HomeArtigo criado porLu Rosário (Page 37)

Todos os relacionamentos são únicos e, portanto, terminam diferentemente uns dos outros. O problema consiste quando o término envolve brigas, falta de confiança e posterior desgaste. Foi assim com uma leitora do Pudor Nenhum que, após alguns anos de namoro e promessas, deparou-se com uma traição. Traição é aquele negoço que a pessoa fala que perdoou, mas, na verdade, nunca mais volta a confiar do mesmo jeito. Existe uma metáfora que diz que a traição é como um vidro que se quebra, pois não adianta colar que ficarão os vestígios.  Eu acredito e a repito.

Então, o namoro não tinha confiança e não era mais tão bom quanto foi no início. Inclusive, a relação consigo mesma havia mudado bastante (e para pior), ou seja, a palavra vaidade não fazia parte do seu dicionário. Não tinha vontades de sair nem se achava bonita. Vivia numa dependência pisicológica em que acostumar-se com o outro confundia-se com gostar. Diante de tudo isso, problemas se sucediam. Alguns bastas não o representavam e, enfim, no último chega pra lá – houve o não contentamento e aceitação da parte dele.

Para se amar, ela resolveu mudar o visual. Mexeu no cabelo – ponto fraco de qualquer mulher – cortou ali, cortou aqui e tornou-se outra. Passou a atrair olhares, deu uns beijinhos em outros caras e descobriu o quanto é mulher e o quanto pode chamar a atenção de outros homens. Entretanto, não satisfeito com a nova mulher que via se descortinar fora do seu aparato, o ex ficou na cola dela e aproveitou-se de oportunidades e pontos fracos para fazê-la voltar debaixo de suas asas e conseguir dominá-la.

Assim, enviou cesta de café da manhã no dia dos namorados, ficou convidando-a para sair, prometeu colocar antigos planos em ação, repetiu expressões clichês de amor e agiu como se estivesse com os pés fincados no passado (época em que namoravam). Para ela, não adiantava ignorar ou ser grosseira em suas respostas. Ao bloqueá-lo no Whatsapp ou Facebook, ele adquiria um novo chip ou abria outra conta da rede social virtual – praticamente uma perseguição que mais parecia novela mexicana.

Nesse contexto, bate um certo desespero. A pessoa não percebe o quanto é inconveniente e aquela que sofre com tudo isso não sabe mais o que fazer. Mas quer saber o que, apesar de tudo, eu indico? O ignorar será sempre a melhor resposta. Ignorar de todos os modos. Em algum momento, a pessoa vai sofrer pelas não respostas dadas e perceberá que não adianta fazer mais nada porque o outro já está suficientemente independente para não querê-lo mais.

Casos como os dessa leitora são comuns, alguns acabam em um processo judicial e outros chegam a morte. O sentimento de posse sem reconhecer seus erros e a necessidade de não deixar o outro ser livre da forma que desejar não é saudável e é completamente egoísta. Se você é desses inconscientemente, leia esse texto novamente e repense suas atitudes. Se você está subjetivada no lugar dela, então pense bem como se dá essa perseguição pós-namoro para tomar as atitudes adequadas – seja perante um advogado ou não. Oh, nada na vida deve nos reprimir e impedir de nos olharmos no espelho e percebermos a beleza que temos. A gente é linda e ex-namorado que se lasque. Autoestima é uma palavra que nunca deve sair de nós. Com amor próprio, nós somos tudo o que queremos ser.

Não é de hoje que as pessoas se entregam sentimentalmente pelos meios virtuais. Os papos, na internet, despertam paixões e suscitam quaisquer tipos de sentimentos nos envolvidos. Há total informalidade e intimidade em cada palavra trocada e no passo a passo compartilhado por meio de fotos. Assim, mesmo sem conhecer pessoalmente, o outro sabe tudo sobre você – até mesmo quais pintinhas você tem no corpo. As pessoas passam a confiar e entregam todo  o seu cotidiano, angústias, traumas e frustrações, além de um amor que chega ao patamar de ser considerado sem limites.

