Home2015agosto

Sempre digo que a arte é uma forma de se expressar. Por meio dela, a gente expõe nossos anseios e traços ou corporeidades. O trabalho de Cleide Ramos é exatamente isso: esse expor através de cores, pincéis e olhares. Uma conquistense de 21 anos e com  talento despertado desde criança, encontrou sua maior expressividade em camisetas. Inclusive, duas delas foram sorteadas aqui no Pudor Nenhum e quem as ganhou exibiu sorrisos fartos. Cleide trabalha na Proart, orientando a produção de trabalhos belíssimos que estão sendo exibidos no Festival de Inverno Bahia este ano.

Para ela, o desenho “é onde me dessestresso, onde acho calma. Posso dizer que é um dos lugares que me sinto mais perto de Deus porque foi um dom que ele me deu e que sou muito grata. Hoje é o que me faz mais feliz”. Saber disso é uma delícia, não é? Esse é um papel essencial à arte, proporcionar um bem interior e, assim, ocasionar a beleza aos olhos e sentires alheios. Então, vamos deixar de lero e ver o trabalho dela na prática?

 

IMG-20150726-WA0057

Inspiração: Pudor Nenhum.

 

Neste trabalho, vê-se personalidade e força nas atitudes apontadas pelas linhas. E, para a minha surpresa e ataque de amores, ele foi desenhado com inspiração na gente, no Pudor Nenhum. Fala sério: nós somos um luxo e marcamos presença onde passamos, por isso estamos sempre nos afirmando enquanto pessoas livres em relação ao corpo. O desenho realmente passa essa liberdade.

 

IMG-20150819-WA0013

Imagem: Pin-up, em lápis pastel cretacolor e papel Canson mi-tients.

 

As Pin-ups são lindas demais, não é, amores? Ele é praticamente uma autobiografia da desenhista, que adoro se vestir deste modo e acompanhar o estilo pin-up de ser. Tal pintura também nos remete à uma fotografia. A vontade é de se arrumar, colocar aquela maquiagem, um lencinho na cabeça e posar para ela. Uma imagem como essa, a gente emoldura e coloca na parede da sala ou escritório para olhar todos os dias.

 

IMG-20150819-WA0015

Cleide Ramos e sua pintura, Prisioner.

 

Para vocês saberem quem está por trás de todas estas lindezas, apresento-lhes a desenhista. Apesar de seu foco ser em camisetas, ela aceita encomendas de desenhos, grafites, telas, logomarcas. Cleide também faz quadrinhos e cartoons. Para conhecer, ainda mais, o seu trabalho, é só o Facebook de Cleide Ramos. Dá uma olhadinha por lá e veja a arte, por ela expressa, em todas as suas possibilidades. Não coloquei tudo aqui, mas garanto que há um mundo a se desvendar.

 

Este foi o primeiro filme que assisti sobre a transexualidade e confesso que chorei (e chorei muito!). O filme retrata a história do transexual Brandon Teena que, ao mudar-se para uma pequena cidade e assumir uma identidade masculina, é descoberto com um corpo, geneticamente, feminino. Antes da descoberta, apaixona-se por Lana e começa a relacionar-se com ela. Além disso, faz amizades com outras pessoas pertencentes ao círculo onde ele e Lana fazem parte.

Entretanto, sua condição de transgênero é descoberta e mal compreendida. Começam os disparos de violência e, concomitantemente, a nossa dor perante o sofrimento do personagem nos machuca. Saber que aquilo realmente acontece nos machuca duplamente. Foi por todo o preconceito, todo o modo dele se olhar no espelho e por toda a questão de ter que viver uma vida dupla devido a não aceitação social que a gente consegue se colocar no lugar dele.

 

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

Lana e Brandon Teena, personagens do filme.

 

Este filme nos permite entender um pouco essa realidade que nos cerca, cujo transexual é visto praticamente como um monstro ou um anormal, tanto pela sociedade quanto pela família. Alguns casos terminam bem. Neste, você precisa assistir para saber como terminou essa história – um drama que me tirou algumas tantas lágrimas. Assim como Tomboy, é um filme que deve fazer parte da sua lista de próximas produções cinematográficas. Prepara a pipoca, chama ozamigo e se joga neste domingo. É bom demais um filmezinho, ainda mais com uma importância social tão grande.

