HomeArtigo criado porLu Rosário (Page 35)

Definitivamente, lugar de romantismo nunca foi na cama. Quem acredita que fazer amor, em vez de sexo, é trazer o ser romântico que há em você para a cama, está muito enganado. Eu diria que a diferença entre fazer amor e fazer sexo é só uma questão de camuflar a palavra geradora de tabus: o sexo. Ou, então, assinalar que não se está fazendo sexo com qualquer pessoa, mas com alguém por quem se nutre um sentimento. Fora essa teoria toda, ambos são iguais na prática.

Na cama, a história é outra. O pegapacapá rola com tudo e os corpos se encontram na forma que mais íntima lhes parecem. É mão na bunda, nos seios, nas pernas e entre elas, principalmente. A troca de salivas acontece de todas as formas e os fluídos corporais não deixam a vontade mentir. A gente se contorce em posições mil e se encaixa perfeitamente um no outro segundo os moldes do filme pornô. A pornografia nos toma como dois e dois são quatro e ser romântico em meio às obscenidades nem combina.

Com o romantismo, o buraco é mais embaixo – não literalmente falando. Esse estado de beleza rara tem muito mais a ver com o cotidiano fora dos bastidores da intimidade que nos desnuda, pois está relacionado à convivência, ao dia a dia e a aceitar o outro com seus defeitos, vencendo orgulhos e aprendendo a ceder. A romanticidade está mais relacionada ao fato de dividirem a toalha, ajudar nos afazeres um do outro e cuidar dos filhos juntos – inclusive, frutos da pornografia que, em algum momento, os tomou.

Eu diria que lugar de romantismo é o cotidiano em todoos lugares da casa, mas não na cama nem em outros cantos com lambidas de tesão e fogo. Eu diria, também, que ambos precisam estar interligados a fim de que o casal consiga viver bem o suficiente para continuar planejando a vida juntos. Conviver bem nos dois sentidos é certeza de um relacionamento mais duradouro. Valorizar os dois (sexo e romantismo) e reconhecê-los em seu lidar diária é ratificar tais certezas. Portanto, amores, trepe muito e desnude-se, mas não esqueça de saborear os outros minutos com quem você escolheu ficar com você.

Quem nunca cantou “Espanhola”, de Flávio Venturini, pensando em ousadia? Muito difícil encontrar alguém com mais de 18 anos que não saiba o que vem a ser espanhola no sentido sexual da coisa. Ainda que seja difícil, lidamos com alguns mais “ingênuos” que podem até já ter feito uma espanholinha, mas não souberam ligar o nome ao conceito ou, em outras palavras, o termo à prática. Até porque, além do sentido sexual e gentílico da palavra, espanhola também é uma bebida feita com vinho e leite condensado.. hummmm.

Mas eu vou triplicar este “hummmm” para dizer que sexualmente falando, a espanhola é bem mais gostosa. Considerado como um sexo não penetrativo, compreende-se este ato como uma forma de estimular o pênis do parceiro com os seios. Apesar deste sugerir a relação homem-mulher, ele também pode ser realizado entre homens, a depender da desenvoltura do casal. É só encaixá-lo direitinho na região dos seios e mandar ver nos movimentos de ida e volta, olhando fixamente pra cara do cabra e, de preferência, aproveitando-se do movimento ascendente para colocá-lo na boca e dar aquela chupadinha gostosa – nem que seja na cabecinha do danado.

Fazer uma espanhola nem sempre é algo bem vindo às mulheres porque alegam que, a depender do tamanho dos seios, não é possível uma fricção legal entre eles e o pau do rapaz. E não é só isso: acreditam que o prazer é apenas do outro e, na maioria das vezes, não sentem excitação com isso.  Há também os homens que acham que para a coisa se fazer valer é preciso tê-lo grande e aí voltam com aquela história de que tamanho é documento. Além disso, alguns me sinalizaram que a espanhola auxilia a elevar o tesão durante as preliminares.

Eu curto, mas não acho essencial e, por isso, algumas vezes pode passar batido durante o sexo. Enfim, agora é a hora de você também me dizer o que pensa do assunto. Se preferir, pode comentar anonimamente que irei gostar do mesmo jeito.

A primeira vez a gente nunca esquece, dizem as línguas por aí – até mesmo antes de trabalhar em outras línguas – e é verdade, pelo menos para mim e para uma legião de gente que conheço. A primeira vez, após uma certa idade, começa a nos fazer sentido e trazer grandes lembranças. A gente sempre lembra a primeira vez que viajou sozinho, que dormiu na casa de um amigo, que arriscou preparar algo na cozinha. Também sempre lembramos nossas primeiras experiências mais íntimas, como a primeira vez que nos tocamos, que ejaculamos e – nada mais, nada menos do que o nosso primeiro beijo na boca.

