HomeArtigo criado porLu Rosário (Page 37)

Sempre fui daquelas que não gostavam de assistir séries porque achava chato esperar por uma continuação infinita de episódios. Este ano, apresentaram-me “O Negócio” – uma série que envolve um universo que acho bem interessante, o do sexo, e algo que tenho curiosidades de estudar e conhecer – estratégias de marketing. De forma bem inteligente e, por enquanto,em apenas duas temporadas de treze episódios, Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho apresentam três mulheres que se unem para obter sucesso como profissionais do sexo.

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista, da esquerda para a direita.

Rafaela Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista, da esquerda para a direita.

Uma produção da HBO em parceria com a produtora Mixer, a primeira temporada d’O Negócio apresenta as personagens principais e a colocação delas no mercado até alcançarem um patamar onde a concorrência passa a pirateá-las. Vítimas da pirataria, a segunda temporada surge para mostrar como enfrentaram os desafios e se reposicionaram no mercado como profissionais de sucesso.

Como sabemos, a prostituição – apesar de ser a profissão mais antiga do mundo – é considerada um tabu na sociedade contemporânea e, com isso, sofre preconceitos. Para Karin (protagonizada por Rafaela Mandelli), esta poderia ser vista com outros olhos já que traz benefícios para a família por meio da lógica de satisfação pessoal. Este satisfazer-se justifica-se pelo prazer carnal e pela liberdade que o outro tem de falar de si sem ser julgado ou até mesmo de poder estar em um lugar sem se sentir pressionado e, depois, poder voltar para casa sem alguns quilos nas costas.

Eu diria que mais do que assistir cenas de sexo e explicações que apontam a prostituição como benéfica à sociedade, a série permite termos um conhecimento maior de marketing e nos seduz a aplicar os conceitos apontados nesta em algum empreendimento nosso. De forma bem didática, a gente acaba ampliando nosso olhar sobre o consumo de grandes marcas e passamos a ser mais otimistas quando o assunto é aumentar as vendas e obter uma ressignificação no mercado. Portanto, amores, como não amar essa série? Além de ser bem perspicaz, é brasileira e isso me deixou com muito orgulho.

O último episódio foi exibido em novembro de 2014 e o terceiro episódio já está a caminho, estou em cólicas esperando. Para assistir as duas primeiras temporadas, acesse o HBO GO que você as encontrará completas. E para matar, ainda mais, a curiosidade desta série, vejam este vídeo (abaixo) publicado pelo canal HBOnoBrasil e curta a fan page O Negócio – HBO para ficar por dentro das atualizações. Delicie-se!

 

Passou o São João e já estamos em Agosto. Passou aquela onda de forró pelo centro da cidade, nas casas entreabertas e nas portas das escolas. Passou aquele calendário, onde eu escolhia dançar no dia em que eu queria e no lugar que me desse mais vontade. Passou a euforia do povo, bem como a minha time line cheia de músicas de forró e de compartilhamentos de festas de camisa cujos vestígios de um forrozinho estavam em meio ao arrocha, axé, pagode, sertanejo e por aí vai – quer dizer, acrescento o funk.  Enfim, passou o período junino e já estamos pra lá do meio do ano, mas uma coisa continua: a possibilidade de dançar forró e se aconchegar no outro. Neste inverno, melhor ainda.

Assim como em algumas tantas cidades do Brasil, Vitória da Conquista (BA) tem começado a adquirir a tradição do forró. Este fato se deve ao Projeto Roda de Forró, realizado pelo Trio Aconchego e Lua Ife, além de contar com a presença de Vinícius Gomes que propõe uma aula de forró em cada encontro. Com a intenção de integrar as pessoas em um ritmo tão gostoso, o projeto acontece em bares e pontos diferentes da cidade.

Tanto quanto fazer amizades, a roda tem sido uma forma de elevar a autoestima e paquerar um pouco. A dança possibilita o encontro de corpos, a boca perto do ouvido do outro, a mão na nuca ou na cintura, o cheiro no cangote e o favorecimento de pequenos elogios. Isso tudo é tão evidente que há uma vertente no forró chamada “cretinagem”, referente ao uso de estratégias para conquistar o outro ao som deste ritmo contagiante. E não foram poucas as vezes em que eu ouvi as pessoas agradecerem por fazer parte do grupo da roda. Bom demais, não é? Ah, e também não foram poucos os casais que eu vi se formando nestes encontros de forrozeiros.

