Em uma tarde de segunda, poesia. Na primeira segunda do ano, inspiração. No meio daquele dia, tesão. Sem pudores e com livros na mão, o escritor José Abisolon deixou-se fotografar pelas minhas lentes – que, apesar de ainda estar ingressando no ramo da fotografia, já me senti à vontade o suficiente para soltar a imaginação com ele e utilizar a câmera em minhas mãos ao meu bem prazer.

Com livros de literatura erótica e pornográfica que nos fazem lamber os beiços, apresentamos alguns deles de uma forma deliciosa. A interação com cada livro, de uma forma sutil, torna o ensaio uma mostra singular do que é importante nesta vida e as considerações sobre cada um deles são feitas por José Abisolon, o modelo delícia das fotos.

Fotografia: Lu Rosário.

 

Em O Sexo e A Psique, Brett Khr é um psicanalista que pegou uma caralhada de gente e perguntou com qual fantasia eles gozavam mais. Daí dividiu por categorias e, antes dos relatos, ele escreve um breve artigo sobre. Essencial para quem quer se afundar na diversidade sexual.

Fotografia: Lu Rosário

 

História de O é um romance sadomasoquista escrito por uma mulher, mas como um pseudônimo masculino. Maldita época em que as mulheres não tinham liberdade para expor suas vontades. Essa é a versão em HQ, pelo também mestre erótico Guido Crepax.

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Manara é o mestre dos quadrinhos eróticos. Ele é autoexplicativo. As séries Clic e Os Bórgias são uma boa.

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Para também representar as mulheres no erotismo, temos a também italiana Giovanna Casotto. Uma curiosidade sobre a artista é que ela mesma posa pros seus desenhos, que são bem reais.

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O Pudor Nenhum é o melhor espaço para os amantes se encontrarem, expressar seus desejos e se deliciarem.

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Foi intenso, foi gostoso. Foi imensamente prazeroso. Com essas dicas de leitura e essa vontade toda que emana da fotografia, eu repito as palavras da sexóloga Aline Castelo Branco, o bom da vida se resume em três palavras: amar, transar e gozar. E são nessas palavras que se concentram cada leitura indicada e cada gesto fotografado. Sejamos Pudor Nenhum hoje e sempre, amém!

Quando o ano começa, também se inicia aquela cobrança de estrear sexualmente. Todo mundo quer umazinha. Dizem por aí que dar a primeira do ano logo em seu primeiro dia é começá-lo com estilo e saber que os outros 365 dias podem ser de muito sexo. Aos que não tiveram essa sorte, a contagem já começou e quem passar pela sua frente pode se tornar um alvo em potencial. Afinal, a vontade está gritando em seus poros.

Fazer sexo é uma vontade do corpo a qual nem sempre temos o controle. Há quem opte pelo antigo PA (Pau Amigo) ou BA (Boceta Amiga) só para não deixar adormecer o tesão que a pele exige e há aqueles que preferem manter a carne quente do que escolher alguém cuja química ainda não se entrelaçou em sua totalidade. Acontece que todas essas possibilidades advem de uma tentativa de repor as energias que o fim do ano se encarregou de levar.

Iniciar um novo ano é sinônimo de ter suas forças recarregadas e, portanto, novos recomeços. É quando se planeja as metas e – em alguns casos – até lhes coloca prazos. Assim, para algumas pessoas, fica mais fácil alcançá-las. A virada de ano é, nesse sentido, um novo impulso para que as esperanças se renovem e as coisas efetivamente mudem. Praticar o sexo, neste entremeio, é uma das formas mais gostosas de dizer: energias recarregadas, agora posso seguir em frente.

Comecei o ano no zero a zero, mas estou na contagem para dar uma e desempatar. Depois disso, recomeço a contagem das transas e das alegrias que o 2016 tem a me oferecer. Sexo significa saúde e bem-estar. Todos nós merecemos iniciar este novo ciclo, que é um novo ano, com esta delícia que nos faz tão bem. Que, então, nós transemos logo em 2016. Amém!