 

De repente, você conhece alguém e esta passa a ser a pessoa da sua vida. As primeiras vezes acontecem com ela, desde as confidências às experimentações de alguns sabores que o viver oferece. Os sorrisos passam a ser compartilhados e nada passa a ser tão gostoso de lembrar do que o abraço e carinho por ela emanados. Não seria de estranhar que após algum tempo de chamego, você reconhecesse que aquilo era a tal louca paixão porque, simplesmente, você passa a não reconhecer distâncias. Sabe aquelas coisas que nunca poderiam ser superadas por causa disso e daquilo? Elas simplesmente deixam de ser barreiras e todo medo passa a ser coragem. No entanto, as circunstâncias começam a apontar outros caminhos.

Ele passa em um vestibular fora e você começa a trabalhar um pouco mais do que anteriormente. Vocês passam a se encontrar menos e a conhecer pessoas diferentes. O foco começa a ser outro e o coração, apesar de acelerado a cada reencontro, passa a perceber que aquilo não era simples paixão. Sendo assim, chamam de amor. Amar, então, torna-se sinônimo de querer bem – independente de estar ou não com a pessoa. As lembranças despertam sorrisos e fazem os olhos brilharem. O pequeno ato de conversar, até mesmo pelo Whatsapp, passa a representar novos e melhores passos. É desse amor que sustentam-se as amizades.

Quando tudo entre os dois passa a ser amor, a emoção tira a coroa e a razão tira os sapatos. Isso tudo só acontece porque amar exige ver a felicidade do outro. Não estar mais contigo não é uma questão de não gostar, mas sim de não mais estarem na sintonia dos passos – no que concerne a sexualidade. Quando há uma química amorosa dos dois que converge para este ponto: não há dúvidas de que uma amizade permeará entre eles e que será uma pessoa com quem sempre poderá contar em qualquer momento da vida. Isso acontece por haver o reconhecimento da importância de um para o outro no decorrer da vida e por sentirem os pés no chão, evitando idealizações desnecessárias.

É por isso que adoro as chamas da paixão, mas amo mais ainda o amor que sinto por mim e pelas pessoas. Quando eu encontrar alguém para dividir a vida comigo, espero que seja para sentir os pés no chão. Reconhecer todos os defeitos e, ainda assim, continuar gostando do mesmo jeito. Isso, sim, é plausível e nos permite uma entrega pra vida inteira.

A gente não some porque quer. Há sempre toda uma história por trás disso e, em cada história cotidiana, é possível encontrar suspeitas e certezas de que uma semana longe do Pudor Nenhum é significativo o bastante para passar batido. Infelizmente, não vou poder contar que estava curtindo as sensações carnavalescas da pele nem atiçando os ouvidos com sussurros. Não, eu não estava carmim. Em momento algum, coloquei meu batom vermelho ou escureci meus olhos para aprofundar o olhar. Posso dizer uma coisa: estava bege.

O bege é uma cor sem sabor e sem quê nem pra quê, mas foi assim que eu me encontrei. Estudos, trabalho e problemas de saúde inviabilizaram-me publicações inspiradoras. Eu adoraria ter chegado aqui cheia de novidades e ter me vestido de selvageria durante este tempo, mas fui trouxa e me rendi aos desmandos de uma vida tipicamente urbana. Não houve nem um papo mais saliente trocado virtualmente, foi tudo muito igual e as malícias estavam na vontade de voltar pra cá e dizer pra todo mundo se foder e me carregar junto. Precisava e ainda preciso muito disso.

Eu preferia estar carmim, mas eu estava bege. Agora que o tempo me deu um help, as coisas voltarão para seus trilhos. Pode vir, olhar, participar nos comentários, enviar-me e-mails e dizer todas as suas malícias, estou aqui para isso: para ser um pouquinho de cada um nessa representação que se despe costumeiramente de pudores.

Sabe aquela coisa de que todo homem deve pagar as contas quando o casal sai? Pois é, esse é o questionamento básico que separa uma mulher independente de todas as outras. Em nossa sociedade, uma coisa é certa: ao homem, cabe o papel financeiro. Ele quem deve pagar toda a conta em cada saída de ambos e, ao morarem juntos, ele quem deve pagar todas as despesas da casa. O pior é que isso acontece, ainda que ela venha a trabalhar. Isso ocorre devido a aceitação da mulher e à cultura que coloca o homem em uma situação de privilégio.