Para jogar o charme às noites e descobrir-se sensual, vai prum forrozinho danado de bom. No Costinhas do Alto Maron e no Argentino’s sempre está rolando nos fins de semana. Para completar, nas quartas-feiras há sempre um canto com a galera da roda sensualizando em passinhos bem marcados. A programação forrozeira está disponível no Forrozeiros Vdc.  Para aprender a dançar, aulas rolam por aí. Mas eu vou te dar uma dica: sentir a música e o parceiro (ou parceira) é a forma mais gostosa de balançar o esqueleto.

O dia estava quente, a roupa leve sobre o corpo e as mãos não paravam. Havia muito trabalho, muita fome e sede para fazer tudo a contento e terminar o dia com passos descompassados. Aquela coisa de leveza, de dança e de liberdade sussurrava em meu ouvido com uma angústia alegre. Meu dia estava antitético. Não havia nada marcado, meu cabelo estava desgrenhado, minha pele ressecada – mas eu pensava: nada que um óleo de banho não resolva. E, assim, sorria porque era sexta-feira e no dia seguinte e no outro não trabalharia. Era certo que os próximos dias seriam de filme e delícias que iria fazer..nhaminhami.

Ops. Havia uma coisinha importante: era o dia do orgasmo. Ela sabia que era só uma data comercial e que não seria por ser tal dia que iria transar e ter um orgasmo, afinal, já havia tido um na semana passada com um P.A. lindo. Uia. Ainda assim, para não ficar de fora, compartilhou nas redes sociais para que todos aproveitassem o dia da melhor forma possível e compartilhou a hashtag #diadoorgasmo várias vezes no Twitter, inclusive disse que iria curtir muito a noite e sugeriu vários orgasmos. Quem a via falar, acreditava que sua noite seria de multiplicidades.

À noite, chegou em casa doidinha pra ligar a tv. Colocou na Netflix e assistiu uma animação de Tim Burton – Frankenweenie. Inclusive morreu de amores, achou lindo de morrer e, logo depois, dormiu. Não teve orgasmos. Mas, no outro dia, ela amanheceu amando o tudo porque era sábado (dia de não trabalhar: vale a pena salientar!). E, assim, desejou bom dia para todos os seus amigos virtuais e whatsappianos. Todos pensavam que ela tinha tido uma noite de selvagerias, ela não deixava claro o contrário.

Assim como ela, muita gente deixou transpor isso e, por seu exemplo, desconfiava de todos. Com tudo isso, pensava que um dia dedicado a isso era apenas um dia como qualquer outro. Dias de orgasmo acontecem de repente, dia e hora marcada é para os fracos.

Não é a primeira vez que conheço um cara e em meio ao nosso papo, em alguma rede virtual, ele me envia uma foto de ostentação do seu símbolo de virilidade. Juro que não sei quantas vezes foram que eu recebi fotos de pau com câmera posicionada em ângulo estratégico para ampliá-lo, engrossá-lo e torná-lo mais ostentoso porque, é claro, há quem pense que eu defina a macheza de um homem pelo seu tamanho. E mais: há quem acredite que a fotografia cubra meus anseios em pegar, sentir, provar, experimentar, saborear. Mas eu me pergunto: até onde vai essa onda de nudes redirecionados para um sexo virtual?

O sexo está muito mais implícito em imagens erotizadas sem mostrar tanta intimidade. Ele está entre conversas picantes e sem necessidades de descrições tão explícitas. O sexo está, principalmente, nas relações de maior cumplicidade e com todas as segundas e melhores intenções insinuadas. Em outras palavras, imaginar o outro em todas as gostosuras escritas e em fotos menos explícitas é o suficiente para um gozo e orgasmos.

Em alguns casos, a exposição é algo extremamente necessário para que o outro se sinta bem. Situações como essa costumam ser externalizadas e, é claro, que as compreendo bem. Caso contrário, olho pra foto do trem do moço e penso: E agora? Minha calcinha não molha nem um pouquinho, simplesmente vou ver outras coisas e pronto. Quer saber deixar uma mulher molhadinha? Então seja sutil, use as palavras ao seu favor, mostre-se sensualidade. Assim, você ganha a moça e se garante. A mesma coisa digo para vídeos ou para expressões do tipo: “Bati uma punheta pensando em você” ou “hoje à noite a homenagem será sua”. Que homenagem, cara? Homenagem mesmo é me desejar uma ótima noite e me deixar um beijo. O que você faz na velocidade 6 só interessa a você, ta? Pega as dicas de Luzinha que você passa no teste. Beijos, gatos!

Sério: eu pensei isso dia desses quando me olhei no espelho e refleti tudo o que sou em questão de poucos minutos (se chegou a um minuto). Sabe aquele flash que de repente dá e você consegue perceber tudo o que há de negativo nos outros e, em paralelo, pensa que a pessoa perfeita seria aquela justamente igual a você? Fala a verdade: isso é muito amor próprio. Fazer essa reflexão vale muito a pena e faz perceber que alguns dos nossos erros podem ser mudados e outros podem, simplesmente, ser aceitos por quem nos sirva de tampa. Afinal, toda panela precisa ser tampada nem que esta seja uma frigideira.