Estamos no último dia de 2015 e, é claro, que relembrar todo este ano que passou é uma tarefa e tanto. Quando ele começou, eu ainda estava correndo atrás de fazer uma nova logo para o Pudor Nenhum e o resto eram apenas vontades do que este espaço poderia ser. Sentia tesão em cada planejamento e corri atrás de tudo o que poderia colocá-lo em pé. Consegui.

Este ano que se encerra, portanto, foi feito de muitas realizações e – com elas – obtive sucesso. O Pudor Nenhum está lindo e com datas de publicação acertadas. Ainda não consegui me organizar o suficiente para colocar as publicações em dia, mas quero a partir deste novo não perder uma terça, quinta ou sábado para estar com você. As redes sociais possuem participações ativas e cresce cada dia mais. Isso é um motivo de orgulho imenso. Até no Whatsapp o Pudor Nenhum está e por lá fazemos festa todos os dias.

Para 2016, além de buscar me organizar, estou cheia de metas a serem cumpridas. Eu quero, por meio do Insta, colocar uma curiosidade sobre sexo todos os dias e, inclusive, já está prometido. Eu pretendo, quem sabe, abrir uma lojinha virtual de produtos eróticos aqui e também fazer um Canal no YouTube todo regado nas delícias de um universo voltado para o sexo e a sexualidade. A intenção é que 2016 seja ainda mais fodástico do que foi este ano!

A partir de amanhã, continuemos com essa carinha lavada que nós temos e com a energia renovada porque nós merecemos. Sejamos despudorados da cabeça aos pés. Tenhamos autoestima para nos acharmos maravilhosos e maravilhosas seja lá onde a gente estiver. É com esse amor próprio, meu bem, que a gente segue em frente. Então, até sábado – dia 02 de janeiro. Antes disso, estarei no Facebook e no Instagram porque sou dessas.

 

Sou dessas que se arruma toda só pra provocar
Sou dessas que de vez em quando gosta de aprontar
As vezes tomo um negocinho só pra me soltar
Vou te mostrar como se joga se quiser brincar
[Sou dessas/Valesca Poposuda]

O verão chegou e, com ele, a sensação de calor. Nessa época, a transpiração aumenta e beber água torna-se ainda mais imprescindível. De acordo com Nuno Cobra, preparador físico, o calor modifica o corpo humano porque a temperatura interna das cavidades craniana, toráxica e abdominal aumentam. Ele afirma que se a temperatura subir demais, há uma desintegração das proteínas. Além do mais, na dinâmica de circulação do sangue, o preparador físico salienta o uso de roupas leves no verão para que, assim, ocorra a evaporação do suor, pois ele é o responsável por esfriar o sangue – que será levado ao interior do organismo com o objetivo de captar calor e conduzí-lo à superfície da pele.

 

Entre as inúmeras atividades físicas que podemos fazer nessa época, a melhor delas está ilustrada na imagem acima. Fala a verdade: a melhor e a mais prazerosa não poderia ser outra. O sexo movimenta as articulações e os músculos, trabalhando ritmicamente com todos eles e proporcionando saúde aos participantes. Sem contra indicação, ele queima um pouco das gordurinhas indesejadas e, segundo o cardiologista Nabil Ghorayeb, uma relação sexual normal (com provável duração de 10 min) corresponde a uma atividade física de intensidade leve a moderada.

 

Durante o sexo, o suor escorre e os corpos se escorregam um sobre o outro. Quem nunca virou o rosto para que o suor do outro não caísse dentro dos olhos? Quem nunca perdeu aquela escova que havia deixado o cabelo lindo? Quem nunca precisou dar um tempo para conseguir vestir-se por causa do corpo ou da roupa molhados? Quem nunca encharcou lençóis? Como assinalado acima, o suor é bom e para que o sexo ocorra com tudo o que tem direito, não é necessário roupa alguma – isso favorece a circulação sanguínea e torna a prática ainda mais saudável.

 

Um outro fator importante, além deste suor todo, é o cansaço que a atividade pode ocasionar. Se você ficar alguns meses sem transar, quando for fazê-lo, sentirá o corpo super cansado no outro dia. Essa é a mesma sensação de quem não está acostumado com academia e resolve começar a frequentar, a diferença é que no sexo você acostuma mais rápido (é claro, né?).