Pessoalmente, olho nos olhos, essa tarefa não é tão fácil, não é? Claro que não. O próprio ato de falar ao telefone já é mais inibidor do que enviar um áudio pelo Whatsapp. Com isso, as pessoas se acomodam e se entregam virtualmente. Quando rola o encontro, nada há mais que se esperar do outro… somente uma beleza exterior, antes pintada pelas fotografias. Encontrar a pessoa pessoalmente é medir tudo o que antes era visto mais pela imaginação. Em outras palavras, não é tarefa fácil. E, por isso, os encontros reais possuem chances de durarem menos do que os virtuais. Nesse contexto, há uma comodidade e satisfação maior em se permitir pela internet em detrimento do ao vivo e a cores.

Os resultados de tudo isso estão no fato das pessoas estarem muito afastadas e, consequentemente, mais frias emocionalmente – em contatos diretos. Lê-se mais “eu te amo” e “saudades”, porém, tais palavras parecem ter perdido seu valor literal e histórias são ditas por aí contrariando a veracidade das expressões ditas e repetidas em palavras mal pensadas. A imagem deste texto foi retirada de um Tumblr. Quem souber de quem é, me avisa que vou amar saber. Diante da discussão, quem nunca se envolveu por alguém pela internet? Eu já.  Se quiser contar a sua história pra gente, fique a vontade que iremos adorar!

Ao ler este título, pode ser que você se revolte e diga que a traição não é legimitada porque você, em hipótese alguma, aceitaria que seu namorado ou marido a traísse. No entanto, quando eu escrevo sobre o assunto, não estou me referindo simplesmente a uma aceitação, mas sim ao modo como a sociedade encara esta situação que coloca em risco o relacionamento monogâmico. Culturalmente, a monogamia se estabelece na relação entre duas pessoas que não aceitam um terceiro entre eles. Pode-se dizer que é um relacionamento fechado para outras possibilidades e, por isso, a traição seria justamente a quebra de confiança entre os dois pela inserção de outro entre eles. Devido ao contrato implícito que existe entre o casal, essa inserção é feita de forma escondida e, quando descoberta, machuca bastante o que se sentiu à margem do acontecido.

Por diversas razões que são impossíveis elencar porque cabem a cada sujeito, individualmente e conforme suas circunstâncias, o homem parece está subjetivado no lugar daquele que trai. Em quase toda estrutura familiar, uma mulher precisa lidar com o fato de que o marido a traiu porque “não vale a pena terminar apenas por isso, já que ele é um homem tão bom” ou “Só não aceitaria se ele me traísse com outro homem, igual aconteceu com Joana”. Assim, mulher nenhuma leva fama ruim por ter sido traída. Pelo contrário, falam que “todo homem é assim”, “nenhum homem presta mesmo” e “não coloco a mão no fogo por homem nenhum”. E se você disser que não foi traída, ainda é obrigada a ouvir um sorrisinho de sarcasmo que soa como um “você que pensa”.

Tudo isso e mais um pouco do que eu presencio no dia a dia me fazem pensar no quanto nossa sociedade é machista e privilegia o homem nas relações interpessoais. O homem tem o privilégio da transgressão e há todo esse discurso que o coloca como um ser não muito confiável no que concerne a relacionamentos porque dizem que é da sua natureza ser assim, logo é possível pensar que há uma legitimação deste em nosso meio social. Caso a mulher atue neste papel, ela será julgada negativamente das mais diversas formas e o homem será visto como covarde, besta e corno. Um outro exemplo do que pode acontecer em relacionamentos onde ocorre traição é o do filme A Casa de Alice, de Chico Teixeira, sugestão que dei para assistirem este fim de semana.

No filme, é possível acompanhar uma família em decadência. Ele a trai e ela também faz isso com ele. Assim, vivem um casamento em pleno caos para manter a instituição familiar segundo o modelo tradicional que a institui enquanto monogâmica. Romper com isso legalmente e buscar seguir uma outra vida, principalmente quando os filhos estão inseridos nisso, é uma atitude muito difícil. Depois de tudo o que eu disse, o que você me contaria? Adoro ouvir opiniões, viu?

Para quem nunca assistiu “A Casa de Alice”, creio que vale a pena. Ele é um filme dirigido por Chico Teixeira e que conta a história de uma família de classe-baixa em São Paulo. Como todo meio familiar, percebe-se a desestrutura em que este se encontra. Alice é uma manicure casada com um taxista e possui três filhos, rapazes com suas vaidades e vontades próprias da adolescência. Além deste círculo familiar, a mãe de Alice mora com eles e vê tudo o que acontece dentro da casa.