Pode ficar pasma (ou pasmo), mas, em matéria de beijo, minha experiência começou muito tarde. Dei meu primeiro beijo com 18 anos e o meu segundo com 20 anos. #prontofalei. Agora dêem mil risadas antes de eu continuar. Riram? Senta aqui, vamos conversar: eu era uma moça muito centrada nos meus estudos, achava que começar a namorar me acarretasse desvios de meta. Depois que rolou esse beijo primeiro, o segundo demorou muito devido a minha timidez. Como eu era tímida e não me sentia à vontade em festas, preferia ficar em casa. Dentro de casa, a gente só beija mão, parede e espelho.

Durante todo este tempo que não beijei, ficava em minha cabeça que eu não saberia como agir quando acontecesse de novo. Além disso, a lembrança que eu tinha era em flash, parecia mais um sonho. O cara sumiu e se me perguntarem o nome dele, digo que não faço ideia. Na época, eu era chamada de BV (boca virgem). Não tinha vergonha de nunca ter beijado, então, se me perguntassem…eu dizia a verdade. A galera batia resenha e tal, mas eu não tava nem aí.

Sabe por que estou contando isso? Porque pediram-me para escrever sobre nunca ter beijado aos 20 anos. Apesar de ter dado um beijo aos 18, minha experiência válida e contínua de beijações iniciou-se aos 20 anos. Não me achei bicho de sete cabeças entre meus amigos por causa disso. Cada um  tem seu momento para suas primeiras vezes. Além do beijo, eu era recorde em “primeiras vezes” na faculdade e levava isso na esportiva, dizendo que faria um livro tal qual o dos recordes.

Agora, depois de saber que a delícia aqui também é como você, ainda vai se preocupar com isso de já ter beijado ou não? Tudo é uma questão de tempo e quando esse tempo vem, o despertar é tão grande que, armaria, é gostoso demais. Não é à toa que estou aqui com milexperiências e cheia de ousadia pra vocês. Permita-se e não ligue para o que disserem. Você sabe que sua hora vai chegar e você vai saber aproveitar até a última gota.

 

Sempre digo que a arte é uma forma de se expressar. Por meio dela, a gente expõe nossos anseios e traços ou corporeidades. O trabalho de Cleide Ramos é exatamente isso: esse expor através de cores, pincéis e olhares. Uma conquistense de 21 anos e com  talento despertado desde criança, encontrou sua maior expressividade em camisetas. Inclusive, duas delas foram sorteadas aqui no Pudor Nenhum e quem as ganhou exibiu sorrisos fartos. Cleide trabalha na Proart, orientando a produção de trabalhos belíssimos que estão sendo exibidos no Festival de Inverno Bahia este ano.

Para ela, o desenho “é onde me dessestresso, onde acho calma. Posso dizer que é um dos lugares que me sinto mais perto de Deus porque foi um dom que ele me deu e que sou muito grata. Hoje é o que me faz mais feliz”. Saber disso é uma delícia, não é? Esse é um papel essencial à arte, proporcionar um bem interior e, assim, ocasionar a beleza aos olhos e sentires alheios. Então, vamos deixar de lero e ver o trabalho dela na prática?

 

IMG-20150726-WA0057

Inspiração: Pudor Nenhum.

 

Neste trabalho, vê-se personalidade e força nas atitudes apontadas pelas linhas. E, para a minha surpresa e ataque de amores, ele foi desenhado com inspiração na gente, no Pudor Nenhum. Fala sério: nós somos um luxo e marcamos presença onde passamos, por isso estamos sempre nos afirmando enquanto pessoas livres em relação ao corpo. O desenho realmente passa essa liberdade.

 

IMG-20150819-WA0013

Imagem: Pin-up, em lápis pastel cretacolor e papel Canson mi-tients.

 

As Pin-ups são lindas demais, não é, amores? Ele é praticamente uma autobiografia da desenhista, que adoro se vestir deste modo e acompanhar o estilo pin-up de ser. Tal pintura também nos remete à uma fotografia. A vontade é de se arrumar, colocar aquela maquiagem, um lencinho na cabeça e posar para ela. Uma imagem como essa, a gente emoldura e coloca na parede da sala ou escritório para olhar todos os dias.