Você talvez diga que não há um privilégio nisso aí, mas pensemos bem: nossa sociedade é capitalista e a máxima acaba sendo a do “manda quem tem dinheiro”, então por que não compreender tais circunstâncias desse modo? Mas não duvido nada de que você rebata isso me dizendo que a mulher ganha menos do que homem e blablabla, só que eu fico me perguntando: Você concorda que seja assim? Por que não lutar para que isso mude? Além do mais, ganhar mais te impede de dividir os gastos? Nesse sentido, sempre pensei que se os dois comeram, então por que o homem precisa arcar com todos os custos sozinho? Pensar dessa forma, aponta-nos como independentes, ou seja, não precisamos do outro para sair de tal lugar ou adquirir algo. A gente simplesmente paga o que consumimos e acabou, a parte dele é dele.

A mulher independente, portanto, assusta porque ressalta a não acomodação da mulher e rompe com a ideia de que o homem é o dono do pedaço. Ela sabe que, a qualquer momento, pode pagar a sua parte, levantar e ir embora se a conversa estiver chata. Sabe, também, que não depende dele para nada e que suas decisões podem ser tomadas na hora que der e vier. Ele, sabendo disso, passa a ser mais cuidadoso no seu trato e compreende que o fato dela ser tão livre exige mais dele. E, esse mais, nada tem a ver com as questões financeiras porque ela também opta dentro das suas possibilidades.

Quando uma mulher é livre, em todos os sentidos, não precisa brigar por pensão – que, inclusive, é o dinheiro que ele recebia para mantê-los. Nesse contexto, romper os vínculos acaba sendo uma tarefa mais fácil. Não precisa, também, prestar contas nem pedir nada a ninguém. Tudo o que der vontade, faz. Afinal, o bolso é seu e você coloca ou tira a mão dele quando quiser. Para você ver: a independência está totalmente ligada ao dinheiro, é inevitável. Vincular-se a alguém por causa disso é prender-se a ela. Para quem submete, isso é bom porque tem o outro na palma da mão. Para quem está submetido a isso, não é tão gostoso já que a dependência traz outros aspectos que não são nada benéficos para si mesmo.

Se ser assim, liberta do homem, acarretar em afastá-los, então não se preocupe porque homens que têm medo de viver em par de igualdade não valem a pena. Para toda panela, existe uma tampa. Logo, você achará a sua e a relação entre os dois será bem melhor e mais sadia. Submissão é uma palavra que, como eu sempre digo, só é legal no sadomasoquismo. Fora isso, sejamos cúmplices um do outro e deixemos de bestage.

 

Este livro é um romance e tanto que não deveria sair da prateleira dos mais atrevidos. De cunho pornográfico e temática homossexual, ele foi publicado anonimamente em  1893 em exemplares atribuídos a Oscar Wilde. No entanto, após passar pelas mãos de Charles Hirsch – dono da Librairie Parisienne de Londres – que encontrou grafias diferentes, além de correções e rasuras, foi considerado fruto de um conjunto de escritores amigos de Wilde, apesar deste ter sugerido algumas coisinhas do enredo e realizado correções no manuscrito. Em 1986, Teleny, ou o reverso da medalha foi publicado. É bom deixar claro que, antes disso, sua publicação não foi aceita devido a Lei de Publicações Obscenas. Já ouviu falar desta lei? Pois é. Ela foi criada em 1857 e regulava as publicações de cunho erótico e sexual, gerando a autocensura como consequência.

Neste livro, a gente se depara com os conflitos de um jovem a respeito da sua sexualidade. Ele percebe o quanto se sente atraído por outros homens, mas luta contra isso por causa da sociedade e dos conceitos morais em que está inserido. Ao ler, você percebe o quanto isso é real e contemporâneo, apesar de estarmos em épocas totalmente diferentes. Acontece que, em um concerto, ele se apaixona por um rapaz (no caso, Teleny) e, assim, começa a história de paixão entre eles. Com cenas de sexo bem escritas e reveladoras, a escrita impressiona pela beleza dos detalhes. Neste romance, também é apresentada uma visita ao bordel (ou casa de tolerância – como se chamava), afinal, o jovem precisava acompanhar os amigos nos desfrutes da carne e em sua estampa heterossexual.