 

Alice com sua mãe na cena do filme "A casa de Alice", dirigido por Chico Teixeira.

Alice com sua mãe na cena do filme “A casa de Alice”, dirigido por Chico Teixeira.

 

Alice é traída pelo marido e o trai. Seus filhos aprontam debaixo dos seus olhos. Sua mãe cala-se diante de tudo o que acontece e a gente não consegue achar nada tão estranho perante a realidade em que nos encontramos. Um dos filhos ganha dinheiro com o próprio corpo e por aí vamos compreendendo como surgem os diversos modelos de família na contemporaneidade.

 

Os filhos de Alice no filme "A casa de Alice", de Chico Teixeira.

Os filhos de Alice no filme “A casa de Alice”, de Chico Teixeira.

 

Por meio deste longa metragem, é perceptível a força de Alice para manter a família e enfrentar todos os problemas que surgem. Fechar os olhos para ela e sua mãe, ás vezes, parece ser a melhor solução. Perante toda trama que se desenrola, assisti-lo é se permitir refletir um pouco mais sobre a vida e a estrutura em que nós e tantas famílias estamos inseridos.

Há 15 dias, eu estava em Salvador e é claro que – em cada muro escrito, pichado ou carimbado com eroticidades – eu precisava fotografar para mostrar-lhes. Meus olhos brilhavam quando via sexualidade e autoafirmação pelas ruas, é aquela coisa de realmente se encontrar. Como vêem na imagem acima (e em todas as outras..rs), a apropriação da mulher fica bem clara. Ela é dona dos seus prazeres e possui a liberdade para se soltar das amarras de uma sociedade machista. Esse imperativo “Libere a Maria e o Orgasmo!” é mais do que certo e tem tudo a ver com o Pudor Nenhum até porque quem vos fala é uma mulher que se declara livre, apesar de alguns grilhões que a vida lhe coloca.

A imagem abaixo me deixou surpresa pela sutileza da imagem em contraste com a expressão “Xotas livres”. Em outras palavras, remeteu-me ao fato de trazer uma representação de leveza – costumeiramente relacionada ao sexo feminino, que é a borboleta – e de mostrar que a mulher pode se expressar como ela quiser porque o corpo é dela (simplesmente). Independente de ser xota, perseguida, xibiu, boceta ou o que mais você quiser falar – quando a questão envolve a si mesma, ela se refere como quiser e isso é uma delícia.

 

Xotas livres @muronacara

Muro carimbado na praia da Barra, em Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

 

O @muronacara me era desconhecido, então resolvi pesquisar e me deparei com o Instagram Muro na Cara e mais uma série de imagens no Google. Não entendi completamente qual o objetivo deste movimento, mas percebi que tem muito a ver com o dizer o que quer, escancarar verdades e mostrar-se liberto de moralismos. Isso tudo já é muito bom e me deixa de olhinhos brilhando. Além do dito, acima da imagem, falar de toda essa autoafirmação feminina é lidar com o empoderamento da mulher, que significa uma transformação no conceito que ela tem de si na sociedade e isso altera, em muito, a sua autoestima. O não empoderar-se nos torna submissas e submissão, em nosso dicionário, só se for no sadomasoquismo, né?

Para encerrar, esta próxima imagem também é uma lindeza e até relembra o texto “A masturbação é uma forma gostosa de conhecer o próprio corpo“, publicado dia desses, aqui no Pudor Nenhum. Como sabemos, o ato de se tocar sexualmente favorece que nos conheçamos e entendamos como nosso corpo funciona ao receber prazer. Em outro sentido, a frase “Menina, se toque!” pode se referir ao fato de abrir os olhos e não se permitir ser violentada. Quem disse que somos sexo frágil é porque não pensou duas vezes. A delicadeza com que nos vestem vai além do que realmente somos, tô mentindo?

 

Parede da Uneb/campus Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

Parede da Uneb/campus Salvador. Fotografia: Lu Rosário.

 

Espero voltar em Salvador ou andar por outros lugares e encontrar dizeres como esses pelas ruas. Claro que constituem uma poluição visual, mas mostram que existem pessoas com pensamentos maravilhosos por aí e isso me deixa feliz e menos culpada com a questão ambiental. Se passarem por algum lugar tão lindo quanto os que eu passei, tira foto e compartilha conosco que irei (ou iremos) adorar!

