despudorados e femininos. É possível sentir leveza e, ao mesmo tempo, força em cada salto, chibata, cabelos ao léu, cintura e seios à mostra. Impossível não se identificar com tamanho erotismo e um de seus desenhos designa-se No Strings Attached que, em uma possível tradução, seria Sem Compromisso.

A ilustração citada encontra-se logo abaixo sobre um corselet semi aberto com umbigo, seios e vulva em evidência. Para completar, uma meia calça até a coxa e um quadril largo. Caso o artista quis, realmente, intitulá-la de Sem Compromisso, provavelmente deve ter tido a vontade de expor a liberdade que a imagem representa.

 

Imagem e valores encontram-se no site de François Dubeau.

 

Foi Sem Compromisso que chamou a atenção de Rodrigo Góes, um artista baiano – soteropolitano que reside em Itabuna, sul da Bahia. Auto-didata, Góes iniciou no mundo das artes em 1996 com vidros, porcelanas, pedras e outros materiais aos quais pudesse atribuir sentidos. Ao descobrir novas pedras na Chapada Diamantina, descobriu também um novo mundo de possibilidades e, assim, “evoluiu para a junção destas vertentes em harmonia com a química meticulosa da resina” – salienta em seu blog Mosaico, a perfeição da irregularidade… .

Rodrigo Góes confessa ser um apaixonado pelos entornos da sexualidade e, assim como o Pudor Nenhum, ele crê que o sexo é algo natural e, portanto, deve ser abordado sem constrangimentos e vulgaridades. Nesse sentido, expor tudo o que nos remete a ele deve ser uma arte a ser feita com seriedade. Além de François Dubeau, há outros artistas os quais admira, mas salientou que há anos tinha vontade de reproduzir alguma coisa deste francês até que conseguiu tempo para tal.

 

Fotografia de Luciano Aguiar e Thiago Chito.

 

Esta é a reprodução de um trabalho que antes passou pelas mãos de Dubeau e que, inclusive, vimos um pouco mais acima. A perfeição em cada traço, o cuidado com cada detalhe, a precisão de um artista que sabe lidar com pedras, o olhar atento e despretensioso de quem quis ir além e foi. Esta obra foi vendida a um colecionador de arte erótica que se apaixonou quando a viu, praticamente amor à primeira vista. Antes de colocá-lo à venda, Góes entrou em contato com o artista francês.

 

Mandei fotos pra ele – ele mora hoje no Canadá – e ele ficou maravilhado, e tal, me parabenizou, me deu aqueeeeeeela massagem no ego…

 

Depois de me contar isso, Góes ressaltou que Dubeau o agradeceu pela hombridade de avisá-lo e mostrar a peça a ele antes de colocar à venda, posto que muitos agem de má fé e ele já estava às voltas com a justiça no Reino Unido porque estavam vendendo os seus desenhos na internet, retirando-lhe a autoria. Algo que, infelizmente, todos nós estamos sujeitos no mundo virtual.

Para que possamos apreciar, ainda mais de perto, a semelhança entre as duas obras, resolvi colocá-las lado a lado a fim de desfrutarmos deste arte que passou pela tela virtual, pelo papel e, posteriormente, pela cerâmica com retoques de pedrarias.

 

 

Simplesmente lindo: é isso que posso dizer a respeito das duas obras. Uma reprodução própria de quem tem estilo e sabe lidar com a sensualidade dos traços e a lapidação do que vem da natureza. Na imagem abaixo, encontra-se uma fotografia que mostra a obra de Rodrigo Góes, exposta na loja da Forum no Shopping Jequitibá em Itabuna.

 

Fotografia de Luciano Aguiar e Thiago Chito.

 

Para finalizar esta publicação, gostaria de dizer que o Rodrigo Góes é um leitor do Pudor Nenhum e que conheci o seu trabalho porque ele o apresentou para mim na fan page deste blog. Foi um prazer conhecê-lo e quero agradecer por ter me permitido vislumbrar tanta beleza e talento – ainda que por fotos. Seu trabalho será sempre bem vindo na esfera despudorada daqui e espero que outras reproduções sejam feitas para agraciar nossos sentidos. Estaremos te esperando!

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Baiana. Graduada em Letras Vernáculas e em Jornalismo. Realizou pesquisa em Análise do Discurso, estudando a produção do discurso pornográfico. Descobriu-se apaixonada por assuntos relacionados ao sexo e a sexualidade. Adora brincar com as palavras e fotografias.

falecom.lurosario@gmail.com

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