Há algum tempo, deparei-me com um texto postado por um conhecido. Ao começar a leitura passando os olhos, eu li que “Quando as pessoas gordas têm autoestima, elas se respeitam e se amam. E a consequência óbvia disso é que elas automaticamente esquecem que a obesidade é uma doença e que precisam emagrecer“. Com isso, continuei a leitura e me senti tocada por alguns pontos que o texto tratava, tais como o fato de uma pessoa gorda não poder ir à praia livremente pela ofensa estética que isso pode causar aos outros, bem como a necessidade delas serem lembradas pelo quão terrível é a obesidade.

Inicialmente, comentei com um “Credo” sem me atentar ao real sentido do texto e depois comecei a entender a ironia que estava por trás daquelas palavras. O blog, onde o texto se encontrava, chama-se “Não sou exposição – imagem não determina valor“e já traz um nome que é uma lindeza de se ver, pois – é claro – que nosso corpo não deve servir como vitrine para mostrar quem somos. Ao olhar as dicas, os reclames, a indignação e relatos de leitoras, pude compreender o meio no qual a escritora estava inserida e o quanto aquele mundo que ela criara era importante para todo um universo de homens e mulheres lindas que não se reconheciam como tal devido aos quilos a mais que possuíam. 

Antes, o corpo ideal era aquele que tinha gordurinhas a mais porque ser assim era sinônimo de saúde. Para comprovar, temos as fotografias e pinturas de outras épocas. Com o tempo, “ser gordo” passou a ser sinônimo de obesidade – termo usado para designar uma série de doenças ocasionadas pelo excesso de gordura no corpo. Certo, saúde é essencial; mas todo gordinho pode ficar doente ou é doente por causa dos seus quilinhos? E, assim, foi surgindo toda uma história de que quem é gordo precisa fazer dieta, não pode comer isso ou aquilo, precisa entrar na academia e fazer aplicações disso ou daquilo para emagrecer.

As clínicas de estética aumentaram e tornou esse mercado um dos mais promissores na área de medicina. Não obstante, há quem curta ser mais cheinho e cheinha. Para eles, a indústria da moda também começou a dar um boom e investir em roupas de tamanhos maiores para atender todas as demandas. No entanto, as modelos plus size, como são chamadas as fofas e fofos, não tem aquele corpinho redondinho e cheio de curvas características. Pelo contrário, elas mantem um corpo com as curvas que são veneradas na mulher magra. As gordinhas, em vez de se contentarem com seu corpo, descobrem que precisam se adequar a um padrão de cintura fina e quadris largos. Diante disso, como não afirmar e reafirmar que a ditadura da beleza está aí todo o tempo para estabelecer e impor suas regras. Pior: regras para que possam ser aceitas na sociedade e, enfim, serem felizes?

A linda do blog “Não sou exposição” encontrou, por meio da escrita e da rede virtual, uma maneira de expor seus anseios e compartilhar seus sentimentos contra esse sistema que nos limita e que quer nos dizer como devemos ser. Ser gorda é lindo. Os magrinhos que me perdoem, mas uma gordurinha é fundamental (Sério, eu amo gordinhos. Sinto tesão). Já a saúde é um caso a parte, gordo ou magro estão sujeitos aos males que um descuido na alimentação pode trazer. E aí, o que você me diz sobre o assunto? Por e-mail ou comentário, você já sabe: o Pudor nenhum é nosso!

Silencio. Respiração.

A poesia começava ali, naqueles três passos que a levavam até ele.

Puxou-a contra si, rancou-lhe o que restava de ar e atravancou as mãos que, antes, já insinuavam fortalezas.

 

Respiração ofegante.

Continuava ali, começava uma dança: sentados um sobre o outro. Abertos. Pausados. Propícios.

Esfregou-a em si. Colou lábios, pele e nariz. Sentiu algo escorrer – vontade de pegar e morder.

 

Aceleração.

O sangue desesperado. Mas o pensamento ali. A boca no falo. A tentação querendo se exibir.

Havia algo errado. Algo estava por vir.

Puxou-o para si, grudou-lhe com as pernas. Queria mais que gosto da raiz, do caule que faz.

 

Silêncio. Respiração.

O celular toca e ouve-se uma voz.

O movimento clama e ouve-se outra voz:

– Estou quase gozando.

E goza-se o querer que se desfaz quase como foi da última vez.