A gente sempre tem um desejozinho, lá no fundo, de poder fazer tudo o que o nosso corpo e a nossa imaginação mandar. É aquela vontade de libertar-se das amarras dos pudores e de, em um dia quente, sair nu (ou nua) por aí ou até mesmo tomar um banho de chuva sem roupa alguma para lavar até a alma. Às vezes dá vontade de puxar aquela delícia que tá passando em sua frente e beijar gloriosamente ou de transar em locais públicos sem preocupação alguma se alguém está olhando. Vontade de não usar soutien e vestir saia sem calcinha pra ter toda aquela liberdade e sensação entre as pernas ou, mesmo, não usar cueca mais e colocar saias como as mulheres.

Nas privações impostas pela sociedade, encontra-se o desejo da libertinagem sob a pele. E, então, você se imagina numa orgia cheia de gente bonita ou em um mènage à trois com aquelas duas pessoas que estão no seu álbum de pegações faz tempo. As regras, que nos são colocadas, afloram nossa sexualidade e intensificam nossas fantasias. Desse modo, nossos sonhos se tornam mais eróticos – quando não, pornôs. E, assim, a gente pensa que este pacote inclui algumas atitudes que, quando não tomadas, fazem com que nos arrependamos um pouquinho pelo excesso de pudor que nos inviabilizou realizar certas coisas e ter o êxito desejado.

Conciliar nosso instinto sexual com as leis morais é buscar a medida certa na balança e isso não é uma tarefa fácil. Equilibrar-se com vontade de se elevar em vontades é o mesmo que sofrer um pouquinho em silêncio. Porém, se as coisas não fossem assim, como seriam? Uma desordem total. Um filme pornô sem precedentes. Não haveria nada na vida, só gente ousada coisando e fazendo filho. Estou falando isso brincando, pois sabemos que nunca chegaríamos a este extremo, mas tocar nesse assunto é sempre legal para que vocês parem de achar que o espírito libertino é apenas seu. Bem, quem nunca pensou inúmeras ousadias que atire a primeira palavra porque eu duvi-de-o-dó.

Ei, moça, me diz uma coisa: Você se masturba? Já se masturbou? Muito, pouco ou nunca?! Esse é o tipo de coisa que nunca falamos, não é? O sexo da mulher sempre foi algo que deveria ser escondido. Desde criança, não podemos ficar de calcinha na frente dos outros; os seios começam a apontar e logo temos que escondê-los. A nossa sexualidade precisa ficar bem escondida e ninguém fala nada sobre o tocar-se, inclusive pensar em colocar a mão lá (a não ser na hora do banho para higienização) é pecado. Independente da religião (ou da falta dela), a maioria das pessoas vivem com o peso do cristianismo e o moralismo torna-se a palavra mestra a guiar ações e atitudes. Nosso corpo, portanto, só pode ser compreendido sexualmente após a adolescência.

Apesar de todo o silêncio em torno do nosso sexo, a maioria das mulheres começa a sentir o prazer entre as pernas ainda criança. Começa com aquele travesseiro ou ursinho de pelúcia. Começa quando algo esfrega – ainda que inconscientemente – pela região sexual e o prazer advém. Se é bom, a tendência é continuar e o ato ir tomando outras proporções até que surjam outros meios que explicitem melhor o assunto. Neste sentido, o erótico e o pornô possuem seu papel. Quando descobrem possibilidades de inserir algo na vagina, tudo o que tem formato cilíndrico passa a ser almejado em casos de sexualidade bastante aflorada ou até mesmo por curiosidade. E ainda assim, a busca do prazer permanece sendo considerado imoral; sem contar que há quem se desculpe em oração a cada prazer provocado por dedos e quetais.

A masturbação feminina é a coisa mais linda que existe porque é o nosso primeiro momento consigo mesma, é aquela coisa que a gente faz sozinha e que permite nos conhecermos um pouco mais. Em alguns casos, os pais conversam com as meninas sobre esse auto conhecer-se… mas não é algo comum e, aos que fazem, parabéns. Falar sobre o assunto com as filhas é oferecer-lhe mais segurança e fazer com que ela tenha consciência de que não está fazendo nada de errado, pensar assim evita sofrimentos presentes e futuros. Pense nisso!