 

Neste verão lindo, entregue-se. Foda, transe, trepe, dê uma. Permita-se suar à vontade. Faça, do corpo alheio, tobogã. Não se preocupe com roupas de cama ou com quaisquer outros objetos e lembre-se, como canta Tuca Fernandes, que “É verão, sei lá, á uma vontade boa de se dar. Tempo bom de ser feliz, tempo bom de namorar”.

Aos 23 anos, José Abisolon é um conquistense de escrita peculiar e excitante. Por meio das palavras, ele trabalha com todos os nossos sentidos e faz com que percebamos o quanto pode ser inebriante um conto erótico. Um leitor exímio e com uma pequena biblioteca particular de literatura erótica, ele causa inveja aos que se deliciam com este tipo de escrita. Foi por meio da leitura que este jovem começou a escrever, aos 17 anos, e exercer a sua criatividade sobre o papel. Iniciou ao ler Charles Bukowski e assistir a série Californication.

Eu me identifiquei com Bukowski nos aspectos de solidão e aquela revolta com a sociedade. Ele era diferente de tudo que eu já tinha lido, e pensei que eu podia fazer o mesmo. Sentei em frente ao computador e saiu o primeiro conto, chamado Alice. Uma senhora casada que insatisfeita, procura um garoto de programa. Rendeu 7 páginas, eu mostrei pra namoradinha da época e pra família, claro que eles apoiaram, haha! Daí foram surgindo novas histórias.

Em cada história, José Abisolon me relatou ter um pouco de Bukowski, mas ter também a influência de outros escritores que tenha lido, filmes que tenha assistido e por aí vai. No entanto, cada um dos seus nove contos, produzidos até hoje, tem um motivo particular. Há quem tenha encomendado algum conto, outros foram formas de homenagear alguém e alguns foram frutos do desejo. Quando eu lhe questionei a respeito de algum conto especial, ele me respondeu que

Cada um teve seu motivo de existir, sua necessidade de ser colocado pra fora. Eu amo os detalhes que estão neles. A cor de uma calcinha, o sorriso ou as palavras pronunciadas pré ou pós-gozo. Aos contos em si, não sou apegado… Prefiro que eles sejam inspiração para que as pessoas se amem.

Agora vou deixar de lero lero e lhes apresentar o último conto de José Abisolon, que se chama Leila.