 

IMG-20150819-WA0015

Cleide Ramos e sua pintura, Prisioner.

 

Para vocês saberem quem está por trás de todas estas lindezas, apresento-lhes a desenhista. Apesar de seu foco ser em camisetas, ela aceita encomendas de desenhos, grafites, telas, logomarcas. Cleide também faz quadrinhos e cartoons. Para conhecer, ainda mais, o seu trabalho, é só o Facebook de Cleide Ramos. Dá uma olhadinha por lá e veja a arte, por ela expressa, em todas as suas possibilidades. Não coloquei tudo aqui, mas garanto que há um mundo a se desvendar.

 

Este foi o primeiro filme que assisti sobre a transexualidade e confesso que chorei (e chorei muito!). O filme retrata a história do transexual Brandon Teena que, ao mudar-se para uma pequena cidade e assumir uma identidade masculina, é descoberto com um corpo, geneticamente, feminino. Antes da descoberta, apaixona-se por Lana e começa a relacionar-se com ela. Além disso, faz amizades com outras pessoas pertencentes ao círculo onde ele e Lana fazem parte.

Entretanto, sua condição de transgênero é descoberta e mal compreendida. Começam os disparos de violência e, concomitantemente, a nossa dor perante o sofrimento do personagem nos machuca. Saber que aquilo realmente acontece nos machuca duplamente. Foi por todo o preconceito, todo o modo dele se olhar no espelho e por toda a questão de ter que viver uma vida dupla devido a não aceitação social que a gente consegue se colocar no lugar dele.

 

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

 

Este filme nos permite entender um pouco essa realidade que nos cerca, cujo transexual é visto praticamente como um monstro ou um anormal, tanto pela sociedade quanto pela família. Alguns casos terminam bem. Neste, você precisa assistir para saber como terminou essa história – um drama que me tirou algumas tantas lágrimas. Assim como Tomboy, é um filme que deve fazer parte da sua lista de próximas produções cinematográficas. Prepara a pipoca, chama ozamigo e se joga neste domingo. É bom demais um filmezinho, ainda mais com uma importância social tão grande.

 

De repente, você conhece alguém e esta passa a ser a pessoa da sua vida. As primeiras vezes acontecem com ela, desde as confidências às experimentações de alguns sabores que o viver oferece. Os sorrisos passam a ser compartilhados e nada passa a ser tão gostoso de lembrar do que o abraço e carinho por ela emanados. Não seria de estranhar que após algum tempo de chamego, você reconhecesse que aquilo era a tal louca paixão porque, simplesmente, você passa a não reconhecer distâncias. Sabe aquelas coisas que nunca poderiam ser superadas por causa disso e daquilo? Elas simplesmente deixam de ser barreiras e todo medo passa a ser coragem. No entanto, as circunstâncias começam a apontar outros caminhos.

Ele passa em um vestibular fora e você começa a trabalhar um pouco mais do que anteriormente. Vocês passam a se encontrar menos e a conhecer pessoas diferentes. O foco começa a ser outro e o coração, apesar de acelerado a cada reencontro, passa a perceber que aquilo não era simples paixão. Sendo assim, chamam de amor. Amar, então, torna-se sinônimo de querer bem – independente de estar ou não com a pessoa. As lembranças despertam sorrisos e fazem os olhos brilharem. O pequeno ato de conversar, até mesmo pelo Whatsapp, passa a representar novos e melhores passos. É desse amor que sustentam-se as amizades.

Quando tudo entre os dois passa a ser amor, a emoção tira a coroa e a razão tira os sapatos. Isso tudo só acontece porque amar exige ver a felicidade do outro. Não estar mais contigo não é uma questão de não gostar, mas sim de não mais estarem na sintonia dos passos – no que concerne a sexualidade. Quando há uma química amorosa dos dois que converge para este ponto: não há dúvidas de que uma amizade permeará entre eles e que será uma pessoa com quem sempre poderá contar em qualquer momento da vida. Isso acontece por haver o reconhecimento da importância de um para o outro no decorrer da vida e por sentirem os pés no chão, evitando idealizações desnecessárias.

É por isso que adoro as chamas da paixão, mas amo mais ainda o amor que sinto por mim e pelas pessoas. Quando eu encontrar alguém para dividir a vida comigo, espero que seja para sentir os pés no chão. Reconhecer todos os defeitos e, ainda assim, continuar gostando do mesmo jeito. Isso, sim, é plausível e nos permite uma entrega pra vida inteira.