Nada é mais certo do que uma mulher em plena solteirice querer desfrutar de todos os prazeres e, com certeza, não querer ficar sozinha nunca. As mulheres têm um poder que, sabendo usá-lo, consegue ir longe e deixar qualquer um babando.

Normalmente, deparamo-nos com diversos sites de relacionamentos, revistas com dicas e passo a passo sobre como conquistar um homem, assim como blogs e mensagens compartilhadas nas diversas redes sociais. Mas é difícil encontrar algo referente às necessidades de se ser solteira (e, consequentemente, de não precisar ficar buscando fórmulas para fisgar alguém e sair desse estado civil). Ao se falar sobre isso, comumente é feito um vínculo com a solidão e é nesse ponto que costumam pecar.

Acredito que as mulheres modernas nem sempre pretendem se relacionar de forma séria com alguém e isso não implica que elas queiram viver sozinhas ou que queiram deixar de ser solteiras. Solteirice e solidão são bem diferentes semanticamente. Nosso corpo sempre há de pedir, gesticular e implorar. Nossa corporeidade tem uma linguagem própria e cabe a nós saber manifestar e satisfazermos as suas necessidades.

Namorar e casar estão deixando de fazer parte dos planos da mulherada e o que mais tem rolado é curtição, na qual ninguém é de ninguém e o sexo passa a ser uma ferramenta de satisfação pessoal. Ao escrever isso, logo me lembrei da música dos Tribalistas chamada “Já sei namorar” que, em 2002, fez o maior sucesso. A música diz “Eu sou de ninguém/Eu sou de todo mundo/E todo mundo é meu também”, logo, solidão e liberdade sexual tem tudo a ver.

Em relação aos homens, este apresentar-se das mulheres ainda possui um viés de preconceito. O machismo, em nossa sociedade, não permite que muitos homens encarem essa escolha como algo saudável. Mas quer saber? ou recuperar o sucesso de Luka, em 2003, e cantar “Tô nem aí, tô nem aí/Pode ficar com seu mundinho/Eu não tô nem aí” e seguir com todo o tesão que eu tenho e com toda a solteirice que quero preservar deliciosamente por mais um tempo.

 

A gente não sabe ao certo o que nos leva a ficar com alguém durante anos e sem mais tanto amor. Na verdade, sem amor. Alguns relacionamentos surgem no ímpeto, paixão – quem sabe. Depois, começa a haver falta de carinho, desconfiança e confusões. O caso de Maria era assim, o de Sicrana e Fulana também. Quer saber? Há milhões de casos como esse. Dizem que namoro longo demais acaba não dando em nada que resulte em felicidade e eu tenho começado a acreditar nisso de tanto ouvir casos em que um casamento ou o fato de irem morar juntos colocou tudo por água abaixo.

É aquela coisa: começou a namorar, era o cara perfeito ou vice-versa. Depois, os defeitos começaram a surgir. Quiçá um ciúme absurdo, um jogar as coisas na cara, um nos fazer passar vergonha, uma anti-socialização, um probleminha de família aqui e outro acolá, um sexo frenético de não se aguentar mais ou o inverso disso e a falta de sexo, um beijo vez por ano, uma palavra ríspida, um caso ou outro de que o viram ali com outra pessoa e tal. Se não for nada disso e mais um pouco, um marasmo e uma falta de planos, um acômodo e uma vida toda que se leva juntos sem planejamentos ou com planejamentos que nunca entram em prática. Até que um dia as pessoas começam a perguntar quando vão casar, se pretendem ter filhos e se vai ser assim pra vida toda. A pressão aumenta e pum!

Pum? Sim. A cabeça parece estourar de tantas preocupações e comparações aleatórias porque a gente sempre conhece aquele que já casou e já tem filhos ou, simplesmente, é aquele prorrogar de coisas para não perder as expectativas. Então, acreditam que o casamento será depois da faculdade, aí é depois que passar no concurso, depois vem o fato de ter uma casa, de ter e conseguir mais aquilo. E o sentimento no meio disso tudo? Está morno e quase esfriando.

Namoros longos ocasionam isso: acômodo. Quem acomoda, não sente mais aquele friozinho gostoso na barriga, não sente que mais nada é inusitado porque, apenas, acostuma-se com as certezas e incertezas. Namoros de cinco, sete, dez, quinze anos são grandes baldes de água fria sobre a gente. É sinal que se algo vier a andar, nunca mais terá aquele ímpeto gostoso que deveria ter. Pode até haver amor, mas nada que seja realmente fiel a total felicidade de ambos quando o relacionamento se dá diante de uma enrola para viver juntos – sejam casados ou não.