Em pé diante da cama, mãos dentro do bolso, a luz brilhando no prendedor de gravata prateado e um sorriso nos lábios. A camisa branca era a única coisa pura que existia no ambiente. A mulher sentada na beirada da cama, olhos pequenos, carregados de desejo. Sorriu. Ainda que parecesse leve, foi só para disfarçar sua ansiedade. Ambos continuaram a se encarar.
– Esperei o dia todo por esse momento… Ela disse. O que era totalmente verdade. Nos intervalos do trabalho, sempre que um paciente entrava para o consultório do dentista, ela se ocupava em mandar uma mensagem. Relatou o quanto estava cansada e que ser secretária lhe consumia o bastante, e para piorar, a faxineira adoeceu e naquela manhã teve que chegar uma hora mais cedo e limpar tudo.” Ninguém merece isso”, escreveu ele em resposta. Ofereceu uma massagem e de prontidão recebeu um “Eu adoraria”.
– Você quer alguma coisa? – ela quis saber.
– Apenas que você relaxe…
Tirou o paletó e pendurou na maçaneta da porta.
– Fica só de calcinha, disse a voz rouca dele.
A mulher deitou o corpo na cama e foi subindo, até chegar aos travesseiros. Retirou a camisola preta que usava e ficou de bruços. O ambiente ficou elétrico. Sentiu-se vulnerável ali, com ele de pé observando-a. Pequena, diante daquele homem. Adorou a sensação. Cruzou os braços embaixo da cabeça e sentiu a respiração pesar. O homem aproximou-se enquanto tirava os sapatos e meia. Pôs o prendedor de gravata no bolso do paletó e a gravata num travesseiro próximo à mulher. Ajoelhado, subiu na cama e ficou por cima, com ela entre as pernas. Sentou de leve nas pernas dela e deslizou as mãos do cóccix até o pescoço, afastando o cabelo para o lado esquerdo. A mulher arrepiou com o toque, as mãos estavam frias. Aquelas mãos grandes e ásperas… O homem percorria a pele da mulher, para cima e baixo. Pressionando-a com os polegares. Esta sentia seu corpo esquentar, a cada movimento. Era como se ele estivesse despertando-a.
Ele esticou o braço até o interruptor e apagou a luz. “Assim fica melhor”, sussurrou. Em resposta, tudo que ela fez foi balançar a cabeça. Massageava os ombros e depois envolvia o pescoço com suas mãos. Ela suspirava. Lambia os lábios e sentia o tom vermelho do batom aumentando suas vontades. Queria tocá-lo. Precisava senti-lo. Reuniu forças para movimentar o braço na sua direção, mas foi desnecessário, ele captou sua intenção e deitou seu corpo sobre o dela, cobrindo-a com o dobro do tamanho. Ambos os perfumes invadiram os corpos, e a voz grossa penetrou-a: “ Eu quero você”.
Apoiou-se sobre as mãos e desceu, beijando cada centímetro das costas dela, que ergueu um pouco o corpo, queria senti-lo mais. Quando próximo à bunda, ele mais uma vez ficou de joelhos. Admirando-a. Pegou a gravata preta em cima do travesseiro e ordenou que ela pusesse os braços para trás. Ela obedeceu e com uma mão, o homem segurou os punhos dela enquanto usava a outra para prendê-los com a gravata. Estreitou o nó. Pôs as mãos na cintura de Leila, este era o nome dela, e apertou, para depois resvalar até as nádegas. Puxou a calcinha fio dental preta até as panturrilhas dela. Em resposta, ela apoiou-se no joelho. Oferecia-se. O homem cobriu a bunda com suas mãos e afundou o rosto no sexo úmido de Leila. Com fome, envolvia a buceta quente com seus lábios e deslizava a língua. Cada gemido, cada respiração que ela dava, ele lhe respondia com uma lambida. Apertava as nádegas de Leila para mostrar-lhe quem estava no comando. Dizia com os dedos: “Eu lhe domino”. Leila jogou o corpo para trás, elevando a bunda.
– Deita! – ordenou.
A mulher soltou o corpo sobre a cama. Estava quente, a respiração ofegante. Transpirava e o batom já começava a manchar o travesseiro. Coração e buceta pulsavam, mas só um deles escorria, líquido, por suas pernas. O homem tirou o cinto e jogou no chão. Abriu o zíper da calça e retirou-a. Um por um, enquanto sentia o pau latejar com a imagem de Leila submissa na sua frente, abriu os botões da camisa. Abaixou a cueca vermelha e deitou-se ao lado de Leila. A mulher girou a cabeça, encarando-o entre os fios do cabelo que cobriam seu rosto. Sentiu as mãos ásperas em seus braços lhe puxarem para cima dele. Passou a perna por cima e ficou de joelhos, mãos atadas, sentada em cima do pau negro e grosso que lhe separava os lábios da boceta molhada. Ainda apertando seus braços, ele a puxou e se beijaram. Leila sentiu a boca carnuda que antes lhe chupava, agora mordendo seus lábios rubros. De fome igual, Leila se entregava. Entre um beijo e outro, pedia que lhe fodesse com vontade. Experimentava o pau pulsar com a umidade da sua boceta. Mordiscava-o no pescoço. Ela ergueu um pouco a cintura. O homem segurou o membro com a mão direita. Com os olhos fechados, Leila foi se encaixando. A cada centímetro em que se sentia preenchida, sua pele reagia. Quando completa, largou-se sobre ele. As mãos masculinas e grosseiras estavam em sua cintura, coordenavam o movimento. Com força e apertando-a. Leila cavalgava, aproveitava a pouca liberdade que o nó nos punhos permitia e cravava as unhas nas coxas do homem. Este se levantou e foi de encontro ao corpo feminino. Envolveu-a com os braços e sugava os seios de Leila com força. Ela gemia de dor e prazer. Os corpos escorriam de suor. Ele lhe agarrava pelos cabelos e mordia o pescoço. Todo o corpo de Leila tremeu. Com a boca seca e falta de ar, pediu para que gozassem juntos. O homem deitou e ela jogou o corpo em cima dele. A mulher mordeu o ombro másculo, tentando segurar o grito de prazer. Veio um gemido forte e longo. Suas mãos se contorceram e o corpo estremeceu. Ele fechou os olhos e deu vários pequenos gemidos, seguidos, enquanto apertava os braços de Leila com força. Eternos segundos depois, a tensão corporal passou. Ela ficou ali, em cima do peito dele, tentando recuperar o fôlego. O homem a abraçou. Beijaram-se.