Sendo assim, vou logo dizer que, quando me vi, descobri que tenho um sorriso bonito, logo sou bonita. Sou negra, tenho cabelos crespos cortados curtinhos em um ato de coragem e personalidade. Uia, atos assim são excitantes. Portanto, tenho a personalidade forte – daquelas de não mudar fácil de opinião e de buscar não se atingir por línguas ferinas (talvez de inveja por não conseguir realizar pequenos disparos de liberdade). Sou livre sexualmente do tipo que topa qualquer parada, apesar de ter pudores. Dou risadas altas quando sinto vontades. Provoco conforme as necessidades. Mas tenho um lado de pura repressão e se alguém souber chegar chegando, bem possível romper tais algemas. Isso também soa excitante, apesar de não ser uma tarefa fácil.

Eu namoraria comigo mesma quando me deparo com todo esse universo que me forma e percebo que sou melhor do que imaginava e que se alguém não vê isso é porque está meio cego dum ou dos dois olhos. E quando passo por você e sinto que não me enxerga, continuo passando e também me viro pra não ver aquele que não sabe admirar a beleza rosariana despudorina. Oh, do mesmo modo que me refiro a mim… peço que faça esse exercício com você e, caso se sinta à vontade, pode publicar aqui nos comentários ou até mesmo compartilhar no Facebook a partir do comente daqui. É bom que todos saibam o quanto você se ama. Se alguém torcer o nariz, empine o bumbum e siga. Somos uma delícia, disso não tenho dúvidas.

Tem gente dizendo que é moda assumir os próprios cabelos em muitos cachos. A partir de agora tornou-se moda ser original no sentido literal da palavra. Quem aqui é mulher com cabelos crespos que nunca passou um alisantezinho no cabelo, deu uma escova, passou uma prancha ou caiu na escova progressiva, gradativa, marroquina e laralá? Se você nunca caiu nas garras da tentativa de ter os cabelos lisos ou menos volumosos, então já te dou o primeiro trofeu aqui do Pudor Nenhum, afinal, resistir a tudo isso numa sociedade onde beleza está associada aos cabelos lisos é coisa de guerreira e de personalidade fortíssima, além de mostrar que sua família é tão forte quanto você para que não a tornasse diferente quando criança.

A maioria das mulheres já alisaram o cabelo, senão quando criança…um pouco mais tarde, diria na adolescência, para se achar mais bonita e atrair os olhares dos meninos. Construídos sócio, histórico e culturalmente, os cabelos crespos possuem sua origem num povo que fora escravizado no período colonial do Brasil e cujos descendentes sofrem preconceito até hoje. Enquanto brasileiros, somos uma mistura entre negros, europeus e índios. Nossa pele e fios de cabelo variam imensamente em tonalidades e texturas, permitindo que sejamos tão diferentes umas das outras ou uns dos outros. Porém, preza-se a lisura ostentada pelo europeu e o preconceito do que foge a este padrão se acentua todos os dias e dos mais variados modos, até mesmo por aqueles que também carregam cabelos crespos.

Com essa tendência maravilhosa de assumir os cachos e reconhecer seus próprios cabelos sem químicas nem bobeiras, muitas mulheres têm buscado força na outra para mostrar o porquê veio ao mundo. Algumas preferem e se encorajam no BC (Big Chop), que significa cortar todo o cabelo para retirar toda a química. Além disso, formas de se cuidar do cabelo tem sido divulgadas nas redes sociais. Já que os salões de beleza não possuem a opção de cuidar de cabelos crespos, então o compartilhamento de produtos e experiências ajudam para que este cuidado comece em casa.

 

Organizadoras do Encrespa Conquista, em Vitória da Conquista - BA. Fotografia: Ernaque Al Majida Jr.

Organizadoras do Encrespa Conquista, em Vitória da Conquista – BA. Fotografia: Ernaque Al Majida Jr.

 

Responsáveis por um domingo com muitas encrespadas, o evento Encrespa Conquista aconteceu antes de ontem em um local lindo no bairro Sinhorinha Cairo. Todas elas tomaram um banho de autoestima para que pudessem compreender que preconceito algum deve abatê-las e que a força deve vir de dentro. Viver escrava da opinião alheia e com medo de suar, sair no vento, na chuva ou até mesmo tomar um banho na praia ou piscina é sufocante. Saber que o cabelo é seuzinho da silva não tem preço.