Quem ama e quer mesmo juntar as escovas de dentes com o outro, dá logo um jeitinho ou começa os planos e faz de tudo para que a coisa aconteça. Um namoro não precisa durar uma vida para, enfim, os trapos serem juntados, né? O acômodo que uma relação permite é uma das piores coisas que existe porque acaba nos privando de várias outras e, a depender do caso, nos possibilita uma série de questionamentos e problemas de autoestima.

Portanto, musas e musos, abram o olho e, se estiverem enroscados e for algo com cara e com tudo para dar certo, então se joga logo!

A história é bem essa: você sai com o cara ou com a gata uma, duas, três, quatro vezes e transam. São pele, carne, sexo, selvagens. Depois de toda pornografia a lhes agregar valor, vocês conversam e se despedem com beijo no rosto como se nada tivesse acontecido. E assim a história se repete, ambos sabem que do outro existe amizade e um sincero orgasmo e que é com ele que se pode contar no momento de relaxar o corpo e sentir vontades de gozar, sem lances solitários. Afinal, a uma altura do campeonato – masturbação passa a ser falta de escolha ou preguiça por um parceiro.

Agora que eu comecei a história, vamos ao título. Quando eu digo que a gente não fica, mas apenas transa, eu me refiro ao fato de não fazermos algo apenas pelo carinho. Não faltam casais por aí que se encontram meramente pela troca de afetos, pela companhia, para ficar. Ficar neste sentido gostoso da coisa: de beijar, conversar, trocar carinhos e também transar (porque não?); diferente de você encontrar e dizer: Vamos? Ou então já começarem tirando a primeira peça e pronto: já está tudo feito. A transa “frequente” com alguém e sem outras configurações cai um pouco na definição de PA ou BA, os famosos Pau Amigo e Boceta Amiga. É alguém de confiança que se pode contar para dar umas e desestressar. Por quê de confiança? Porque você sabe que ele (ou ela) não irão sair por aí dizendo aos quatro cantos o que vocês fazem entre quatro paredes. 

Essas minhas definições não são fixas, é bom deixar isso claro! Claro que um ficante pode ser alguém que sempre transe contigo maravilhosamente. Ambos podem ser despretensiosos, apesar de que entendo o ficante como aquele que talvez cause vontades de namorar…enquanto aquele que está ali apenas para o sexo não – pois são estabelecidas apenas relações de corpo. Enquanto aquele com quem você fica é sabido pelos outros, aquele com quem você só transa, ninguém sabe. E outra: ninguém diz para o amigo (ou amiga) que transou com fulano, a gente diz que ficou – parece soar mais leve na sociedade em que vivemos.

Eu fico indignada com a negação da sexualidade em que estamos inseridos, mas tudo bem, o importante é estarmos livres de moralismos e abertos sexualmente. Mas sim, meus queridos: Você fica e transa (Ui!) ou só tem aquele PA ou BA mesmo (Uhlalá!)? Independente da sua resposta, aproveite bastante o outro e se deixe aproveitar. Nosso corpo e nossos desejos devem ser entregues e fazer parte dos nossos prazeres, sempre!

Sinto que nossas pulsões tornaram-se mais fortes ao ler a palavra SEXO. Realmente estas quatro letras formam um sentido pleno de satisfação e possível alcance do gozo. Quem experimentou, nunca mais quer saber de outra coisa (ou de outra vida!). Quanto maior a dosagem, melhor. O sexo é desses atos que só fazem bem ao corpo e que dá uma canseira danada, dessas canseiras gostosas que não custa nada repetir. Pode-se dizer que o sexo é uma forma do corpo de expor seus desejos recônditos e de liberar o que, inconscientemente, vive pedindo para permanecer preso/guardado.

Na adolescência, quando os hormônios começam a ferver, a curiosidade mostra-se aguçada e o desejo de se conhecer e conhecer o outro começa pela parte corpórea que diz respeito ao sexo. Em outras palavras, pelas genitálias. São essas cócegas, esse desejo subindo, essa estranheza, que nos leva a querer saber o que há por trás de tudo isso se persistirmos. Após a primeira vez, o famoso pecado instala-se, e nem sempre amor de xana, gama; amor de pica, fica. Muitas vezes o que fica é só a xana e a pica e lá se vai o amor.