Depois do banho quente e um pouco de conversa, ele adormeceu. Leila ficou trocando os canais da TV até se entediar. Levantou da cama, caminhou até o paletó e no bolso interno, achou uma carteira de cigarros e um isqueiro azul-escuro. Acendeu um cigarro. Vestiu a camisa branca que ele havia usado. Não só pelo frio, mas também porque adorava aquele perfume. Usar uma camisa que ia até suas coxas de tão grande lhe trazia uma sensação de acolhimento e intimidade. Sentia-se sensual ali dentro. Fechou alguns botões e foi até a janela. Gostava da imensidão de luzes que a vista lhe oferecia. Do silêncio. Observou o corpo dele, sereno, adormecido. Riu ao constatar que ele parecia muito indefeso, e que isso nada tinha a ver com o homem que havia lhe dominado horas atrás.
Antes de voltar para cama, passou o batom vermelho e deixou-lhe uma marca de beijo no colarinho. Aproximou o corpo ao dele, que em resposta lhe abraçou.
Leila adormeceu.

Uma delícia de leitura, não é? Quem quiser ler outros escritos de José Abisolon e iniciar um bate papo inspirador, o seu e-mail é jose.abisolon69@gmail.com e o whats é (77)99169-1541. Sinta-se à vontade, ele é um rapaz tinindo de bom!

Para quem me acompanha no Instagram, posso até parecer chata porque por lá tenho falado o tempo todo sobre o que é ser mulher em uma sociedade patriarcalista e dona de padrões sócio culturais pré-estabelecidos, mas as coisas convergem sempre para esta mesma direção e acaba sendo impossível não falar nada a respeito. O caso que suscitou a vontade de tocar no assunto foi o de Fabíola, que saiu nas redes sociais devido ao fato dela ter traído o marido com o melhor amigo do marido. Para oferecer subsídios à desvalorização da protagonista, o seu amante é tachado de gordo e seu marido é compreendido como um homem rico. Diante disso, como será que Fabíola vai ser vista e julgada pelos sujeitos que compõem a sociedade? Impossível ter outro julgo que não seja o de puta.

A traição dos homens é algo legitimado em nosso meio social e retifica as expressões que circulam por aí, tais como “nenhum homem presta” e “todo homem trai”. Logo, uma mulher que se relaciona com um homem que a trai pode ou não permanecer com ele e algumas reproduzem o discurso de besta ser ela de o largar porque a traição é vista como comum ao homem e alguns acham que a culpa pode ser dela se não souber satisfazê-lo o suficiente. Já ouvi isso demais, inclusive de pessoas próximas e familiares. Nesse sentido, a culpa é da mulher ou a culpa não é de ninguém já que o sexo masculino pode apenas estar seguindo os instintos (como dizem por ai). Assim, o homem é chamado de cafajeste, descarado, safado – mas, ao mesmo tempo, isso não é visto de forma negativa e, inclusive, ostentam o fato de sê-lo.

Entretanto, quando uma mulher trai, o homem sai vitimizado porque é chamado de corno e sua imagem é relacionada aos dois chifres. Já a mulher também é chamada de safada, descarada e puta. Porém, uma mulher com essa alcunha não acrescenta nenhum ponto positivo à ela, pelo contrário, esta fica a margem da sociedade por tornar-se indigna. À mulher, diferente do homem, não é legítimo trair. O maior exemplo disso foi o caso de Fabíola. Parou nas redes sociais com este teor justamente por ela ser mulher. Se a traição viesse do homem, provavelmente as pessoas não dariam tanta importância por considerarem normal o homem trair.

