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Em sua sexta edição, a Semana da Diversidade LGBT continua sendo uma conquista e um momento em que todos juntam sua bandeira a favor de uma única causa: dar um tapa na cara da sociedade e mostrar que este é um assunto que deve alcançar os mais variados âmbitos, inclusive o político. A Coordenação LGBT de Vitória da Conquista (Ba) em parceria com alguns movimentos sociais, é quem vai promovê-la entre os dias 1 a 15 de novembro deste ano. 

Nos anos anteriores, acompanhei a Parada do Orgulho LGBT. Então, quando soube como seria este ano, fiquei bestinha porque percebi que haveria um espaço mais longo para discussões. Confesso que me perguntei como dormi tanto tempo no ponto para não ter percebido momentos como esse nos anos anteriores, mas Gisberta Kali, uma das organizadoras do evento, me situou melhor a respeito do assunto e disse que eu estava certa – é a primeira vez que há a semana da diversidade na cidade.

 

Tentamos promover um evento que fuja ao ritmo apenas carnavalesco, festivo que as manifestações do orgulho LGBT têm feito, o que implicou num investimento em formação política, através de seminários, rodas de conversa, inclusão de identidades a marginalizadas em lugares que não sejam apenas o do espetáculo. A discussão passa pelo eixo temático do direito de ser humano, tendo em vista desmistificar os discursos sobre o que é ser LGBT numa sociedade violenta, heteronormativa. É, pois, repensar a categoria do corpo abjeto à qual somos subjulgadxs cotidianamente.

 

LGBT, como todo mundo deve saber, é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros  e representa um movimento que luta pelos direitos de ter uma vida comum e sem pré-julgamentos por conta da sua orientação sexual. Como ressaltou Gisberta, um movimento como este precisava de um espaço para aprofundar suas discussões e situá-los na conjuntura social em que estamos inseridos.

O preconceito, que sofrem diariamente, rompe com os direitos humanos e parece fortalecer o discurso que sobrepõe a violência a favor do religioso ou seja lá de quais pensamentos sejam sustentados e defendidos. A intenção desta Semana será justamente legitimar a luta contra a homofobia por meio de um discurso que inclui o respeito. Diferente do que muitos acreditam, a Parada LGBT não surgiu como uma forma de chamar a atenção e fazer das ruas um carnaval, a sua história é bem diferente do que se pinta.

As Paradas do Orgulho Gay surgiram depois da oficialização do dia do orgulho gay, em 1969, após a manifestação a qual levou aproximadamente 2 mil pessoas às ruas de Nova Iorque por causa de uma batida policial no bar onde gays e lésbicas frequentavam, ocasionando prisão e espancamentos. As manifestações, portanto, iniciaram-se pela busca dos direitos civis. Devido a isso, alguns avanços tem sido alcançados – tais como o fato da homossexualidade não ser mais considerada crime ou doença porque, infelizmente, eram vistos deste modo.

A programação da Semana da Diversidade LGBT, em Vitória da Conquista, conta com o tema “Por uma cidade de PAZ, do AMOR e das diversas IDENTIDADES!” e será composto por seminários, rodas de conversa, ato público e atividades de música, teatro, cinema e premiação. Para acessar a programação, é só clicar aqui. Espero nos encontrarmos lá, livres de preconceito e com o coração aberto.

Para informações sobre como participar, é só entrar em contato com a Coordenação de Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de LGBT pelo (77) 98837.1863 ou pelo e-mail: lgbt@semdes.pmvc.ba.gov.br.

Quando se pensa em uma dança que explora a sensualidade, vêm à cabeça da maioria das pessoas a dança do ventre. No entanto, ninguém busca conhecer sua origem nem a reconhece enquanto uma manifestação cultural. Neste sentido, a dança do ventre tornou-se uma expressão corpórea e provocativa para o gênero masculino, bem como um símbolo de preconceito por ter se popularizado como aquela que promove e intensifica a sexualidade.

Antes de escrever esse texto, eu comecei a pesquisar sobre a origem da dança do ventre, conversei com a dançarina Mariana Rabêllo e deparei-me com muitas versões – o que não é de estranhar, visto que a dança é uma manifestação antiga e, como tudo no tempo, passa por transformações. A linguagem oral também possibilita alterações no modo de se contar uma história. Para alguns, tal dança surgiu na Índia, outros dizem ter sido no Egito e por aí vai. Já a expressão dança do ventre, dizem ter surgido em 1893 e ser oriunda do francês danse du ventre.