Para você perceber o quanto essa leitura é deliciosa, deixo-lhes um trecho.

Quando isso aconteceu, eu mal pude me conter, agarrei sua cabeça cacheada e fragrante entre minhas mãos; um tremor percorreu meu corpo inteiro; todos os meus nervos encontravam-se no limite da tensão; a sensação era tão penetrante que quase me enlouqueceu.

Depois, a coluna inteira estava dentro da sua boca, a ponta tocando seu palato; sua língua, achatada ou engrossada, provocava-me arrepios por toda parte. Num momento eu era sugado com avidez, depois mordiscado ou abocanhado. Gritei, implorei para que ele parasse. Não podia suportar tamanha intensidade por mais tempo; aquilo estava me matando. Se tivesse continuado por apenas mais um instante, eu teria perdido os sentidos. Ele era surdo e insensível às minhas súplicas. Relâmpagos pareciam passar diante dos meus olhos; uma torrente de fogo percorria todo o meu corpo.

– Basta… pare, já chega! – gemi.

Eu conheci este livro por meio de uma amiga que amo um tanto e, oh, adorei. Super indico meeeeesmo. Não é à toa que estou falando sobre ele aqui, não é? Ao ganhá-lo, eis que também recebo essa linda dedicatória. Caso queira lê-lo, não será tão difícil encontrar. Lembre-se do que falei e saiba que vale a pena adquirir uma leitura tão importante na história da literatura erótica e tão gostosa de ler.

Fotografia: Lu Rosário.

Fotografia: Lu Rosário.

Sabe quando você está em sua timeline, no Facebook, e de repente se depara com imagens lindas sendo espalhadas em algum canto do Brasil? Foi assim que aconteceu comigo ontem. Uma pessoa querida, que mora na capital cearense, está realizando uma intervenção com mais dois amigos. Sem um nome definido por não se tratar de um projeto, preferem dizer que são ações em prol do respeito ao próximo e das mais variadas formas de pensar e agir.

Jadiel Lima é um estudante de jornalismo e Sarah Rodrigues cursa agronomia, ambos na Universidade Federal do Ceará. Para completar a tríade dos idealizadores deste belo trabalho, temos o tatuador e ilustrador Renan Feitosa. De acordo com eles, a ideia é envolver mais gente a cada vez que marcarem as intervenções e, principalmente, meninas. De acordo com Sarah, tudo surgiu a partir da observações de espaços da praça do bairro em que frequentam. Ela completa que

Lá tem uns gramados, um half pipe enorme e é frequentado pela juventude do bairro. Aí surgiu na ideia de dar mais cor e vida cultural e política nesse espaço, uma expressão de um movimento e uma vida que já existe.

 

11796219_10206031246478305_8377272626256661777_n

 

As imagens são pôsteres lambe-lambe. Para quem não sabe, estes possuem tamanhos variados e são colados em espaços públicos de modo mais econômico. E, inclusive, por não envolver muitos gastos que têm feito parte da arte urbana contemporânea. Além do mais, os desenhos são feitos pelos três. Sarah completa que “O Renan e Jadiel já têm uma naturalidade maior nessa parte de criar porque já fazem isso da vida, digamos. Jadiel publica as tirinhas dele há um tempo e o Renan é tatuador/ilustrador. Pra mim que tá sendo um processo bem novo e lindo. Sempre fui apaixonada por desenhar, mas tenho até hj muita vergonha de mostrar. Fazer esse trabalho na rua é até um grande exercício, sabe? Haha”.

 

11855894_868901413195087_2532904931507573835_n

 

Em relação a aceitação, eles perceberam um certo estranhamento entre as pessoas no momento da colagem. Entretanto, ao verem os desenhos prontos, acabavam ficando mais tranquilos e conversando sobre a arte que lhes era apresentada.

Na última intervenção, o Renan fez um lambe de uma moça levantando o vestido e aparecia um pedacinho da bunda da indivídua. Aí arrancaram essa parte do lambe… rs.

 

11888061_10206145105124700_2686754832025471272_n

 

As imagens estão no bairro Parangaba, em Fortaleza. Como vêem, as imagens são pura inspiração e nos permitem proferir um discurso lindo a respeito das mulheres, do corpo e da liberdade. Quem tiver interesse de conhecer e participar, é só deixar um comentário aqui e eles entrarão em contato com você. Agora, suspire e suspiremos.