O sexo está em primeiro lugar entre as coisas mais desejadas pelo homem. Vivemos em uma imensa vontade de saber, tal como afirmou Foucault. O ser humano sente a necessidade de conhecer, aprofundar, ler, falar, fazer, assistir ou quaisquer outras coisas concernentes ao sexo. É isso que parece alimentar-nos. Foucault nos diz, em História da Sexualidade 1, que na sociedade ocidental há uma ciência do sexo no qual este é visto como objeto de verdade. Além dele, temos Freud cujas explicações originam-se nesse âmbito da sexualidade.

Então, o que quero dizer com isso tudo? Quero dizer que não adianta corrermos. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come! Tanto faz correr ou ficar, nessa relação sexual, um quer comer e outro quer ser comido (assim como se diz vulgarmente). A abundância de materiais propagadores dessa qualidade erótica-sexual que nos circunda é enorme! Vemos bundas, músicas, ritmos, coreografias, peitos, pênis, ambiguidades em todos os lugares e meios virtuais ou não. Apelações é o que há!

Então, gente, nem venha me dizer que você não gosta de sexo ou de muito sexo porque eu assumo que eu amo tudo isso e amo em letras garrafais. I’m hot! I’m sexual! I love too much sex a lot, and you?

Hot Girls Wanted é um documentário sobre garotas, a partir de 18 anos, que resolvem se aventurar na indústria pornô a fim de obterem independência financeira e estrelato. Seduzidas por um anúncio que lhes dá a passagem de avião até Miami e lhes garante estadia, muitas garotas acabam cedendo a tentação e se aventuram em um mercado que lhes é muito novo – sem contar que há uma inexperiência delas na questão sexual, até porque algumas tiveram poucas relações sexuais antes de entrarem neste novo universo que as esperam.

Recrutadas por um homem que aluga a sua casa para elas, as jovens dão apoio umas às outras para conseguirem permanecer ali. Algumas não gostam, mas continuam nesta vida de filmagens e sexo para não terem que voltar pra casa e porque viram, ali, a possibilidade de ganhar um bom dinheiro.

O pornô amador, ao qual estão lidando, busca rostos novos para um público que gosta de ver ingenuidade e delicadeza em atos explícitos. Inclusive, a maioria delas trabalham até 3 meses e, depois, não a querem mais, a não ser que tenham feito bastante sucesso ou resolvam ceder a cenas de sexo mais específicas e – certamente – sem limites. Normalmente, elas atuam com um pseudônimo e criam um Twitter. Assim, sua rotina é mostrada por meio da rede virtual e este serve como um complemento para a sua fama.

Muitas garotas trabalham no pornô sem que os pais saibam, muitas fazem aquilo porque – após saírem de casa – não vêem outra alternativa. Este documentária conta, inclusive, a história de Tressa e mostra como as coisas se deram com sua família e com seu namorado, que sabia da sua profissão, mas pedia que ela o deixasse. É perceptível, enquanto assistimos, a angústia dessa jovem.

Além do mais, fala-se de um “abuso facial” – traduzamos assim. Este é um sexo oral forçado que a garota deve fazer no ator em questão. Em alguns casos, ela vomita e – na maioria deles – sai bastante machucada. Ainda que não seja oral, há outras situações em que o forçado persiste. Devido a isso, uma das meninas comenta o quanto se sentiu mal e como, a partir de agora, ela imagina e sente o quanto é doloroso ser estuprada. Inclusive, a imagem que ilustra esta publicação refere-se a um desses casos.

Em Miami, a única regra era: para o pornô, tenha mais de 18 anos. Fora isso, não exigiam ao menos camisinha. Com isso, os atores gozavam no corpo das meninas em vez de ser dentro delas – assim afirmou a jovem Tressa – e faziam exames a cada 15 dias para constatar que estava tudo bem com a saúde das envolvidas.

Acredito que conhecer este mundo nos seja interessante para sabermos como está sendo produzido aquele material que estamos assistindo ou que, ao menos, sabemos que está livremente circulando pela internet. É importante refletirmos a cerca da relevância que os prazeres do corpo proporcionam e o quanto isso pode ser perverso, sem contar a falta de limites que os apetites sexuais possuem.

Eu o assisti pela Netflix. Caso tenha, fica a dica para hoje, para o próximo final de semana ou para um simples dia qualquer. Se quiser compartilhar o que achou, estarei por aqui te esperando!