Outras duas coisas que me chamaram a atenção foi não terem dado muita atenção os outros dois que fizeram parte da história, um deles ficou conhecido como o “gordinho comedor” e o outro como o cara rico. Identificar alguém como gordo é  uma forma preconceituosa de se referir ao outro e ser rico tem sido encarado como um motivo para que Fabíola estivesse com ele. Neste contexto, há toda uma rede de pré julgamentos. No final de tudo, a gente não faz ideia do que rolava na intimidade do casal e como começou a história de Fabíola com o amigo do marido.

A intimidade dos outros, então, tornou-se polêmica e nós não tínhamos nada a ver com isso. Na verdade, continuamos não tendo. Quando me peguntam o que acho do ocorrido, respondo: Desnecessário. Até porque a gente vive sob uma monogamia, mas muitos homens e mulheres traem todos os dias. Ter essa história como algo tão atraente para as pessoas é uma prova de que a mulher precisa lutar muito para vencer as barreiras do binarismo – homem isso e mulher aquilo – e, consequentemente, vencer as do preconceito que nos limita todos o dias.

Ele passa a mão pela minha boca e mete sua língua e suas vontades em mim. Assim começa toda a trama sexual entre os dois. Estava quente e o sexo não pedia atritos, mas deslizava – é assim que defino a relação sexual nesses dias atuais de calor intenso. Quem nunca suou litros durante uma transa? Quem nunca fez sexo pela manhã ou à tarde com o sol a pino? Quem nunca molhou os cabelos de prazer ou sentiu o gosto salgado do outro enquanto os movimentos se repetiam deliciosamente?

Há quem não goste da prática sexual em momentos tão quentes ou em lugares abafados. Para muitos, suar demais pode gerar um incômodo e tanto porque impossibilita o desejado atrito entre os corpos. Alguns também atribuem ao suor a falta de higiene e não gosta do cheiro que alguns sentem advindos dele. Para V.H., “Me sinto incomodado, você ali no nheco nheco e às vezes as pessoas tem doenças transmitidas pelo suor. Melhor sequinho, mas se suar não posso fazer nada”.

O suor provocado por formas de prazer pode ser uma válvula para ascender a sensualidade que há em ambos. Sem contar que favorece um deslizar e o calor duplicado que emana durante o ato, bem como ressaltou essa lindeza de leitor ao dizer que “o suor dá movimento, instiga os sentidos. Parece-me que chega até a ser um certo termômetro: se a relação tá boa ou ruim”.

Suar, durante a relação, é a prova concreta de que o exercício físico realmente está sendo bom e, portanto, nem sempre depende da temperatura externa. Em outras palavras, este calor pode estar vindo de dentro e do fogo que ambos possuem. Há também quem não goste de suar, mas na hora agá não abre mão de prosseguir na foda por causa disso. Uma diva salienta que odeia suar, mas que com o ex ela adorava. Pode isso, musas e musos? Claro que pode. O suor, neste caso, é muito mais do que apenas uma transpiração resultante de atividades.

Ah, existe também quem veja o outro como sensual apenas pelo suor e sem efetivação do sexo. Como relatou P.S., “teve uma vez que peguei o ônibus com um cara todo suado voltando do futebol, super gostoso, confesso que adorei…kkkkkkkkkkkkkkkkk…me julguem”. E mais, F.D completou dizendo que se “um boy chegar de futebol e transar, nossa, deve ser maravilhoso”. Aiai, e deve ser maravilhoso mesmo. Afinal, o sangue vai estar bem quente e o corpo pegando fogo.

Tanto quanto é importante falar sobre isso e trazer os diversos pontos de vista, vale dizer que o sexo só será realmente bom se o suor não incomodar nenhum dos parceiros. Caso contrário, pode ser que venha uma enxurrada a caminho e que esta não seja lá essa delícia toda. Agora é a sua vez de dizer o que acha, comenta aí e vamos papear.