Como conhecemos, a dança do ventre é – majoritariamente – dançada por mulheres com vestimentas que deixam a barriga à mostra. Os movimentos do corpo lembram um serpentear enquanto as mãos e braços acompanham-no de forma delicada e sensual. A sua história deixou de ter um cunho religioso e cultural para tornar-se, em alguns países do ocidente e também do oriente, uma dança a ser apresentada somente entre quatro paredes ou como forma de sedução. Profissionalmente, no Brasil, nem sempre tem reconhecimento, principalmente, em cidades interioranas.

Em uma sociedade patriarcal e – consequentemente – machista, as mulheres casadas ou enamoradas, ainda possuem uma relação estreita com o cônjuge na qual há submissão. Devido a isso, elas não podem dançar em outro lugar a não ser para eles. No caso de mulheres solteiras, há um olhar atravessado pelos sentidos que a constituem por causa da dança. Com todas as palavras, o preconceito rola pesado. Mariana Rabêllo, que é professora de dança do ventre, confirma que

 

Há ainda um preconceito na dança oriental, principalmente para as bailarinas que vivem da própria arte. Além disso, existe o preconceito gerado por parente e familiares de algumas alunas. Há situações onde o marido permite que ela faça, porém, não pode se apresentar em público (portando o traje ou não). Elas podem dançar apenas para ele. Claro que a dança do ventre tem todo um lado sensual, mas ela é a herança e cultura de um povo que, a princípio, usava a dança para cultuar uma deusa, para preparar o corpo da mulher para se tornar mãe. Alguns movimentos como o camelo e as ondulações de braços, por exemplo, são inspirados nos movimentos realizados pela cobra e pelo camelo; o shimmie tem o o poder de curar, com sua movimentação localizada no chakras básico, libera energia, acaba com o stress, faz o ground, solta o corpo, ativa a circulação e renova a energia, além dos inúmeros benefícios que a dança oriental proporciona.

 

Como foi dito, a dança do ventre vai além do fato de ser uma dança sensual. Ela estimula a criatividade, corrige a postura, relaxa o corpo e a mente, proporciona contornos mais definidos aos braços e os ombros, desenvolve a agilidade e a concentração, tonifica e fortalece a musculatura abdominal, desenvolve a agilidade e a concentração, queima calorias, aumenta a circulação e a flexibilidade, combate a depressão, alivia os sintomas da menopausa e melhora a autoestima.

Agora me diz: O corpo é de quem? É nosso. As mulheres podem dançar como quiserem para si mesmas e para expressar a arte, não necessariamente para agradar e chamar a atenção do sexo oposto, mas como forma de perpetuar uma cultura e uma dança que perdura no tempo. Ninguém deveria ter uma má reputação por causa da arte que, em si, vive. Pessoa alguma deveria nos restringir, sem contar que nós temos o livre arbítrio – ou seja, plena liberdade – bem como preferências às manifestações artísticas. Portanto, termino com as palavras de Simone Martinelli (trazidas por Mariana Rabêllo).

 

Em tempos muito antigos, a dança era a representação da natureza. As mulheres observavam e reproduziam os movimentos da natureza em forma de dança para estabelecer uma comunicação com os deuses e deusas para que, assim, alcançassem a cura, milagre ou a benção.

 

Coisa mais linda, não é? Vamos desconstruir nossos conceitos culturalmente construídos e se permitir perceber a dança do ventre em sua essência. Quem for de Vitória da Conquista, na Bahia, e estiver a fim de fazer uma aula experimental e conhecer um pouco desta dança tão polêmica, pode entrar em contato com Mariana Rabêllo aqui pelo Pudor Nenhum. Basta mandar um comentário para mim e ela, certamente, saberá. Antes que pensem que o assunto encerrou por aqui, saibam que falar de Dança do Ventre é trazer muita coisa na bagagem. Então, em breve, tem mais!

 

Este é um assunto que já estava em meus planos falar, mas que veio à tona com mais força após um comentário sobre a postagem pós festa X-cania. Caso tenha parecido que o texto fetichizava as mulheres lésbicas, saiba que a intenção nunca foi essa. Esta resposta, inclusive, é para todas as mulheres e homens que estavam na festa, que pretendem ir nas próximas e para quem lê o Pudor Nenhum – independente de qualquer outra coisa.

Vocês já perceberam que, normalmente, homem com homem é considerado feio e nojento enquanto mulher com mulher é compreendido com um ato bonito e mais livre às outras possibilidades? Pois é. As pessoas, homens ou mulheres, costumam aceitar mais facilmente a relação entre mulheres devido a sociedade machista em que estamos inseridos. Neste sentido, a mulher não parece ser vista efetivamente como lésbica e sua sexualidade torna-se fetiche, tendo que servir aos desejos masculinos ou de casais. O ménage à trois é um destes casos, pois todo homem sonha em transar com duas mulheres e vê-las interagir sexualmente. Estou mentindo?

