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Quando a gente entra naquela fase de começar a gostar de fulano ou sicrana, as coisas começam a mudar dentro de nós. É assim que começamos a ver nosso reflexo e a gostar ou não de quem somos. Então, passamos a nos entregar para ter alguma reciprocidade. Essa entrega vem acompanhada de todas as expectativas possíveis. Mutas vezes, são tantas expectativas que, antes mesmo do primeiro beijo, você já se imagina de véu e grinalda ou se imagina na correria cuidando dos filhos que, inclusive, podem até já ter nomes pré-definidos. Infelizmente, nem tudo funciona como idealizamos.

Quantas vezes eu pedi desculpas sem ser a culpada? Quantas vezes eu gastei o que não podia para agradar? E todas as coisas das quais me despedi ou que tive que ceder porque achava que era orgulho e que isso não me levaria a nada? Nossa, lembro-me das inúmeras vezes que mudei de estilo para agradá-lo. E quando eu sabia que não ia dar certo e ele dizia que ia mudar? Eu pensava, refletia e acreditava repetindo para mim mesma: Será a última vez. Na verdade, eu já estava na terceira tentativa. Para ficar com aquele gatão cobiçado, eu fazia tudo. Foi assim que também fui trouxa. Corri atrás, transei com ele e depois fui ignorada com sucesso. E quando tentei sensualizar de todas as formas, mas ele nem me olhava?

Tudo isso é pouco. Minha mostra, após mais de 30 anos, ainda precisaria de mais e mais linhas para trazer todas as causas das minhas trouxices que, também, combinam com as suas. Ser trouxa faz parte da vida, faz parte do nosso aprendizado. A gente só aprende quando cai e, às vezes, a gente é tão amor e tão entregue na vida que, mesmo se transformando em origami, continuamos repetindo esse papel – mesmo todo amassado.

Ser trouxa não é um defeito seu nem nosso, mas é a representação do quanto somos bons e bobos. Em outras palavras, quero dizer que não somos bestas e ruins. Nós temos o coração do tamanho do mundo. Deixamos que os outros entrem e ocupem um espaço imenso e ainda vivemos doses extras e não consentidas de emoções. Não há problema algum nisso. Só não podemos permanecer origamis quando a vida nos exige uma pisada mais firme no chão. A balança existe para medirmos todas as nossas ações e não repetirmos alguns erros. Só não podemos endurecer e perder a ternura. Só não podemos deixar de nos permitir. Precisamos continuar dando brechas porque curtir a vida em todos os seus âmbitos é bom demais.