Para ser linda de verdade, a única coisa que se deve ter em mente é ser você mesma sem tirar nem por. É vestir o que te deixa mais a vontade, é usar acessórios ou não – isso é o que menos importa, é sorrir desmedidamente e se aceitar do jeitinho que veio ao mundo, sem neuras. E dizer que isso é moda chega a ser engraçado. Se for moda mesmo, estou (ou estamos) seguindo a tendência e não vou (vamos) sair dela nunquinha, não é?

Para saber mais sobre o Encrespa Conquista, acesse a página no Facebook e o Instagram. É lindinho e promete outros eventos na cidade. Para saber como anda a empolgação de quem resolveu mostrar os cachinhos, futuque bastante a internet- não faltam fan pages, blogs, sites e canais no You Tube com ótimas dicas. Lembre-se que a sensualidade que vai emanar de você quando se sentir plenamente a vontade consigo mesma é algo incomensurável.

Aos homens, sintam-se à vontade para fazer o mesmo. Fiz esse texto voltado para as mulheres porque sabemos, claramente, que elas são as mais atingidas. Homem tem aquela coisa de cortou e tá lindo. Nós é quem somos elas nessa tal de vaidade e de feminilidade que nos toma. Pois então, liberdade – a partir de agora – é o que nos define.

É bem provável que você não conheça este livro, afinal, o autor só teve repercussão com ele. John Cleland é um escritor do século XVIII que, segundo a sua biografia, foi preso por causa de dívidas e, enquanto estava na prisão, revisou e o enviou para publicação. Considerado o primeiro romance erótico da modernidade, Memórias de uma mulher de prazer (popularmente conhecido, na época, como Fanny Hill) foi um marco na luta contra a censura erótica porque os editores e os impressores foram presos e acusados de obscenidade. Infelizmente, o escritor teve que abdicar do livro e, a partir de então, surgiram edições piratas que passaram a divulgar os escritos.

Cleland foi compreendido como pornográfico na época ao narrar as aventuras de uma jovem, em sua iniciação sexual e no decorrer de sua vida. Além da escrita detalhada e marcada por retrato de cenas consideradas “imorais”, na década de 1760 começaram a surgir versões ilustradas e foi isso, principalmente, que lhe atribuiu o cunho pornográfico. Este material iconográfico, inclusive, inviabilizou discussões objetivas acerca do romance no século XIX e este apenas foi reconhecido pela crítica há pouco tempo.

Uma das ilustrações de Fanny Hill ou Memórias de uma Mulher de Prazer

Uma das ilustrações de Fanny Hill ou Memórias de uma Mulher de Prazer

Fanny Hill ou Memórias de uma Mulher de Prazer conta a história de uma jovem de quinze anos, cujos pais falecem e, por isso, vai para Londres em busca de uma vida melhor. Lá, ela acaba indo parar em um bordel e apaixona-se por Charles, fugindo com ele. No entanto, ele precisa deixar a cidade e ela fica sozinha – deixando a insegurança de lado e tornando-se uma cortesã bem requisitada pelos homens… até que casa-se novamente com um homem rico e descobre que está sendo traída. Como troco, entrega-se aos prazeres com um criado e é pega em fragrante. Financeiramente melhor, volta para uma casa de satisfações sexuais e finge perder a virgindade novamente… até casar-se novamente, seu marido falecer e ela enriquecer a base da sua herança. Após alcançar a independência financeira, Fanny lembra-se de Charles – o rapaz com quem perdeu a virgindade e apaixonou-se pela primeira vez ou, pode-se dizer, seu primeiro e único amor.

Mais do que um enredo belíssimo, Cleland traz em minúcias os enlaces sexuais – não apenas de Fanny Hill, mas também daquelas que habitavam a casa em que ela conviveu por um tempo. Tais enlaces também referem-se à orgias e momentos entre homossexuais. Tudo isso serviu como um tapa na cara da igreja (e, ai, esse tapa foi uma delícia!). Escrito em dois volumes, apresenta-se em forma epistolar (ou seja, você lerá duas longas cartas). Desse modo, lemos confissões e adentramos ainda mais nesse mundo de prazeres sexuais. Quer saber? Vale super a pena lê-lo.

Quem me apresentou a Cleland foi um amigo lindo. Com uma dedicatória mais linda ainda, apaixonei-me logo nas primeiras páginas deste livro. E outra: não é coisa de outro mundo achá-lo para comprar e também não é caro, dei uma pesquisada por aí justamente para lhe dizer isso, ok? Boa leitura e próximo mês tem outra indicação deliciosa por aqui!

Dedicatória feita em meu livro por um amigo que, inclusive, me presenteou com ele.

Dedicatória feita em meu livro por um amigo que, inclusive, me presenteou com ele.