Então, a mulher lésbica é vista como aquela que também pode ficar com homens e que, portanto, ao ficar com os dois, pode servir de brinquedinho nas vontades alheias. Logo, a gente se depara com a invisibilidade, homofobia e machismo – tudo em um mesmo pacote. Quando duas mulheres se beijam, um homem olha, mostra a língua e segura no saco, mostrando que o convite está aberto ou que mais tarde vai bater uma para celebrar a beleza que se apontou diante dos olhos dele.

Na novela Babilônia, as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg formavam um casal lésbico e sabe o que eu ouvi? Que como é que “duas velhas se prestam a fazer um papel desses”, “são duas sem vergonhas”, “numa idade dessas”. Isso me fez pensar no quanto o ser lésbica está relacionado a juventude. É como se depois que envelhecessem, tivessem que se enquadrar no padrão heterossexual. Nesse contexto, as pessoas vêem a homossexualidade feminina como uma moda e isso deslegitima a mulher, tira-lhe a voz, inviabiliza a sua sexualidade.

Quando colocaram-me o assédio dos homens às mulheres na X-cania com pedidos de beijo triplo, você vai justamente ao encontro de tudo o que eu disse acima. Inclusive, na festa haviam muitos curiosos que provavelmente acreditam na máxima de que ser lésbica é moda e, por isso, ele entende que pode se apropriar de tais espaços. E apropriando-se, o seu pensamento machista persiste em prevalecer ultrapassando limites alheios em invasões de privacidade e desrespeito à sexualidade da mulher – que, naquele espaço, ela crê ser libertador já que sofre tantos preconceitos cotidianamente.

Espero ter esclarecido aos senhoritos e senhoritas sobre o fato de uma mulher sentir atração por outra não é moda, não é um ato para provocar o homem e não é nada do que você pense que não seja uma opção sexual. Assim como as relações heterossexuais são respeitadas, as homossexuais encontram-se no mesmo patamar. Portanto, aprendamos a ter o hábito de não enquadrarmos ninguém em nossa cultura machista e sejamos melhores conosco e com os outros.

 

Foi um chegar como quem não queria nada, naquela coisa de avaliar, de se sentir intimidade de pessoas com  quem você vê convive diariamente, mas não conversa; ou que nunca viu e, de repente, vê-se em volta. Na porta, já rola um papo. Ao entrar, já rola um se achegar. E nesta pegada que as X-canias, sapatinhas, sapatilhas e sapatões começaram a fazer piseiro na noite do dia 16 de outubro. Vitória da Conquista reencontrou-se em um ambiente de possibilidades, onde o público homossexual sentiu-se à vontade para as trocas linguísticas e experimentação de sentidos.

As X-canias chegaram com tudo, proporcionaram um tráfego dentro e fora do Ice Drink e algumas, é claro, deram vexame porque se não fosse, não iria prestar. Um salão, espaço do open, porta, corredor e banheiro fazia um entrelaçado de amassos em paredes silenciosas. Beijos triplos, mãos passantes, olhares trocados e sensualidade nos corpos era algo que tomava os espaços sem pedir licença alguma.

Curiosidade e perigo era o que todos prometiam em trocas de vontades. Para não cair em desuso, as cantadas sobre guardanapos entraram em ação. Aquela coisa de boemia e de mesa de bar nos permearam. Todo mundo recebeu sua cantadinha de pé do ouvido e caneta marcada, confesso que guardei os meus – nem todo mundo se lembrava quando o momento era se atracar com o outro.

Cantada X-cania

Mais uma cantada X-cania

Como educadas que são, a festa no final deixou as x-canias com o coração cheio de emoção porque, realmente, foi lindo. Muita dignidade perdida, muitos contatos trocados, muitas línguas saciadas, passos aprendidos, corpo pedindo descanso e, logo depois, pedindo mais. Para finalizar com vocês, deixo o recado das organizadores lindas.

Por fim, queremos agradecer principalmente a todas vocês, xcanias deliciosas, que rebolaram gostoso, beijaram na boca delícia e fizeram a noite de ontem ser a mais quente de todas. Tivemos uma equipe fechada para produzir a festa, mas, sem sombra de dúvidas, quem fez com ela acontecesse foram todas vocês. Então um beijinho na pepeca de cada uma e se preparem que em breve tem mais.

Opa, vocês estão de prova: rolou promessa de mais festas como essa. Nas próximas, óbvio, o Pudor Nenhum vai continuar marcando presença e divulgando pra vocês. Momentos como esses não podem ser deixados em branco. E, enquanto isso, vamos cair na estrada mais uma vez! #fui #partiu

 

 

Quem ainda não ouviu falar do X-cania, o momento é esse. Vitória da Conquista, na Bahia, apesar de ter aproximadamente 343 mil habitantes, não oferece muitos eventos aos jovens que queiram esbanjar um pouco a sua energia e sentir-se livre dos preconceitos sexuais que os cercam. X-cania, como a própria pronúncia deixa a desejar, é uma palavra relacionada a Scania – isso mesmo! As organizadoras resolveram brincar com a relação que é feita entre lésbicas e motoristas de caminhão ou, mais popularmente, caminhão e sapatão para criarem uma nova palavra que soasse melhor aos nossos ouvidos.

Depois de dizer isso, nem precisa mais dizer tanta coisa, não é? O X-cania é uma festa voltada para o meio lésbico devido a necessidade que esse público tem de encontrar espaços para se divertir. Além do mais, este pode ser um espaço para que a visibilidade lésbica comece a existir de fato e, assim,  conquistar espaço, pelo menos no âmbito conquistense.

As organizadoras são estudantes bem (ou mal) intencionadas que querem ver a pegação, o vexame, a ousadia e audácia. Em outras palavras, a liberdade dos corpos em um espaço única onde a maioria (senão todas) as presentes compartilham da mesma opção sexual. São elas Ariana Firmino, Arianne Correia, Mariana Kaoos, Maiêeh Sousa e Nayara Felício (se clicar no nome, você acessa o Face delas e pode adquirir a sua pulseira). Todas lindas e com estilos bem definidos. Veja, abaixo, o material de divulgação e fique boquiaberta com a beleza disso.

 

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Depois de tanta atitude e certeza de suas opções, esta já é uma das festas mais esperadas pelas gatas que pegam outras gatíssimas na cidade. Ainda por cima, vai rolar votação para a miss X-cania, que vai ganhar um ensaio fotográfico, e a miss X-caninha que ganhará um presentinho A proposta do evento é de que cabe muito amor. Para elas,

X-cania é A FESTA para você quem gosta de causar, de dançar, de embebedar e pegar geral. E já estão dizendo que depois da meia noite, todas as princesas vão virar tigresas selvagens e que a putaria vai rolar solta. Então vem que eu já estou contando os dias, as horas pra lhe ver. PRE-PA-RA que só vai ter poderosas e é pra chegar como quiser: a pé, de coletivo, de moto ou caminhão. A X-cania não faz distinção! Treine logo seu rebolado e escolha seu sapato. Aqui pode entrar de sapatilha, de sapatão, de tênis e scarpin. X-cania é pra todos os números e calçados. E não adianta se esconder, porque a gente vai te achar. Então chega gostoso com o bonde que a X-cania vai bombar.

Depois desse convite esperto e com toda a malícia que a gente adora, nem precisa dizer mais nada, né? A vontade é só ir e se jogar porque essa festa vai ter uma apimentada e um tchan como nenhuma outra tem igual. As pulseiras do poder já estão custando R$20,00 e o local da festa é ali pertinho da prefeitura. Não tem erro. Não sei se irei por questões: muito trabalho e vou viajar pras bandas soteropolitanas. Mas, se der, claro que bato por lá com minha sapatilha no pé e toda a liberdade que meu corpo quiser. Se for o caso, a gente se encontra lá!

Lembrando-me daquela história de uma língua e uma boca que o exige dentro de si, Eu quero na minha boca, resolvi fazer uma sessão de fotos bem instigante. Sabe aquela foto inocente, entre aspas, que pode despertar imaginações? Pelo menos, essa foi a minha tentativa de provar que não é preciso ser explícito para dizer tudo o que sua língua adora fazer.

O bom do sexo é permitir-se aos pensamentos mais libertinos e, consequentemente, senti-los todos em momentos de maior intimidade. Se já estiver com água na boca, então prepare-se para ficar ainda mais. Depois, pode aproveitar-se da boca ensalivada e enchê-la dos outros atributos que só ele tem. Para ela, em breve rolará um outro ensaio tão provocativo quanto.

 

Minha língua 01

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Lamber, chupar e se saborear: são essas as três palavras que definem o gosto, a textura e a medida do pau. A mulher logo percebe se vale a pena continuar quando sente o quão delicioso foi tê-lo na ponta da língua. Para quem brincou com as imagens, então continue a se lambuzar – não tem problema algum.